Conheça o Bar Maria Preta

Uma volta ao passado em um barzinho – ou boteco – que tem tudo para conquistar os aficionados da culinária nordestina

Postado dia 14/03/2016 às 08:00 por Edgard Reymann

barzinho

Foto: Divulgação/Internet – Baião de dois do Bar Maria Preta

Comer Maria Preta é uma delícia, mas nem de longe uma exclusividade. Calma, Maria Preta, sinônimo alagoano para Sururu, é uma das atrações do cardápio do bar de mesmo nome, que abriu há pouco mais de um mês em Pinheiros. E, também, a saída encontrada por Márcia e seu marido para dar nome à casa, já que sururu, por aqui, também é sinônimo de confusão. Deixando de lado então qualquer confusão, o Maria Preta é um boteco, ou melhor, para mim, um barzinho. Sim, porque despretensioso no ambiente e na proposta, lembra muito os “barzinhos” pioneiros que fizeram a fama da Vila Madalena.

mariapretaFelizmente, os tempos mudaram e, embora pareça que estamos rumando novamente ao subdesenvolvimento dos anos 1980, quando a Vila Madalena começou a se transformar num reduto boêmio, a comida do Maria Preta, embora bem simples, é bem melhor do que a da maioria dos “barzinhos” da época. Vamos lá: a casa é mesmo uma casa, você percebe a sala e outras dependências de uma antiga residência, cuja arquitetura se manteve. Algum problema? Nenhum, a não ser que você seja um coxinha incorrigível – ou mauricinho, pra ser mais de época. Na “sala”, um cantor com um banquinho e um violão. Isso é bem de época. Aqui, o som está mais baixinho e o repertório não ofende, mas pode incomodar se você não gostar muito de música ao vivo em bar. O fundo da casa está bem aconchegante, com um mini lounge que já é bem requisitado pela clientela.

Fora isso, o Maria Preta só merece elogios, especialmente pela sua cozinha. Quitutes, petiscos de receitas nordestinas com algum aprimoramento, como o bolinho de abóbora com carne seca, o bolinho de arroz com um recheio com “algo mais”, que os donos não entregam. O quadradinho de tapioca já se tornou um clássico botequeiro, mas não deixe de pedir a asinha do avesso, uma variação da tulipa de frango com um recheio muito saboroso, que leva bacon e macaxeira, ou melhor, mandioca. O que não se pode perder, mesmo, é a casquinha de sururu, quitute caprichado com mexilhões!

O cardápio ainda oferece alguns pratos, com opção vegana, regional nordestina e frutos do mar. De bebidas, a clássica caipirinha e suas variações, ou a da casa, com vodka, kiwi e… lactobacilos vivos. Algumas cervejas artesanais. Simples, enxuto, mas certeiro nas opções de comes e bebes, o Maria Preta tem esse lado retrô meio inesperado, numa Vila Madalena que passou por um processo avassalador de gourmetização. Os preços, também, são mais em conta, o que torna o boteco – ou barzinho – uma boa opção para quem quer comer corretamente sem ter que pagar pela fama do chef nem pelo arquiteto que assina o ambiente.

Maria Preta – Rua Fradique Coutinho, 842. Pinheiros. Tel.: 11 4324 5851

 

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Sobre o Autor

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Edgard Reymann

Jornalista que está atualmente dedicando suas atenções para o vinho e para a gastronomia

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