Compulsão por compras e o aumento do vazio interior

Logo mais tem a Black Friday e já vemos milhares de promoções e propagandas pré-vendas. Você já parou para pensar quanto tempo durou a sua última sensação de êxtase ao adquirir algo?

Postado dia 21/11/2016 às 08:30 por Priscilla Brandeker

compras

Foto: Reprodução

Você já parou para pensar por qual motivo algumas pessoas têm febre/necessidade de comprar e outras não? Você é aquela pessoa que precisa ter o último lançamento de celular o mais rápido possível e, enquanto não compra, não sossega e não se sente feliz?

Pois bem, vamos conversar um pouco sobre isso agora.

Sabemos que uma sociedade capitalista gira em torno do consumo e é claro que o mercado usa e abusa de artifícios para atrair cada vez mais clientes e oferecer facilidades para compra, como parcelamentos, cartões especiais da loja, acúmulo de pontuações, etc.

Sendo assim, fica difícil resistir àquela roupa nova, àquele sapato lindo, ao novo jogo de videogame, ao carro zero, à viagem para a Grécia, certo? Certíssimo. Quem não gosta de aproveitar as promoções e atratividades do mercado?

Logo mais tem a Black Friday e já vemos milhares de promoções e propagandas pré-vendas. Você vai ficar fora disso? Claro que não! Mas será que não mesmo?

compras2

Certamente alguma vez você percebeu que se iludiu ao comprar algo que achava incrível e completamente necessário à sua beleza, sua vida, seu cotidiano e bem-estar e depois percebeu que aquilo de nada ou pouco lhe serviria.

E quantas outras você deixou de investir o seu dinheiro, de poupar para algo maior no futuro ou de pesquisar melhor para, num impulso incontrolável, comprar algo que parecia inadiável e urgente de obter.

Agora vamos à outra reflexão (essas reflexões não são voltadas única e exclusivamente para mulheres, viu pessoal!?). Você já parou para pensar quanto tempo durou a sua última sensação de êxtase ao adquirir algo tão desejado? E quanto tempo depois você “precisou” comprar alguma outra coisa nova para sentir-se bem e feliz?

Pois então, meus caros: aí é que está o ponto principal de reflexão deste texto.

A necessidade de consumo e de obtenção de bens materiais e serviços pessoais pode estar diretamente ligada aos vazios existentes dentro de cada pessoa. O quanto esses produtos servem para preencher ou substituir algo que falta e que não está conseguindo ser encontrado dentro de si mesmo.

Há quem diga que uma tarde de compras no shopping equivale a um ano de terapia. Essa frase é bastante representativa para o contexto de que estamos falando aqui. Se a satisfação de comprar é tamanha, é exatamente isso que pode estar faltando, como o sentimento de euforia, de obtenção de algo “valioso” para si, de sentir satisfação por sentir-se melhor ou mais bonito, valorizado, por conseguir ter dinheiro ou simplesmente pelo status de ir às compras e adquirir os melhores produtos.

E ainda tem quem compre, compre, compre e não use, ou porque não encontrou real valor, ou porque aguarda uma ocasião “especial” ou simplesmente por não saber nem por qual motivo comprou, se nem gostou tanto assim ou nem se deu ao trabalho de pensar antes, tendo atendido à sua compulsão e alegria de compra. O que pode estar faltando dentro de si, que está sendo preenchido com compras?

Vamos pensar melhor sobre isso pessoal?

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter