A Busca pela Senda Espiritual

O caminho espiritual pode ser trilhado de diferentes maneiras, seja através das múltiplas religiões existentes, seja pela escolha individual sem vincular qualquer orientação religiosa...

Postado dia 03/05/2017 às 08:30 por Antonio Carlos

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Foto: Reprodução/Internet

Todos nós, crentes da existência de um ser superior a nós, buscamos na espiritualidade um caminho que nos leva a dimensões diferenciadas para o aprimoramento de nossas vidas. Como já afirmou certa vez Teilhard de Chardin “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, mas sim, seres espirituais vivendo uma experiência humana”.

ugbuO caminho espiritual pode ser trilhado de diferentes maneiras, seja através das múltiplas religiões existentes, seja pela escolha individual sem vincular qualquer orientação religiosa, na busca de uma visão holística espiritual do ser humano. Nesse caminhar, confere ao seu interlocutor, a busca da liberdade de recorrer as mais diversas fontes do conhecimento e nutrir-se de seus ensinamentos, à medida que começa a enxergar a universalidade e a convergência das trilhas religiosas que levam para a evolução espiritual da humanidade.

Ao analisarmos a evolução da humanidade, observamos que houve a necessidade de guardar o “conhecimento” oculto através do “Caminho dos Mistérios”, através da qual permitiu a humanidade acelerar a sua evolução por meio de iniciações conferidas pelos grandes sacerdotes (Hierofantes), Adeptos e Mestres. Dessa forma, os “Mistérios Ocultos” foram aparecendo gradativamente em diferentes partes da Terra, como por exemplo, no Antigo Egito, na Grécia, Índia e etc. Dentre esses “mistérios” podemos destacar os Mistérios de Elêusis, e os Mistérios Órficos na antiga Grécia. Esses caminhos estavam abertos para todos, homens e inclusive para as mulheres, no entanto, os candidatos à Iniciação deveriam reunir qualificações éticas e morais, exigidas para a admissão nos seus diferentes rituais secretos. Embora fosse permitido a todos os interessados, esse caminho espiritual, a princípio, estava reservado para aqueles que buscavam o autoconhecimento e o domínio de si mesmo, ou seja, pela busca do cadinho alquímico espiritual de transformação interior. Esse caminho, como já disse certa vez o místico e mestre espiritual armênio George Gurdjeiff, “é necessário trabalhar incessantemente sobre si mesmo, para eliminar de sua personalidade-alma, os aspectos negativos que adquiriu no decorrer de suas vidas”.

fffEsse “caminho”, como metáfora, deve ser trilhado para o autoconhecimento, mesmo porque, para toda transformação interior, deve-se começar de dentro para fora, em busca de uma tomada de consciência. Dentro desse princípio, o buscador deve tornar-se o próprio caminho, na medida em que o seu mundo exterior torna-se reflexo do seu mundo interno, pois já disse alguém, “O Mestre irá ao seu encontro quando você já estiver preparado…”.

A palavra “caminho” significa trilha, estrada, rota, senda, travessia, via, vereda, etc. No sentido metafórico significa também, a conduta moral de uma pessoa ao fazer a opção pelo bem ou pelo mal, o curso da vida ou mesmo um meio de alcançar um resultado, como pode ser o caminho para o sucesso, para a paz ou para a felicidade. Na literatura esotérica, porém, tem um significado mais profundo e espiritual, direcionando aos objetivos delineados no início desse difícil trabalho de aprimoramento da personalidade-ego e evolução espiritual, sendo muitas vezes também chamado de Caminho da Santidade, Caminho do Adeptado, Caminho do Fio da Navalha, ou ainda, Caminho Reto e Estreito para levar à Senda das Iniciações.

A doutrina esotérica nos ensina que a libertação ou bem-aventurança do Nirvana, pode ser alcançada por dois caminhos paralelos e distintos: O Caminho Místico e o Caminho da Ciência Secreta (Gupta Vidya).

O Caminho Místico, descrito no livro de Annie Besant (Do Recinto Externo ao Santuário Interno) corresponde ao caminho normal, trilhado de forma lenta, gradual, e segura pela maioria das pessoas. Já o Caminho da Ciência Secreta, considerado como o verdadeiro caminho oculto, é pela via direta que conduz, de maneira mais rápida, ao objetivo desejado, sendo, por isso, considerado um caminho mais íngreme e escarpado…

No livro A Voz do Silêncio (Ed. Pensamento) da madame H. P. Blavatsky,  esses dois caminhos são mencionados como Caminho Aberto e Caminho Secreto, sendo o primeiro caminho, considerado ao caminhar em espiral, portanto mais vagaroso, enquanto o segundo caminho, considerado como mais acelerado, aperfeiçoa-se através de uma série de Iniciações e conduz ao auto sacrifício, caminho este escolhido pelos Budas da Compaixão que renunciam à felicidade do Nirvana. Esse caminhar é considerado também como o caminho da renúncia porque o despertar da percepção espiritual do discípulo mostra-lhe a escuridão espiritual em que os homens, em sua maioria, vivem…

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Foto: Reprodução

Portanto; ao ingressar no Sendeiro Probatório, uma das etapas que precede o Sendeiro do Discipulado, o buscador converte-se em discípulo em período de prova, e como consequência, afasta-se do caminho comum da evolução trilhado pela grande maioria da humanidade.

Esse caminho, difícil e árduo, e pode ser encontrada nas alegorias dos antigos gnósticos, como no caso do Hino da Pérola, também conhecido como Hino da Veste de Glória, assim como em muitas obras de caráter esotérico. Esse é o drama de redenção de Sophia narrado em Pistis Sophia, texto esse gnóstico descoberto na segunda metade do século XVIII. Pistis Sophia simboliza a alma precipitada na matéria, caída do Pleroma (totalidade dos poderes divinos…), que após sucessivos apelos a Cristo terá que refazer o caminho de volta à totalidade.

Num sentido mais estrito, é utilizado para indicar o trajeto que leva ao discipulado de um Mestre de Sabedoria e às grandes Iniciações, culminando com a realização do Adepto, o que se supõe uma gama de provas e múltiplos desafios que precisarão ser superados até que se chegue à meta suprema da completa realização, representada como seu símbolo maior, nas ordens da cavalaria medieval pelo Santo Graal, ou o Cálice Sagrado. É por isso que o “caminho” espiritual é muitas vezes representado como uma guerra travada entre a “natureza espiritual e material do homem…”

uhComo afirmou certa vez, um dos mais respeitados teósofos de todos os tempos, Geoffey Hodson, existe uma guerra perpétua, travada silenciosamente no interior, representada na mitologia egípcia pela luta entre Set (representando o Caos) e Osíris (a Luz).

Dessa forma, a batalha alegórica entre os anjos da Luz e das Trevas é, para o praticante, uma alusão ao duelo interior travado consigo mesmo e aos conflitos que precisam ser estudados e harmonizados no seu enorme universo interior… Esse é um dos significados do Armagedhon bíblico descrito no livro do Apocalipse. É interessante observar também, que esse mesmo significado é retratado no Bhagavad Gita, ou seja, a luta interior do ser humano e relata como Arjuna (símbolo da alma individual ou da mônada humana em evolução), deve enfrentar a si mesmo, superando os obstáculos mentais que podem bloquear o “caminho”. Nesse aspecto, Arjuna também simboliza o discípulo perfeito, aquele que consegue compreender com clareza, os sábios ensinamentos do seu mestre (Krishna).

A grande escritora teosófica, Mabel Collins em seu famoso livro Luz no Caminho (Ed. Pensamento), utiliza-se desse simbolismo ao comparar o discípulo ao guerreiro que se mantém imperturbável diante dos desafios que terá de enfrentar dentro de si mesmo, e, embora seja chamado a lutar no campo de batalha, paradoxalmente deve manter-se alheio a batalha, deixando que o guerreiro lute através dele, permitindo, em outras palavras, que o “Mestre” aja por seu intermédio…

Outra alegoria muito utilizada pelos místicos é a Luz, porquanto o buscador pode ser comparado aquela pessoa cuja alma se encontra imersa em trevas e deseja ardentemente aproximar-se da Luz Maior, aquela luz que dissipa as trevas da ignorância, “a luz que conduz a vida”, parafraseando as palavras do apóstolo João.

aaaNa época dos Antigos Mistérios, o aspirante deveria passar os umbrais das Iniciações para receber as sublimes lições dos Hierofantes…, ou seja; precisa eliminar quaisquer vestígios da ignorância pelo prisma da sabedoria espiritual, assim como fez o prisioneiro do famoso conto de Platão, em seu livro A República, que conta na Alegoria da Caverna, que ao se libertar dos grilhões que o prendem, é atraido pelos raios do sol e consegue encontrar a luz.

Assim como a meta do caminho espiritual pode ser comparada ao topo de uma montanha que precisa ser escalada, as etapas da ascese espiritual assemelham-se aos degraus de uma longa escada que precisam ser superados degraus por degraus, representando assim, os sucessivos estágios da Senda Espiritual e o gradativo desenvolvimento dos sentidos internos, a medida que a alma vai se depurando de suas imperfeições, para elevar-se gradativamente para outros planos (degraus) superiores.

É justamente isso que a Maçonaria nos ensina em suas fabulosas Instruções de grau, a evolução humana, passando gradativamente do reino mineral ao reino angelical, aprimorando e controlando os 04 elementos (terra, ar, água e fogo) até chegar a quintessência, o homem perfeito, o Homem Vitruviano, o Bom Pastor, como definiu muito bem, um irmão da maçonaria…

Na filosofia budista, por exemplo, nos ensina Os Nobres Caminhos das Oito Virtudes, que conduz o praticante à iluminação da consciência. O Cristianismo também realça o cultivo das virtudes e a prática do amor fraternal.

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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