Crítica: As Memórias de Marnie

Mais uma vez o Estúdio Ghibli consegue surpreender o público com uma animação envolvente, pura e carregada com emoções mundanas

Postado dia 11/12/2015 às 00:00 por Caio Bezerra

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Afinal o quê é a vida? Esse conceito relativo e amplo possui diversas definições mundo afora, sendo a mais aceita a de que se trata de um processo em curso do qual os seres vivos são uma parte ao espaço de tempo entre a concepção e a morte de um organismo. Mas afinal, e se a vida puder perpetuar após a morte e influenciar em questões mundanas junto com a natureza?

As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie), longa de animação dirigido por Hiromasa Yonebayashi e produzido pelo lendário Estúdio Ghibli, consegue novamente nos surpreender com uma trama envolvente, pura, cheia de caráter e carregada de emoções, sendo a principal delas o amor. Tudo no filme passa uma sensação de imersão e profundidade, desde os ricos detalhes dos lindos cenários (que parecem ter saído de um quadro de pinturas) até os diálogos e trilhas sonoras presentes no background da animação.

O longa é uma adaptação do livro Quando Marnie Estava lá, escrito pela britânica Joan G. Robinson em 1967. O filme tem como protagonista principal a garota Anna, uma menina de 12 anos que vive na cidade de Sapporo no Japão, filha de pais adotivos, a garota que adora desenhar, possui um comportamento muito solitário, infeliz e confuso, e após sofrer um ataque de asma  e desmaiar é enviada para a uma pequena aldeia nas margens do norte de Hokkaido para ficar com seus parentes no verão. No local, Anna acaba descobrindo uma antiga mansão localizada em um pântano e lá ela conhece Marnie, uma menina loira que se torna sua grande amiga que compartilha com ela muitos sentimentos afetuosos. O final da trama apresenta uma revelação surpreendente.

As Memórias de Marnie tem as duas características principais dos filmes do Ghibli: o contato com a natureza e a história feminina de formação. Ao longo da história, conforme a personagem principal vai se encontrando com sua misteriosa amiga e tendo contato com a natureza, ela passa a se desenvolver mais como pessoa, deixando aos poucos toda aquela amargura e solidão pra trás para se tornar uma garota vivida e cheia de ternura.

O elemento sobrenatural da história surge no filme de Yonebayashi como algo transformador na vida de Anna junto com o contato com a natureza e até mesmo as coisas simples da vida. O filme fecha tudo com chave de ouro entoando a linda canção: Fine on The Outside da cantora norte-americana Priscilla Ahn.

Infelizmente As Memórias de Marnie pode ser o último filme produzido e lançado pelo Estúdio Ghibli que desde 1985 tem encantado o mundo com verdadeiras obras de arte que tocam o imaginário e o sentimento das pessoas com histórias cheias de misticismo, natureza e superação de obstáculos. O estúdio cujo principal expoente é o mestre Hayao Miyazaki entregou para a humanidade verdadeiros presentes artísticos, entre eles os filmes O Túmulo dos Vagalumes (1988), Meu Vizinho Totoro (1998), Princesa Mononoke (1997), A Viagem de Chihiro (2001), O Castelo Animado (2004), O Conto da Princesa Kaguya (2013) e Vidas ao Vento (2013).

 

Lançamento no Brasil – 19 de novembro de 2015 (1h44min)

Dirigido por   Hiromasa Yonebayashi

Com   Nanako Matsushima, Susumu Terajima, Toshie Negishi mais

Gênero: Animação, Drama, Família

Nacionalidade: Japão

 

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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