Contra fatos não há argumentos

Trata-se de toda uma nação, já em excessos emocionais, que não se vincula mais aos fatos promovidos por essa ditadura declarada

Postado dia 30/10/2015 às 09:45 por Leila Cabral

O estado “antropofágico” em que vivem atualmente os brasileiros, devorados não mais pelas beiradas, mas por inteiro, leva-os à reflexão de que é preciso deslocar e rever a propriedade nata – de povo sofrido e esperançoso – para uma prática mais direta e democrática de olhar a situação. Sabe-se que o sistema político brasileiro encontra-se há muito fragmentado, tornando-se difícil captar com precisão quais serão os destinos da nação. Por outro lado, o (des)governo tenta manter uma relação histórica irrealista entre seus pares e o povo, ao mesmo tempo em que insiste em querer ocultar os verdadeiros fatos de sua intrínseca fragilidade.

Instala-se a cada dia um novo espetáculo, uma nova paródia e a recorrente leitura do povo está voltada para um contexto bifronte: de um lado as faces inaceitáveis da postura governamental; de outro, um povo exaurido, quase que “em guerra”. Realidades que, espacial e temporalmente, completam o quadro histórico desalentador do brasileiro. Como a corda rói pelo lado mais fraco, maior constrangimento se impõe, não apenas à classe trabalhadora em geral, mas aos aposentados e aos trabalhadores de menor escala social.

Definindo, embora timidamente, todo o panorama do país, pode-se afirmar que se vive um tempo de terror, de temor pessoal, numa ambiência de marcada polarização política. É a face visível que se põe em foco – o alienante – além do lado nada camuflado da corrupção, como uma espécie de apropriação indébita dos direitos do cidadão. Os autores de tais desmandos desempenham com grande mérito seu papel tresloucado em meio ao clima de insatisfação de uma nação inteira.

O eleitor não é o ingênuo de antes, articula-se muito bem com a urdidura em que o meteram e reputa como desastroso todo o quadro arquitetado pelos (des)governantes que querem tapar o sol com a peneira da retórica. O povo encontra-se revoltado pelas condições de miséria e de aviltamento em que o submeteram. As “sutilezas” que se quer demonstrar pelas falas vazias no Congresso, no Senado, nos discursos em geral, inclusive pelos candidatos a candidato, senhores políticos, se distanciam, e muito, das perspectivas do brasileiro.

Trata-se de toda uma nação, já em excessos emocionais, que não se vincula mais aos fatos promovidos por essa ditadura declarada. Além do mais, contra fatos não há argumentos.

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Sobre o Autor

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Leila Cabral

Especialista em língua portuguesa, é também doutora em literatura e história pela Universidade de SP.

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