Bolsa de valores no Brasil – especulação ou tendência?

O mercado financeiro se preocupa em antecipar fatos e acontecimentos possíveis na economia, na política ou nas empresas com ações listadas em bolsa de valores entre outros setores da sociedade moderna

Postado dia 01/04/2016 às 08:30 por Wndenberg Marques

bolsa

Foto: Reprodução/Internet

Nos últimos dias, percebemos a bolsa de valores de São Paulo subir na casa dos 30% com notícias sobre a possível prisão do ex-presidente Lula e a tentativa de Impeachment da presidente Dilma.

Estes acontecimentos levam o mercado a um falso otimismo e a crença em uma tendência de recuperação econômica, pois com estes dois fatos, por exemplo, o mercado recuperaria a confiança e voltaria a operar, o setor privado voltaria a investir e a gerar toda a cadeia para que um país funcione.

A grande questão é:

  • Qual projeto de fato foi aprovado em relação ao famoso ajuste fiscal?
  • Qual o embasamento jurídico sólido e 100% confiável para derrubar realmente o governo?
  • Quem assumir vai conseguir passar mais confiança e ainda terá capacidade de gestão do país em tempos de crise?
  • A crise mundial afeta diretamente o país ou estamos em uma crise de credibilidade e política?
  • A prisão do ex-presidente Lula vai ajudar em que no tocante a reformas ministeriais e fiscais do país ou será algum empecilho para que ele não se candidate novamente em 2017?

Estas questões são importantes e relevantes para evitarmos especulação no mercado de capitais e buscarmos mais informações reais e análises com fundamentos sólidos nos ativos do mercado de forma geral.

Na bolsa de valores temos demonstrações claras na volatilidade dos papeis com estas notícias. As empresas como siderúrgicas, bancos, mineradoras, petroleiras entre outros setores sentem mais esse clima de incerteza e especulação por aqueles acontecimentos.

Uma explicação mais científica seria na área de finanças corporativas. As grandes empresas têm dívidas ou ativos (patrimônio e recebíveis) avaliados ou precificados em moeda estrangeira ou real, assim a variação cambial afeta diretamente o seu preço de mercado, pois nos balanços podem ter mais ou menos dívidas de acordo com a queda ou alta do indexador dos contratos.

Os preços das ações são analisados de forma fundamentalista, ou seja, além da variação cambial afetar os ativos e passivos também são feitas análises da capacidade de geração de riqueza ou de fluxo de caixa destas empresas. A paralisação da atividade econômica dentro de especulações de queda ou não do governo são fatores que atrapalham as projeções das empresas fazendo com que as nacionais deixem de gerar riqueza por medo de investir, comecem a diminuir suas atividades gerando desemprego enquanto as estrangeiras não investem no país e acabem saindo do país pela falta de confiança de crescimento das suas operações em território nacional.

Quando isso ocorre os analistas entendem que as empresas tendem a ter dificuldade em gerar caixa suficiente para manter suas atividades e nem mesmo se manterem de forma ativa gerando dividendos para os acionistas, empregos e consequentemente impostos para o governo.

Portanto a especulação em torno de notícias nem sempre fidedignas afeta diretamente o preço dos papeis e torna o mercado arriscado. A turbulência e dúvidas em torno da política principalmente atrapalham a evolução das empresas e seu planejamento estratégico de logo prazo. Os acionistas ficam com mais receio e tendem a vender suas ações ou estabilizarem suas posições aguardando um cenário mais claro no mercado.

De qualquer forma a compra de ações é recomendável na montagem e diversificação de portfólios de investimentos sempre respeitando o perfil de aceitação a risco de cada investidor. Sempre tenha um profissional da área e a devida assessoria para tomada de decisão. Este mercado é arriscado até mesmo para os profissionais da área, porém pode render ganhos muito superiores aos da renda fixa.

Um abraço

 

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Sobre o Autor

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Wndenberg Marques

Administrador, especializado em finanças corporativas e bancos de investimentos pela FIA (Fundação Instituto de Administração), certificado pelo IBCPF

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