Chasselas: a uva dourada

Conheça Chasselas, uma uva deliciosa de cor dourada

Postado dia 16/02/2016 às 02:06 por Edgard Reymann

uvas

O desejo de conhecer cada vez mais os vinhos nos abre para grandes surpresas. Ganhei, certa vez, uma garrafa de um branco francês da Savóia, que fica muito próxima da Suíça. É uma região “menor” de vinhos, se comparada a Bordeaux, Rhône ou Borgonha. Mas, como todas as regiões “menores”, tem sempre algo capaz de nos arrebatar. Abri meu Marin Clos de Pont e gostei muito de sua riqueza de aromas, em especial de pêssego e peras – uma beleza de delicadeza. Mas também tinha um toque mineral. Esplêndido! Fui buscar mais informações, entrei na página do domaine para saber que uva deu aquele vinho… et voilà! Era Chasselas, a uva dourada.

Chasselas, Gutendel ou Fendant são alguns de seus nomes entre França, Alemanha e Suíça, onde ela tem mais notoriedade. Curioso que, na Suíça, ela é também uma uva de mesa, pela sua doçura. Nos vinhos finos, no entanto, ela tem elegância e, principalmente, um diferencial de aroma e sabor bem distinto do que nosso paladar encontra nos brancos de sauvignon e chardonnay. Meio uva de mesa, meio de vinho fino, a chasselas produz um vinho para ser consumido em até três anos, recomendam os produtores.

Mas, se passar um pouco, ganha o toque de amêndoas, como foi o caso desse vinho do Domaine Delalex, que guardei por três anos e com certeza ele já tinha mais uns dois. É também um vinho leve, com graduação alcoólica de 11,5%.A vinícola está situada em Marin, uma vila próxima a Thonon-les-Bains, às margens do rio Dranse, cujas águas alimentam o Lac Léman.

Os irmãos Samuel e Benoît Delalex possuem apenas oito alqueires de terras na Haute Savoie, que usam para fazer quatro vinhos: dois brancos de uva chasselas, um rosé e um tinto de gamay de savoie. Mesmo na França, a uva chasselas tem locais mais valorizados, como Moissac e Thomery, onde tem denominações exclusivas. Interessante é que, por ser uma parreira de folhas lindíssimas e de cerejas douradas, a chasselas foi muito usada no passado como verdadeiras “trepadeiras” para ornamentar paredes das casas dos vilarejos.

Pouco se sabe sobre suas origens além da Suíça, mas ela começou a ser cultivada ainda no século 16. Mesmo sem ser uma “rainha”, essa uva foi levada para outras partes do mundo, como Portugal, Romênia e até Nova Zelândia, onde é chamada de Golden Chasselas. É uma uva difícil de cultivar, precisa de climas mais frios e não necessariamente secos. Por conta disso, há rumores de que Michel Chapoutier, mago por trás de várias joias do Rhône, teria levado a uva para a Inglaterra, nova Meca dos espumantes e de alguns brancos. A chasselas já foi cultivada a altitudes acima de mil metros, mas hoje a maioria dos vinhedos está na faixa de 300 a 600 metros.

Difícil encontrar vinhos varietais de chasselas no Brasil. Talvez em alguns blends, com pouca expressão de importância. A importadora De la Croix, de São Paulo, traz vinhos da Savóia, mas de uvas jacquère e mondeuse. Para mim, foi um aprendizado. Buscar alternativas novas para o paladar nos faz deparar com ótimas surpresas.

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Sobre o Autor

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Edgard Reymann

Jornalista que está atualmente dedicando suas atenções para o vinho e para a gastronomia

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