Como anda seu desejo sexual?

Temos que ficar atentos, já que medicações não farão milagres em relações desgastadas, onde não há erotismo, respeito, diálogos ou mesmo desejo um pelo outro.

Postado dia 09/10/2015 às 19:02 por Rose Villela

mulher de costas

Há tempos que a indústria farmacêutica vem tentando sintetizar todas as emoções e sensações que fogem do padrão. Mas que raios de padrão é esse, qual é o “certo” em termos de sensação e emoção? Bem, claro que temos os manuais de doenças que apresentam alguns indicativos normativos para determinadas condutas. E é por lá que nos baseamos para fechar um diagnóstico.

Recentemente foi lançada uma medicação para o desejo sexual feminino ainda não liberada no Brasil. Mas, sempre aparece um contrabando, algum amigo que traz. Uma medicação para o desejo sexual feminino, chamado popularmente como o “Viagra cor de Rosa”. Embora seja chamado assim, fazendo uma alusão à medicação para ereção masculina, o Flibanserin (nome da medicação) tem uma ação diferente. Enquanto a primeira aumenta o fluxo sanguíneo na região genital, a segunda atua diretamente no sistema nervoso central, mexendo com a serotonina e causando sensação de bem estar.

Com certeza será uma medicação muito bem vinda. Hoje, a maior queixa sexual nos consultórios é a baixa de libido, chamada de transtorno do desejo sexual hipoativo, mas por enquanto a prescrição é para mulheres que não tem queixa sexual e que na pré-menopausa tem uma queda abrupta do desejo. Segundo as pesquisas, estas são as que mais se beneficiarão com a droga.

A expectativa é grande e, para algumas mulheres, terá um resultado muito positivo. Mas, temos que ficar atentos que a medicação não vai fazer milagre para as relações desgastadas na qual não há erotismo, relações em que não há respeito, relação em que não há diálogos, que não há desejo um pelo outro. Nestes casos medicação nenhuma vai resolver.

Talvez, os homens cobrem mais suas parceiras por achar que o que falta é uma questão química e não a química da relação, a química que a própria relação gera nos corpos. Temos de cuidado pra não ficar algo mecânico, o homem que não tem ereção toma Viagra, a mulher não tem desejo toma Addyi (nome dado à medicação). E o encontro amoroso, o encontro dos desejos, no qual um deseja ao outro, que há investimento nas preliminares. Onde vai ficar tudo isso?

Mas, vamos aguardar e sermos positivos com a ciência, afinal é muito novo e pode sim ser que o remédio mude positivamente a vida sexual das mulheres.

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Sobre o Autor

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Rose Villela

Psicóloga com especialização em sexualidade humana, terapia corporal reichiana, EMDR, constelação familiar, renascimento.

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