Crime abominável

A segurança pública requer maior qualificação dos profissionais. Também é imprescindível ampliar penas para estuprador, sem aliviar menor de idade

Postado dia 03/11/2016 às 08:00 por Junji Abe

Foto: Reprodução

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Calcula-se uma mulher estuprada por minuto no Brasil. O corpo é um templo e sua violação desfere golpe mortal contra qualquer mente sã. Ainda que sobreviva ao ataque, a vítima carrega sequelas até a morte. O que dizer, então, dos casos em que o algoz vive dentro de casa e os abusos se repetem?

Faltam-me palavras para expressar o inominável horror que tenho de estuprador. Não me interessa se é menor de idade, se sofreu abuso na infância, se praticou o crime sob efeito de drogas, se sofre de distúrbio mental, se é flagelado do desemprego, se está revoltado com a vida, estuprador é estuprador. Ponto.

Tão grave quanto a impunidade é a cultura do estupro. Sinto que voltamos à Idade Média quando leio comentários de que a vítima sofreu violência sexual por causa das roupas que usava. Ou porque frequentava locais de baixa reputação. Ou ainda porque era extrovertida demais. Façam à sociedade o favor de calar!  A mulher usa o que quer, frequenta o lugar que deseja e se expressa da forma que julga melhor. É direito dela. Não é inspiração e muito menos motivo para vagabundo nenhum estuprá-la. O crime abominável do estupro não tem justificativa.

O ranço de machismo impera até nos organismos de segurança pública e é um dos fatores para subnotificações desse crime. A mulher que sofreu abuso fica com medo de denunciar e ser tarjada de culpada.

Não há fórmulas de efeito imediato para conter os crimes de estupro. Porém, há medidas que precisam ser implantadas agora para resultados futuros. É vital combater todas as drogas. Defendo o fim da proibição do emprego para menores de 16 anos. O ideal seria a escola de tempo integral. Mas, como essa realidade está distante, é viável que o jovem estude num período e trabalhe no outro para não ficar na oficina do capeta.

A segurança pública requer maior qualificação dos profissionais. Também é imprescindível ampliar penas para estuprador, sem aliviar menor de idade. Ainda que cumpra detenção em instituições específicas, estuprou, responde como gente grande. No ensino, é fundamental incluir no currículo temas que forcem a assimilação do respeito à mulher. É preciso motivar as campanhas populares permanentes contra crimes sexuais, evitando que fiquem limitadas ao período pós-divulgação de barbáries, como os casos de estupro coletivo.

Ao mesmo tempo, é indispensável a educação no lar. Os pais têm de assumir sua responsabilidade na missão de aniquilar a cultura do estupro. Não podem criar o conceito equivocado de que algumas mulheres merecem apreço e outras agressão ou desprezo. Outro ponto importante é enraizar o entendimento de que se a pessoa disse não, significa não. Cultivemos adultos melhores!

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Sobre o Autor

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Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

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