Cuidado com o preconceito linguístico

Se você sabe usar a norma culta, ótimo! Mas respeite aqueles que não tiveram a mesma oportunidade que você

Postado dia 01/05/2017 às 09:00 por Fernando Muniz

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Foto: Reprodução

Que horas tem?”, perguntou o menino e, apressado, o homem de terno lhe respondeu: “Meio dia e meio!”. Ou seria meio dia e meia? Bom, tanto faz, o menino entendeu que já estava na hora de entrar no colégio.

Com o surgimento da internet e o crescimento diário das mídias sociais, invariavelmente ao alcance das mãos dos usuários através dos seus smartphones, as pessoas voltaram a se comunicar muito através da escrita. Seja nas centenas de mensagens trocadas via Whatsapp ou escrevendo aquele “textão” no Facebook para a geral ler.

Para os padrões atuais dos estudiosos da linguística, na linguagem oral o importante sempre será conseguir passar a mensagem ao seu interlocutor, como o menino ao perguntar as horas!

Já na forma escrita, preferencialmente temos de observar a norma culta em textos oficiais. Ocorre que aquele textão do Facebook ou a mensagem corrida do cotidiano no Whatsapp em regra não se comparam a uma tese de mestrado a ser levada a uma banca examinadora.

Felizmente, a internet já atingiu todas as classes sociais e algumas pessoas nunca tiveram a oportunidade de frequentar os bancos acadêmicos, e só por isso elas não poderão se manifestar e mandar aquele “textão” no Facebook? A resposta é absolutamente negativa!

Temos que nos livrar do nosso preconceito linguístico, deixemos o excesso de formalidades para os tribunais e os textos acadêmicos e institucionais! Se você sabe usar a norma culta, ótimo! Mas respeite aqueles que não tiveram a mesma oportunidade que você.

Cada pessoa tem a sua história de vida e sua sabedoria. Outro dia mesmo tive uma aula de direito do trabalho com uma pessoa analfabeta, mas que trabalhou durante uma vida inteira!

O Oswald de Andrade, com maestria, já nos ensinou isso há muitos anos:

“Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro.”

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Sobre o Autor

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Fernando Muniz

Atua como advogado, e é membro do Primeiro Conselho Municipal da Juventude de Mogi das Cruzes.

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