A decadência da cultura pop

Para muita gente o cenário musical pop “tá tranquilo tá favorável”... Para mim, o que era ruim há trinta anos, hoje faz falta...

Postado dia 16/03/2016 às 08:30 por Sociedade Pública

pop

Foto: Divulgação/Internet

Eu posso dizer que vivi uma época privilegiada, nasci em 1984 e cresci durante os anos 90. Só quem viveu a década de 90 sabe que “menos era mais”. Era um tempo de bom senso… A pochete começou a ser discriminada, as cabeleiras repletas de permanente passaram a ser mais penteadas, e o visual oitentista brega e exageradamente colorido transformou-se em calça jeans e camiseta branca.

Mas, ainda assim, defendo os anos 80. Foi uma fase experimental voltada para o artificial, acompanhando o desenvolvimento tecnológico, onde quase tudo era feito com muita criatividade (às vezes até demais), com muita liberdade (alguém tinha que tentar), e, é claro, luzes e sintetizadores. Essa década foi envolvida em um processo criativo massivo que revolucionou o mundo inteiro. Para ilustrar bem alguns exemplos do que deu certo nos anos 80, eu poderia citar uns 50 artistas que particularmente gosto, mas se tratando de revolução, para terem uma ideia da dimensão que quero mostrar, vou dizer apenas um nome que vale por uma geração inteira: Michael Jackson!

A década de 80 mudou o comportamento social e de consumo de grande parte do mundo, impulsionando diversas indústrias, como a cinematográfica, da moda, tecnologia, alimentícia, e em especial, minha favorita: a musical.

Vamos falar de música?

A música contemporânea foi marcada por diversos sujeitos bem legais e criativos que alegraram o mundo com tamanha genialidade. Eu estou falando de genialidade mesmo, não apenas alguém ser bom no que faz, mas sim, transcender o que é bom e ser referência em algo no mundo inteiro, como é o caso dos Beatles, do Led Zeppelin, do Jimi Hendrix, entre tantos outros chamados “Dinossauros”… Mas por eles serem velhos? Não! É por eles terem peso, presença, tamanho, força e não serem esquecidos durante os anos.

Mas foi passando o tempo… Brilhantina… Woodstock… Boca de sino… Spray pra cabelo, e finalmente… 1990.

Quando chegaram os anos 90, o que os artistas jovens e criativos tinham? Referência! Sim, eles tiveram 40 anos de pura magia para buscar inspiração… E deu no que deu! Graças a Deus eles souberam aproveitar e assim a música pop se tornou fortíssima! A MTV era uma loucura, muito programa bom e você podia ver qualquer coisa lá que era legal. O Brasil não ficou de fora, o cenário do Rock nacional nos anos 90 foi incrível. Os artistas dialogavam com os fãs em um nível INTELIGENTE! Por exemplo, não tinha essa divisão política que existe hoje… O Lobão fazia um show e um fã de Chico Buarque ia assistir porque ele absorvia várias ideias sem preconceitos…

Claro que as pessoas têm seus gostos, preferências, e ninguém é obrigado a gostar de tudo, mas sejamos sinceros, com o tempo as pessoas foram se esquecendo do esforço que tantas gerações tiveram para manter a qualidade e a criatividade alinhadas, e o que acontece hoje é o seguinte: em tempos magníficos de grandes talentos dominando o mercado, descobriram a fórmula atual do sucesso na fraqueza intelectual das pessoas. Não estou dizendo que quem gosta de música atualmente tem algum problema, mas infelizmente, nos tempos atuais, as pessoas se divertem com bem pouco, pois a música hoje é que nem uma latinha de refrigerante, a pessoa compra, abre, consome e joga fora… Satisfaz em um breve momento a vontade de entrar em contato com algo que tem prazo de validade determinado.

Por que será que uma banda “simples” como Legião Urbana é lembrada até hoje? Porque ela foi feita para isso! Cada passo criativo exigiu qualidade, exigiu dedicação, empenho, criatividade, estudo… E digo o seguinte, eles são lembrados como sendo grandes, mas não fazem sucesso.

Existem coisas boas sendo feitas atualmente? Claro que sim… Muitas delas vêm da Inglaterra ou dos Estados Unidos… As brasileiras geralmente estão no cenário alternativo…

Já fui de Turma da Xuxa até Sepultura, vim do Jazz até o Raul Seixas… Lembrando-se do sempre bom blues entre uma escala e outra, e durante um solo do Jimi Page quase adormecendo, acordava de repente com um grito do Steven Tyler!

Eu estava hoje vendo um vídeo do Lollapalooza, e havia um sujeito no palco chamado Mc Bin Laden, fazendo playback dele mesmo em uma coisa horrível que ele chama de música, que diz: “Tá tranquilo, tá favorável” e eu me pergunto: Favorecendo quem?

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