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Tuane Vieira

Profissão:

Cidade: Suzano

  • Para que serve a ética na arte?

    Nem todos os artistas fazem vista grossa para os problemas culturais na região do Alto Tietê

    Postado dia 29 de julho de 2016 às 09h em Cultura e Lazer

    arte

    Foto: Reprodução/Internet

    O Teatro da Neura, grupo do qual faço parte, não se coloca mais em situação de mendigar atenção pra fingir importância: se quer o nosso trabalho, que seja na relação sincera, não pelo falso papo do bem comum. Já falei disso num texto passado.

    Pois imaginem vocês: um grupo de teatro, com histórico fincado na capital paulista, ganha prêmios de estímulo destinados à capital, aos quais, por razões óbvias, um grupo de Suzano não pode concorrer. GANHA PELA SEGUNDA VEZ um prêmio de cunho estadual representando Suzano.

    Aí eu te pergunto: qual a lógica disso? Para quem interessa fingir demência quanto a isso? Para quem interessa manipular editais públicos pra fins de se forjar toda uma história e deixando à míngua outros grupos da região com lutas tão pungentes?

    Pra mim, isso beira a imoralidade. Eu não vejo os grupos de teatro da região do Alto Tietê denunciando esse tipo de coisa. Vejo grupos da região se juntando pra gritar Evoé, enquanto o Brasil está caindo nas nossas costas, e estão fazendo vistas grossas pra quem nos passa a perna em prêmios que nós lutamos pra ter e descentralizar.

    Eu não vou gritar Evoé.

    Primeiro porque não acredito numa classe teatral que não luta.

    Segundo porque todos vocês esqueceram o significado da palavra ética.

    Terceiro porque sou do tempo do merda.

    Só observo.

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  • O artista e o ego

    Fazer arte sem dinheiro é pra poucos. É assumir o que faz mesmo sem ter um real em caixa

    Postado dia 14 de julho de 2016 às 08h em Cultura e Lazer

    ego

    Foto: Reprodução/Internet

    Houve um tempo em que eu acreditei na arte como libertação. Achava que todo mundo que era artista já tinha se libertado do ego, das amarras materiais desse mundo, do choro amargo dos que vivem de raiva e rancor. Artista, pra mim, vivia só de amor.

    É claro que eu estava errada.

    Após recuperado meu choque ao perceber que eu estava completamente equivocada (e acreditem: demorei a levantar do baque), hoje eu não acredito em quase nada. Aliás, o que eu vejo na realidade é justamente o inverso: um monte de gente que faz arte, reclamando da vida de barriga cheia, desejando o pouco que o outro tem, tramando pra ter mais.

    Imaginem vocês que ontem li um texto de um artista, um dos poucos na região a ter incentivo governamental anual, reclamar num artigo “o total abandono dos poderes municipais para a arte”, numa publicação que contém logo de patrocínio. Aconselho aos amigos fazerem uma breve pesquisa de mercado para descobrirem o preço de uma publicação artística numa gráfica qualquer.

    Estão reclamando por ter dinheiro, gente!

    Fazer arte sem dinheiro é pra poucos, pessoal. É assumir o que faz mesmo sem ter um real em caixa e ir lá, fazer. Abrir espaço todo santo dia. Receber público com água rateada pelos integrantes. Não publicar uma revista bem diagramada pra chorar suas pitangas por aí.

    Ninguém quer saber mais do sofrimento do artista. Já estamos cansados de saber que teatro não dá dinheiro. E também sabemos que tem uma parte privilegiada da nossa classe que não sofre esse problema.

    Está na hora de usar outra desculpa pra própria mediocridade.

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