A desorganizada reorganização das escolas

Na última sexta-feira, o governador Geraldo Alckmin decidiu suspender a reorganização das escolas, porém, a bagunça nas salas de aula ainda continua

Postado dia 07/12/2015 às 00:17 por Wilson ADM

 

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A reorganização das escolas tem causado tumulto, protesto, polêmica  e notícias vistas de diferentes pontos de vista. Vê-se muito no Brasil hoje a simplificação de tudo. Onde tudo é proveniente de uma única raiz maligna. Ora, se for assim, acusem o inferno e processem o diabo.

Na última sexta-feira, 4 de dezembro, foi suspensa pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin a reorganização da rede estadual de ensino, notícia que foi recebida com imensa alegria pelos estudantes que há semanas estavam ocupando escolas e confrontando a polícia e as autoridades. Houve ontem no dia 06 de dezembro em São Paulo, um evento festivo envolvendo show com artistas famosos, como extensão dessa conquista dos estudantes.

Junto da suspensão da reorganização, houve também o afastamento do secretário da Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorwald, dizendo-se envergonhado com a qualidade e o padrão de ensino educacional do Estado. Ele, com certeza, não é o único.Há muito o que ser feito.

Porém, ainda há uma especulação sobre essa ordem do governador, onde essa suspensão ainda é suspeita de ser um adiamento, e as pessoas estão por hora satisfeitas, mas ainda receosas com o que pode ocorrer em um curto espaço de tempo.

Todo o Brasil mobilizou-se com a atitude corajosa demonstrada pelos jovens, e inúmeras mensagens de solidariedade foram publicadas, outras de revolta, mas, a principal questão é que é preciso um bom cuidado para analisar bem quem está por trás dessas mobilizações de protesto, pois afinal, os jovens em seu início de formação de opinião sobre os seus reais direitos e deveres, ao mesmo tempo em que são bem úteis para criarem um cenário revolucionário, são ao mesmo tempo facilmente manipuláveis, engajados por esse espírito de heroísmo, pois é natural que os jovens estudantes, ou universitários, sintam-se na responsabilidade de salvar o mundo, mas lembrando novamente, todo cuidado é pouco… Existem forças políticas operando a todo momento, o Brasil tornou-se um país frágil e confuso.

Agora é preciso também dar crédito para a “molecada” que aguentou surra e bomba de gás lacrimogêneo, reivindicando seus direitos educacionais, mas claro que isso aplica-se aos alunos que estudam, não aos péssimos alunos que cabulam aula, faltam, vendem drogas nas escolas e entram na “festa” para levar o troféu de mártir político do ano porque cuspiu na cara de um policial e tomou uma cacetada…

A violência novamente apareceu para dar as caras, e dar boas pancadas na cara dos outros. O Estado coloca policiais para uma exposição que sempre gera revolta na população. Incrivelmente, ainda é difícil de aceitar que as pessoas que lutam por seus direitos são tratadas como bandidos, e os bandidos de verdade, os que merecem de verdade ir pra prisão, ainda são tratados como pessoas que buscam os seus direitos. O pensamento mais direito que existe, é que está tudo torto.

Mas agora, se o Brasil fosse o país das maravilhas, me atreveria a dizer que a reorganização das escolas é uma ideia útil, e mais, poderia dar certo e prosperar.  Realmente pode ser eficaz para o ensino público, direcionar melhor os recursos, isso se chama foco. Com foco, com boa gestão, preparação, treinamento, organização, é possível que a qualidade de ensino melhore significativamente, afinal lidar com crianças é diferente de lidar com adolescentes, portanto, é uma medida que pode ser útil, o problema é que o sistema educacional de São Paulo só tem piorado, e com a notícia de que centenas de milhares de alunos serão transferidos de escola, é natural que isso cause um temor social, ainda mais com o governo estadual publicando que o número de alunos caiu de 6 milhões desde os anos 90 para 3,8 milhões atualmente, e isso porque muitos alunos foram para escolas particulares e porque houve redução na natalidade. Com essa informação, é realmente compreensível que a sociedade não confie em um sistema ousado que pode colocar 311 mil jovens em perigo, onde muitos desses jovens podem não conseguir uma vaga.

Além disso, o governo de Geraldo Alckmin está perdendo cada vez mais popularidade. Além da reorganização das escolas, o governador passou apuros com o pedido de abertura de CPI para o Cartel do Metrô e a crise hídrica, perdendo grande parte da popularidade onde aproximadamente apenas 30% da população ainda acredita que o governo de Geraldo é bom.

Os estudantes apenas comemoram, pois afinal, iniciaram algo inédito, onde meninos e meninas estão começando a produzir informações que levam a uma consciência coletiva de patriotismo, começando primeiramente dos setores que são mais importantes para um pilar verdadeiramente forte da sociedade, afinal, com uma juventude pronta para assumir responsabilidades, o país cresce, e cresce mais seguro, certo que pouco a pouco, a mentalidade tacanha e egoísta do brasileiro, está disposta a finalmente mudar, e precisamente no setor educacional, um setor social que sempre foi negligenciado, e por muitas vezes, negligente.

Agora é observar para ver como serão as futuras eleições, se realmente houve aprendizado verdadeiro e coerente, ou se tudo não passou de militância induzida por oportunistas e aproveitadores.

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