Cantei Camila, para a Camila!

Mais uma história real sobre coisas um tanto fora da realidade, que me fazem parecer Forrest Gump.

Postado dia 25/01/2016 às 00:00 por Fernando Maque

espanto

Entre os anos 1995 e 1997 eu morei em Porto Alegre. Lá, eu dava aulas de inglês numa escola chamada Da Vinci, localizada na Galeria XIII do calçadão principal. Era um curso de inglês bacana e bem diferente dos outros métodos que existiam. Um dia eu entrei na sala e tinha uma aluninha nova, de mais ou menos uns 70 anos. Era a D. Manú. Simpática, calma, atenciosa e de extremo bom humor, porém, carregava com ela uma semblante sofrido, como se a vida não tivesse sido assim tão leve quanto ela era.

Depois de quase três semanas como minha aluna, eu a convidei para uma aula de música com inglês (um método que criei para que os alunos aprendessem a letra da música cantando em inglês e compreendendo melhor a língua, as gírias e “expressions”). D. Manú aceitou e assim estava presente nesta aula. Neste dia.

Ao final da aula, com os alunos à minha volta, para descontrair, comecei a cantar uma música que nasceu em Porto Alegre, começamos a tocar “Camila, Camila”. Uma música que fez um imenso sucesso nos anos 80. Neste instante, reparei que a D. Manú  ficou me olhando.. olhando….e batendo a mãozinha na perna.. no ritmo… mas todo o tempo muito séria. E eu até sentei do lado dela enquanto cantava.

Tocamos mais algumas músicas de Bandas que nasceram no Rio Grande do Sul como Engenheiros do Hawai e Cleyton & Cledir.

Quase dois meses depois, ao final de uma aula, enquanto todos iam embora, ela veio até a mim e falou:

– Fernando, você pode me acompanhar até lá embaixo, meu filho vem me buscar.

Eu prontamente disse que sim. Descemos pelo elevador, ela de braço dado à mim, e quando eu a levei até a porta do carro, ela pediu para o filho descer do carro, ela queria me apresentá-lo. O filho saiu veio até a mim, sorridente e bastante simpático.

Qual não foi a minha surpresa quando me dei conta de que era o Theddy! O vocalista da banda Nenhum de Nós, o dono da música “Camila, Camila”. O sujeito que havia composto esse imenso sucesso. Trocamos algumas palavras, sobre música é claro.

Na semana seguinte, em mais uma aula, agradeci a D. Manú pelo carinho em me apresentar seu filho famoso. Ela, toda orgulhosa agradeceu também e pediu para que eu me sentasse perto dela, pois tinha uma história para me contar.

Adoro histórias! Ainda mais dos mais velhos que tanto tem a nos contar. Mas eu não estava preparado para o que eu ouviria daquela doce Senhora. Ela me disse assim;

– Fernando, eu me casei muito cedo. E parte da minha história está na música “Camila, Camila”. A Camila retratada na música sou eu (??!!!??). O Teddy compôs sobre quando eu apanhava do meu marido.  O Teddy era novo, mas pelo jeito não muito novo para entender o que passávamos não é?

Fiquei atônito! Senti-me o Forrest Gump! Eu não sabia o que dizer. Aquela Senhorinha havia me deixado sem fala.

Afinal de contas, não são todos que podem dizer que já cantaram “Camila, Camila”. E muitos outros poucos podem dizer:

– Eu cantei Camila, Camila para a Camila… A Camila!!!

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Sobre o Autor

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Fernando Maque

Filho de uma exímia pianista, Fernando tem a música no DNA, na veia e faz dela sua razão de viver. Um artista ímpar.

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