A cerveja na América

Leia aqui a primeira parte da história dessa grande paixão mundial

Postado dia 17/03/2016 às 00:00 por Gustavo Iglesias

cerveja

Foto: Divulgação/Internet

No mundo moderno é difícil pensar em algum produto de consumo em escala mundial que não seja influenciado pelo mercado norte americano, e com a cerveja não é diferente. Para compreender melhor o panorama atual do mercado é preciso viajar ao passado para entender todo o processo até os dias atuais, para tanto dividirei em três posts para não me estender demais.

Nessa primeira parte escrevo sobre a história desde a chegada do primeiro carregamento até a lei seca, num segundo momento escreverei sobre a retomada da indústria e o aparecimento das gigantes mundiais e finalizando com o ressurgimento das ditas cervejas artesanais.

No início temos uma óbvia influência inglesa na construção das primeiras cervejarias e dos estilos fabricados, sendo que os primeiros registros da chegada da cerveja aos EUA datam de 1628, quando o navio Arbella desembarcou com 40 mil litros em Nova Amsterdã (atual Nova York), vindo da Inglaterra. Rapidamente foram surgindo tabernas e cervejarias e, segundo dados históricos, é estimado que em 1638 um quarto de toda Nova Amsterdã consistia de estabelecimentos onde se vendia o precioso líquido. Como o nome da cidade já entrega, temos também uma fortíssima presença holandesa nesse período e a primeira grande cervejaria a se estabelecer por lá foi a famosa Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.

Em 1664, na já rebatizada Nova York, o seu primeiro Duque lança um pacote de leis que procurava regulamentar a fabricação da cerveja: “De hoje em diante, ninguém exercerá a atividade de fabricar cerveja para venda senão pessoas reconhecidas como tendo habilidade e conhecimento suficientes da arte e mistério de um cervejeiro”.

Para se ter uma ideia do quanto a cerveja era importante é só vermos o caso da universidade de Harvard, fundada em 1636, que começou a fabricar cerveja para seus alunos a partir de 1639 e que teve seu primeiro presidente destituído do cargo por não servir cerveja o suficiente no campus. A cultura era tão forte que as despesas dos alunos com alojamentos eram pagas em sua maioria com malte de cevada para abastecer a fábrica.

Pulando uma época de guerras e de um crescimento um pouco mais lento chegamos a 1810, quando havia 140 cervejarias fabricando 30 milhões de litros por ano, sendo 48 na Pensilvânia e 42 em Nova York. Esse panorama mudaria rapidamente na década de 30, com uma intensa imigração vinda da Alemanha, então mergulhada numa grave crise econômica. Como todo bom alemão, a primeira coisa que eles fizeram ao chegar foi montar suas próprias cervejarias, introduzindo o estilo Lager no país que até então só conhecia as do tipo Ale.

A influência foi tão grande que por volta de 1890 nove a cada dez cervejas consumidas nos Estados Unidos eram fabricadas no Brooklyn, um bairro que dominou o país. O problema é que os alemães tomaram conta de todo o mercado, chegando ao ponto da associação norte-americana dos mestres cervejeiros terem suas atas escritas em alemão. Mais tarde isso se tornaria o foco principal para o estabelecimento da lei seca.

Desde 1893 já existia uma Liga Anti Saloon criada primeiramente para acabar com os bares e tabernas que afastavam os homens de suas famílias, indo contra o que pregava o cristianismo. Recebiam grandes quantias de dinheiro de igrejas e outras indústrias, que viram uma oportunidade de melhorar seus negócios se o povo parasse de gastar seu dinheiro com o consumo de bebidas. Rockfeller foi o grande financiador deste movimento. Em 1911 eram consumidos 100 milhões de hectolitros em todo território nacional, tornando o país o maior fabricante e consumidor do mundo a época, mas essa prosperidade estava prestes a acabar.

Após 1914 vários estados mais conservadores adotaram a lei seca e o movimento ganhava cada vez mais força com os altos investimentos, além de contar com a simpatia de uma parcela significativa da população. Simpatia em boa parte devido ao mercado ser essencialmente explorado por estrangeiros em detrimento da população local.

O início da I Guerra Mundial foi fatal para aniquilar qualquer esperança do mercado cervejeiro. Em pouco tempo a lei seca tomaria conta de todo o país.

Mas isso fica para o próximo post. Aguardem!

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Gustavo Iglesias

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