Crítica: Star Wars VII – O despertar da força

Filme dirigido por J. J. Abrams é competente dentro de sua proposta, porém pouco original

Postado dia 09/03/2016 às 08:30 por Caio Bezerra

star wars

Foto: Divulgação/Internet

Depois de muito, mas muito tempo da estreia, eis que surge a minha crítica ou análise daquele que talvez tenha sido o filme mais aguardado do ano passado, Star Wars VII – O Despertar da Força. O novo longa-metragem da saga, agora sob o comando da toda poderosa Disney, chegou aos cinemas brasileiros no dia 17 de dezembro de 2015, a película teve um orçamento de US$ 200 milhões de dólares e já faturou mundialmente mais de US$ 2 bilhões, se estabelecendo como a terceira maior bilheteria de todos os tempos.

O Despertar da Força se passa aproximadamente 30 anos após a destruição da segunda Estrela da Morte e queda do Império Galáctico em O Retorno de Jedi (1983), agora a Resistência (antiga Aliança Rebelde) enfrenta uma nova ameaça, a Primeira Ordem, uma organização militar sombria que surgiu das cinzas do império que busca minar o poder da República e que tem Kylo Ren (Adam Driver), o General Hux (Domhnall Gleeson) e o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) como principais articuladores. Eles conseguem capturar Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos melhores pilotos da Resistência, que antes de ser preso esconde em seu androide BB-8 o mapa que leva até o local onde está exilado Luke Skywalker (Mark Hamill), um antigo e lendário mestre Jedi que há anos está desaparecido. Ao fugir pelo deserto do planeta Jakku, BB-8 encontra a jovem Rey (Daisy Ridley), que vive sozinha catando sucatas de naves e veículos antigos. Paralelamente, Poe recebe a ajuda de Finn (John Boyega), um stormtrooper desertor que abandona o seu posto por não concordar mais com a crueldade da Primeira Ordem. Juntos os dois tentam escapar mas acabam caindo no desértico planeta Jakku, local aonde a história se desenrola.

Para tecer a minha análise, vou pontuar os aspectos positivos e negativos deste “novo” episódio da saga. A equipe de produção conseguiu ser bem sucedida dentro da proposta do filme, a de angariar e renovar a franquia atraindo novos fãs. Star Wars VII é divertido, os efeitos de computação gráfica, figurinos, takes de filmagem, trilha sonora, direção de fotografia e as cenas de ação são muito bem elaboradas e a atmosfera do filme tem nostalgia. Confesso que da primeira vez que eu assisti me diverti bastante.

Mas como nem tudo são flores, o filme peca MUITO em um aspecto primordial, a originalidade. Praticamente 90% dos acontecimentos apresentados no roteiro da trama (digo isso sem mentiras), são situações copiosas, idênticas, ou até mesmo clonadas dos três longas pioneiros da saga. Podemos sem exagero dizer que Star Wars VII – O Despertar da Força, é na verdade um remake disfarçado de continuação, principalmente do primeiro filme lançado em 1977, Star Wars IV – Uma Nova Esperança.

Toda a base estrutural dos três filmes clássicos está lá, um androide com uma informação secreta que o inimigo busca; um conflito entre pai e filho em cima de uma ponte; a figura de um mentor presente que depois morre; um novo herói que começa a descobrir a Força instintivamente e que surge de um planeta desértico; uma nova cantina; uma nova Estrela da Morte; um vilão mascarado de preto com voz metálica, ou seja, não mudou absolutamente nada. E além das situações clonadas, o roteiro é preguiçoso, cheio de furos e com muitas situações cheias de “acasos” que irritam, como por exemplo: Finn e Rey tentam escapar do planeta Jakku, e do lado deles já aparece a Millennium Falcon, e logo em seguida quando ambos fogem, a nave já é localizada pela dupla Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew).

A atuação de Harrison Ford é uma das coisas que mais me agradou no filme, os trejeitos, as falas, as piadas…é o retorno de Han Solo, que agora assume o papel de mentor dos jovens heróis Finn e Rey. A única coisa que não gostei foi da morte do personagem, muito sem sal. Parece que o único que sentiu ela de verdade foi o Chewbacca. Depois que a base Starkiller (a nova “Estrela da Morte de Soja”) foi destruída pela Resistência, parece que a perda de um personagem tão importante e querido dentro da saga não existiu.

Além disso, os furos no roteiro são completamente absurdos no filme e deixam muitas dúvidas. Como que uma garota que está acabando de descobrir os poderes da força consegue derrotar um guerreiro bem treinado em um duelo de sabres? Cadê o serviço de inteligência da Nova República que permitiu que o inimigo construísse uma arma de destruição em massa dentro de um planeta inteiro sem perceber? Por que o sabre de luz que pertenceu a Luke e Anakin Skywalker está guardado no porão do “boteco” de Maz Kanata (Lupita Nyong’o), Afinal como que o Poe Dameron sobreviveu a queda do Tie Fighter e por que ele largou o Finn dentro dos destroços da nave e depois foi embora?

Star Wars VII é divertido e competente dentro de sua proposta (ganhar novo público e rejuvenescer a franquia), tem cenas legais de ação, é um filme que tem um visual gráfico muito bem feito e atores talentosos, porém faltou originalidade e capricho na elaboração do roteiro final.

Provavelmente nos vindouros episódios da saga as histórias sejam mais originais, mais autônomas, provavelmente todas as peças do grande quebra cabeças que ficaram faltando, aos poucos devem ser preenchidas. É legal homenagear os acontecimentos das trilogias clássicas para despertar a nostalgia e agradar os antigos fãs, mas o filme podia ter tido um tom mais próprio, mais autoral, não precisava de outra Estrela da Morte pra ser bom, tentaram fazer uma homenagem forçada ou exagerada. Star Wars VII – Despertar da Força está longe de ser o melhor filme da saga, mas ainda sim é um filme divertido, se você ignorar os detalhes, vai gostar, é um filme que eu assistiria várias e várias vezes, pois ele cumpre a sua função como entretenimento, mas ele ainda está longe de atingir o patamar de MELHOR filme já gravado da saga, ele está entre os quatro ou cinco melhores.

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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