A calamidade pública distribuindo medalhas

A cidade maravilhosa tentando comprar sua própria imagem coloca o Brasil em uma situação de risco

Postado dia 28/06/2016 às 18:07 por Sociedade Pública

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Foto: Reprodução/Internet

As Olimpíadas se aproximam. Finalmente chegou a vez de o Brasil sediar o tão aclamado evento. Infelizmente o país, mesmo sendo um belo cartão postal por suas riquezas naturais e beleza ímpar, atravessa um período político, social e financeiro que deixa muitas pessoas preocupadas. A violência e a desordem exigirão das autoridades um grande esforço para que o Brasil não receba uma nada honrosa medalha de vergonha e incompetência.

O governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública. Pode ser que esse evento seja marcado pela atual improbabilidade de arcarem com as responsabilidades básicas para que o Estado garanta o bem estar dos moradores e dos milhares de visitantes. A grave crise financeira, que não foi prevista, pode causar um total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental.

Recentemente, um norte americano chamado Tony Tran relatou que o próprio governo dos Estados Unidos está sugerindo que as pessoas não venham para as Olimpíadas, pois sabe-se da grave situação do Brasil. É de se esperar preços altos para o consumo de alimentos e outros serviços básicos, o que implica diretamente na vida dos habitantes, que deverão se adaptar às possíveis mudanças que a cidade sofrerá.

Recentemente o Rio de Janeiro foi marcado por algumas barbáries, tais como o estupro coletivo e o assassinato de uma médica que cruzava a famigerada Linha Vermelha, além de outras incontáveis ocorrências de crime e violência que marcaram a cidade perante todo mundo.

Outro episódio vergonhoso que antecede o evento olímpico foi o abatimento da onça Juma pelo Comando Militar da Amazônia (CMA). Um trágico desfecho para o animal, que participou de uma cerimônia de passagem da tocha olímpica. A onça Juma, segundo o Ipaam (Instituto de proteção aos animais da Amazônia) não tinha sido devidamente autorizada a participar do evento. Após o evento, o animal foi mortalmente ferido por um tiro de pistola no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), segundo relatos, por ter avançado em um soldado. O caso está sendo analisado por uma possível negligência do exército pela exposição indevida da onça.

Para que seja garantida a segurança durante os Jogos Olímpicos, o Governo Federal deverá encaminhar para o Rio de Janeiro um pacote no valor de R$ 2,9 bilhões. É uma grande soma de dinheiro para ser utilizada em curto prazo, de modo que não trata em longo prazo benefícios para o país. Isso é somente um “seguro” para evitar catástrofes que possam prejudicar a imagem do Brasil perante o mundo. Sujeito ainda de esse valor ser desviado de alguma forma para interesses ocultos de políticos corruptos.

O Brasil deveria saber esperar um pouco mais para realizar eventos de grande porte e não tentar ostentar uma imagem que não pode pagar. Afinal, é importante que o governo federal pense no bem estar da população primeiramente, que já vem sofrendo há meses pela crise nacional. Esse amadorismo que o Brasil não quer vender para todo o mundo reflete diretamente na cara da população, que possui motivos para acreditarem que essa Olímpiada não é bem-vinda no momento.

Claro que devemos incentivar o esporte, os atletas nacionais e o desenvolvimento do turismo no país. Mas existem prioridades que estão sendo postas de lado para que uma estrutura falha e duvidosa possa sobreviver somente para que um capricho seja realizado, como foi a Copa do Mundo de 2014, um evento repleto de corrupção e obras superfaturadas que não trouxeram benefícios reais ao país, e sim a poucos empresários. Lembrando que essa Copa do Mundo teve tanto dinheiro gasto que hoje infelizmente parte da grave situação que o brasileiro enfrenta é decorrente dessa irresponsabilidade.

 

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