Brasil, um país adernado

Quanto mais o barco segue para a esquerda, mais a carga corre para o lado que o fará soçobrar, e a correção terá que vir da extrema direita. É isso o que queremos?

Postado dia 10/03/2017 às 09:00 por Valter Mello

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Foto: Reprodução

Somos um país adernado à esquerda – bombordo na linguagem náutica, que curiosamente é o lado do navio sinalizado com uma lanterna de cor vermelha.

Adernado porque não temos uma contraparte à direita que consiga aprumar o nosso barco, e um barco adernado é um barco instável. Para seguir em frente, teria que contar com um capitão extremamente competente que não se intimidasse de se livrar da carga concentrada que está deixando o barco ingovernável. Mas o que temos visto é que não só os capitães, mas também seus assessores, continuam olhando à esquerda ao invés de para frente.

O problema disso é que, quanto mais o barco aderna, mais a carga corre para o lado que o fará soçobrar, e a correção terá que vir da extrema direita. É isso o que queremos?

A maior parte dessa carga adernante é de lixo orgânico que veio se acumulando em nosso país desde tempos imemoriais. Os miasmas desse lixo continuam contaminando as pessoas com uma doença que se manifesta sob a forma de coitadismos, segregacionismos irracionais, vitimismos, síndromes de vira-latas e outros sintomas, como o desejo incontrolável por direitos e o asco exagerado aos deveres.

Essas deturpações, que se tornaram quase naturais, se manifestam através da falta de civilidade e do individualismo torto dos brasileiros, além da visível complacência para com a corrupção.

Foram sendo justificadas através de leis inúteis, contraditórias, culminando com uma constituição prolixa e confusa, mas continuam se disseminando. Tudo isso misturado virou um paraíso para os ratos exploradores de brechas na legislação, um prato cheio para os zumbis exploradores da ignorância e para os “salvadores da pátria” que de salvadores nada têm.

Vemos reflexos dessa doença todos os dias. Virou moda a crítica às empresas e ao lucro como se fossem coisas do demônio, virou moda que a mídia (com pouquíssimas exceções) teça notícias distorcidas desde que siga a cartilha das esquerdas e das supostas minorias. Por exemplo, criticando ações duras das forças de segurança, ainda que em favor do bem comum.

Virou moda exigir direitos pelo simples desejo de algumas minorias “espertas” de que algo que lhes seja conveniente passe a ser considerado um direito. Virou moda crucificar qualquer opinião contrária a esse senso comum. É quase um crime expressar ideias liberais ou mais ou menos conservadoras, qualquer que seja o grau.

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Recentemente, em um treinamento do qual participei, houve uma dinâmica em que os grupos deveriam decidir pelas ações a tomar com um empregado do setor de segurança, que foi pego furtando a empresa; que confessou o crime mas alegou que praticava o delito porque precisava custear um tratamento de saúde para sua mãe querida.

O resultado foi uma imagem do Brasil.

Dos cinco grupos, apenas um decidiu pela demissão do empregado por justa causa, justificando que as decisões da empresa devem ser impessoais, e o que importa é o fato em si.

Todos os demais, em maior ou menor grau, relativizaram a gravidade do ato praticado pelo empregado (ainda que fosse ele um dos responsáveis pela segurança), alegando a função social da empresa, o fato de que a doença da mãe seria uma atenuante, que a empresa era a culpada pelo ato do infrator por não ter lhe dado condições de pedir auxílio (pura interpretação, já que isso não estava no texto do caso), e outras motivações que, na minha opinião, acabariam por passar aos demais empregados a noção de que os fins justificam os meios.

Isso foi só um exemplo de como as coisas são decididas por aqui. Com base na emoção, nas lágrimas, no canto doce da sereia, ou por medo das chamas do inferno.

Precisamos aprender urgentemente a nos ater aos fatos e não julgar pelas aparências ou conveniências.

Reduzir as infrações procurando o lado “social” do crime, só nos leva a tomar decisões erradas.

Na minha opinião, isso não é diferente do velhíssimo “estupra mas não mata”, e da fala dos nossos famigerados defensores dos direitos humanos, que via de regra culpam as vítimas.

Há muito o que fazer pelo Brasil. Há muito o que fazer para a melhoria dos nossos indicadores sociais. Entretanto, situações anormais exigem ações anormais. E rápidas.

Falta pouco para o Brasil fazer água e soçobrar de vez. Muita culpa por isso será devida aos nossos “intelequituais” que só conseguem ver a água do naufrágio cada vez mais próxima e ouvir através dela o canto fúnebre vindo dos cadáveres das sereias socialistas. A situação é crítica: ou a gente muda nosso modo de pensar ou não haverá botes salva-vidas para todos.

Lembrem-se do que disse John F. Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você. Pergunte-se o que você pode fazer pelo seu país”.  E o Kennedy era um democrata, o que significa que era teoricamente de esquerda.  Quanta distância do pensamento da esquerda subdesenvolvida que temos por aqui, hein?

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Valter Mello

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