Capitalismo e “capitalismos”

O verdadeiro sistema capitalista é aquele sem amarras burocráticas do Estado (e sem papelão na carne)

Postado dia 20/03/2017 às 09:00 por José Iwabe

carne

Foto: Reprodução

Desde Adam Smith (1723/1790) o mundo aprendeu que a melhor forma de a economia funcionar é obedecendo às leis naturais do mercado; da oferta e da procura. A necessidade, tanto a real quanto as artificialmente criadas, precisa de quem a supra, em produtos e serviços. Nessa operação de troca de interesses a medida da qualidade do ofertado depende do grau de exigência dos adquirentes. Portanto, quanto melhor o nível cultural de um povo, mais qualidade e melhores preços se obtém dos produtores.

O verdadeiro sistema capitalista é aquele sem amarras burocráticas do Estado, onde as partes interessadas têm toda a liberdade para negociar, as empresas tendo empenho em bem servir e o público consumidor de prestigiar as que lhe servem bem.

O capitalismo de Estado é o que desvirtua a sua natureza por intervir na livre negociação entre as partes, desequilibrando a balança com a ingerência governamental, ou favorecendo um lado ou o outro, de acordo com as conveniências do Estado, através de seus órgãos reguladores.

O Brasil jamais pode desfrutar do capitalismo posto que, em nossa breve história, o poder político sempre esteve umbilicalmente ligado ao poder econômico. Desde a proclamação da república até 1964 nós vivenciamos a era do coronelismo, quando a economia dependia exclusivamente de produtos primários, que estavam em mãos de fazendeiros-políticos. Nas duas décadas do período militar, quando ocorreu uma ampla industrialização, esta foi conduzida por rígido planejamento governamental, com a criação de inúmeras empresas estatais. Apesar dos 15% de crescimento do PIB durante o governo Médici, o endividamento do país subiu à estratosfera e a desigualdade de renda chegou ao auge.

Vimos, durante o governo Sarney, eclodir as consequências do desequilíbrio fiscal e graças ao seu estabanado Plano Cruzado, a inflação disparou a níveis nunca vistos, empobrecendo o país.

O Plano Collor foi  intervenção drástica na circulação da moeda, mas teve como fator positivo a abertura do mercado, o que trouxe um verniz de capitalismo à nossa economia.

Fernando Henrique conseguiu colocar o cabresto no dragão inflacionário ao implantar o Plano Real, mas não deixou de dar o seu pitaco intervencionista ao criar as diversas Agências Reguladoras.

Com a ascensão do PT surgiu um modelo ainda inédito de capitalismo: o de compadrio. Um banco cuja finalidade era o desenvolvimento econômico e social (BNDES) foi cooptado para ser o financiador de um grupo seleto (de compadres): Oi, Eike Batista, OAS, Odebrecht, JBS/Friboi e outros, de maneira fulgurante tornaram-se grandes estrelas do mundo empresarial e mega doadores de partidos políticos, principalmente do PT e de seus aliados. Claro, o grão-sacerdote da seita que abençoava essa união tão profícua (governo/empresas), Lula, muito bem recompensado.

Por mais que Emilio Odebrecht afirme que essa vinculação promíscua entre governantes e empresas sempre houve, é absolutamente escandaloso o nível de sofisticação e amplitude a que se chegou durante os governos petistas, obrigando a empreiteira a ter um departamento completo especializado em gerir o propinoduto.

Com as investigações em curso da “Operação Carne Fresca”, o grau de maldade que impregna as falcatruas realizadas sob as asas protetoras do bando de urubus petistas é chocante. Para JBS/Friboi não bastou beneficiar-se do dinheiro subtraído dos impostos, pegos a juros favorecidíssimos do BNDES, mas era preciso também lucrar com produtos deteriorados, contaminados, vencidos, forjados, pouco se importando com a saúde dos consumidores.

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José Iwabe

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