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Tania Zaccharias

Profissão: Empresária

Cidade: São Paulo

Ex-menina, atual mulher "porque". Entusiasta da poesia da vida real, curiosa por tudo e sempre apta a questionar e perguntar o porq das coisas! Ex-administradora, consultora, publicitária. Idealizadora e fundadora da SOHÁ e buscadora de perguntas, respostas e sentido para a vida.

  • O paradoxo da loucura

    Em uma sociedade semidoente, discutir com louco virou normal

    Postado dia 8 de agosto de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    loucura

    Foto: Reprodução/Internet

    Semana passada eu estava em uma pequena gráfica perto de casa quando me sentei no computador ao lado de uma moça para mandar os arquivos para impressão. Ela era meio estranha e cheirava não muito bem, mas até aí tudo bem.

    Depois de 5 minutos vem o diálogo:

    – Você mora por aqui? (ela)

    – Sim – e volto meu olhar para tela.

    – E trabalha com o que?

    – Desculpe, mas qual a razão da pergunta?

    – É que eu tô achando você meio intoxicada…

    – Eu? Do que?

    – De doença!

    Eita! – penso eu.

    Tive um momento meio “nossa!” –  afinal eu tinha ido ao médico no dia anterior e ele me encheu de exames por conta de um probleminha de saúde recente…

    Ela continua:

    – Deve ser por conta dessas droguinhas que você anda usando…

    Ah… Ela é maluca – penso eu novamente. Afinal eu não uso droguinhas!

    E  ela segue me perguntando:

    – Você tem poder para prender alguém?

    – Não, não tenho poder para prender ninguém….

    – Pois eu tenho! E podia te prender por conta dessas suas droguinhas…

    Eu sorri!

    Levantei para pegar meu arquivo na impressora e vejo senhor dono da gráfica vindo gentilmente com um papel em que havia escrito: “a moça ao lado não bate bem”.

    Agradeci e respondi meio rindo:

    – Ah sim, eu percebi…

    – Eu fiquei com medo de você discutir com ela…

    – Eu?

    – É… as pessoas às vezes discutem com gente assim…

    – Mas tá claro que ela não bate bem…

    – Sim, mas as pessoas discutem!

    – Ué, mas aí eu seria mais maluca do ela, não?

    Ele me olhou com cara de ponto de interrogação.

    Concluí:

    – Afinal, quem é doido de verdade? A pessoa que não bate bem ou o doido que discute com ela?!

    Ele riu, e disse acenando com a cabeça:

    – É…

    Sai de lá achando isso engraçado! Quando nos tornamos tão doentes que discutir com maluco virou coisa de gente normal? Claro que esse caso era bem exacerbada a loucura, mas em maior ou menor grau ainda fazemos muito isso – e essa é uma grande loucura!

    Gente que está querendo brigar no trânsito, gente que realmente tem algum tipo de desequilíbrio, gente que está querendo alguém em quem descontar sua raiva, etc…

    Pessoas de todos os tipos de “loucuras” passam por nosso caminho diariamente, e nós, os “normais”, somos tão mais malucos que entramos em suas histórias só por conta da nossa loucura normal. Qualquer um pode passar por isso. Mas raramente nos damos conta da verdade latente por trás da realidade!

    Isso me fez lembrar – e rir também – de uma conversa que tive dias depois com uma amigas, em que lembrávamos das nossas histórias bizarras de situações amorosas do passado – cada uma com um tipo de cara com uma “loucura” diferente: bobo, implicante, bipolar, egoísta, grosso, etc…

    Ao final de boas risadas, vinha a pergunta: “nossa, como é mesmo que fiquei tão apaixonada por aquele idiota?! ”

    Cheguei à mesma conclusão: “Sendo mais idiota que eles, claro!”

    Rimos muito pensando nisso… Quem é mais bobo: o ser bobo ou o outro ser mais bobo ainda que sofre por um bobo?

    Bela reflexão…

    Comecei a olhar isso ao redor – e perceber que o grau que separa o “maluco” do normal ou o bobo do legal – ou qualquer que seja a polaridade – é uma linha bem tênue e nem sempre estamos do lado que gostaríamos. Fato!

    Ri pensando nisso ao longo da semana – e me observando e percebendo mais louca, boba ou idiota do que muitas vezes eu gostaria. Mas a vida é assim mesmo!

    E você?

    Já parou para pensar em qual é a sua loucura normal?

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  • Liminaridade e sua (in)sustentável leveza do ser

    Difícil entender o que de fato concebemos enquanto “nós” até que todas essas pequenas falsas ideias não sejam questionadas

    Postado dia 11 de julho de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    liminaridade

    Foto: Reprodução/Internet

    Quando tudo se vai e só resta o que é.

    Recentemente conheci a palavra liminaridade. Que bom conhecê-la, ainda mais assim, no momento em que a estou vivendo…

    Para aqueles que ainda não a conhecem, explico: “Liminaridade é um estado subjetivo, de ordem psicológica, neurológica ou metafísica, consciente ou inconsciente, de estar no limite entre dois estados diferentes da existência.  O termo é usado na neurociência, na metafísica e até na antropologia sobre os rituais, para falar desse lugar fronteiriço ou limítrofe entre rituais de trânsito”.

    Na música, este também é o nome ao pequeno espaço entre duas notas. Para os budistas, o silêncio absoluto, a meditação plena.

    Bem, não é todo dia que estamos nesse lugar-não-lugar. Em geral, estamos vivendo uma fase ou outra da vida. Eis que a liminaridade aparece para mim nesse seu-meu momento de vida, e me ensina muitas coisas.

    Nós, seres humanos, somos ensinados para ter certeza das coisas. Isso, por si só, é um fato bem engraçado, porque nessa vida a gente não tem certeza de absolutamente nada, exceto que vamos morrer – e queremos ter certeza de tudo, mas por outro lado temos medo da morte, nossa única certeza…

    Isso é engraçado, é bem engraçado! Seria mais engraçado ainda se não fosse um pouco trágico!

    Nesse mecanismo da busca pelas certezas, tendemos a ter medo, insegurança, ansiedade e qualquer outro tipo de sentimento não necessariamente positivo nessas faixas de transição da vida. Todos passamos por essas faixas. É inevitável, afinal tudo muda na vida. Mas, normalmente, quando algo chacoalha, nos agarramos aos nossos outros aspectos seguros para não perdemos a noção daquilo que concebemos como  “nós”.

    E o que é “nos”? Nosso trabalho? Relacionamento? Papel na vida? Ser pai? Mãe? Mulher? Amiga? Difícil entender o que de fato concebemos enquanto “nós” até que todas essas pequenas falsas ideias não sejam questionadas…

    E eis que a vida em sua santa sabedoria, nos ajuda nesse caminho, fazendo suas peças e mudando tudo de lugar de uma vez só. De repete muito daquilo que nos trazia um senso de ‘nós” se vai: relacionamentos, viagens, trabalho, casa, corpo,  saúde e dinheiro. Tudo muda de lugar, tudo se desfaz, tudo se vai…

    E o que fica?

    NÓS. Não mais o “nós”, mas NÓS.

    Nesse lugar, não há nada além de nós mesmos para olhar para nós.

    Pode ser assustador. Pode ser entusiástico. Pode ser muitas coisas – mas todas elas são inúteis de se pensar ou sentir, pois não se sabe o que vem, se será melhor ou pior, bom ou chato, legal ou dolorido.

    Só se sabe o que vem depois de novamente se cruzar o limítrofe da liminaridade – e aí não mais nela estamos!

    Assim, sinto que sua maior beleza seja justamente o simples (e não tão simples) desafio da entrega, de não pensar, de não qualificar, de não julgar. De apenas sentir e SER… somente SER…

     

    O que era preciso ir, já foi.

    O que tem pra vir, chegará.

    O tempo que vai demorar, é o necessário. 

    E o que vai acontecer não se sabe.

     

    Nesse lugar do tudo-nada, a mente pira (ou pode pirar), mas depois disso, ela se entrega – e foi nesse vazio para onde tudo se foi e de onde tudo vem  que encontrei, em um domingo à noite em meio a tantas incertezas em todos os aspectos o verdadeiro sentido da PAZ. Nada a se fazer, nada a se pensar, nada se decidir. Apenas SER, confiar e entregar…

    Termino aqui compartilhando uma frase que muito me encantou há alguns anos, e que acredito que somente neste momento eu a compreendi de verdade. Ela tem a ver com fé, entrega, confiança – e para mim, com liminaridade:

     

    “Nada irreal existe.

    Nada real pode ser ameaçado.

    Nisso está a paz de Deus.”

    (Um Curso em Milagres)

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  • Uma nova Carta de Mãe

    Reflexão sobre os verdadeiros presentes que ganhamos na vida!

    Postado dia 22 de junho de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

     

    mãe

    Foto: Reprodução?Internet

    Essa é uma reflexão pessoal. Tudo bem que quase toda reflexão é pessoal, mas esta em especial tem a ver com uma tradição que sempre existiu em minha casa: dar e receber presentes com cartões. Sempre foi assim.. Minha mãe escrevia cartões, meu pai sempre escreveu e, como que por consequência, nós – eu e uma das minhas irmãs que sempre morou comigo – também escrevemos…

    Confesso que, em alguns momentos, mais adolescentes ou mais corridos, este singelo ato por vezes gerava um mal humorzinho interno – não era sempre que a gente estava com a disposição. Mas no fundo, aqueles breves momentos de parar, respirar e pensar no outro com carinho para expressar o que queríamos dizer para ele se tornavam dentro de mim momentos especiais. Eu gostava (e ainda gosto) deles e as palavras fluíam da alma com sentido e significado.

    Mas quase que assim como todo ritual meio “sempre presente” em nossas vidas, a gente tem poucas oportunidades de olhar eles com outros olhos e ter a chance de se maravilhar com uma nova perspectiva.

    Essa semana eu tive essa linda oportunidades com mais uma* Carta de Mãe que passou em meu caminho. Ela vem repleta de sincronicidades e me trouxe uma lembrança muito especial.

    Por alguma razão que eu não sei explicar, fui arrebatada recentemente pelo interesse na leitura sobre florais e os 7 raios. Comprei alguns livros sobre isso e comecei a me maravilhar sobre os estudos dos florais – principalmente pelo olhar das hierarquias cósmicas que regem nosso planeta e sobre o lindo papel das flores como canais para a nossa cura em elevadas frequências vibracionais.

    Comecei a aprender sobre os seres que atuam nesse reino e sobre o poder transformador que existe na energia extraída das flores para a cura da nossa alma – ponto primordial do início de todo o processo de doença física do corpo. Segundo este olhar, as flores são a parte mais evoluída das plantas, e a frequência energética delas correspondem à frequências energéticas de nossos corpos (por exemplo, a essência floral rosa tem a mesma frequência do nosso chakra cardíaco quando harmonizado).

    Enfim, dentro dessa energia de estudos eu, enquanto arrumo uma pilha de livros, me deparo aleatoriamente com um cartão de aniversário. Que seguindo nosso pequeno rito familiar, veio junto com um presente. E uma flor. Era da minha mãe, e ele diz:

     

    “Querida Tânia,

    Quando olhei estas flores me lembre de você. Elas também tem a cor intensa e se impõem sendo extremamente suaves. São o ser mais perfeito dentro do seu respectivo reino – só necessitam de carinho para permanecerem viscosas e crescem olhando firmemente para cima!

    Desejo, torço e oro para que sua vida seja comparada à beleza, cor e ao perfume das flores – que se misturam à Natureza só para trazer encantamento.

    Feliz Aniversário! Que sejam muitos e felizes!

    Te amo

    Mom”

     

    Chorei…  Claro! Eu, que há 2 anos me despedi de minha mãe, sempre choro de alegria, saudade e encantamento nesses momentos. É incrível como suas cartas são tão lindas, precisas e sincrônicas com meus momentos de vida. Não posso deixar de pensar que são suas mensagens astrais para mim (sim, eu acredito de verdade nisso!).

    Mas, retomando nossa reflexão inicial, o mais legal desse cartão de aniversário foi perceber por meio dele algo que eu nunca tinha pensado em relação aos cartões que a gente troca na nossa família!

    Depois de um tempo sem ver e falar com pessoas, por mais queridas que elas sejam, a gente esquece algumas coisas. E eu tinha esquecido um pouco do “jeito” da minha mãe de falar. Reler seu cartão foi como ouvir sua voz falando comigo novamente – seu tom, sua forma, suas palavras. Seu jeito de colocar as vírgulas e exclamações traz um universo inteiro, só dela, de se expressar!

    UAU!

    Um cartão, depois de um tempo, pode ter quase o mesmo efeito dentro da gente do que uma mensagem gravada e ouvida com a alma.

    UAU!

    Me maravilhei com essa ideia… Me maravilhei por tê-la ouvido… Me maravilhei em pensar que eu não faço ideia da flor que estava lá neste dia. Nem do presente que veio junto. Mas percebi que o verdadeiro presente era o singelo cartão que humildemente acompanhavam os “astros” (presente+ flor), mas que 8 anos mais tarde seria o única, maior e melhor presente, ainda presente desde o dia 12 de abril de 2008…

    NAMASTÊ!

     

    *Contei sobre a primeira Carta de Mãe em um texto no final de dezembro

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  • A falácia da força no império da vontade

    Pense na expressão “força de vontade”. Qual a primeira palavra que se ressalta e faz presente?

    Postado dia 6 de junho de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    vontade

    Foto: Reprodução/Internet

    Tema comum da auto-ajuda: a importância da força de vontade. Muito se fala sobre o assunto, muito se lê, muito se dialoga. Justo! Justíssimo! Afinal, eita coisinha importante para seguirmos na jornada dessa vida cheia de mistérios…

    Contudo, o que que quase ninguém fala – ou questiona – é sobre da inversão do aspecto da força dentro desse pequeno grande conceito da psique humana.

    Pense na expressão “força de vontade”. Qual a primeira palavra que se ressalta e faz presente? A força, claro! Sempre (ou quase sempre) que pensamos em ter força de vontade, vem junto um sentimento de força e esforço que para muitos já dá preguiça antes mesmo de começar…

    Tudo bem… faz parte da palavra “força” ter força. E talvez por isso – e por sermos altamente apegados ao conceito de que só se consegue as coisas com dificuldade é que nos deixamos levar pela força de sua presença.

    Maaaas…. É aí que mora a falácia da força! Pois o verdadeiro império, neste caso, é o da vontade!

    Nas entrelinhas da expressão, para o observador mais atento, se elucida a verdade sutil presente nessa dupla. A verdadeira força, da força de vontade, não é a força, mas a VONTADE. A força é dela! Vem dela, pertence a ela, flui dela – é ela!

    É uma força sutil, sem esforço ou exaustão. E dotada de um grande poder: a firmeza da intenção. A vontade é plena desse aspecto. É por ela sustentada – e é dela que brota tudo aquilo que desejamos com a veemência de nosso coração. Quando se tem vontade, vontade verdadeira, tanta vontade que até transborda de dentro e não se pode conter, então há ali a maior força do universo. E mesmo com tanta força, ela é sutil, pacífica, inerte feminina.

    Ela não cansa, não cobra, não exige. Ela simplesmente existe e É.

    Quem tenhamos força, muita força; mas de vontade!

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  • O sagrado silêncio

    Ensinamentos sobre a vida moderna e seus excessos – de tudo!

    Postado dia 20 de maio de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

     

    silêncio

    Foto: Tania L. Zacharias | Salar do Uyuni | março de 2016 | Páscoa

    Esse texto é um belo aprendizado. Um aprendizado que eu tive a honra de receber, de ser um canal, para ele se manifestar.

    Há tempos venho trabalhando essa abertura de canal – e me foi enviada uma mensagem de que, se eu quisesse, poderia juntar essa abertura com o exercício da escrita, para escrever o que quer que fosse se manifestar.

    As únicas instruções que recebi foram: “Você vai sentir. Pega uma caneta e um papel e aguarda. Não pensa. Não questiona. Não tenta entender se está fazendo sentido. Apenas escreve”.

    Na hora essa ideia encheu meu peito de alegria, e por semanas esperei essa energia fluir – até que após dias de uma jornada espiritual pela Bolívia com um grupo de amigos, finalmente chegamos ao Salar do Uyuni. Difícil achar uma palavra para falar desse lugar: belo, mágico, fora da Terra e do Tempo. Um deserto de sal de 12.000 km² de extensão.

    Sem nada.

    Só sal. Muito sal.

    E silêncio. Muito silêncio.

    Sentamos juntos para mediar ao pé de uma montanha de cactos. E eu senti… Com a mesma alegria que há semanas eu havia experienciado, peguei o papel e a caneta. Não questionei. Não perguntei. Apenas escrevi…

    “O Sagrado Silêncio

    O silêncio foi feito para ser ouvido – e não fugido como vocês tem há séculos feito…

    Por não conseguirem se ouvir e Me ouvir, abarrotam seus canais sonoros e energéticos ininterruptamente.

    Há séculos tenho lhes enviado Santos e Sacerdotes a fim de que possam aprender a calar. Mas vocês, lotados de tudo aquilo que preenche suas vidas diariamente, não os escutam.

    Com isso, não Me escutam, e pior, não SE escutam! E ainda perguntam por que é tão difícil falar com Deus.

    Vos digo: limpem seus canais, limpem seus ruídos, limpem suas emoções! E sejam como o Bambu, que oco, pode ressoar a Voz de Deus. A Voz de Mim. A Voz de Ti. A Voz de Todos.

    A Cruz Inca, vazia no centro, vos lembra que é preciso assim ser para poder deixar passar, para poder deixar fluir, para poder habitar, para poder existir.

    Sabeis que para poder ouvir o silêncio é preciso ser leve, pois ele paira e transmite no ar.

    O peso – ou a falta – que sentem na ausência de som, é somente a falta e o peso que sentem de vocês mesmos, dentro de vós.

    Aprendam a ser leves e vazios como o vento para poder comigo falar – e me sentir.

    Pois é na ausência que estou. É na ausência que habito. É na ausência que vocês me encontram.

    Em nenhum outro lugar.

    – Mas e a música? É tão belo o dançar! – pergunto eu.

    Para dançar ao som do silêncio é preciso SER Deus – como as fadas e duendes que ouvem a melodia do inexistente. Do incompreensível. Do inexplicável em qualquer outro lugar que não seja o aqui e agora neste exato momento em pleno silêncio.

    Sejam como as fadas e assim podereis dançar ao som de MIM”

    YAMAN via Tania L. Zacharias | Salar do Uyuni | março de 2016 | Páscoa

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  • Gratidão way of living: Uma forma de levar a vida

    Esse aprendizado foi por mim recebido há exatos 2 anos, no dia 08/08/2014. Um dia singular, dia da passagem de minha mãe

    Postado dia 6 de maio de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

    mãe

    Foto: Reprodução/Internet

    Mais do que uma mãozinha no peito na hora de pegar a chave com o manobrista ou receber passagem no trânsito, gratidão é uma forma profunda, leve, poderosa e transformadora de levar a vida!

    Sim…. é um lifestyle!

    Ser grato, antes de tudo, implica reconhecer.

    Reconhecer o que se apresenta.

    Re-conhecer: é conhecer ou conhecer novamente – ou seja, se abrir para ver ali algo de valioso que não se havia visto antes!

    E é esse o olhar – ou a postura interna – do “gratidão way of living”…

    É entender que belos presentes vêm, por vezes, embalados em um feio embrulho, e que é preciso paciência e uma BELA dose de gratidão para poder aceitar o pacote, com a CONFIANÇA de que, não importa quão feia seja a embalagem, há uma pérola ali dentro…

    É assim, é sempre assim. Olha sua vida para trás de você e verá quão boa foram todas as grandes transformações que na hora pareciam ser o fim do mundo. E é assim, sempre assim, pois a lei que rege o universo é o Amor.

    O amor rege. O amor é certo. Amar é o caminho.

    Essa é uma beleza e uma dádiva, mas para entender este presente é preciso retirar o véu desse amor tolo e infantil que foi colocado em nossas mentes e que seguimos como rebanho acreditando… Amor não é colinho e cafuné da vida o tempo todo.

    Não!

    Amor é justo, presente, reto.

    Ele é a união perfeita do sagrado feminino e masculino na combustão cósmica de Deus! Ele é justo, e ensina às vezes com colo, às vezes com palmadas na bunda. Às vezes com risos, às vezes com lágrimas.  Às vezes abrindo as portas, às vezes mostrando como escalar o muro.

    Seja a forma que for, quem CONFIA sabe que há pérola por detrás de cada aprendizado – e por AGRADECER sabe que a GRAÇA IRÁ DESCER. É por isso que somos gratos, e agradecemos – por saber, mesmo antes de ter!

    Ninguém falou de facilidades o tempo todo! Elas existem, mas por vezes também a graça tem que ser conquistada com escolhas, decisões e perseverança. Mas o que não falha jamais, é que a graça vem. Ela sempre vem ao encontro do buscador!

    Isso é agradecer!

    Isso é gratidão!

    Isso é sabedoria!

    Isso é iluminação!

    Meu comentário pessoa sobre este texto: Esse aprendizado foi por mim recebido há exatos 2 anos, no dia 08/08/2014. Um dia singular, dia da passagem de minha mãe. Em seu velório, recebi da voz do meu coração a mensagem de que eu precisava falar. Eu não sabia o que, nem sabia se daria conta desse recado naquela situação tão sensível da vida… Acatei o chamado, e o que se manifestou ali foi este belo ensinamento sobre a gratidão. De fato, embora triste, eu estava grata. Ao logo dos 17 dias de minha mãe na UTI recebi carinho, amor e abraços e muitos amigos e parentes, e sentia que mesmo com minha mãe partindo, muita beleza havia no entorno. E era essa a mensagem que precisava ser dita. Não hoje, 2 anos depois, quando os sentimentos já se transformaram e muita coisa mudou. Ali, naquela hora, naquela instante: onde o embrulho estava feio, e a confiança era o caminho para acreditar que pérolas viriam. A gente sempre olha para trás na vida e percebe que momentos de dor foram “a melhor coisa que nos aconteceu”. Mas raramente temos esse olhar na hora, antes. E essa era a força daquela mensagem, sendo verbalizada ali, na hora em que a vida me entregava um feio pacote.

    Sou grata por tudo que vivi, com ela e sem ela, nestes 2 anos. Sou grata por mesmo depois de partir, ela segue me ensinando, guiando e cuidando. Sou grata por ter tido a GRAÇA de receber esse ensino – e com ele ter a calma para desembrulhar aquele estranho pacote.

    A todos nós, onde quer que estejam nossas mães, eu desejo um dia lindo de muita gratidão por este Ser-Portal, que tanto nos nutre, guia e ensina! Amém!

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  • As flores do deserto no nosso coração!

    Recentemente estive no deserto. Especificamente no Atacama  - o lugar mais seco do mundo. Sim, do mundo!

    Postado dia 22 de abril de 2016 às 13h em Meninas e Mulheres

     

    flor

    Foto: Flor do Atacama – Por Paola Sansão

    Quando a gente fala “deserto”, muitas primeiras palavras ou imagens vêm em mente. Talvez as principais sejam, por razões óbvias, “seco” e “inóspito”.

    Sim, é seco. Pacas!

    Sim, é inóspito. Pacas!

    Mas não em absoluto… E aí que entra a magia da Madre Tierra e sua imensa generosidade…

    Primeiro dia de viagem e uma bela caminhada montanha acima. Entre pedras, areia, pós e rachaduras, uma flor.

    Uma flor?

    Uma flor!

    A primeira veio tímida, entre rachaduras e pedras. Outras, nessa mesma sintonia, surgiram pelo caminho…. Pequenas poças verdes de micro graminhas chamaram a atenção por conterem algumas florzinhas e outras pequeninas flores se mostraram evidentes entre centenas de milhares de rachaduras e um sol sem trégua!

    Uma ou outra. Sempre MUITO discretas. Mas presentes, como presentes!

    FLORESCER.

    FLOR E SER.

    FLOR É SER…

    Ser?

    Ser o que?

    SER.

    Florescer é uma magia da Pachamama… Uma beleza que se derrama pelo mundo. A vida é tão bela e tão mágica que até no mais ríspido dos climas ela se faz brotar em uma linda obra de arte chamada flor.

    Além da pequena sementinha ou broto, para algo florescer é preciso somente uma coisa: água. Por menor que seja a sua quantidade, por mais escassa que seja, sem ela não se faz possível nem mesmo um vislumbre da vida nascente.

    Isso é bem óbvio, mas ao longo daqueles passos me fez pensar nessa analogia nas dimensões humanas… Afinal, somos esta brincadeira divida de micro e macro cosmos espelhados, não?!

    FLORESCER.

    Se flor é SER, então seriam as flores os nossos belos sentimentos? Aqueles que nos tornam mais humanos? Nossa capacidade de SER Humano? De amar, de vibrar, de sorrir, de agradecer, de ser feliz? Creio que sim…

    E o que seria então o solo rochoso e rachado se não as dimensões secas do nosso ser? Talvez nosso ego que não enxerga o próximo, que não se importa, que só vê a si mesmo? Que tem medo, raiva e dor?  Hum… Parece que sim…c

    E o que seria esse ingrediente mágico que faz algo belo nascer da rocha se não nossas emoções? Já é muito sabido no campo do auto conhecimento e espiritualidades a relação das águas com nossas emoções. São elas que representam isso tudo dentro da gente!

    Tá! Legal!

    Mas a gente é feito de 80% de água, não?! Sim! Então quanto de nós é feito de emoções?  E se basta apenas algumas gotas para as flores do deserto nascerem, então há dentro de nós um fonte eterna de potencial beleza?

    Poxa… Não sei! Mas parece que sim….

    Pensando nisso montanha acima me deu a sensação de que a Natureza é tão generosa que nos presenteou com um Aquífero Guarani interior, tão misturado com nosso ser, que nem mesmo nos damos conta de que ele está ali, para nós, o tempo todo disponível para nos ajudar a flore-SER! Basta somente abrirmos as comportas do nosso coração e deixar ele molhar, inundar e florear essa vastidão que existe dentro de nosso chamado SER.!

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  • Um tempo fora do tempo

    Breves momentos da existência e sua habilidade de durar para sempre

    Postado dia 8 de abril de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

    tempo

    Foto: Reprodução/Internet

    Parece que existe um tempo fora do tempo, que se manifesta em alguns lugares e momentos… Eles podem ser breves, longos, curtos ou eternos – mas têm em comum a capacidade de nos tirar de onde estamos e nos colocar em uma espécie de bolha paralela onde quase mais nada existe além daquilo que lá está.

    Pra mim, avião e hospital são alguns desses portais. Tão logo adentramos suas portas, uma dimensão se apresenta… Parece que o tempo tem outra velocidade, o mundo externo tem outra importância, nossa relação com o entorno assume outro contorno…

    No primeiro, essa cápsula mágica gigantesca voadora que nos transporta em instantes a – literalmente – novas dimensões. Em horas podemos mudar de lugar, cor, sabor, temperador, trópico, língua, raça, credo, origem, estação do ano (?!) e cultura. O que é isso se não uma espécie de mini mágica, que por entendermos como funciona, por vezes não vemos seu brilho?! Até voltar no tempo é possível por este portal…

    E lá dentro, enquanto aguardamos a saída nesse outro lugar ao qual chamamos de “destino”, completamente isolados do mundo externo, nos reduzimos (ou expandimos?!) ao nosso próprio mini mundo composto de seres em poltronas enfileiradas que planam no ar ao som cósmico de turbinas…

    No outro, talvez menos poético, também uma nova dimensão se apresenta. Passe dias (mesmo que poucos) dentro de um hospital para perceber como tudo que está fora de seus muros muda de importância…

    Compromissos incanceláveis se cancelam; urgências se “des-urgem”; importâncias bobas do dia a dia deixam de existir. É uma benção! Nos faz pensar em repensar e resignificar aquilo que é de fato importante e inadiável para nós!

    Me pergunto – e os convido para essa reflexão – se estes momentos ou lugares nos tiram da realidade ou se nos colocam nela.

    O que é mais real? A vida barulhenta e lotada do lado de fora ou estes pequenos tempos que de tão fora do tempo são tão reais?

    Não são lugares… Um beijo, um abraço, um sorriso de amor também podem nos colocar nestes lugares! Um simples olhar pode durar eternamente suspenso nessa dimensão dentro da gente!

    São belos estes momentos e podem ser eternos ou intermináveis – depende somente da nossa relação com eles. Afinal, curtos ou longos; esporádicos ou intermitentes; lugares ou momentos – há algo neles em comum: eles são o eterno tempo existente, o momento presente e seu infinito de “agoras”.

    Vivamos neles!

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  • Uma carta de Mãe…

    Não tem jeito, mães sabem das coisas

    Postado dia 14 de março de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    mãe

    Foto: Divulgação/Internet

    Esta é uma história pessoal. Bastante pessoal. Mas compartilho aqui, pois sinto que ouvir coisas assim pode nos tocar a acreditar mais na Vida e nos sutis sinais que ela nos dá!

    Essa noite sonhei com minha mãe, Rosana, que partiu subitamente para o outro plano há 1 ano e 7 meses. Nesse sonho, ela me explicava que só se foi porque realmente não tinha mais condições de aqui ficar. Quem conheceu minha mãe sabe que é a mais pura verdade. Ela me explicava isso com a doçura de uma mãe que entende que sua partida deixa em seus filhos um leve sentimento de “abandono”, algo como uma sensação de ser um “filhote ao relento”, como gosto de dizer…

    Acordei com a forte presença dela. Por ela rezei e pedi que ela sempre estivesse comigo, guiando meu caminho. Agradeci na mesma hora, com a certeza de que sempre poderia com ela contar e sentindo que por perto ela estava para me ajudar…

    Senti vontade de um abraço, que não pude dar…

    Eis que ainda hoje, num sábado à noite, me pego buscando em gavetas e pastas um documento que possivelmente irei precisar para viajar no ano novo. Em meio a certificados e certidões de tudo-quanto-é-tipo, encontro uma pilha de cartas e cartões que há anos ali eram guardados…

    Eu, que não sou de ter apego a este tipo de recordações, abro uma delas, que me chamou a atenção pela ROSA amarela no papel.

    É uma carta. De Natal. Da minha mãe.

    “Querida Tete,

    A cada ano novo devemos fazer um balanço de nossas vidas. O que foi bom, repetir, e evitar o que não passou de regular. Portanto, acredito que a delicadeza conosco mesmo, a atenção ao corpo, tratando-o com carinho que todo pacote de presente merece, ouvindo sua linguagem?—?não só as que caminham pelo pensamento e passam pelas ações?—?mas principalmente aquelas que ele exprime involuntariamente como as sensações e emoções.

    Cuidado com o egocentrismo nocivo e o desejo forte de liberdade sem planejamento. Aprenda com o passado recente e relembre o distante. Além de ser bom para a memória, economizamos tempo, dinheiro e lágrimas!

    Na lista das conquistas, a subida de mais um degrau na evolução espiritual. E a disposição?—?com satisfação!?—?para ajudar ao outro, sendo o outro o próximo, sendo o próximo aqueles que dividem conosco tempo e espaço nessa caminhada.

    Um forte abraço gostoso e um grande beijo.

    Feliz Ano Novo,

    Sua Mãe?—?dez 2007″

    “Cara, como ela pode me falar exatamente o que eu precisava ouvir, mas com oito anos de antecedência?”

    Chorei. Com saudade e emoção. Sorri. Com gratidão por ela estar sempre comigo. Me estarreci!?—?pela precisão de suas palavras tão adequadas a este momento e escritas há tantos anos… Me redimi, por tantas vezes duvidar de seus conselhos. E concluí: não tem jeito, mãe sabe das coisas…

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