Bird watching em Mogi das Cruzes

Em Mogi das Cruzes, existem locais próximos à zona urbana, nos quais todos podem iniciar a observação de aves conhecendo centenas de espécies sem fazer muito esforço. Os parques Centenário e Leon Feffer contam com mais de 70 espécies diferentes

Postado dia 13/01/2016 às 00:00 por Renato Castrezana

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Foto: Acervo – Alma de Gato

A prática do birdwatching (observação de pássaros) é relativamente nova no Brasil. Apesar do país ter mais de 1.800 espécies de aves catalogadas, segundo levantamento do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, apenas nos últimos anos a atividade passou a ganhar adeptos brasileiros. Mogi das Cruzes tem um grande potencial para a modalidade, inclusive recebendo a visita de turistas estrangeiros, que ainda são a maioria entre os praticantes.

A observação de aves é uma atividade estimulante que cria uma interação maior com o ambiente. Além de outros fatores importantes como indicador de impactos, ajuda também a difundir noções de conservação ambiental.

As aves, como todos os animais, são importantes e úteis, pois realizam o trabalho de dispersão, de preparação e o controle biológico de populações de outros animais. Por exemplo, ao se alimentarem de frutos, se deslocam para diferentes pontos da floresta e dispersam as sementes, que ao caírem em solo contribuem para a regeneração da floresta. O beija-flor poliniza flores, urubus e gaviões removem restos de animais em estado de putrefação. As aves são indicadores da saúde ambiental, e além disso desempenham um papel importante na qualidade de vida das pessoas, pois elas enchem nossos olhos com sua beleza colorida, nos encantam com seus maravilhosos cantos, e seu modo de vida.

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Surucua

Para o biólogo Mauro Regalado, que desde os anos 90 pratica a observação de aves na cidade, o birdwatching tem papel fundamental na educação ambiental e ecoturismo. “Eu sempre falo da importância de Mogi e região como destino de turismo ecológico, principalmente do turismo de observação de aves. Recentemente, tivemos a visita de Jon Hornbuckle, o homem com a maior lifelist do mundo, junto com um grupo de amigos do Reino Unido”, disse.

Eles estiveram em viagem pelo Brasil e aqui queriam observar o Caburé-acanelado (Aegolius harrisii) e o Bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicula), ave endêmica da nossa região e que está criticamente ameaçada de extinção. Muitos outros observadores de aves do Brasil e de outros países chegam aqui em busca de espécimes raras ou endêmicas. “Devemos começar a olhar para essa modalidade de turismo com mais carinho e quem sabe, despontar como outras cidades, abrindo frentes de novos trabalhos e ajudando na preservação da nossa rica fauna e flora”, finalizou o biólogo mogiano.

Em Mogi das Cruzes, existem locais próximos à zona urbana, nos quais todos podem iniciar a observação de aves conhecendo centenas de espécies sem fazer muito esforço. Os parques Centenário e Leon Feffer contam com mais de 70 espécies diferentes. Quanto mais se distanciar da área urbana em direção às regiões de florestas como a Serra do Itapeti ou Serra do Mar, mais espécies silvestres serão avistadas.

Para iniciar essa atividade são necessários alguns equipamentos básicos, como binóculos, roupas de cores neutras, como verde e marrom, calçados apropriados e resistentes à água, chapéu ou bonés e uma caderneta de campo, onde são feitas as anotações das observações realizadas.

A observação pode ser realizada de várias maneiras, desde a janela de casa, até os lugares mais atraentes do planeta, você certamente encontrará alguma ave para observar. Ficar parado no mesmo local, ouvindo e observando a movimentação das aves são as principais recomendações dos mais experientes observadores. Tente fazer um dia, pode ser uma atividade de lazer muito interessante, mais do que se imagina.

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Sobre o Autor

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Renato Castrezana

Publicitário e professor de marketing, chefe de divisão de marketing e projetos turísticos na Prefeitura de Mogi das Cruzes

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