Cultura do estupro ou cultura do sexo?

As pessoas precisam entender que não há cultura do estupro e sim, crime de estupro

Postado dia 08/06/2016 às 13:36 por Sociedade Pública

estupro

Foto: Reprodução/Internet

Quando alguém fala sobre cultura do estupro, a impressão que passa é que isso é patrimônio da cultura brasileira. Vamos ser um pouco mais razoáveis: não há cultura do estupro, há crime de estupro.

Infelizmente, o estupro existe em todo o mundo. Mas, no Brasil, esses crimes são punidos. É de conhecimento público o que acontece com um estuprador ou pedófilo no Brasil: quando capturados pela população, são linchados e, e se for pela polícia, eles vão para a cadeia onde irão certamente pagar de corpo e alma pelo que fizeram. A realidade é dura.

Em minha opinião, o que existe no Brasil é uma grande valorização do sexo, o que traz uma enorme banalização ao assunto. Acredito que isso foi alimentado durante muitos anos, tanto pelo comportamento das pessoas em seu dia-a-dia quanto pelos meios de comunicação.

Agora, o fato é que as mulheres brasileiras têm sim seus direitos! Possuem órgãos públicos e autoridades competentes para defendê-las, e a população a seu favor! Homens de bem protegem e defendem as mulheres e não aceitam crimes de covardia. Homens não devem ser generalizados, pois os honrados fazem por merecer essa consideração. Uma mulher que foi lesada de qualquer forma deve buscar orientação ou ajuda em caso de qualquer violência, ameaça, abuso, preconceito ou assédio. A mulheres brasileiras têm conquistado maior liberdade na sociedade, além do direito de ir a vir previstos em lei para qualquer ser humano.

A cultura brasileira é demasiada rica e não é uma cultura que apoia ou permite a violência contra a mulher. Desde criança vejo campanhas contra assédio sexual e contra a violência doméstica. Essas campanhas de conscientização pública não foram e nem devem ser ocultadas da sociedade.

Mas é preciso termos atenção e cuidado para não banalizarmos protestos, criando argumentos que colocam a sociedade em conflito por interesses até sensacionalistas. Isso é desnecessário e cria um clima de tensão entre homens e mulheres, o que não deve existir em uma sociedade evoluída.

Mas quero escrever sobre uma cultura que o brasileiro está mais familiarizado, em que mulheres e homens são vistos como objetos de prazer e diversão. Isso acontece no mundo todo, e não é só com mulheres. Hoje mulheres são reconhecidas pelas empresas como grandes consumidoras, assim como o público GLS. Então muitos homens são expostos de forma erotizada, a fim de conquistar determinado público para determinados produtos.

O Brasil também possui uma cultura que apela ao sexo para vender uma realidade ilusória e entretenimentos diversos. Não falo nem do mercado pornográfico, pois este é “restrito”. Vejo o sexo na sociedade ser utilizado constantemente como estilo de vida.

Um exemplo para as senhoras e os senhores é o Brasil dos anos 70: um grande produtor de pornochanchadas, rótulo utilizado para filmes nacionais que usavam e abusavam de palavrões e cenas de sexo quase explícitas, algumas bem explícitas, junto a críticas políticas e sociais, todas trajando uma suspeita veste de intelectualidade e um véu de protesto. Lembrando que, nas pornochanchadas, o machismo e a violência eram comum em muitos personagens, inclusive, homossexuais e femininos.

As novelas brasileiras que buscam retratar a vida cotidiana são repletas de cenas de sexo, traições e atrocidades. Geralmente, no final, costumam punir os errantes e vilões, mas durante um bom tempo, exibem diversos comportamentos nem tão bons assim como sendo naturais. As revistas vendem notícias com spoilers¹ de novelas do tipo: “Fulana transa com fulano e trai a mulher no dia do casamento”. Isso vende revistas! Isso acontece também em programas de fofocas sobre a vida de pessoas famosas que têm sua intimidade revelada para milhões de pessoas, sejam brasileiros sou não.

O que dizer do livro e do filme 50 tons de cinza, em que uma mulher é, de livre e espontânea vontade, submetida aos caprichos sadomasoquistas de um ricaço bonitão? A reação das mulheres foi bem positiva em relação a isso, fazendo inclusive que o livro e filme fossem verdadeiros sucessos de venda.

E o que falar das músicas da moda? Aquelas que tocam o dia inteiro pelos meios públicos? Quase a maioria dos temas é sexo, pegação, traição, bebedeiras… E isso vende muitos discos, shows, entrevistas, capas de revistas, e movimenta uma indústria cultural gigantesca que somente vende aquilo que as pessoas querem.

Comerciais públicos de TV e outros meios vendem sexo como argumento de compra para diversos produtos, tais como cerveja, sabonetes, perfumes, automóveis, chocolates e até remédios…

De repente, surge uma multidão de pessoas dizendo que o Brasil tem uma “cultura do estupro” ou uma “cultura de violência contra a mulher”, sendo que existe entretenimento sexual feminino vendido a rodo também pela mesma indústria cultural, que mascara as reais intenções da população pelo intermédio de uma arte empobrecida, vulgar e extremamente lucrativa.

A verdadeira música popular brasileira da atualidade, a que é consumida pelas massas, é aquela que, sexualmente, quase sempre leva a uma intenção quase estúpida, em que o amor é banalizado e a poligamia muitas vezes é refrão.

Vejam por exemplo o funk nacional. De funk não tem nada. Para mim o FUNK de James Brown é o verdadeiro, entre outros grandes músicos dos Estados Unidos que criaram esse estilo. Acredito que o que temos é um empobrecimento pornográfico e inadmissível da cultura americana traduzida para a nacional. Muitas pessoas buscam fazer com que esse estilo de música seja considerado “patrimônio artístico e cultural”, devido ao fato de que os “funkeiros” são geralmente pessoas pobres e oprimidas pela sociedade conservadora.

Considero um baile funk uma das coisas mais grotescas e pervertidas que existem no mundo. As mesmas pessoas que falam em promover um protesto contra a cultura do estupro apoiam o funk como patrimônio cultural.

E o que falar do carnaval? A festa popular que é por muitos caracterizada com o feriado preferido do brasileiro. Uma data em que muitas pessoas se sentem “livres” para viverem em três dias o máximo de loucuras que puderem. O carnaval é uma cultura brasileira, o estupro não.

Então venho convidar-lhes para uma reflexão sobre o que realmente estamos consumindo com nossas atitudes do dia a dia. Será que é justo ignorar a cultura do sexo e chamá-la de cultura do estupro?

Pensem sobre o sentido da palavra “depravação” quando examinarem o que é vendido para a juventude nesse país tão belo. Pensem no sentido da palavra “sofisticação” quando quiserem saber o que pode ser realmente bom em nossa amada pátria.

Para concluir: não adianta a pessoa se esbaldar das diversas oportunidades de buscar prazer e depois sair hipocritamente crucificando os homens como sendo os únicos responsáveis por tudo aquilo de ruim que as mulheres passam. Estamos em um país livre e aqui, definitivamente, não é uma pátria de pessoas inocentes, o que não dá direito algum, para que quem quer se seja, de abusar, molestar, coagir, violentar, humilhar ou diminuir qualquer pessoa.

Tudo tem consequência! A forma que cuidamos do país volta na forma que o país cuida da gente. Será que estamos fazendo o certo?

¹ Spoilers – Ato de antecipar um expectador de um filme, novela, livro, série, sitcom, etc… Sobre o que deve acontecer em um capítulo inédito ou que ainda não foi visto por uma determinada pessoa.
#:
Compartilhar:

Leia também

Assine a nossa newsletter