Cada um com o seu pontinho

Um empreendedor verdadeiro toma para si todas as responsabilidades de erros novamente cometidos e acalenta-se sob sua própria consciência já culpada, aprendendo que tudo depende de seus desejos e anseios

Postado dia 29/04/2016 às 07:30 por Fernando Maque

empreendedor

Foto: Reprodução/Internet

Faço-me essas perguntas todos os dias. Confesso. Algumas vezes, quando estou indo para o trabalho, sinto uma angústia misturada a incertezas tão grande por não saber se atingirei o sucesso profissional que desejo.  Os motivos de eu sentir essa angústia poderiam ser elencados aqui facilmente. Talvez o principal motivo de esse sentimento aflorar é porque sou, antes de tudo, um ser – humano, uma pessoa normal como todos, com medos, fraquezas, incertezas e, acima de tudo, frágil. Penso que os medos e as dúvidas façam parte do nosso caminhar, portanto, devemos encará-los como parte inseparável e inevitável da nossa condição.

O sonho de fazer da minha empresa um empreendimento de sucesso me faz encarar o meu eu profundamente. Faz-me ver quem eu realmente sou. Quem eu quero me tornar e o que quero para os outros que me rodeiam. Que tamanha responsabilidade para conosco temos nós, empreendedores. Será que queremos o sucesso por vaidade, por grandeza ou para realmente contribuir para o mundo? Lá no fundo dos nossos corações, o que, realmente, queremos? A grande pergunta é: Que empreendedor eu sou?

Essas são perguntas que devemos responder para nós mesmos, sozinhos em nosso canto, com honestidade absoluta, com a alma clara e cristalina e, acima de tudo, com verdade.

Tenho certeza que os grandes empreendedores, empresários de sucesso, perguntaram-se isso e em algum momento, responderam a si mesmos, a verdade, absoluta e sem maquiagens corporativas disfarçadas de conceitos e vocabulários difíceis.

A pergunta é tão simples como o simples deve ser: Que empreendedor eu sou?

Me nego a acreditar que meus “Role-Models”, ou seja, meus exemplos de empreendedores chegaram “lá” apenas vivendo seus dias sem saberem o que são e o que verdadeiramente querem. Tenho certeza que o Sr. Júlio Simões, por quem tenho profunda admiração e um respeito infinito, com quem já trabalhei inclusive, um dia também sentiu medo. Por várias vezes me peguei falando com uma foto do Sr. Júlio, publicada em um jornal ou revista qualquer pensando; Diga-me o seu segredo Sr. Julio! Diga-me o que o fez vencer a vida? Qual o caminho que o Senhor percorreu. Fale-me o que fazer e eu o farei!

Outra pessoa que, agradavelmente, “me rouba o sono” tentando decifrar é o Sr. Henrique Borestein. Fico imaginando a força incomensurável que fez para atingir seus objetivos. Fico imaginando o que passa em sua cabeça quando compara o seu passado com o presente e trilha, em segundos, seu caminho resumindo 30 anos de alegrias, conquistas, desavenças, obstáculos vencidos, pormenores de gestão e sim, o medo.

Periodicamente encontro o Sr. Henrique Borestein e sorrateiro, discretamente, fico olhando para aquela “figura empreendedora” com meu talento de Sherlock Holmes tentando adivinhar como “ele chegou lá”. Se ele é um ser humano como eu, se sente medos como eu os sinto e se vive no mesmo universo que eu, portanto e matematicamente, tenho as mesmas chances de atingir o sucesso como ele. O que nos difere é o tempo gasto nos objetivos somente.

Se eu pudesse, se a minha vida permitisse, gostaria de apenas ficar ouvindo conselhos de empresários de sucesso como eles. Gostaria de aos poucos ir escrevendo uma cartilha, um manual de instrução onde pudesse chegar ao sucesso. Porém sei que isso é lirismo, é um sentimento lúdico e que a probabilidade de atingir o meu sucesso seria pequena, pois não haveria o viver, o sentir medo, o desafio. Por fim, não haveria o aprendizado fundamental para o sucesso; a persistência.

Tomo para mim a liberdade que não tenho para responder aqui a minha maior certeza;

Como homens como o Sr. Júlio Simões e o Sr. Henrique Borestein chegaram lá? Só há uma resposta. Somente uma grande verdade.

A fé!

Não estou me referindo à fé religiosa. Trata-se da fé em si mesmo. Da inabalável crença em seus potenciais, mesmo que o medo se faça presente. É a fé de que dias melhores virão e que tudo vai se estabilizar. É a fé nos colaboradores e que juntos, todos como um barco a remo, sincronizados, nos levarão a costa do mar em paz, calmo e sem ondas raivosas.

Não tive a ousadia de perguntar a ele, mas sei, tenho certeza, que o Sr. Henrique, durante todos os anos de sua vida empreendedora, nunca olhou para outro lado senão para frente enxergando apenas o seu objetivo, um único ponto, mesmo obscuro, mas um único e solitário objetivo. O seu “target”. A sua meta.

Pessoas como ele não se deixam abalar por medos. Sentem medos e milésimos de segundos após voltam à si para trilhar seu caminho em busca de suas realizações pessoais. Transformam o errado em instruções de não-fazer e aprendem que um dia a mais de vida vivida é um dia mais perto do sonho realizado. Tenho a certeza mais que absoluta e vou além, desafio, quem quer que seja a me convencer que esses senhores motivaram-se por dinheiro. Não, nunca.

Um empreendedor de sucesso busca realização pessoal. Ele busca o conforto e as realizações que o dinheiro possa trazer e não o próprio em espécie. Saber que estamos provendo realizações de outros através das nossas é a propulsão que nos move. Repousar um dia, em sono profundo e ter a consciência tranquila de ter cumprido o melhor ao nosso redor.

Um empreendedor de sucesso é um amante inveterado da vida e a vive como se fosse sua única chance de vitória e na verdade, se pensarmos mais a fundo, realmente é. Um empreendedor verdadeiro toma para si todas as responsabilidades de erros novamente cometidos e acalenta-se sob sua própria consciência já culpada e aprende que tudo depende de seus desejos e anseios.

O empreendedor deve, contrariamente a muitos que dizem o que fazer e como fazer, seguir seu próprio coração e sentir seus pés firmes no caminho que ele próprio decidiu trilhar; o caminho do sucesso. O caminho da sua realização pessoal.

Não se desviem de seus caminhos e nunca, nunca, nunca, desviem seu olhar daquele pontinho lá longe, solitário, quase imperceptível e que o medo nos dificulta a visão; A SUA REALIZAÇÃO PESSOAL.

Convidem a si mesmos para tomar um café. Apresentem-se a si mesmos e perguntem quem é você e o que deseja para a sua vida. Olhem para dentro de si e vejam a força que torna tudo possível. Sejam amigos íntimos e sorriem para ambos.

O meu pontinho está lá, cada dia mais perto, por vezes tão longe, mas está lá. E sei que um dia estarei de frente ao meu pontinho, e que neste dia, tão esperado dia, eu possa olhar para o lado e dizer:

—- Sr. Henrique, então era só isso? Era só não deixar de caminhar mesmo com medo? Bem, de qualquer maneira, Eu o agradeço pela inspiração.

Muito obrigado!

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Fernando Maque

Filho de uma exímia pianista, Fernando tem a música no DNA, na veia e faz dela sua razão de viver. Um artista ímpar.

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter