Big Stick Policy

Parece nome de seriado da tevê, mas não é. Fale com delicadeza, mas leve um porrete grande, você vai chegar longe.

Postado dia 23/05/2017 às 08:00 por Heródoto Barbeiro

Foto: Reprodução

Parece nome de seriado da tevê, mas não é. Fale com delicadeza, mas leve um porrete grande, você vai chegar longe. Trump recuperou mais uma herança de tempos passados. Ao mesmo tempo que deslocou uma poderosa esquadra da marinha para a península da Coréia, espalhava pelo seu espalhafatoso twitter que se sentiria orgulhoso em se encontrar com o ditador fanfarrão sediado em Pyongyang. Seria o encontro do século dos egos. Os norte coreanos tem um argumento considerável para se relacionar com os seus vizinhos, aliados dos Estados Unidos, especialmente a Coreia do Sul e o Japão, uma coleção de seis bombas atômicas devidamente testadas e estocadas. O exótico Kim Jong-un sabe promover um show de audiência mundial. A cada comemoração da dinastia que se apossou do poder faz um desfile monumental com muita arma, soldados, mísseis, exibição  de ginástica coletiva sob o aplauso aparvalhado dos militares que o cercam. As palmas precisam ser convincentes para que o dissidente não tenha o mesmo destino do tio e do meio irmão, ambos assassinados. Para negociar com um dos países que fez parte do que Bush chamou do eixo do Mal, nada como buscar no passado uma solução que deu certo, ainda que em outra conjuntura: a política do Big Stick.

Era desta forma que os países devedores e instáveis politicamente deveriam ser tratados. Pegaram dinheiro dos bancos americanos e não pagaram, era inaceitável. O embaixador deveria tentar de todas as formas receber a dívida, mas em último caso se a delicadeza não fosse suficiente… Ai então usava-se o porrete grande: os marines. A frota de guerra crescia muito no início do século 20 e buscava reservar os mares que banham o Caribe, a América Central e do Sul só para os marinheiros do Tio Sam. Era uma meia sola na velha e boa Doutrina Monroe, a que dizia que a América era para os americanos. Graças a essa forma de convencimento foi nomeado um conselheiro americano para o governo da Republica Dominicana que de fato era o ministro da fazenda. Outro sucesso de Roosevelt, o Theodore, foi o de apoiar um movimento que terminou com a independência do Panamá da Colômbia, que em troca concedeu a licença para que os Estados Unidos construíssem o celebre canal. 

Ted era o mesmo homem que impediu um caçador de matar uma mamãe urso e por isso o filhote ganhou o nome de Ted Bear. Todo ursinho de pelúcia tem esse apelido. A política da fala macia culminou com o Premio Nobel da Paz para um homem que viveu aventuras perigosas, lutou na guerra, era partidário de um poder militar forte e não vacilava em ocupar áreas estratégicas como o protetorado sobre Cuba. O Nobel foi a recompensa pelos esforços que o belicoso Theodore Roosevelt fez para pôr um fim à guerra entre Rússia e Japão. Em 1906 trouxe os dois contendores para uma conferência de paz nos Estados Unidos e saiu de la com um tratado de paz. Era um contra senso que poucos entendiam. O que sua política realmente tinha como objetivo era estabelecer um equilíbrio de poder na Ásia que garantisse a presença americana nos mercados asiáticos especialmente no da China. Na primeira oportunidade usou o Big Stick contra o Japão quando restringiu drasticamente a imigração dos japoneses para a Califórnia atendendo aos reclamos xenofóbicos dos nativos. Poder militar e xenofobia estão entre as heranças de Donald Trump. 

A história não se repete. Mas pode inspirar sucessores.

 

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A farsa da democracia no Brasil

 

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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