Deus nos livre do feminismo

O movimento há muito tempo deixou de ser a busca por uma emancipação das mulheres. Hoje não passa de instrumento para os diretórios socialistas das academias de ensino

Postado dia 08/06/2016 às 09:00 por Pedro Henrique

 

feminismo

Foto: Reprodução/Internet

Há coisas que aprendemos em livros; aliás, a grande maioria das coisas lá aprendemos. Todavia, há certas situações que aprendemos com um olhar mais ou menos atento. Por exemplo, percebemos quando alguém, na fila da montanha russa, não está muito confiante no cara da torre que diz ser completamente seguro aquele magnânimo brinquedo; a face de profundo desespero é facilmente contatável quando ele(a) é o próximo da fila. Tudo isto é facilmente apreensível sem ser preciso elucubrações psicológicas. Da mesma forma, não é preciso ser nenhum observador a nível de Dr. Watson para notar as lacunas lógicas e psicológicas em alguns movimentos sociais.

Não é preciso usar de nenhum estimulo behaviorista para compreender que não há ligação lógica e cortês entre: queimar pneus em avenidas centrais de grandes metrópoles, e o ato de esperar amabilidades políticas por parte dos cidadãos que chegarão atrasados em seus trabalhos por conta do protesto; assim como não é preciso ser um biólogo evolucionista para detectar a contradição daquela espécie de mamífero que mostra os seios, em praças públicas, para pedir pudor masculino e obter apreço feminino ao seu movimento.

Há um mito muito bem cultivado, com ares de cientificidade, na academia estudantil brasileira – não me refiro a nenhum estudo da cultura dos nórdicos ou dos gregos, mas sim dos centros de estudos sociais das universidades federais e particulares desta nação. O mito a que me refiro é aquele que diz que o feminismo é um movimento social preocupado com as mulheres. Me refiro àquele movimento social que busca tão sordidamente, e de maneira ditatorial, calar seus opositores.

Uma breve pesquisa na internet, ou até mesmo alguns minutos num debate com as ditas “cultuadoras da democracia”, deixará claro que, de todas as maneiras, elas tentam calar a todos que delas discordam; perceberão, também, o profundo consentimento histérico de suas ideias que, a base de gritos, cuspes e palavras de ordem, impossibilitam o sadio discutir de pensamentos. Estes arautos da insanidade surgem das mais distintas universidades de nosso país. Ou seja: os centros de educação que deveriam formar intelectos emancipados, na realidade, estão formando zumbis repetidores de discursos de palanque.

Nem mesmo num mosteiro budista tibetano é possível encontrar tantas pessoas capazes de passar horas e mais horas repetindo mantras decorados de seus livros de orações — a saber: O manifesto do partido comunista, O capital, Problemas de gênero, A dialética do sexo, O segundo sexo, Política sexual e etc. Um estudo mais aprofundado da psicologia feminista talvez nos traria sustos grandiosos quanto às deformidades destas ditas psiques revolucionárias.

É bom lembrar algumas obviedades, pois, assim como Chesterton afirmou, parece que todos andam esquecendo-se delas. Após nascer, adentramos num processo de ganho de capacidades cognitivas, aprendemos a raciocinar a partir de nossas próprias capacidades. Todavia, uma das primeiras percepções que temos do mundo é esta: há uma coerência constante no cosmo, e que, se quisermos ser razoáveis e minimamente inteligíveis, devemos nos colocar a par de continuidade com esta coerência. Esta coerência, que perpassa toda a abstração da existência, cria uma lei que que deve ser respeitada, a lei da não-contradição — um imperativo, diria Kant; um estruturalismo natural, diria Strauss.

A não-contradição é uma lei universal e, em todos os tempos, em todas as culturas, ela é respeitada. Desde as tribos mais longínquas até as sociedades mais evoluídas, este parâmetro de não-contradição é seguido. Não simplesmente por submissão heterossexualista, como ridiculamente quis Judith Butler explicar as estruturas dos sexos em seu livro Problemas de gênero[1], esta lei universal é seguida, pois, é ilógico buscar estruturas desconexas à realidade para justificar políticas. Explicação esta, de Judith Butler, que vai contra qualquer bom senso e estrutura minimamente racional. Ignorando qualquer enfrentamento científico e propondo que sua filosofia seja a base da realidade, ela desconsidera qualquer facticidade biológica em busca de justificar sua ideologia como sendo o princípio do fato. Argumentando que o ser humano é um algo “dessexualizado”, amorfo e maleável, sendo caracterizável tão somente por suas vontades e apetites momentâneos.[2]

Isto está longamente declarado nas concepções de “gênero” desenvolvidas por estas feministas. Numa linguagem politizada, tentam reconstruir a realidade colocando não mais os paradigmas factuais do constatável como início da investigação racional. Mas sim, ideias desconexas que ganham ares de verdade, não por terem passado pelo crivo da ciência experimental ou da lógica filosófica estrutural, mas simplesmente por agradar certos setores sociais que buscam certos fins políticos. Através de linguagens empoladas, e, por vezes, com palavras científicas e filosóficas formais, dá-se a aparência de seriedade às suas estruturas alternativas para a sexualidade humana; estruturas alternativas até mesmo ao que é real. Não partem mais de realidade verificável pela ciência, ou da lógica formal e coerente, mas sim de uma ideologia marxista[3].

Montam toda a existência humana como se a realidade fosse um LEGO na mão de crianças, constroem suas verdades em cima de discursos políticos que acalentam aos seus ânimos revolucionários adolescentes. Ou seja, o fato perde todo seu teor de verdade. O que é verdade, agora, são as construções sociais idealizadas por grupos que ditam o que, segundo suas filosofias, é real ou não.

Entretanto, não seguir o princípio de não-contradição nos rende boas horas de risadas. Seus gritos de ordem e punhos cerrados sempre estão disponíveis para defender ideias das quais não entendem e sobre as quais não refletem. Mas, como tais ideias foram formuladas pelas feministas mais respeitáveis das galerias de suas universidades, tudo que elas dizem é considerado verdade última.

Com estas certezas, elas saem às ruas nuas para pedir pudor; idealizam teorias generalizantes onde todos os homens são, essencialmente, estupradores em potencial. Ao mesmo tempo que defendem banheiros neutros onde homens que advogarem por voz serem “trans” terão acesso ao espaço onde mulheres seminuas estarão expostas aos mesmos homens que elas dizem ser, em potência, estupradores.

Vão às igrejas para protestar contra o patriarcalismo do cristianismo, enquanto nos bailes funks as mulheres são tratadas como prostíbulos públicos; clamam em alta voz que a adoção de crianças por casais homossexuais deve ser um direito garantido, ou seja, o direito de homens naturalmente estupradores em potencial adotarem crianças. Histericamente esbravejam a repugnância ao casamento que, segundo elas, é uma estrutura patriarcalista, enquanto seguramente defendem o casamento como direitos dos gays. São tantas contradições que mal dá para levar a sério.

Enfim, questiono-me sinceramente se este movimento realmente se preocupa com as mulheres; afinal, claramente suas lutas não estão mais centradas nelas. Desde esta formulação de gênero, como sendo um princípio amorfo que assume inúmeras categorias[4] e não somente o feminino e masculino, a luta não é mais em prol de direitos femininos, mas sim por uma hegemonia política que descaradamente é comunista; não se esconde.

Em outras palavras, o feminismo há muito tempo deixou de ser a busca por uma emancipação das mulheres, há muito tempo não é mais uma luta por direitos femininos. Hoje não passa de instrumento para os diretórios socialistas das academias de ensino do Brasil. Judith Butler, sem nenhum receio, afirma que se o feminismo pretende ser um movimento político deve extinguir esta categorização de mulher[5].

Cabe-me ressaltar em palavras claras: não existe feminismo fora da matriz socialista; o feminismo só existe para buscar os fins propostos pelos teorizadores comunistas, suas lutas são máscaras para objetivos ideológicos revolucionários. Não lutam por direitos femininos, lutam por uma ideologia política; as mulheres são as desculpas.

Desde o escrito de Marx: A origem da família, da propriedade privada e do Estado, o socialismo percebeu que a principal estrutura que mantém a sociedade ordenada, não possibilitando uma revolução profunda, é a família tradicional. Ela é o sustentáculo sem a qual nenhuma sociedade não é possível. Não é segredo a ninguém que a práxis socialista visa destruir para ressurgir como messias político. Todavia, com uma estrutura basal e firme como a família, tal destruição torna-se impossível.

Retirando, então, o pilar da família, a sociedade torna-se maleável a qualquer ego revolucionário minimamente organizado em discursos socialmente reconfortantes. Se esta base permanecer, a sociedade até pode ruir por forças militares — como já aconteceu inúmeras vezes—, mas, inelutavelmente, surgirá novamente sobre as sólidas bases da única instituição social genuinamente natural, a família.[6] “Os profetas dessa revolução desejavam esvaziar do relacionamento entre os sexos todo o significado moral e destruir os costumes e as instituições que o regiam”, diria Dalrymple.[7]

Veja, quem afirma esta guerra contra a família tradicional são elas próprias:

“Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas”[8]

“Assim, libertar as mulheres de sua biologia significaria ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família. Nossa segunda exigência surgirá também como uma contestação básica à família, desta vez vista como uma unidade econômica”[9]

“Com isso atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua conseqüência [sic], a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia de poder, contudo, nós a destruiremos ainda mais”[10]

Enfim, além de ser um movimento pernicioso para o pensamento e para a sociedade, afinal, não é minimamente racional. Ele traz consigo um viés político ideológico escondido em gritos, em lutas que nada têm a ver com os princípios justos angariados por milhares de mulheres que adentram estes movimentos; o que estas mulheres acham é uma revolução política que extingue até mesmo a categorização sexual: mulher. Entretanto, muitas deixam-se levar pelos discursos, pela doutrinação política e, infelizmente, tornam-se cegas à realidade que as circundam.

O feminismo não é um movimento preocupado com as lutas das mulheres: suas líderes usam algumas batalhas para tentar justificar uma guerra. Uma guerra, aliás, que não visa ajudar nenhuma emancipação feminina, mas sim a revolução socialista por vias culturais. Negam às mulheres suas características mais latentes, negam as suas feminilidades como sendo um construto social. Em busca de torná-las um espectro de um nada, usam do feminismo para modelar as mulheres. As transformam em amebas errantes que seguem ordens sem refletir, maleáveis a qualquer imposição burra, fazendo delas robôs que agem por agir.

Enfim, querem um ser humano dúctil para viver e morrer num futuro por uma ideia que nunca deu certo; as transformarão em trincheiras humanas (e políticas) para remontar a realidade segundo suas utopias ilógicas. Talvez me seja impugnado o termo de exagerado ou lunático, reacionário, conservador ou, talvez, até mesmo fascista. E este é uma daquelas horas que eu rezo, rogo a Deus por estar totalmente errado; que mulheres não sejam trincheiras ideológicas.

 

Referências:

[1] BUTLER, Judith. Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade, 10ª ed, Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 2016

[2] PRINCÍPIOS de Yogyakarta: sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf . Acesso em: 22/07/2015
[3] Ver: Ibidem, p. 24
[4] Ver: Ibidem, p.22
[5] Ver: Ibidem, p. 18
[6]DESCOBERTA de casal pré-histórico: Disponível em: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/descoberta-sepultura-do-neolitico-com-o-mais-antigo-nucleo-familiar-conhecido-1350446
[7] DALRYMPLE, Theodore. A vida na sarjeta, 1ª Ed, São Paulo: É realizações, 2014, p. 63
[8] Simone de Beauvoir, “Sex, Society and the Female Dilemma – A Dialogue between
Simone de Beauvoir and Betty Friedan”, Saturday Review, 14.06.1975, p. 20.
[9] FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo: um estudo da revolução feminista. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976. Edição original: 1970, p 235
[10] Ibidem, p. 237
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Sobre o Autor

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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