Depoimento de Mulher

Em meus textos, poesias, sempre falei/falo da feminilidade e do universo que é Ser Mulher – já que vivemos num limiar fantástico entre a sensibilidade e a razão, entre a força e a delicadeza, cada uma na proporção que julga acertada. Somos a diversidade!

Postado dia 08/03/2017 às 08:30 por Karla Hack

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Foto: Reprodução

Levei muito tempo para compreender quem sou e mais outro tanto para permitir-me ser/gostar de quem eu sou. Agora estou confortável em minha pele, sem demagogias, sem frases feitas, estou de bem comigo. Para chegar neste ponto não foi nada fácil, vi-me presa em ideias do que seria correto, bonito, aceitável, que em muitas ocasiões não se encaixavam comigo e destruíram a minha autoestima. Tenho certeza que não fui a única que teve que atravessar o inferno para notar que o céu em mim já residia.

Logo de pequena aprendi que existem duas realidades competindo entre si: A masculina e a feminina. Sendo que a primeira deveria brincar de bola, de carrinho, enquanto a segunda seria delicada e adoraria bonecas. Nunca fui assim. Sempre gostei de sujeira, de futebol e de brigar; Uma verdadeira moleca! Por um tempo ouvi comentários de como minha postura era inadequada e de menino. O bom de criança é isso, eu ouvia e não ligava. Só queria continuar como sempre.

depoimento1Já na adolescência, continuei atípica. Não era de maquilar-me, ou de usar a última moda, ou mesmo de sair por aí atrás de desculpas para falar com o “crush”. Usava roupas largas – algumas até do meu pai – num estilo beirando ao grunge. Não era depressiva, só fechada. Comecei a duvidar de mim.

Neste âmbito de questionamentos percebi-me fraca perante o ambiente. O primeiro ataque recai sobre a aparência. Pensava: “Não sou bonita. Desprovida de charme. Gorda.” E mais outras tantas besteiras que não calavam. Depois, comecei a achar que ser estudiosa também era um problema. Também via a sexualidade como algo até certo ponto limitado.

Por muitos anos pensei sim que a mulher tinha que ser: Magra, esbelta, inteligente – mas não demais –, delicada e sexualmente refreada. Dá para acreditar que neste universo de liberalidades e interconectividade, após tantos anos de acontecimentos marcantes para o feminismo, o conceito que me foi repassado era este! (Palhaçada, não é mesmo?)

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O que me causa mais espanto é que ainda muitas mulheres entendem isto como sinônimo de feminilidade. Senão na totalidade, em partes. Por alguma razão estamos emperradas em quatro obstáculos, quatro papéis que, em separado, apenas servem para barrar a magnitude pessoal de cada uma de nós.

Nos prendemos à FÊMEA, exigindo que nossa aparência deve ser a mais perfeita e padronizada possível. Quando é a diferença que nos torna atraentes, interessantes. Se for magrinha, adore suas linhas retas, abuse das cores, arrase na sua miudeza. No caso de ser gordinha, ressalte as curvas, caminhe como se o mundo devesse seguir cada voltinha sua, idolatre sua abundância. Muito busto? Pouco Busto? Quadril largo? Fino? Alta? Baixa? Seja você, valorize você. Afinal, temos sorte, somos naturalmente lindas!

Emperramos na MÃE/ESPOSA. Ao contrário do dito, nem todas as mulheres tem os mesmos objetivos, a mesma ideia de família. Eu sonho em ser mãe, mas você pode não querer isto e está tudo bem. É um espírito livre e não pensa em casar? Ou acha que casar com seus 40/50/60 anos é o ideal? Ok. Ainda se critica as que escolhem um caminho diferente, rotula-se. Ser mulher é estar além disto e não ligar para tais. Seguir seu caminho conforme você julga certo; Isso sim é viver a sua infinidade.

dvpr3Ficamos congeladas na PROFISSIONAL. Ambicionamos muito e somos incrivelmente capazes. Na expansão que vivemos, sabemos de nosso poder. Todavia, ainda há quem se intimide com a figura de uma mulher bem-sucedida, inteligente e decidida. Não devemos viver somente para o trabalho, isto é certo; Fechar os encantos em prol de terceiros. Podemos e devemos ser profissionais e femininas. Afinal, um lado não afeta o outro, não é verdade?

Travamos diante da VÊNUS. A sexualidade sempre será tabu e nem se sabe o porquê. Acredite na sua e a explore de maneira saudável e segura. Pense em você e não apenas no seu companheiro(a). Somos desejo somado a emoção e devemos provar da nossa amplitude.

O que é ser mulher hoje senão o encontro de todas estas áreas em harmonia? Ainda estou muito longe do ideal; vejo-me bem mais próxima, no entanto. Agora me sinto mais segura, fiel aos meus princípios, adorando a beleza real que há nas particularidades minhas. E todas nós merecemos este equilíbrio almejado. Como já se cantou em Pagu: “Porque nem toda feiticeira é corcunda; Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem…”. Somos iguais e opostas, corajosas e sem medidas; Desejo que, nesta miscelânea toda, possamos aproveitar a magia de cada aspecto, tornando-nos fortes como nascemos para ser.

Afinal, somos guerreiras e deusas do cotidiano.

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Karla Hack

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