Comerciantes azarados

Três animais tentaram fazer negócio...

Postado dia 31/05/2016 às 07:30 por João Anatalino

coruja

Foto: Reprodução/Internet

Uma gaivota, um morcego e uma coruja se associaram para montar uma empresa. O ramo escolhido foi o comércio. Mercadorias importadas da China, tipo loja $ 1,99. Depois de cumpridas as formalidades (abertura de firma, registro na Junta Comercial, tirar CNPJ, IE, Inscrição Municipal, alvará da prefeitura) etc. eles distribuíram as tarefas.

O morcego sabia sugar o sangue dos outros como ninguém, por isso ficou com a parte financeira. Sua primeira medida foi correr a um banco e arrancar um empréstimo a juros baixos para financiar o capital de giro da empresa.

À gaivota, frequentadora assídua do cais do porto, coube o encargo de despachar as mercadorias na alfândega. Ela sabia que para se dar bem com fiscais aduaneiros a pessoa precisa ser “avião” e conhecer bem o ambiente do porto.

Quanto à coruja, todos sabem que é a mais sábia dos pássaros. Nunca dorme. Está sempre alerta e vigilante, de olho aberto. E como negócio nenhum anda sem o olho do dono, à ela foi competida a tarefa de administrar a loja e cuidar da segurança.

Distribuídos os cargos e cumpridas as formalidades legais, a GAMORCO Comércio e Representações Ltda, iniciou as atividades importando dois contêineres de 40 pés, de mercadorias chinesas. Tinha de tudo. Bijuterias, materiais escolares, artigos de cama e mesa, de escritório, papelaria, canetas, enfim, tudo que se imagina encontrar numa loja tipo $ 1,99.

O navio estava entrando ao canal do porto. A gaivota, que não parara de sobrevoar a orla, já o havia avistado. Excitada, avisou os sócios: – Nossa carga está chegando! Deve atracar amanhã cedo – disse ela.

Os três abriram uma garrafa de champanhe para comemorar, com direito a tira gosto apropriado para cada um deles: peixe cru para a gaivota, chouriço para o morcego e  insetos para a coruja.

Mas o navio não chegou a atracar. Naquela noite, uma tempestade se abateu sobre o porto e afundou várias embarcações. Uma delas foi o navio que trazia a carga da GAMORCO. As mercadorias foram parar no fundo do canal. Na euforia de abrir e começar logo a vender os produtos, eles esqueceram de fazer um seguro. A GAMORCO fechou antes de começar.

Hoje a gaivota vive sobrevoando a orla marítima sempre com os olhos fitos no mar, como a esperar por um navio que nunca chega. O morcego internou-se em sua caverna e só sai à noite para não ser cobrado pelos credores e a coruja nunca mais dormiu à noite, sempre temerosa que alguém venha cobrar alguma coisa dela.

Todos nós sofremos acidentes na vida que nos trazem maus resultados. O que não podemos é ficar eternamente presos ao passado, como se aquilo que já aconteceu fosse acontecer todo dia.

 

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Sobre o Autor

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João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário e escritor com 10 publicações autorais.

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