A caminho de Curitiba

Nesta segunda os deputados demonstraram continuar sendo aquilo que Lula um dia bem caracterizou: um bando de picaretas.

Postado dia 23/09/2016 às 09:45 por José Iwabe

Lula

Foto: Reprodução/Internet

O receio que alimentava quanto à forma um tanto “show time” com que o MPF de Curitiba atuou, durante a apresentação pública das razões pelas quais o Lula seria denunciado à Justiça, felizmente foi dirimido pela recepção cautelosa, inteligente e criteriosa de Sérgio Moro, fechando todas as brechas que os promotores haviam, imprudentemente deixadas abertas. Ao considerar haver motivos suficientes para a aceitação da denúncia, diante do exposto, e instado o MP a apresentar, no curso do processo, provas cabais e deixado claro terem os acusados espaço suficiente para o contraditório, só restou ao advogado de defesa manifestar sua birra contra o juiz e os promotores, sem nenhum argumento que amparasse prévia e juridicamente os seus representados. Quanto à acusação de ser Lula “o maestro da orquestra”, o chefão da facção politica criminosa, levantada durante a denúncia pública, mas não constante na inicial encaminhada ao Juiz, este asseverou terem eles agido corretamente, posto que foi apenas para melhor compreensão do contexto em que atuaram os réus e desta acusação cuida o STF, vinculada que está a pessoas com foro privilegiado. Os pontos soltos foram amarrados, bem amarrados

O PT está tão consciente de que Lula será condenado que já se preocupa com a sobrevivência do partido, dado que não contam com mais ninguém para candidato em 2018.

Se as coisas continuarem nessa infeliz toada para eles, havendo algum candidato que porventura consiga se eleger prefeito nessas eleições, não é de duvidar que mude rapidamente para outra sigla, pois nessa campanha sequer têm a coragem de ostentar os símbolos do PT.

Na calada da noite.

Na política quando se é bandido é muito difícil deixar de sê-lo.

Se no impeachment deputados e senadores chancelaram o bota-fora de Dilma, não o fizeram por amor à justiça e repúdio à corrupção. Mera conveniência oportunista. “Para que apoiar quem é descartada clamorosa e veementemente pelos eleitores? Mudemos de lado porque a vida continua…” Esse foi o raciocínio que predominou e produziu o impeachment. Os que alimentavam um mínimo de dúvida deixaram meia porta aberta para eventuais mudanças no cenário e fatiaram a pena, deixando-a elegível.

Nesta segunda os deputados demonstraram continuar sendo aquilo que Lula um dia bem caracterizou: um bando de picaretas.

Num acordo feito nos bastidores, os principais partidos (PMDB, PSDB, PT, DEM, PP e PR) resolveram desengavetar um projeto de 2007 que criminaliza o caixa 2 e a votariam a toque de caixa, bem numa segunda-feira, ainda dentro de uma semana de campanha eleitoral, portanto com quórum reduzidíssimo. Mas uma emenda de encomenda anistiava a todos que tivessem feito uso desse sistema até a data da aprovação do projeto. São suspeitos da maracutaia Renan Calheiros – para aprovar no Senado, quando lá chegasse -, Rodrigo Maia e todas as lideranças dos maiores partidos. Entretanto todos, após denunciado o estratagema, recusam-se a vestir a carapuça e dizem, plagiando o conhecido pai da mentira: “não sabíamos de nada”.

O despeito dos insignificantes.

Na 71ª. sessão anual de abertura dos trabalhos da ONU coube . como é tradição, a Temer, na qualidade de Presidente do Brasil, fazer o discurso inaugural. Não comento os temas tratados, pois também é tradição os presidentes e primeiros ministros falarem e não dizerem nada de relevante, só o cumprimento de um protocolo, e quando há alguma atividade importante esta acontece em salas íntimas. Apesar da grandiloquência com que a ONU é tratada, todos sabem de seu papel meramente formal na maioria de seus pronunciamentos e decisões. No fim das contas cada país faz o que bem entende.

Mas quando foi dada a palavra a Temer, os representantes de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Costa Rica  deixaram acintosamente o recinto.

Em meio a mais de 200 nações ali representadas, eles se prestaram a um ridículo protesto, semelhante ao despeito que podem sentir os ratos quando um gato, mesmo de goteira, de telhado, aparece e toma conta da área. A comparação felina é puramente retórica, para ressaltar a insignificância dos países que representam os delegados do protesto, graças à desgraça de seus governantes, que arruinaram as respectivas nações.

Temer, na verdade, começa a devolver o orgulho aos brasileiros, após anos de presidência de um sujeito semianalfabeto, vulgar e ególatra, sucedido por uma carranca arrogante, inculta e unineuronal, que envergonhavam o Brasil mundo a fora.

Como dizem, temos um presidente que sabe se vestir e comportar, tem pose de presidente e,  melhor que tudo, sabe falar um português impecável. O resto iremos descobrindo até dezembro de 2018. Espero que sejam boas surpresas.

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José Iwabe

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