Balada à moda antiga

Quando dois corações solitários podem se encontrar em uma noite qualquer

Postado dia 14/11/2016 às 08:00 por João Anatalino

janela

Foto: Reprodução

Quando sinto que a solidão é mais intensa, abro a janela para a cidade adormecida, e vejo ao longe, como estrela explodida, outra janela se abrindo na noite imensa.

Ah! você que se sente sozinha, como eu, aí nesse seu quarto, e abriu sua janela, volte os olhos e veja na distância aquela lâmpada que de repente se acendeu. Ali talvez esteja outro viajante solitário, procurando nesse deserto de cimento, um oásis para descansar o pensamento, e encontrar talvez, um coração solidário.

Se pensar em mim como penso em você, é possível que estes nossos pensamentos, possam aproveitar o vai e vem dos ventos, e nos levar além do que o olho não vê: Então, tudo o que na noite procuramos ? Um coração que nos dê correspondência ? Para trocar esperança e confidência, esteja tão perto que sequer o notamos.

Pois você deve ter visto, aí da sua janela, que á noite, a solidão é bem mais densa; É que durante o dia a nossa vida é tão tensa, que não dá sequer para pensar muito nela. Porém, quando o sol completa o seu turno, e no mar se deita para o merecido descanso, eis que a solidão chega com todo seu ranço e nos aborda como um bêbado importuno. E sua presença nos incomoda e aporrinha; Ela se parece com aquele ébrio inveterado que vive repetindo sempre o mesmo ditado, como se fosse um refrão de marchinha. Porém quando a madrugada se aproxima, no justo momento em que a sensibilidade  atinge o máximo de toda a sua intensidade, ele desaba sobre o balcão, como uma ruína.

É que a solidão nunca foi de beber com a gente. Mas se você estiver numa janela, sonhando, e por acaso é para a minha que está olhando, saiba que eu posso ser um bom confidente. E ainda que seja de uma maneira invulgar, nunca mais a deixarei se sentir tão sozinha. Eu terei sua companhia e você terá a minha. Juntos formaremos, de certo, um belo par.

E nas noites vindouras, seja qual for a lua ? E bem pouco importa o tempo que faça ? Você encontrará aberta a minha vidraça. E eu espero que você também abra a sua. Então nós trocaremos amizade e conselho, Pois seja qual for a distância, hora ou lugar, todos os rios sempre encontram o seu mar e não há coração que não tenha seu espelho.

(Uma janela se abriu do outro lado da rua, Ah! Que bom seria se por acaso fosse a sua!)

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Sobre o Autor

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João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário e escritor com 10 publicações autorais.

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