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Valter Mello

Profissão: Professor

Cidade: Mogi das Cruzes

Mantenho o “Clínica-blog” em que produzo conteúdo profissional , e o “Circo das Ideias” com literatices e opiniões em geral. Em minha hierarquia de valores a minha família e meus amigos estão no topo e valem uma vida. Eclético e inquieto por natureza, estou sempre à procura de algo novo. Assim, transito entre fotografia e marcenaria, faço de conta que toco sax, gosto de cozinhar, de jardinagem, de pintar e desenhar, leio muito e aprecio bons filmes e séries e já fiz muita trilha de moto.

  • Quanto falta ainda para chegarmos ao primeiro mundo?

    A mudança que queremos depende de nós. Precisamos valorizar as boas maneiras

    Postado dia 2 de maio de 2017 às 08h em Causos e Coisas

    primeiro mundo

    Foto: Reprodução/Internet

    Sempre que alguém conta suas impressões de viagem, um ponto recorrente é o punhado de elogios à forma como a sociedade se organiza para que a vida se torne mais fácil. Uns contam que as cidades são limpas, outros que existe confiança mútua entre os cidadãos, outros ainda que tudo funciona no horário, e uma série de outras opiniões edificantes sobre a vida lá fora.  Sabemos que os óculos de turistas têm filtros de boa vontade, e que nem tudo são verdadeiramente flores. Entretanto, não podemos negar que por aqui estamos a anos luz do razoável.

    Para sabermos as quantas anda a nossa urbanidade, e consequentemente ter uma ideia do caminho que ainda teremos que percorrer até o primeiro mundo, basta atentar para a quantidade de situações e de pequenos atos que vemos sendo praticados no dia a dia, e que se não estão prejudicando diretamente a alguém, pelo menos deixam claro que o autor não demonstrou um mínimo respeito pelas regras da boa convivência ou pelas nossas leis.

    Só para deixar claro do que estou falando: Qual o dia em que não vemos carros estacionados irregularmente; furando semáforos ou invadindo vias preferenciais, desfilando com som altíssimo? Gente furando fila; falando alto ao celular; usurpando vagas de idosos? Isso só pra citar alguns exemplos, porque se a gente resolve fazer uma lista de tudo vamos ficar escrevendo por meses.

    Além disso, ainda temos os crimes praticados impunemente pelos baloeiros; pelos traficantes de animais; vandalismos a granel, o infame “Você sabe com quem está falando?” , a mania de querer levar vantagem através do famoso jeitinho…

    Para tudo isso o nosso repertório de desculpas é imenso: Ainda somos um país novo;  fomos colonizados por degredados e putas; o “jeitinho” é herança dos portugueses;  herdamos essa preguiça dos índios; teria sido melhor se os holandeses ou franceses tivessem conquistado o Brasil; etc. Podemos culpar qualquer coisa: que a causa é o clima; o cruzeiro do sul; os ventos do Atlântico; que não existe pecado ao sul do equador, mas enfim, botar a culpa na história não muda o que somos.

    O que me chama a atenção é que não parece que estamos evoluindo. Continuamos mantendo os mesmos vícios de conduta já documentados desde o Brasil Colônia.  Se isso é mesmo culpa do caldeirão cultural que nos fez brasileiros não sei e, aliás, não me interessa. Afinal, se queremos um dia quem sabe, fazer parte da elite do mundo, precisamos caminhar nessa direção começando por deixar de lado esse nosso individualismo torto que se sobrepõe às mais rudimentares regras de convivência.

    A mudança que queremos depende de nós.  Precisamos valorizar as boas maneiras.

    Porém, isso ainda vai demandar certo tempo porque parece que teremos de começar do zero. Precisamos de um sistema de ensino que desfaça as décadas de trapalhadas educacionais promovidas pelos ideólogos do Estado. Que comece pela escolarização de base com acesso universal e oportunidades iguais para todos, e que esqueça ideologias e abandone essa mania sectarista de minorias e resgastes históricos.  Se as nossas crianças crescerem cidadãs a despeito dos pais, teremos encontrado o caminho. É óbvio que para isso será necessário o fortalecimento da formação e remuneração de professores, e da criação de estruturas físicas adequadas nas escolas. Mas parece-me que basta vontade política. Nossa, e não do Estado. Que ele não nos atrapalhe!

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  • Você topa mudar suas atitudes?

    Só existe uma coisa imutável no mundo. É a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, tudo irá mudar

    Postado dia 12 de abril de 2017 às 09h em Empreendedorismo e Gestão

    mudanças

    Em uma postagem anterior, “O desafio da eficiência em logística”, escrevemos sobre a necessidade de controlar o seu negócio e melhorar a sua eficiência. Sem dúvida, é somente através de uma operação bem controlada que você terá a chance de atender bem o seu cliente e destacar-se da concorrência.

    No terceiro tópico daquele artigo desenvolvemos a ideia do quanto é importante ser flexível e que, para conseguir isso, sempre será necessário fazer mudanças. Ocorre que mudanças significam escolhas e essas muitas vezes são dolorosas, visto que mexem com a rotina de seus colaboradores.

    Mudanças afetam o ambiente de trabalho ao provocar uma nova ordem nos sistemas em uso e na estrutura física da empresa. Isso frequentemente implica em ruptura das relações sociais existentes, não porque exigirão reduções em seu quadro de pessoal ou aumento da carga de trabalho (essas coisas nem sempre ocorrem), mas simplesmente porque exigirão novas atitudes por parte de seus colaboradores. Citando Edgar Schein[1]: “As pessoas não reagem às mudanças, elas reagem a serem mudadas”.

    Essas reações podem ter raízes racionais – que devem ser consideradas, mas com maior frequência são emocionais, principalmente quando envolvem os atributos sociais das relações, como status das funções; relações hierárquicas; padrões de cooperação; questionamento das competências, satisfação com o trabalho realizado e conforto. O grau de resistência poderá levar ao desenvolvimento de bloqueios dramáticos para as transições, impedindo que sejam feitas de modo orgânico ou sistemático.

    É nessa hora que começamos a ouvir frases como “mas eu sempre fiz desse jeito…”; “isso não vai levar a nada…”; “isso já foi tentado antes…”; e tantas outras frases que poderiam ser epitáfios em um cemitério das ideias.

    A reação pode desenvolver-se sob diversas máscaras. Poderá ser visível pelo retraimento, pela resignação, pela indiferença, por uma resistência passiva, e nos casos mais graves manifestar-se ativamente com boicotes ou greves – isso é quando a vaca vai pro brejo definitivamente.

    Portanto, ao planejar as mudanças, é fundamental antecipar-se às reações, começando por conhecer o seu time com seus pontos fortes e suas fraquezas, e incluir ações que reduzam as probabilidades de fracasso.

    A resistência às mudanças poderá ser vencida se você seguir estes 7 passos:

    • Tenha (ou seja) uma liderança forte;
    • Envolva os seus colaboradores no projeto de mudanças;
    • Tenha uma visão clara do projeto e compartilhe seus objetivos. Trabalhe duro por ele;
    • Mantenha um canal para diálogos abertos e frequentes;
    • Dê aos seus colaboradores o papel de agentes de mudanças. Dê-lhes o protagonismo;
    • Trace metas claras e mensuráveis. Tenha expectativas realistas;
    • Celebre seus resultados em conjunto.

    Participe conosco. Conte-nos sobre sua participação em uma mudança de sucesso ou mesmo uma que tenha falhado. Comente sobre quais foram os fatores que intensificaram as reações ou contribuíram para o sucesso. Curta, compartilhe, e aguarde o nosso próximo artigo.

    [1] Criador do conceito de cultura organizacional

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  • Nosso dia-a-dia traduzido em logistiquês

    Sempre que movemos, embalamos ou armazenamos, ou controlamos o estoque de algo, estamos praticando uma ação logística

    Postado dia 28 de março de 2017 às 09h em Empreendedorismo e Gestão

     

     

    logística

    Foto: Reprodução

    Em vários momentos de nossa vida somos todos Gerentes da Cadeia de Suprimentos ou de logística.

    Ah! Valter, você deve estar me zoando!.

    Duvida? Então vamos conferir:

    Quando você foi buscar seu filho(a) na casa de algum amiguinho você fez uma ação logística. Do mesmo modo, ao identificar os seus potes de tempero no armário, também praticou uma ação logística, visto que ações como essas visam aumentar a percepção de valor enquanto economizam recursos.

    Quer ver mais exemplos?

    • Quando você faz uma lista de compras e vai até a mercearia para comprá-las, você está fazendo a reposição do estoque (inventário) de consumíveis.
    • Quando você monta um grupo de carona solidária com seus colegas de trabalho, o que você está fazendo é a coordenação de transporte. Ao passar pela casa de cada um para busca-los você está praticando “milk-run”.
    • Quando você vai ao shopping e fica simplesmente olhando vitrines, você está fazendo pesquisa e cotação de preços.
    • Quando você convida seus amigos para jantar e pesquisa o que eles gostariam de comer, você está fazendo a Previsão da Demanda.
    • Ao rolar suas mensagens nas redes sociais, o que você está fazendo é atualizar as suas informações em tempo real.
    • E quando você pega um transporte público e faz baldeação entre diversos tipos de transporte? Ops! Aí complicou um pouco. Se você compra passagens diferentes para cada transporte você estará praticando a intermodalidade. Se utilizar uma única passagem para todos os diferentes transportes então será uma operação multimodal.
    • E naquele final de semana com os amigos, em que você enche o seu isopor de cerveja e refrigerante pra levar para a churrascada? Pois é, você atendeu às necessidades da cadeia do frio para a conservação e transporte.
    • Quando você chegou de viagem e tirou todo o conteúdo da mala, você acabou de praticar a desunitização.
    • Até quando você apenas dirige o seu carro, você está alavancando a utilidade dos seus ativos logísticos.
    • E quando você pega um atalho para ir de um lugar para outro? Está racionalizando a rota.  Isso também acontece quando você usa um GPS para definir o seu caminho. Nesse caso, você está usando uma ferramenta de georreferenciamento para racionalizar a rota.
    • Ao arranjar os seus armários de cozinha, deixando as coisas mais utilizadas nos locais mais acessíveis você praticou uma classificação ABC.
    • Quando você leva seu filho(a) na escola, e aproveita a volta para passar no supermercado, você está aproveitando o frete de retorno.
    • Quando você arruma seus mantimentos no armário através de suas datas de validade, para garantir que irá consumir primeiro os mais antigos, você está praticando o conceito PEPS – Primeiro a expirar, Primeiro a sair.
    • E aqueles mais organizados, que marcam as quantidades de cada item da sua despensa, para saber quando deverão ser comprados novamente e garantir que nunca haverá falta? Esses estão praticando o controle de estoques e definindo os Pontos de Reposição.
    • Ao comparar o tempo de banho dos membros da família, você desenvolveu um KPI – Um indicador de desempenho.

    Ficou convencido de que a logística permeia quase a totalidade das nossas ações?

    Lembre-se: Sempre que movemos, embalamos ou armazenamos, ou controlamos o estoque de algo, estamos praticando uma ação logística. Assim, vale refletir se estamos fazendo isso de modo inteligente, conseguindo o máximo efeito com o mínimo de recursos. Ao final sobrará mais tempo, mais espaço e mais dinheiro para melhorar a nossa qualidade de vida.

    Aposto que você se lembrará de alguma outra ação desse tipo. Compartilhe conosco!

    Inspirado em uma imagem vista na Inbound Logistics Magazine.

     

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  • Brasil, um país adernado

    Quanto mais o barco segue para a esquerda, mais a carga corre para o lado que o fará soçobrar, e a correção terá que vir da extrema direita. É isso o que queremos?

    Postado dia 10 de março de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    brasil

    Foto: Reprodução

    Somos um país adernado à esquerda – bombordo na linguagem náutica, que curiosamente é o lado do navio sinalizado com uma lanterna de cor vermelha.

    Adernado porque não temos uma contraparte à direita que consiga aprumar o nosso barco, e um barco adernado é um barco instável. Para seguir em frente, teria que contar com um capitão extremamente competente que não se intimidasse de se livrar da carga concentrada que está deixando o barco ingovernável. Mas o que temos visto é que não só os capitães, mas também seus assessores, continuam olhando à esquerda ao invés de para frente.

    O problema disso é que, quanto mais o barco aderna, mais a carga corre para o lado que o fará soçobrar, e a correção terá que vir da extrema direita. É isso o que queremos?

    A maior parte dessa carga adernante é de lixo orgânico que veio se acumulando em nosso país desde tempos imemoriais. Os miasmas desse lixo continuam contaminando as pessoas com uma doença que se manifesta sob a forma de coitadismos, segregacionismos irracionais, vitimismos, síndromes de vira-latas e outros sintomas, como o desejo incontrolável por direitos e o asco exagerado aos deveres.

    Essas deturpações, que se tornaram quase naturais, se manifestam através da falta de civilidade e do individualismo torto dos brasileiros, além da visível complacência para com a corrupção.

    Foram sendo justificadas através de leis inúteis, contraditórias, culminando com uma constituição prolixa e confusa, mas continuam se disseminando. Tudo isso misturado virou um paraíso para os ratos exploradores de brechas na legislação, um prato cheio para os zumbis exploradores da ignorância e para os “salvadores da pátria” que de salvadores nada têm.

    Vemos reflexos dessa doença todos os dias. Virou moda a crítica às empresas e ao lucro como se fossem coisas do demônio, virou moda que a mídia (com pouquíssimas exceções) teça notícias distorcidas desde que siga a cartilha das esquerdas e das supostas minorias. Por exemplo, criticando ações duras das forças de segurança, ainda que em favor do bem comum.

    Virou moda exigir direitos pelo simples desejo de algumas minorias “espertas” de que algo que lhes seja conveniente passe a ser considerado um direito. Virou moda crucificar qualquer opinião contrária a esse senso comum. É quase um crime expressar ideias liberais ou mais ou menos conservadoras, qualquer que seja o grau.

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    Recentemente, em um treinamento do qual participei, houve uma dinâmica em que os grupos deveriam decidir pelas ações a tomar com um empregado do setor de segurança, que foi pego furtando a empresa; que confessou o crime mas alegou que praticava o delito porque precisava custear um tratamento de saúde para sua mãe querida.

    O resultado foi uma imagem do Brasil.

    Dos cinco grupos, apenas um decidiu pela demissão do empregado por justa causa, justificando que as decisões da empresa devem ser impessoais, e o que importa é o fato em si.

    Todos os demais, em maior ou menor grau, relativizaram a gravidade do ato praticado pelo empregado (ainda que fosse ele um dos responsáveis pela segurança), alegando a função social da empresa, o fato de que a doença da mãe seria uma atenuante, que a empresa era a culpada pelo ato do infrator por não ter lhe dado condições de pedir auxílio (pura interpretação, já que isso não estava no texto do caso), e outras motivações que, na minha opinião, acabariam por passar aos demais empregados a noção de que os fins justificam os meios.

    Isso foi só um exemplo de como as coisas são decididas por aqui. Com base na emoção, nas lágrimas, no canto doce da sereia, ou por medo das chamas do inferno.

    Precisamos aprender urgentemente a nos ater aos fatos e não julgar pelas aparências ou conveniências.

    Reduzir as infrações procurando o lado “social” do crime, só nos leva a tomar decisões erradas.

    Na minha opinião, isso não é diferente do velhíssimo “estupra mas não mata”, e da fala dos nossos famigerados defensores dos direitos humanos, que via de regra culpam as vítimas.

    Há muito o que fazer pelo Brasil. Há muito o que fazer para a melhoria dos nossos indicadores sociais. Entretanto, situações anormais exigem ações anormais. E rápidas.

    Falta pouco para o Brasil fazer água e soçobrar de vez. Muita culpa por isso será devida aos nossos “intelequituais” que só conseguem ver a água do naufrágio cada vez mais próxima e ouvir através dela o canto fúnebre vindo dos cadáveres das sereias socialistas. A situação é crítica: ou a gente muda nosso modo de pensar ou não haverá botes salva-vidas para todos.

    Lembrem-se do que disse John F. Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você. Pergunte-se o que você pode fazer pelo seu país”.  E o Kennedy era um democrata, o que significa que era teoricamente de esquerda.  Quanta distância do pensamento da esquerda subdesenvolvida que temos por aqui, hein?

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  • O desafio da eficiência em logística

    É preciso que os gastos sejam cada vez menores e concentrados apenas nas coisas importantes e as receitas sejam cada vez maiores, permitindo que novos investimentos possam acontecer

    Postado dia 24 de fevereiro de 2017 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

     

    logística

    Foto: Reprodução

    Em nosso artigo anterior, falamos sobre a invisibilidade dos esforços logísticos, já que poucos de nós percebemos o que acontece para que uma mercadoria chegue até nós consumidores.

    Ah! Mas que esforço? Em logística é tudo muito fácil.

    É muito fácil entregar no prazo – é só dispor de uma frota enorme de veículos à disposição, e um punhado de Centros de Distribuição espalhados pela área de atuação da empresa, de modo que qualquer cliente possa ser atendido rapidamente. É muito fácil entregar, de modo exato, 100% de todos os seus pedidos – é só ter um estoque gigantesco de todas as suas mercadorias em cada um daqueles CDs espalhados pelo mundo.

    Será?

    Qual será o custo da frota enorme de veículos? E dos vários Centros de Distribuição? E do excesso de estoque? E do treinamento de todo o exército de empregados que seria necessário? E dos sistemas necessários para eliminar qualquer chance de erro? E…?

    Enfim, será que o seu cliente pagará pelo seu produto ou serviço se o preço embutir toda essa ineficiência?

    Em qualquer empresa do mundo real, para obter sucesso é importante fazer com que a percepção de valor pelo cliente seja a maior possível, mas para que isso veja acompanhado de lucro é preciso que os gastos sejam cada vez menores e concentrados apenas nas coisas importantes e as receitas sejam cada vez maiores, permitindo que novos investimentos possam acontecer. Isso irá melhorar a imagem da empresa junto aos clientes, a qualidade de vida dos seus empregados e a satisfação de seus investidores.

    Isso significa ser EFICIENTE. E para isso é necessário que o negócio esteja inteiramente sob controle.

    E como isso pode ser feito em logística?

    Um dos mais surrados adágios do mundo dos negócios é aquele que diz que “só conhece quem mede”. Quando se fala de logística, isso é particularmente importante, visto que todos os estágios da movimentação do bem em direção ao consumidor precisam ser precisamente gerenciados, de modo que nem o consumidor fique descontente por conta dos atrasos, faltas, erros, e outras não conformidades; e tampouco os acionistas da empresa quando os custos operacionais acabam com o lucro.

    A eficiência das operações dos armazéns é a chave para o sucesso de qualquer empresa que necessite processar e despachar pedidos aos seus clientes e movimentar e armazenar estoques.  Eficiência baixa nesses casos resulta que produtos podem não chegar aos seus destinos a tempo ou mesmo se extraviar, e que baixos níveis de inventário podem resultar em rupturas de estoque.

    Portanto, o que vem a seguir são algumas dicas de como obter a eficiência em suas operações de armazenagem e transporte.

    1.     Reduza a quantidade de toques

    Pense suas operações de modo que cada produto ou pedido seja movimentado uma única vez. Quanto menos estágios intermediários, tanto melhor.

    Padronize seus métodos e analise as possibilidades de mecanizar e/ou automatizar as suas atividades críticas, tais como leitura dos códigos e lotes, busca de endereços de separação, contagens…  Lembre-se que operações manuais são lentas e podem levar a erros.

    2.     Crie um sistema de endereçamento lógico em seu armazém

    Previna que os produtos sejam guardados inadequadamente, armazenando-os em posições devidamente identificadas e que sigam uma lógica fácil, de modo que os trabalhadores possam encontrá-los de modo intuitivo. Um sistema de endereçamento lógico para seu armazém aumenta a velocidade da movimentação de materiais e reduz os erros de armazenagem de um modo inacreditável. Experimente!

    3.     Estabeleça uma inteligência de tempo real em seus processos

    logistica (1)As demandas dos consumidores serão sempre mutáveis e isso exige que as instalações e os seus processos sejam flexíveis. A maioria dos sistemas de controle são espelhos retrovisores e só olham para o passado.  Para ganhar a flexibilidade necessária (e assegurar que suas metas de negócio sejam atingidas), reúna e analise seus dados de equipamentos, sistemas de movimentação, e pedidos em tempo real.

    Isso passa por medir seus resultados, comparar com suas previsões, e traçar um plano de ação realista para implementar melhorias. O nome do jogo é “Melhorias contínuas”.  O que é excelente hoje poderá ser apenas sofrível amanhã.

    4.     Atualize-se seletivamente. Busque a simplicidade

    Não saia implementando o mais novo, completo e fantástico sistema de gerenciamento, só porque acabou de ser lançado. Um sistema mais complexo pode ser apenas mais lento, mais confuso, e mais trabalhoso, como também inadequado. Portanto, não adicione complexidade, a grande jogada é adicionar visibilidade e controle. A excelência é simples!

    5.     Ganhe visibilidade de ponta a ponta

    Elimine os “feudos” da sua empresa. Remova as barreiras pessoais ao crescimento e inovação. Faça com que todos os seus empregados e executivos interajam e pensem no mesmo objetivo. Envolva a todos nas metas da empresa.

    Enfatize a necessidade do pensamento e das ações sistêmicas.

    Planejamentos e ações independentes, frequentemente causam impactos negativos nas metas corporativas.

    E agora me diga: O que você tem feito para melhorar o desempenho das operações a seu cargo?

    Conte-nos, compartilhe suas experiências.

    Leia mais sobre logística em:

    O que é logística

    Você percebe o esforço logístico por trás dos produtos que consome?

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  • Vida de consultor: o leilão de cavalos crioulos

    Conhecendo um Brasil diferente... Um Brasil de beira de estrada...

    Postado dia 17 de janeiro de 2017 às 08h em Causos e Coisas

    cavalos

    Foto: Reprodução

    Em minha vida de consultor, tive a oportunidade de viajar o Brasil inteiro fazendo projetos rápidos para uma grande multinacional, projetos esses que visavam o desenvolvimento de boas práticas logísticas em clientes promissores, num autêntico ganha-ganha.

    De passagem é preciso dizer que ninguém instala um armazém de empresa em um bairro nobre. Desse modo, a periferia e a “beira de rodovias” fizeram parte do pacote com todas as suas peculiaridades.

    Foi uma oportunidade de ouro para conhecer o Brasil de verdade, a sua gente e culturas regionais, sem os filtros coloridos do turista.  Eu diria mesmo que tive a oportunidade de conhecer os vários “Brasis”, com suas múltiplas linguagens, culinárias, costumes, valores e crenças. À despeito das diferenças e da pobreza da maioria dos lugares, eu gostei do que vi.  Ainda tenho fé no Brasil.

    É bem verdade que também conheci um mundo de charme e “savoir-vivre”. Tanto com os empresários envolvidos no projeto, com os meandros do poder e da influência política concentrada por eles, principalmente nas pequenas cidades interioranas do norte e nordeste, mas também porque a hospedagem foi sempre em hotéis top e frequentemente rolava um almoço de negócios nos melhores restaurantes disponíveis (nem sempre de luxo).

    Vou voltar aos causos dessas viagens várias vezes. Por razões de bom senso, quando eu precisar me referir a nomes de pessoas ou empresas esses serão sempre fictícios.

    O leilão de cavalos crioulos

    Não sei como a cidade está hoje, mas a Curitiba que conheci me deixou muito bem impressionado.  Uma cidade bem organizada e funcional, com gente muito hospitaleira.

    Depois de uma reunião inicial com o cliente, fomos convidados para almoçar no belo Parque Barigui, que é um local tradicional de feiras e exposições. Durante o percurso da sede da empresa até o parque, o sr. Zeca, o dono da empresa visitada, me conta que é criador de cavalos da raça crioula.

    Chegando ao parque, e de surpresa, ao invés do restaurantes, fomos levados primeiro para visitar uma exposição agropecuária que estava acontecendo por lá. Muitas picapes, SUVs, muita gente orgulhosa de suas origens gaúchas e devidamente trajadas com suas pilchas.

    E aí o Sr. Zeca me pede: “Seo Valter, eu tenho um animal no leilão e preciso de um favor: vai com o meu peão até as cocheiras como se estivesse interessado em iniciar uma criação, converse com o pessoal de lá, e fique particularmente interessado pela minha potranca. Assim como quem não quer nada, deixe escapar que está disposto a pagar pelo menos um X por ela. Isso vai me ajudar a levantar os lances.”

    Não sei se ajudei em alguma coisa porque a minha cara de espanto ao ver tantos animais bonitos deve ter me denunciado. Mas o churrasco no almoço estava uma delícia, e nele sim, eu aproveitei para perguntar e aprender mais sobre a raça.  Quisera eu poder, de fato, começar uma criação.

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  • Você percebe o esforço logístico por trás dos produtos que consome?

    Como consumidores, percebemos pouco ou quase nada do tremendo esforço que está sendo dispendido para movimentar materiais e produtos pelo país

    Postado dia 8 de dezembro de 2016 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

    logística

    Foto: Reprodução

    Conforme dito em nosso primeiro artigo, a logística é a arte e a ciência de movimentar materiais e produtos entre os vários pontos da Cadeia de Suprimentos, transferindo as matérias-primas dos fornecedores até as fábricas para que se transformem em produtos, e depois fazendo a sua distribuição entre os diversos especialistas que foram os canais de distribuição até chegar ao seu portão ou à sua empresa.

    Mas na verdade, como consumidores, percebemos pouco ou quase nada do tremendo esforço que está sendo dispendido para tudo isso aconteça. Principalmente quando compramos alguma coisa em uma loja eletrônica, é só aparecer o número do pedido na tela e a confirmação do débito em nosso cartão que já corremos para o portão esperando pelo courier.

    E nem nos damos conta das distâncias percorridas entre os fornecedores das matérias-primas até o local de fabricação, dos meios de transporte que foram utilizados, da movimentação interna nas fábricas, do transporte até os diversos locais de armazenagem e deles até os distribuidores, varejistas, até que o produto chegue até você. Quais meios de transporte foram utilizados? Quanto tempo isso levou? Quantas pessoas foram envolvidas? Quanto custou? Qual o impacto para o meio ambiente?

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    Essa busca pela compressão do tempo entre o momento da compra e a entrega do produto, tão desejada pelo consumidor, é hoje um dos maiores desafios dos profissionais da logística em todos os estágios. A boa notícia é que há empresas que estão conseguindo atender as exigências cada vez maiores do mercado. E fazendo disso uma importante vantagem competitiva. Afinal, a empatia com o consumidor nos faz enxergar em que precisamos melhorar como empresários.

    Isso tem reduzido suas margens de lucro, entretanto isso não chega a ser uma má notícia. Aliás, margens menores é o novo paradigma. Principalmente no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer em direção à eficiência empresarial, incluindo a formação de profissionais adequados a essas exigências.

    A má notícia, de verdade, é que ainda estamos caminhando muito devagar na melhoria de nossa infraestrutura viária, na desburocratização dos processos, e na desoneração dos negócios.  Mas isso será assunto de outra postagem.

    Enquanto a casa Brasil ainda está se ajeitando, é você empresário que deve cuidar de conseguir o máximo de eficiência logística em sua empresa.

    Descubra onde estão os seus problemas e os seus custos escondidos, bem como as oportunidades de melhoria.

    Por exemplo:

    • Quantas vezes nesses últimos seis meses você deixou de atender um pedido por não ter o produto desejado pelo seu cliente? Ou muito pior, quantas vezes você deixou de atender um pedido por erro de estoque?
    • Quantas vezes você atrasou uma entrega (por qualquer que seja o motivo)?
    • Você tem estoque ocioso (aquele que não é de fato necessário nem por segurança)?
    • Você sabe qual é o impacto de sua logística na rentabilidade da empresa?
    • Você sabe o custo de uma venda perdida?

    O primeiro ponto para obter melhorias é entender a empresa como um sistema em que as diversas áreas ou departamentos trabalhem cooperativamente e de modo harmonioso para obter o sucesso. Você não poderá evitar totalmente os conflitos, mas precisa aprender a reduzir os seus efeitos.

    Em seguida, mapeie os seus processos, e decida as métricas que lhe possibilitarão controlá-los. A criação de Indicadores é o primeiro passo na direção do “medir para conhecer”. Nesse primeiro momento, procure se informar sobre as ferramentas adequadas para isso. Não se preocupe com a exatidão e com o rigor técnico, apenas fazer já é uma grande coisa.

    Só não fique parado esperando para ser atropelado pela concorrência.

    Participe desta jornada em busca da excelência logística. Acompanhe-nos, comente, escreva sobre suas dúvidas.

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  • Onde foram parar os conversadores?

    Atualmente está difícil vencer a concorrência dos celulares. Parece que as pessoas nunca estão onde seus corpos estão

    Postado dia 29 de novembro de 2016 às 08h em Causos e Coisas

    conversadores

    Foto: Reprodução

    Eu não sou um saudosista empedernido daqueles que vivem louvando “os velhos bons tempos”. Vivo muito bem no presente e vivo com intensidade. Entretanto, tenho que admitir que sinto falta daqueles tempos em que não precisávamos ter tantas preocupações com segurança, em que as pessoas pareciam mais puras, em que podíamos confiar em desconhecidos sem tanto medo de sermos passados para trás. Tempos em que a vida parecia mais simples e o tempo corria mais devagar.

    Ops! Será que estou sendo saudosista?  Até acho que sim! Talvez porque eu vivi um tempo em que era possível andar de madrugada pela cidade, fazer camping selvagem em qualquer praia da Rio-Santos preocupando-me somente com a qualidade do repelente e com o limite da maré alta, encontrar gente disposta a conversar e, pasmem: com uma conversa gostosa daquelas que a gente não queria que acabasse.

    Onde foram parar os conversadores?  Aliá, onde foram parar os assuntos interessantes das conversas? Atualmente está difícil vencer a concorrência dos celulares. Parece que as pessoas nunca estão onde seus corpos estão. É um tal de ver gente falando ou rindo sozinha, voando pendurada pelos fones de ouvido em suas orelhas, ou, mais recentemente, caçando monstrinhos digitais.

    drummond-touro

    E tem gente achando que até o Facebook está ultrapassado e que agora toda conversa pode ser resumida num Whatsapp com meia dúzia de palavras, quando muito num áudio de alguns segundos.

    Paradoxalmente, somos todos indivíduos sem individualidade numa coletividade de cada um pra si.

    Conversadores estão ficando raros. Não se iludam os que veem aglomerações nos botecos e acham que ainda são redutos para conversas interessantes. Quando muito são intermináveis e chatíssimas discussões sobre o time do coração, ou sobre os atributos do garoto/garota da mesa ao lado, mas com baixíssima compreensão por conta do barulho reinante.

    Hoje em dia, para se achar um conversador genuíno, temos que pegar uma moto, um jipe, uma bike, e sair para o interior até sentir o cheiro de café no bule e a fumaça de um fogão à lenha (rezando pra não ser assaltado no caminho!).

    E então procurar pelos indícios típicos: Um caminhar devagar, um terreiro limpinho, flores na janela, horta bem cuidada. Se tiver sorte, um banco longo debaixo do beiral.

    Aí, toca aproveitar o momento. Não se preocupe com selfies ou fotos. Nem peça o cartão ou o telefone Apenas converse. Você não faz ideia da transformação que isso provocará.

     

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  • O que é logística

    Nessa primeira postagem eu quero falar um pouco sobre o que é a Logística, essa queridinha de todos os que comentam sobre negócios, e botar alguns pingos nos is.

    Postado dia 16 de novembro de 2016 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

    logística

    Foto: Reprodução

    A logística já é uma senhora bastante idosa com ancestrais lá na Grécia; seus princípios já eram conhecidos de Alexandre o Grande e outros estrategistas militares daquela época. Alexandre chegou a ter em seus exércitos um grupo de Logistikas, que eram os encarregados da movimentação de víveres, armas, e pessoas[1].

    Entretanto como área organizada do conhecimento a logística passou a ter relevância a partir da Segunda Guerra, porque como tantas outras conquistas humanas, infelizmente nasceu das armas.

    A partir do final do conflito, essas boas práticas destinadas a movimentar com eficiência e com baixo custo passaram ao mundo dos negócios. Hoje a logística é parte imprescindível da estratégia das empresas, sendo a responsável pela garantia da satisfação dos clientes naquilo que diz respeito ao atendimento de suas necessidades de tempo e de lugar.

    Podemos defini-la de forma simples, dizendo que é o conjunto de processos decisórios e operacionais que garante o fluxo de bens e serviços e adiciona valor a eles, ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

    Portanto, vamos desmistificar: Hoje em dia virou moda falar da logística da festa, da logística do campeonato, e outras logísticas tantas.  Então vamos aprender, isso não é logística. Pode ser planejamento, organização, layout, pode ser um monte de outras coisas mas se não implica no fluxo organizado de alguma coisa, então não é logística. E aqui cabe uma ressalva, daquelas de fundir os neurônios – mesmo a armazenagem pode ser considerada um fluxo em que a velocidade é zero.  Sobreviveu a essa definição?  Ufa, então tudo bem.  Você gostará dos meus próximos artigos!

    As boas práticas logísticas podem ser aplicadas a qualquer tamanho de negócio, e essencialmente não exigem nada mais do que bom senso, aliado ao conhecimento de princípios simples de otimização. Contudo, o fato de serem simples não significa que os conceitos sejam irrelevantes, muito pelo contrário. Exatamente porque são simples são fundamentais, e quando são deixados de lado acabam acarretando a perda do desempenho e o aumento dos custos da empresa.

    Em nossas próximas conversas falaremos sobre embalagens, sobre a manutenção dos estoques, sobre serviço ao cliente e muitos outros assuntos interessantes para vocês empreendedores.  Enquanto isso, mandem suas dúvidas e comentários. Será um prazer recebe-los.

    [1] Atualmente, nas Forças Armadas brasileiras, esse corpo é chamado de Serviço de Intendência
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