Cadê a mulher que estava aqui?

Tivemos a triste notícia que das 23 cadeiras da Câmara de Vereadores, apenas uma será ocupada por uma mulher

Postado dia 05/10/2016 às 09:58 por Fernando Muniz

mulher

Foto: Reprodução/Internet

É complicado, em pleno ano de 2016, ter que parar para escrever algo tão óbvio, mas muitos ainda insistem em fechar os olhos para a questão do empoderamento feminino, então me sinto na obrigação de utilizar esse espaço para trazer a questão à tona!

Até porque, mesmo sendo homem e branco, não posso me furtar de saber que todos nós temos uma dívida histórica com os negros, pois foram 354 anos de escravatura e a “abolição” ocorrida há 130 anos jamais proporcionou a inclusão do negro e a ruptura das praticas racistas em nossa sociedade, e com as mulheres não é diferente! Sou homem, mas tenho mãe, prima, tia e sei o quão desafiador é ser mulher nesse país.

Isso não deveria acontecer, já que no Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres são maioria na população, vivem mais que os homens, ocupam mais espaço no mercado de trabalho e, atualmente, são responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias brasileiras. Os últimos dados divulgados em 2013 indicam que viviam no Brasil 103,5 milhões de mulheres, o equivalente a 51,4% da população.

E nessa mesma toada, também são a maioria entre os eleitores. Nas eleições de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral tinha em seus registros 77.459.424 eleitoras, diante de 68.247.598 eleitores do sexo masculino.

Olha só que coisa boa! As mulheres são a maioria, “só que não!”. Nos cargos executivos das 500 maiores empresas do Brasil, as mulheres são minoria, ocupando apenas 13,6% dos postos mais altos, e lamentavelmente isso também é visto na política. O “governo” de Michel Temer já teve seu início anulando por completo a participação feminina (e de negros) em seus ministérios, depois tentou consertar e a emenda saiu pior que o soneto!

E nesse domingo, após o resultado das eleições municipais em Mogi das Cruzes, tivemos a triste notícia que das 23 cadeiras da Câmara de Vereadores, apenas uma será ocupada por uma mulher, Fernanda Moreno, que irá exercer os seus quatro anos de mandato sendo a única representante feminina naquela casa.

É papel de todos nós, homens ou mulheres, lutar pelo empoderamento feminino em todas as esferas, em especial para que as mulheres tenham maior participação na gestão pública e na política e para que, no ano de 2020, nossa Câmara de Vereadores seja menos desigual, afinal elas são a maioria!

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Sobre o Autor

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Fernando Muniz

Atua como advogado, e é membro do Primeiro Conselho Municipal da Juventude de Mogi das Cruzes.

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