Demonstrações incompreensíveis

Nos encontraremos todos em uma grande praça digital. Mas os benefícios superarão os problemas?O desemprego tecnológico é um dos algozes dos trabalhadores.

Postado dia 11/03/2016 às 09:00 por Heródoto Barbeiro

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Foto: Divulgação/Internet

Nos encontraremos todos em uma grande praça digital. Mas os benefícios superarão os problemas?O desemprego tecnológico é um dos algozes dos trabalhadores. O fenômeno não é novo. O primeiro registro histórico ocorreu durante a revolução industrial na Inglaterra do final do século 18. As oficinas produziam tecido e empregavam grande número de tecelões. Um mecânico inventou uma máquina de tecer e ela desempregou muita gente. Houve resistência dos operários que, liderados por Lud, invadiram as oficinas e quebraram as maquinas. O ludismo se espalhou pela Inglaterra. Os empresários, ao invés de recontratá-los, compraram novas máquinas.

Atualmente o progresso tecnológico e a produtividade do trabalho crescem em velocidade exponencial. A tecnologia digital, o reconhecimento por voz, as nanotecnologias e a robótica provocarão um desenvolvimento com a perda de 60% do emprego nas áreas em que atuarem. Nos países desenvolvidos o número de operários vai ser reduzido drasticamente e as vagas criadas vão se juntar nas chamadas atividades criativas. Outro dilema que remonta à primeira revolução industrial é que sem salário os trabalhadores não poderão consumir e isso pode levar a uma diminuição do consumo e a um aumento dos conflitos sociais. Esse quadro vale todos os países de emprego acelerado de tecnologia, dos Estados Unidos à China.

Todos vivem e viverão cada vez mais. É verdade que a população mundial está envelhecendo rapidamente e que alguns países não conseguem repor a população. Japão, Alemanha, Rússia e outros lugares têm menos habitantes. Outros estão estáveis, como a China e o Brasil, mas em breve também vão encolher. Ainda assim em 2030 a população mundial vai ser de 8 bilhões de pessoas. Serão mais de 65 milhões de idosos com mais de 65 anos e em plena capacidade intelectual e produtiva, portanto ocupando postos de trabalho.

A maioria das pessoas envelhece somente nos dois últimos anos de vida, quando se tornarão mercado de prestadores de serviços e enriquecerão as empresas que atuam na área da saúde. O setor farmacêutico e de atendimento hospitalar serão cada vez mais prósperos. Graças às cirurgias as pessoas podem já modificar profundamente o corpo e permanecer jovem por mais tempo. As jovens gerações vão viver cada vez mais e mais saudáveis graças aos cuidados com o sono, esportes, apoio psicológico e muito mais.

Nesse cenário o ser humano vai ter de enfrentar também o fim da privacidade. O Big Data vai se aprimorar cada vez mais, o que quer dizer que será quase impossível o direito ao esquecimento. Ninguém mais vai se perder, nem se isolar. Todos serão alcançados de alguma forma por alguma das novas plataformas digitais em desenvolvimento. Todos poderão desfrutar de uma única praça global. A inteligência artificial poderá resolver problemas com demonstrações incompreensíveis ao ser humano, mas sem resolver o problema do desemprego. A concentração de riqueza também contribui para esse quadro uma vez que a quota do PIB que remunera  capital financeiro cresce e diminui a quota destinada a remunerar o trabalho. Isso vai acentuar ainda mais os conflitos sociais.  Portanto o fenômeno da falta de emprego, salário, consumo, segurança, bem estar social não só não foi resolvido como entrou em processo tão acelerado, provocando uma contradição própria das estruturas do sistema capitalista.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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