Black Sabbath: O último concerto dos pais do metal na América do Sul

Finalmente realizei meu sonho de quase 20 anos: ver Geezer Butler, Tony Iommi e Ozzy Osbourne juntos, no mesmo palco, tocando clássicos do Black Sabbath!

Postado dia 08/12/2016 às 09:00 por Leonardo Carrasco

sabbath

Foto: Divulgação

O dia em si foi cansativo, pois após um sol escaldante que até me deixou parecendo um grande camarão, a chuva tomou conta da mais de uma hora e meia de show. Agora me pergunta se não faria tudo de novo? Pergunta retórica ao extremo.

Quando entrei de vez na pista, afinal tinha muita gente e ainda por cima fiz aquele pit stop básico pra não correr o risco de ter de abandonar o concerto no meio, a banda de abertura Rival Sons já estava no palco aquecendo o público sedento pelo rock´n´roll pesado dos anos 70. Sinceramente, achei a banda bacana mas não é um som imperdível, ou mesmo que tivesse algum quê de novidade: música totalmente saudosista. Pra isso, prefiro beber direto da fonte!

O trio responsável por colocar o tal heavy metal no mapa da música, entrou em cena às 20h35 e estava acompanhado de dois caras que já tocam na banda solo do Ozzy: o tecladista Adam Wakeman (sim, filho do lendário Rick Wakeman) que já tocou com Annie Lennox e Travis, entre outros; e o baterista americano Tommy Clufetos (esse que já tocou com Rob Zombie e Alice Cooper). Ambos são exímios músicos e dão um frescor, afinal os quase setentões já não têm mais a mesma disposição dos tempos áureos.

O repertório executado no estádio do Morumbi foi exatamente o mesmo que rolou nos três shows anteriores nas capitais Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro. Porém, os quase 70 mil fãs foram lá pra isso mesmo: assistir à banda tocar treze clássicos pra eternizar na memória!

Antes da banda entrar no palco, rolou um vídeo muito louco de um demônio destruindo uma cidade, pra aí sim ouvirmos as badaladas que antecedem o riff mais tenebroso da história do rock: o da canção Black Sabbath!

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Aí, meu amigo, foi um petardo atrás do outro: Fairies Wear Boots, After Forever e Into The Void na sequência deixaram todos que estavam ao meu redor alucinados! Até fiz “amizades” cantando as melodias e riffs certeiros que amamos tanto.

Um dos momentos mais insanos de todo o show, pelo menos pra mim, foi Snowblind. A chuva tava forte, eu tava ensopado e foi algo de lavar a alma. Cantei com toda minha força e agradeci aos céus por aquilo.

E quando tava achando que ia dar uma relaxada, o comedor de morcegos apresenta os músicos da banda, inclusive foi como se tivesse numa partida de futebol e a torcida vibrava com cada jogador, principalmente Geezer e Iommi, e anuncia War Pigs. Só tenho uma declaração a fazer: cê é louco! Ozzy cantava um verso, o público cantava outro e assim foi um daqueles instantes que percebemos que a história tá ali, passando diante de nossos olhos.

Depois teve a dobradinha do disco de estreia: Behind The Wall of Sleep e N.I.B. Me senti aquele moleque que escutava a exaustão essas duas faixas na sequência. Pra mim, elas juntas são uma mini-opereta do Mal.

Aí confesso que deu uma baixada na energia, pois eles tocaram um pedaço de Rat Salad e rolou aquele solo clichê de bateria. Como disse antes, Clufetos é um baita músico, perfeito pra ocupar a posição do grande Bill Ward, mas convenhamos que seria mais legal se tivesse rolado uma 14ª música no set list. Lord of This World? Supernaut? Sweet Leaf? Electric Funeral? Enfim, opções não faltam pra eles!

Foto: DIvulgação

Foto: DIvulgação

Aí o rapaz deu a deixa pra começar um senhor clássico absoluto do rock: Iron Man. Por mais manjada que seja, todo mundo pirou ao ver o grupo de Birmingham executando-a. Ah… aquele som magistral ecoando pelos ares paulistas tá agora nos meus ouvidos.

Após tal ato, foi a vez de Tony se esbaldar na sua guitarra Gibson SG com a última faixa do subestimado álbum “Technical Ecstasy”, Dirty Women. Percebi que algumas pessoas deram uma dispersada nessa hora. Infelizmente, ainda tem uns que vão ao show só pra curtir as músicas tocadas em rádio. Azar o deles.

Então outro momento épico ocorreu: Ozzy diz que a próxima será Children of The Grave. Meu Deus, tem coisa mais pesada que isso? Não falo de velocidade, de barulho, me refiro a algo que realmente soa como se tivesse caindo toneladas de som na sua cabeça! Mais uma vez, olhei pro céu e me senti grato por viver aquilo.

A banda faz aquela saída ensaiada pra ter o famigerado bis e, como não poderia deixar de ser, volta pra tocar sua música assinatura Paranoid de 1970. Bom, essa todos cantaram a letra perfeitamente, menos Ozzy Osbourne que trocou umas palavras. Tenho certeza que ninguém se importou e a maioria nem percebeu. Dane-se. Era o último ato do Black Sabbath em terras sul-americanas.

Quem viu, nunca mais vai esquecer; quem não viu… meus pêsames. O Fim chegou. Agora só os discos e os vídeos podem continuar fazendo a mente das próximas gerações. God bless you all!

 

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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