Cerveja, uma história americana – Parte 2

Continuamos com a saga da cerveja nos Estados Unidos

Postado dia 12/04/2016 às 08:00 por Gustavo Iglesias

cerveja

Foto: Reprodução/Internet

No post anterior (http://sociedadepublica.com.br/cerveja-na-america/) contei a história da chegada da cerveja aos EUA e a enorme influência dos imigrantes alemães na construção deste mercado. Também contei que foi esta dominância alemã que fortaleceu o movimento pela lei seca, mesmo tendo como argumento principal que o álcool afastava os homens dos valores cristãos e de suas famílias.

Se havia alguma chance de reverter esse quadro a I Guerra Mundial colocou tudo a perder quando opôs EUA X Alemanha no front.

Em 17 de janeiro de 1920 foi instaurada a lei Volstead que proibia a produção, venda, transporte e consumo de qualquer bebida contendo mais de 0,5% de álcool. Várias cervejarias fecharam enquanto outras começaram a produzir “cervejas” quase sem álcool, e que obviamente também fecharam rapidamente. Outras ainda mudaram seu foco na tentativa de salvar suas finanças e produziram desde derivados de leite, pão e chocolate até barcos.

Não demorou nada até aparecerem cervejarias e bares clandestinos, assim como produtores caseiros, e muitas das antigas cervejarias começaram a produzir e vender xarope de malte juntamente com lúpulo e leveduras. É óbvio que o país de maior cultura cervejeira daquela época não aceitaria calmamente essa imposição contra uma cultura enraizada no povo e fundamental na construção da nação, dando início a milhares de protestos e rachando o país.

A lei seca foi provavelmente um dos maiores tiros no pé que os EUA deram em toda sua história, já que a proibição fez a venda clandestina crescer rapidamente e demandou uma organização cada vez maior dos contrabandistas. O estrago estava feito e o nascimento do crime organizado – a máfia – praticamente deu início a uma guerra nas ruas das principais capitais com reflexo em todo território, amplamente amparado por um sistema altamente corrupto.

O problema maior é que isso foi apenas o começo e mesmo com o fim da lei seca o crime organizado jamais deixou de existir e causa estragos ainda hoje. Os focos mudaram com o passar dos anos, mas continuam tendo como característica principal a evasão de divisas e o mercado negro, como exemplo o comércio de drogas e remédios, armas, bebidas falsificadas, artes, pessoas e muito mais.

Com o tempo ficou óbvio que a lei seca trouxe muito mais problemas que benefícios e não demoraria até a ser revogada. O principal motivo foi a ascensão do crime organizado e a necessidade de cortar sua principal atividade. Outros fortíssimos pontos foram a geração de emprego e arrecadação de impostos, que seriam altamente positivos para economia americana que adentrava no período conhecido como “a grande depressão”.

Em 07 de abril de 1933 finalmente a lei foi revogada por Franklin Roosevelt e a cerveja pode voltar a ser consumida. O caminho era longo mas em breve os EUA retornariam a dominar o mercado internacional de cervejas com uma indústria ainda mais poderosa, é que mudou o perfil da cerveja em todo o mundo, mas isso é história para o próximo post.

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Gustavo Iglesias

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