Cultura em tempos de ódio

Cada vez que vejo o ódio sendo disseminado pelo mundo tenho aquela sensação que estamos perdendo a batalha da sobrevivência

Postado dia 19/11/2015 às 00:01 por Cidão Fernandes

doroteia1

Cada vez que vejo o ódio sendo disseminado pelo mundo tenho aquela sensação que estamos perdendo a batalha da sobrevivência. O homem está realmente investindo rapidamente para a extinção da sua espécie.

Existem tantas certezas na boca das pessoas que chega a dar medo. As vezes tenho mais medo das certezas que do ódio. Tenho a nítida sensação que é a certeza absoluta das coisas que está nos levando a todo tipo de intolerância, propagação de ódio, discursos difusos sobre o mesmo tema, crimes sendo cometidos a todo instante por muita gente a olho nu e aquela sensação que a minha opinião vai salvar o mundo porque eu tenho a certeza que sei o que está acontecendo.

Eu, que vivo da arte e estou em dúvidas eternas quanto a vida em todos os aspectos, percebi há tempos que as certezas são as nossas grandes inimigas. Isso não quer dizer não se envolver em questões práticas que ajudem a tornar esse mundo em algo melhor, mas significa que eu posso conviver com você apesar das diferenças e que quanto mais pessoas perto, melhor pra todos.

E aí chego mais uma vez nessa tal militância estranha que é disseminar a importância da cultura como propagadora de toda manifestação que me ajude a conhecer melhor o mundo que vivo e, principalmente, seus códigos de ética, suas condutas comportamentais e suas propostas e denúncias que nos leve a uma sociedade mais justa e com menos certezas e mais tentativas.

Vamos atuar na sociedade de forma sincera onde ouvir seja uma prática constante e que o falar seja para partilhar experiências possíveis de ser vividas por todos. Vamos aproveitar que não estamos vivendo um regime de guerra extrema – por mais que lutemos várias guerras diárias nas periferias desse país – e exercitar nossa capacidade de estar com o outro de verdade sem julgá-los por suas escolhas.

Na torcida para que a arte colabore para que tenhamos mais pessoas capazes de entender o presente, conhecer o passado e planejar o futuro com práticas diferentes daquelas que nos levaram para esse estado de barbárie no qual estamos sendo sugados rapidamente por acreditarmos que o mundo não está melhor porque nunca nos ouviu.

Acho que é chegada a hora de ouvir o mundo, tentar traduzi-lo e testar formas mais tolerantes e divertidas de convivência.

 

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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