Chico Science: Uma antena parabólica na lama

Com apenas dois discos, Chico Science fez um estardalhaço no cenário musical e faz muita falta pra nossa cultura pop

Postado dia 10/02/2016 às 00:00 por Leonardo Carrasco

chico science

Foto: Divulgação/Internet

Francisco de Assis França, mais conhecido como Chico Science, completaria 50 anos no próximo dia 13 de março, se um acidente de carro não tivesse tirado sua vida no dia 2 de fevereiro de 1997.

A importância desse artista para a cultura popular brasileira é gigantesca, pois sua influência foi muito além da música. Ele é considerado o grande porta-voz do movimento surgido nos anos 90, conhecido como manguebeat. A ideia dos envolvidos – também conhecidos como mangueboys – com esse novo cenário musical era a de juntar diversos gêneros musicais e instrumentos considerados, até então, de mundos distintos. Desta maneira, Chico teve a sacada de colocar no mesmo cardápio sons como soul, ska, hip hop e funk, juntos com ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, estilo pouquíssimo conhecido do grande público por ser bem característico de Pernambuco.

Um fator essencial pra esse movimento artístico ter dado tão certo foi que os artistas realmente encararam aquele momento como fundamental pra eles se unirem e terem a consciência de que um precisava apoiar o outro pra que todos crescessem. Inclusive foi escrito um manifesto chamado “Caranguejos com Cérebro” por Fred 04, outra figura emblemática do manguebeat, vocalista da banda Mundo Live S/A, inspirado no manifesto punk de 1982.

A coisa toda ocorreu tão meteoricamente para o Chico e a sua banda Nação Zumbi que seu primeiro disco, Da Lama Ao Caos de 1994, foi produzido por Liminha, um cara muito respeitado há muito tempo e que fez questão de se envolver com esses pernambucanos.

Porém, o segundo álbum, Afrociberdelia de 1996, com uma pegada mais pop e eletrônica, foi o responsável por catapultar o grupo pra fora do país, fazendo uma turnê pela Europa com os Paralamas do Sucesso e uma excursão pelos Estados Unidos com Gilberto Gil. Aliás, este considerava Chico e sua trupe como o que de mais importante surgiu na música brasileira nos últimos 20 anos. Eu ouso a dizer, agora em 2016, que a conta já chega aos últimos 30 anos!

Pra terem uma ideia do impacto no exterior, a Nação Zumbi chegou a tocar no icônico CBGB e David Byrne, líder do Talking Heads, estava na plateia. Claro que o homem pirou a cabeça e queria muito que a banda voltasse aos EUA pra fazer uma grande série de shows. Infelizmente, isso não aconteceu, pois Chico nos deixou meses depois disso.

Enfim, com apenas dois discos, Chico Science fez um estardalhaço no cenário musical e faz muita falta pra nossa cultura pop. Felizmente, a Nação Zumbi continua seu legado de maneira ímpar e excursionando por todas as partes do Brasil e do mundo.

E deixo uma de suas clássicas frases que sempre nos ensinam muito: “Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”. Salve, Francisco. Que esse cidadão honorário de Olinda viva eternamente em nossa sociedade.

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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