Cuidar da Paz

Cuidar da paz é investir em nosso potencial de inteireza, de integralidade, de conectividade e comunhão

Postado dia 10/12/2015 às 00:00 por Sociedade Pública

paz

Cuidar da paz é uma visão de psicologia transpessoal sobre como desenvolver a paz neste mundo cheio de violência, conforme nos ensina Roberto Croma, psicólogo do Colégio Internacional de Terapeutas e reitor da Unipaz.

A violência é um sintoma de uma doença maior da humanidade, a ignorância existencial e o esquecimento do ser. O diabolos é um termo grego que significa dividir e separar. O seu oposto é o symbolos, fator simbólico do sagrado, que religa e restaura a inteireza.
Diante disso, quando agredimos alguém, nos sentimos excluídos e separados dele. E estando separado, buscamos nos defender de algo que parece estranho. Pierre Weil chama essa violência que brota de uma alienação, de fantasia da separatividade

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O ego, representado pelo diabolos, produz a mesma violência nos níveis pessoal, social e ambiental. O egocentrismo nutre a violência e só pode ser superado quando dá lugar à paz através do resgate da dimensão transpessoal. Transcender o ego não significa negá-lo, destrui-lo ou suprimi-lo, Trata-se de sujeitá-lo ao self, abrindo-se para o amor. Como diz Jung, a primeira tarefa no processo de individuação (evolução espiritual) é desenvolver um bom ego, enraizado no solo da cidadania, curado de suas feridas, pacificado em seus conflitos, apaziguado em seus temores.
Só podemos transcender o que foi reconhecido, aceito, desenvolvido e integrado. O diabólico necessita ser orientado pelo simbólico. Essa parceria da análise e da síntese, do diabólico e do simbólico, conduz a uma inteligência da Trindade, arejadas pelas energias do Amor. No meu entendimento, a energia do amor se manifesta quando somos capazes de cuidar. Cuidar, sobretudo, da saúde e da plenitude, já que é a partir do que está bem e fluindo em nós que uma dinâmica curativa e evolutiva é impulsionada, de forma expansiva e integrativa.
E para cuidar, precisamos escutar. A escuta é o mais essencial medicamento. Só realmente escuta quem é capaz de silêncio interior. De outra forma, os diálogos internos serão projetados, contaminando e adulterando o que se supõe escutar. A escuta não projetiva é um bem precioso e raro, dos que cultivam a mente meditativa e contemplativa.
E complementando, a paz não é ausência de combate e a saúde não é ausência de sintoma. Cuidar da paz é investir em nosso potencial de inteireza, de integralidade, de conectividade e comunhão. É conquistar um centro que nos direcione para bem viver e conviver. Cuidar da paz é também ser capaz de dom, de doação, de serviço (viço do ser).

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