Bordoada em Chico e em Francisco

O pedido de impeachment de Dilma mostra que é hora também de um pente-fino nas contas públicas dos Estados e municípios

Postado dia 08/12/2015 às 18:42 por Janaína Leite

Foto: Reprodução/Internet

O Brasil viverá de impeachment em impeachment, amargando uma economia que cresce e se retrai aos soluços, caso não aproveite a atual chance de discutir o uso recorrente pelos governantes de uma contabilidade adulterada na prestação contas sobre suas respectivas administrações.

A presidente Dilma Rousseff valeu-se de “pedaladas fiscais” para gastar mais do que podia, à revelia da lei, conforme atestou o próprio Tribunal de Contas da União, após estudo detalhado e muito bem embasado. Dilma, no entanto, não foi a única. O vice-presidente, Michel Temer, teria canetado manobras iguais.

Não é de se estranhar. A prática de dar um jeitinho nos números, maquiando gastos e tirando receitas fictícias da cartola, é escandalosamente comum nos Estados e municípios, não importa o partido que ocupa o poder.

Essa bagunça com o dinheiro do contribuinte apresenta vários aspectos negativos que travam o crescimento. Primeiro, é impossível planejar direito quando os algarismos são lançados no papel de jeito torto, em algum momento o rombo causado pela mentira aparece e coloca abaixo qualquer plano anterior. Segundo, muitas vezes as verbas são empregadas em ações populistas e vazias, eleitoreiras, descontinuadas logo após a legenda conseguir empossar a quem lhe interessa. Terceiro, os investidores não são tontos, sabem perfeitamente quando a matemática foi encrespada para sumir com a verdade. Quarto, alimenta-se o mito infantilóide de que o país é um gigante em berço esplêndido, um lugar de recursos infinitos, onde o governo tem muito dinheiro e o único problema é a corrupção.

Sim, a corrupção é um inegável problema, seríssimo. Mas a incompetência administrativa somada à malandragem contábil é tão nefasta quanto as propinas. Enquanto o brasileiro não entender que dinheiro público é dinheiro de todos (e não dinheiro de ninguém), o Brasil estará fadado ao insucesso. Um país que gasta loucamente e gasta mal jamais avança por muito tempo. Cai sempre na mesma armadilha.

Transparência é a condição número um para que a nação rume em direção a um desenvolvimento sustentável. Caso contrário, origina-se um cenário ideal para que o Brasil seja o eterno palco tropical dos “jogos vorazes” políticos, como disse o britânico Financial Times há alguns dias.

Manter as contas minimamente equilibradas deveria ser preocupação de todos os partidos e todos os alinhamentos político-partidários, uma vez que salta aos olhos a lógica, simples, cristalina: é um tormento viver endividado ou dependendo enormemente de recursos de terceiros. Muito melhor ter autonomia financeira. É isso que garante o crescimento no longo prazo.

Está na hora de os Tribunais de Conta dos Estados e municípios mostrarem a mesma coragem que o TCU mostrou ao apontar os problemas na contabilidade da União. Uma limpeza pela metade não adianta, daqui a pouco o país ficará no sal outra vez. Todos os administradores públicos que botocaram as contas e transgrediram a lei devem ser responsabilizados.

Auditoria já. Em cima de todo mundo.

Que a Justiça cumpra seu papel

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Sobre o Autor

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Janaína Leite

Jornalista com passagem em algumas das maiores redações do país. Escreve contos e poesias e já brincou de fazer música.

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