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Rick Ferreira

Profissão: Jornalista e Músico

Cidade: Mogi das Cruzes

Nasci no dia 4 de maio de 1980. Com meus pais, aprendi a gostar de música e livros, imaginando como seria ouvir estes e ler aquela! No final da infância, alguns poeminhas começaram a engatinhar nos cadernos de escola. Um pouco depois, o primeiro violão, a primeira banda (Beatles cover!) e os primeiros sonhos de conquistar o mundo! Mas chega o Jornalismo e a vontade de escrever encontra-se tão à vontade que vira profissão!... Eis que a música, amor daqueles bem ciumentos, não se dá por vencida.

  • Smartphones e seus aplicativos ocultos

    É hora de homenagear o aparelho que já prestou tantos serviços para a humanidade. Encarar um elevador, por exemplo, era insuportável

    Postado dia 20 de março de 2017 às 08h em Causos e Coisas

     

    smartphones

    Foto: Reprodução

    Mesmo as onipresenças têm lá seus lugares comuns. As novas tecnologias, por exemplo. Como qualquer outra cria das sociedades, depois de se tornarem “fatos”, viraram vítimas de slogans-clichês: “a tecnologia é parte das nossas vidas”; “celulares são ferramentas úteis de trabalho”; “a internet foi um divisor de águas”, etc.

    Inclusive há também espaço para as novas “tecnolendas” urbanas (e lendas são sempre fruto de extrapolações sobre possibilidades reais): “cuidado porque o waze te leva direto pra uma bocada na favela!”; “carregar celular junto do corpo dá câncer”; “o fantasma de Macbeth amaldiçoa o dono do aparelho que toca durante a peça”; “games deixam as crianças violentas” (ah sim, essa é velha, mas a cantilena se renova em igual velocidade ao suporte eletrônico que a suporta!)… etc… etc.

    Então para fugir disso tudo (não das tecnologias, mas dos lugares comuns), e em gesto carinhoso às novas Pangeias cibernéticas, queria homenagear o ícone maior e agregador cotidiano das tecnofilias: os Smartphones! Por todos os serviços já (já?!!!) prestados à humanidade, e de que pouca gente se lembra ou reconhece nas atribulações do dia a dia.

    Smart phone atached to hand

    Smart phone atached to hand

    • Já parou pra se lembrar de como era pegar um elevador antes dos celulares… correção: dos smarts?!!! Lembra? Se não, talvez seja porque você nem tenha idade suficiente pra ter vivido tal experiência. Para os que já viveram, vale refrescar a timeline. Você entrava no elevador e apertava o 18º. No caminho, entre os “pára e sobe”, “pára e sobe”, aquele tempo eterno sob silêncio de morte; olhares perdidos a procura de um “galho visual” qualquer para pousar. Era um horror!… 30 segundos soavam 3 minutos… 1 minuto valia 10! Mas hoje em dia… Ahh… Agora, dependendo do post, do vídeo engraçado ou da foto “besteirol-que-é-perda-de-tempo-que-ninguém-gosta-mas-todo-mundo-vê”, enviada num dos grupos infinitos de Whatsapp, você tem a sensação de que curtiria “passear” de elevador por mais alguns minutinhos.
    • E se cruzamos na rua com aquele “amigo” de facebook? Aquele de quem somos “não praticantes”: está lá mas nem “viralizado de ouro” queremos ver! Osso, né? Só que não!!! Seria se fosse no passado, com os conhecidos de antigamente. Lá a gente se rendia silente ao destino, pobres mortais mecano-analógicos, inconformados com a inexistência de rotas de fuga. No aperto, qualquer fantasia cabia, de porões na calçada a sótãos abertos nos toldos da lojas! Mas não tinha jeito. Navegávamos ao encontro do iceberg, e ponto: “E aí! Como é que você tá?!”… Mas hoje… Rá!… é só tirar o aparelhinho “invisibilizador”, abrir o Whats sem necessidade (já comum em 90% por casos) e fingir teclar no meio da rua. Cara fechada. Simples assim… Claro, e rezar pra que a persona non grata faça o mesmo! (outros 90% de chance, já que é provável que ela também nos veja de forma tão agradável quanto é vista!). E como o smartphone até serve pra fazer ligações, ainda resta o melhor, mais velho e eficiente estratagema: falar com ninguém! Que ninguém vai saber mesmo, salvo se o celular tocar, claro! Eu, por exemplo, tenho um amigo-herói que já atendeu uma carteira preta, dessas de dinheiro mesmo! (Corta pra câmera 2: soco do Péle no ar!!!!)
    • E por fim, talvez a mais libertadora de todas as bençãos “smartphônicas”. O direito de falar sozinho… Pare e pense. As redes sociais manicomiais foram visionárias nisso! Desde sempre houve conexão ilimitada em telefones imaginários: um pedaço de pau, um “sapato-fone” de agente secreto; ou ainda a própria mão (o mais barato e popular gadget), com o polegar de alto-falante e o mindinho de bocal. Hoje, os loucos leigos e sem voto de clausura, como eu e outros tantos curadores de identidades secretas (ou só cheios de pudores mesmo), também podem desabafar ou debater consigo mesmos, usando de viva voz, sempre que assim preferirem. E pra não ser incomodado é só botar um fone de ouvido e segurar um pedaço qualquer de plástico retangular. Serve até o smatphone mesmo! E os loucos ainda no armário ficarão tranquilos de saber que ninguém os notará! Mas caso a invisibilidade se torne “o” problema (pro marketing pessoal, digamos), restará ainda a opção de postar uma selfie muita louca, de futilidade pública mesmo, pra deleite de quem agora está online dentro de um elevador qualquer mundo afora!

     

     

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  • Novilíngua portuguesa

    Um exercício futurista: o diálogo entre dois alunos que se esforçam para driblar mais uma reforma no sistema de ensino

     

    Postado dia 9 de março de 2017 às 08h em Causos e Coisas

    escola

    Foto: Reprodução

    Num futuro distante… Centenas de “reformas da educação” mais tarde, professores de um colégio estadual, mandando o governo às favas, reformam eles mesmos o sistema de ensino local, dando asas a uma revolução!… Mas, longe dos escaninhos docentes, nas salas de bate-papo apinhadas de “emoticons” raivosos, vinha nascendo a “Resistência”. Diziam que a contra-reforma era só uma questão de tempo…

    Diálogo hipotético entre dois alunos do futuro sobre as provas orais no colégio Gambi Alighieri:

    – Cara, esse semestre tá treta!!!

    – Pô, e eu não sei?!

    – Quanto “vc” tirou na chamada oral de Português?

    – A última?! Na que caiu “gratidão elementar”?

    – Essa aí!

    – Ah, se tirei 3,5 foi muito… É foda! Eles não avisam quando vai rolar prova oral!!!

    – Ih, mas faz uma cara que é assim. Não viaja!

    – Se avisassem, rolava de estudar e ensaiar o lance do ‘obrigado’ até ficar bom! Saca só! Minha irmã ficou fera nisso! Também passou a maior cara treinando na frente do espelho! (“Erre-esse!”…”Erre-esse!”) Também, viciou! Outro dia eu tava fumando narguilé perto do quarto dela (e ela odeia narguilé!), e ela veio brigar comigo e disse “obrigado”! “Vc” acredita?! “Kkk”

    – “Kkk” mesmo!!!

    – Pois é, leva um tempo pra condicionar o cérebro, né?

    – Se pelo menos a gente soubesse que tava sendo avaliado…  Na minha turma aquele mala do professor Marcus foi pegando um por um; ninguém durante a aula! Eu levei nota 4,0 quando vi ele no estacionamento e esqueci de responder isso aí que “vc” falou… Ele disse: “Boa sorte nos exames!”… Como é que eu ia saber que já tava valendo nota e que era pra dizer a porra do “obrigado”?!!! Tava lá correndo pra por corrente na bike e subir pra sala! Vê se eu ia lembrar dessa fórmula láááá da aula de gratidão!!! Nada a ver!

    – Mó injustiça, tô ligado. O pior ainda é pra decorar quando flexiona ou não o “muito” na oração, dependendo daquilo que o professor diz que a gente recebeu de bom de alguém… assim, supondo… no problema… Português é muito foda!

    ciclo– Pra caralho… E o “por favor”?!! E num outro dia… Outra vez deu exame, assim, “na lata”! Tava na quadra de basquete, antes da educação física… Eu ia saber que ia cair teste de português bem lá, pô?!! E pior que foi logo o “por favor” que caiu, quando tomei a bola da mão do seu Valdomiro!!!

    – Puuutz! Teste surpresa de português na aula do Valdomiro?! “Trollagem” total, hein! Não podia valer “mashup” de matéria! Foooda!!

    – E o Danilão, então! Vacilou! Respondeu “por favor” quando trombou com a professora Selma, “derrubano” os livros dela!

    – Caraca, rolou isso! Num tô sabendo…

    – Foi sem querer. Mas o Danilão ir lá e responder “por favor” foi foda, né?!

    – Foooda! Mas era teste?! Que que era a resposta?!!! (Pro caso de ainda rolar comigo… Vai quê!… É bom “sabê”!)

    – Ah, ela não tava dando prova, nada! Eu não acho. Acho que depois do “por favor” do Danilão é que ela deu de inventar um simulado de “gentileza”… assim, ó! Na hora! Nada a ver! Mas se liga: a alternativa certa é “desculpe”, beleza?… De boa, é até moleza mas na hora… Assim de surpresa… é foooda!

    – E tudo por causa de uma trombada?!

    – Não, por causa de um “obrigada”! “Kkkk”!

    – “Kkkk” mesmo!

    – Não… mas agora “falano” sério. Acho que a gente tinha que chamar a galera na internet pra ocupar a sala da diretora! Mano, já tá muito “reaça” isso… No mesmo semestre cair as “quatro operações fundamentais de português”! Juntas!!!

    – Reaça pra caralho! “Por favor”, “obrigado”, “desculpe”…  É o que “vc” falou aí! Não é difícil, mas na hora a gente fica nervoso, né?! Deviam passar as matérias devagar! Uma “operação” por ano tava bom, né?!

    – O negócio é ocupar, cara! E a gente só sai da Direção se acabarem com esse lance nada a ver de prova oral fora da sala, sem “avisá”! A gente filma uns vídeos e põe na internet! Chama repórter, “posta” o holograma da galera ocupando, essas paradas… Quero ver não ouvirem a gente! “Vc” vai ver! Vão pedir “obrigado” pra gente parar!!!

    – É  “por favor”, Toninho…

    – Isso aí! Ah, “vc” entendeu, porra!

    – Beleza… Ó, eu tô dentro! Ainda mais que no fim do ano vão dar os simulados de “honestidade” e “bom senso”…

    – Caraca! Os dois??!!! Agora no fim do ano?!! Mas nem deu tempo de montar aquele seminário da professora Selma, sobre “lógica aplicada à condenação do suborno”!!!

    – Tô falando, mano! Eu “quebrei” o servidor deles e já acessei tudo… to “sabeno” até a grade do ano que vem! Hoje de noite mando o link lá no grupo da galera.

    – Pô, foda isso, hein!…

    – Foooda… Taí o “simuladão” que tinham falado. Vai rolar!

    – Ah, mas isso não vai ficar assim! Essa porra agora é ditadura, é???!!!…

     

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  • Um chamado para a ação

    Sabe aquele momento em que não dá para esperar? Quando deixar ser é o mesmo que ser deixado?! Então é agir ou ser agido!

    Postado dia 22 de fevereiro de 2017 às 08h em Causos e Coisas

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Há fases em que a vida parece disposta a provar o quanto não aceita nossa tendência a adiar as coisas, ou ainda a terceirizar o gotejamento de suor. Seja no que for!

    Tenho vivido uma experiência assim na reforma (uma desconstrução quase-construção) da minha futura casa.

    Vamos aos fatos. Móveis comprados em agosto do ano passado. Sim, agosto! E, se estou enganado quanto a data, tenha certeza então de que foi antes disso.

    Nos primeiros meses, tudo bem. Os móveis ficariam no depósito por um tempinho, pois tínhamos que dar sequência nos trabalhos de reforma. E o telhado era o próximo passo.

    Haviam algumas telhas velhas e quebradas, exigindo substituição urgente. Chamo um “profissional” e ele faz o (des)serviço de troca de peças. “Se fizer isso, fica jóia!”, garantiu.

    Como era minha intenção resinar as telhas, pedi que ele “tocasse o barco”. Isso ia conservar e melhorar o visual do telhado… E até aí ninguém me diz nada, nada mesmo, sobre a “saúde” do topo da casa.

    Resina aplicada, fui contratar os serviços de pintura e a limpeza “pesada” a geral (incluindo o piso pré-histórico de ardósia).

    Mas… Concluída essa fase, descubro que o telhado não tem “queda”!!! Quem me contou? O “profissional”? Não. Foram as primeiras chuvas fortes. Xingando tudo quanto é nome, tinha que agradecer pelo menos a alguém: a natureza. Foi quem me revelou o “segredo” antes das tempestades, que ainda viriam! E, mais importante, fez isso antes da instalação dos móveis!

    Resultado: tive que refazer o telhado.

    casaAí, de repente, todos que chegam e olham para o cucuruto da casa sacam prontamente que o telhado tem menos de 30% de queda de água. E me passam orçamentos.

    E lá fomos nós refazer o telhado e… a pintura… a limpeza pesada… o piso e tudo o mais… Quem sabe, agora no alvorecer de 2017, possamos finalmente instalar os móveis comprados e ainda hibernando no depósito.

    “Ok, telhado novo!… Agora deixa eu procurar outro pintor, de novo”. Com o orçamento menor, fui pesquisando e procurando por referências, até que cheguei a uma indicação razoável. O sujeito começou bem, estava animado; deu a primeira demão. Mas… Ai, ai… Pinta um incidente/acidente e o pintor tem que parar. Felizmente nada grave (um torção no pé), mas como ele já não era moço, teve que parar geral.

    Bom, até aqui, agradeço você pela paciência… Pois é aqui, por fim, que chego onde queria.

    É que, depois da notícia do pintor, me caiu uma ficha “king size”. Bateu aquela sensação de que, talvez, qualquer coisa no Universo, ali num canto escuro do meu microverso, estivesse batendo a claquete e gritando “ação”! E gritando pra mim! Olhei para um lado; olhei para o outro… Não, não… Pra mais ninguém. Era pra mim!

    Então arregacei as abas dos navegadores da internet, assistir a vídeo-aulas no Youtube e aprendi “assim-assim” a pintar o restante da casa.

    Nada é fácil até se aprender a fazer. E não é que deu uma satisfação danada ver o serviço pronto depois!

    E disse pra mim: “Ufa! Concluído! Agora falta pouco pra poder agendar a montagem dos móveis”.

    Mas a casa tava um fuá só! Tinha pó e tinta até no buraco da tomada! Então… Plim! Uma ideia. Lembrei que um casal amigo, recém-instalado em novo endereço, contratou um serviço de limpeza pesada antes de botar a mobília. Era uma empresa especializada. Um time foi até o apartamento deles e  deixou tudo um brinco. Trabalharam direito e  (pasmem!) não era caro, não! U-huuu! Simbora lá!

    ação

    Foto: Reprodução

    Mas… A nova “boa”: a empresa fechou! Sim, sim, acontece. Empresas abrem, empresas fecham. No caso dessa, poucos meses depois da mega limpeza bem suscedida no apê dos meus amigos!!! Procurar outra? Pode ser. Mas sem referência? Não. E o tempo… urgindo, urgindo.

    E novamente um “toc toc”. Ou, melhor, um “clec”! Era a claquete falando de novo. Sim, bora lá, meu irmão! Vassora, esfregão, palha de acho, luva, máscara, limpa pedra…  Ok, ok, entendi!

    Resumindo a opereta: acredito que haja momentos em que os momentos imploram para que sejam criados! Quantas vezes não ficamos assim, acomodados, aguardando por algo ou alguém? Em certas ocasiões, é como se a vida nos desse esse chacoalhão, dizendo algo do tipo: “Lázaro, levanta-te e anda!”

    Não que as coisas, necessariamente, aconteçam para ESTE ou AQUELE propósito. Mas, ainda que não houvesse o mínimo sentido em qualquer situação da vida, convenhamos, não vejo razão para não “tentarmos” algum propósito com aquilo que nos chega. Repito, seja no que for! Melhor ressignificar as experiências do que insignificar a vida como refugo de obra (que, aliás, pode ser reaproveitado também!).

    Ressignificar, as experiências e os refugos, talvez seja o melhor remédio humano contra as insignificâncias!

     

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  • “Cumpromessas” de final de ano!

    Assim são as promessas! Das mais clichês, passando pelas inconfessáveis, até as mitológicas

    Postado dia 6 de janeiro de 2017 às 08h em Causos e Coisas

    cumpromessas

    Foto: Reprodução

    Sim, todo o ano o mesmo! Inclusive a mesma falta de imaginação de um bando de articulistas que decidem escrever sobre o tema. Mas não tem jeito! A Terra gira e o leite derrama; o gato mia e brasileiro faz trocadilho… e a gente promete! No fim, mesmo sem querer, “de dentro pra dentro” acabamos prometendo algo. E então nos esquecemos que ao longo do ano prestes a terminar havíamos prometido não prometer mais nada!

    Assim são as promessas! Das mais clichês, como emagrecer, descolar um affair e guardar dinheiro, passando pelas inconfessáveis (pra não chupar bala ou queimar incenso pra disfarçar cheiro de nada!), até as mitológicas (amar ao próximo como a si mesmo).

    Até que me comprem com um Ministério e me tornem um bom político, não poderei prometer por você, sua família ou amigos… Mas não lamente. Você fará muito bem por si!

    Resta dizer que já prometi pra mim mesmo esse ano: no dia 31, quando faltassem 10 minutos pra meia noite, eu iria fechar os olhos e fazer o streaming de minhas “cumpromessas”. Assim mesmo! Um “trocadaralho” ágil e mais honesto de prometer e cumprir real time.

    Por exemplo, eu iria “cumprometer” ter azia no dia 1º por misturar arroz com passas, lombo com cerveja e sidra com mousse de chocolate. Além disso, à mesa, iria “cumprometer” conversar sobre temas futebolísticos basilares para a humanidade, com exceção de política, religião, história, filosofia, artes e gastronomia (sim, gastronomia… vai que um parente vegano grite “Não vai ter golpe!” ao ventilarem novas receitas para o Chester do ano que vem!).

    Enfim, “cumprometer” essas coisas que não comprometem ninguém! Garantem o faturamento da palavra dada e ainda, sem dores de consciência nem esforços desumanos (acordar mais cedo ou voltar pra academia) em pleno período pré-carnaval.

    A única promessa no formato clássico que fiz pra 2017 era voltar àquela loja em que certa vez disse pro vendedor simpático: “Ah, tá bom… Vou dar mais uma olhada nos preços, mas depois eu volto”. Como toda promessa, não garanto nada…

    Já as minhas “cumpromessas” de fim de ano… Ah, essas já estão no “papo”! Fiz todas que me deram na telha, mas não sem antes guardar uma sopa de lentilha na cueca e dar 1 pulinho com 3 pernas só!!!

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  • Certezas

    A eterna busca humana pelo conhecimento de tudo

    Postado dia 26 de dezembro de 2016 às 10h em Causos e Coisas

    certezas

    Foto: Reprodução

    Querer saber é o que nos faz valer.

    Saber respostas é não resolver.

    Mais real que estar LÁ,

    Quando lá é tudo e tudo se desfaz,

    É querer de fato apenas chegar!

    Pois mais clareza tem de se caber,

    O que não sabe como entrar.

     

    O universo que converge seus diversos,

    Tem nos seres episódios casuais.

    “Acasos de caso pensado”,

    Diria aquele três vezes sábio,

    Para quem a Lei não convém nomear.

     

    Tão presentes os tempos da mente:

    Prenha de passado e nostalgias do futuro.

    Puro chiste parcial do Absoluto!

     

    Embora pequenos de tão dignos,

    Tão infinitesimais quanto infinitos,

    Tão reais quanto abstratos,

    Nós somos os nexos de todos os mitos.

    Saudosos e tementes do Vazio…

    Já que à plenitude estamos fadados.

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  • A morte contradança

    "Vou te encontrar, vestida de cetim, pois em qualquer lugar, espera só por mim..."

    Postado dia 19 de dezembro de 2016 às 08h em Causos e Coisas

    morte

    Foto: Reprodução

    Girando entre tudo que existe,

    Ela baila em pausa

    Entre a matéria e o eterno repouso das possibilidades.

    A morte tem a beleza

    Que tem nenhuma outra tristeza.

    Seu segredo é que espalha a verdade.

     

    Ingrato parceiro de salão

    Ela tem em mim.

    De quem o tempo fugaz,

    A cada novo rodopio entre casais,

    Ri dos contratempos da charlatanice humana,

    Que arrisca novos passos de fuga

    Pari passo com a música que o ouvido espanta.

     

    Mas não será a morte uma vida que transborda?

    Assim como é o que fica?

    Vida pura e desmedida!

    O tempo, olhar quente

    Que a morte põe sobre coisa, bicho, gente.

    De imanente certeza,

    De número quebrado e ímpar.

     

    À exata hora de partir,

    Difícil haver quem nasça pronto.

    Antes dirão estar prestes,

    A dizerem-se plenos, no ponto!

    Sempre resta um trabalho a terminar,

    Uma última ida ao banheiro,

    Um levantar de sobrancelhas para o espelho…

     

    Então aí vem ela…

    Entra pela porta que fechada se quis.

    Pega minha mão e nela põe o frescor dos ventos.

    Embaralha meus pronomes,

    Objetos sujeitos.

    Conduz meu verbo transitivo desencarnado

    À beira-mar de porto nenhum.

    E comigo entra n’água…

     

    Vamos nós de mãos dadas!

    Agora somos a sós.

    Silêncio e som

    Entre pausa e movimento,

    À procura de uma foz.

     

    Ainda na viva rua d’outra margem,

    Um cão segue ladrando,

    Mas não chora mais.

    Na cabeceira da cama

    Dorme um livro inacabado.

     

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  • Manual para ser louco

    Ou estamos mais birutas ou mais espertos na detecção da maluquice. Os dois?

    Postado dia 29 de setembro de 2016 às 11h em Causos e Coisas

    louco

    Foto: Reprodução/Internet

    [… ] “Mas eu não ando com loucos”, observou Alice.
    Você não tem como evitar”, disse o Gato, “somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca”.
    É que você sabe que eu sou louca?”, disse Alice.
    Deve ser”, disse o Gato, “Senão não teria vindo para cá.” […]

    Imaginando o diálogo acima nas bocas do escritor Charles Dodgson e dos membros da Associação Americana de Psiquiatria, é bem provável que Lewis Carroll fosse Gato e a Associação, a menina Alice (ou seria o contrário?!!).

    Em 1952, a APA (American Psychiatric Association) lançou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM (na sigla inglesa). Nele, em 100 páginas, foram listadas todas as categorias de transtornos mentais, e os critérios para diagnóstico.

    Sessenta e uma primaveras lunáticas depois é publicado o DSM-5 (“O Império Contra-Ataca”) e, para a loucura geral, contendo cerca de 1.000 páginas!!!

    Ou estamos mais birutas ou mais espertos na detecção da maluquice. Os dois? Huuum… Bem, sim, deixemos assim. Seria a solução mais óbvia mesmo, e a que sempre nos ocorre quando não sabemos como responder (é como o modismo de se chamar de “quântico” todo fenômeno de “energia” que somos  incapazes de explicar). Enfim, papo de louco…

    Voltando… Na última reunião de condomínio que tive com o ID, o Ego e o Superego, chegamos os três à conclusão (quântica!) de que os transtornos inflacionaram ao logo do século XX. Descobrimos a América!!!

    Alimentação processada, tendência ao sedentarismo, núcleos familiares mais flácidos, estresse (palavra “quântica” para o que é do mal) e demais et ceteras da vida moderna… Uhuuu! Foram anos muito loucos mesmo!

    Por outro lado, o inchaço do DSM indica também que a “fita métrica” aumentou de tamanho e mais e mais traços de comportamento, antes coisa de gente “fechada” ou artistas (por natureza, “quânticos”), agora são transtornos e ponto. Inclusive o estresse agudo!

    Isso me faz lembrar o Dr. Simão Bacamarte, personagem central do conto “O Alienista”, de Machado de Assis. O médico se considerava uma personalidade perfeita numa cidade de gente cheia de “ismos”, mas, ao fim e ao cabo… Bem, não serei maluco de estragar o barato de quem ainda não leu, né?

    E se algo dentro de você, bem lá no fundo, ainda acredita de verdade que seria capaz de escapar a qualquer diagnóstico baseado no DSM atual, tudo bem! Sem crise, a gente entende… É normal ser louco por dentro.

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  • As mudanças estão por toda parte

    Do amálgama entre as pequenas e as grandes escalas, entre o local e o global, entre consciência e nação, ninguém sairá ileso

    Postado dia 21 de setembro de 2016 às 10h em Causos e Coisas

    mudanças

    Foto: Reprodução/Internet

    Mudanças. Graduais, intensas, profundas. Ao contrário das barulhentas (vedetes dos noticiários), as mudanças sutis seguem em marcha constante e, uma vez somadas todas mais à frente, em geral digerem melhor os conflitos do processo. Ou, ainda, provocam as grandes turbulências. Porém, diferentemente das guinadas bruscas, raramente retrocedem seus personagens a etapas já trilhadas.

    Muita gente com quem converso diz a mesma coisa: vive fases importantes de transição. Já ouvi isso de familiares e amigos, mas também em desabafos casuais dentro do trem indo pra São Paulo, por exemplo. (Num deles, inclusive, um senhor de mais de 60 anos dizia estar recomeçando a vida. Ele, viúvo há sete anos, havia chegado de Minas no mês anterior pra se casar com uma paulistana, nas palavras bem-humoradas dele, “um pouco mais véia que o mineiro véio”.)

    Devemos estar atentos, pois os sinais estarão em todas as partes. E neste ano, em especial, a sensação que tenho é de ouvir “cavalos-de-pau” a cada esquina. De minha parte, tracei novos objetivos de vida em 2016; novos projetos e sonhos a serem “encarnados” ano que vem. E claro, como não podia deixar de ser, tive também que “aliviar o peso da mala”, renunciar aos sonhos de ontem, tantos os já naufragados quanto aqueles muito bem realizados, mas mantidos muito além de seus cilclos naturais de vida, por apego.

    Mesmo para as conquistas há uma data de validade, sob pena de perdermos todo o respeito pelos sonhos que tivemos, deixando-os vegetar como que ligados a aparelhos-simulacros das alegrias legítimas que um dia eles nos deram.

    Agora olhe para sua vida. Olhe ao redor. O planeta, as nações, o Brasil… Transições por toda a parte. As grandes são a amálgama das pequenas e sutis numa dança constante, e por que não dizer também, excitante, já que abrem caminho para amadurecermos esse projeto coletivo e ancestral que temos, chamado “ser humano”.

    Desse amálgama entre as pequenas e as grandes escalas, entre o local e o global, entre consciência e nação, entre mundo e mudança… dessa mistura, seja como for, ninguém sairá ileso e igual. Seremos todos “mundificados”.

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  • Vagalume no fim do túnel – nova lei eleitoral

    Bem-vinda nova Lei Eleitoral! Ela proíbe até mesmo os horríveis showmícios e a distribuição de brindes. Mas nada de selfie, ok?!

    Postado dia 31 de agosto de 2016 às 08h em Causos e Coisas

    Foto: Reprodução/Internet

    Foto: Reprodução/Internet

    As eleições vêm chegando, minha gente! O tempo “avoa” e, pelo ritmo de hoje em dia, outubro já é quase passado…

    Mas, antes que passe, tem eleições para prefeito, vices e vereadores. E elas trazem as novidades aprovadas no ano que passou (Lei nº 9.504/97). Foi na praça pública de um blog qualquer da internet que pedi ao arauto que relesse o novo édito da próxima festa da democracia.

    Entre as boas medidas, destaco a proibição de showmício (a classe artística que me perdoe, mas “Uhuu”!) e a distribuição de brindes (camisetas, chaveiros, bonés e outros mimos materiais ao eleitor). E será proibido também o chamado “derrame” de material de propaganda no local de votação, ou nas proximidades, formando aquele mar de papel sujo que a gente bem conhece, e que me faz sentir dentro de uma urna gigante daqueles sorteios de rifa. Agora é o tão esperado “cumpra-se”!

    Contrariando aqui orientação médica, suspenderei um pouco mais meu ceticismo tarja preta pelas próximas e parcas linhas, ok?

    De verdade, achei que as novas normas apontam para um avanço importante. Independente de veladas motivações, e do óbvio objetivo de economia de recursos em tempos bicudos, penso que as alterações da lei contribuem para a clareza e a isonomia das campanhas, além de reduzir as distrações que desfocam ainda mais o que hoje, no Brasil, pleito algum é capaz de focar: o puro e exclusivo debate político de ideias e propostas.

    Mas ainda tem muito chão… Dito isso, peço licença para buscar um copo d’água e voltar aos meus comprimidos.

    Para mim, infelizmente, politica brasileira ainda é, essencialmente, sinônimo de política partidária. É carreira, é “futuro”… eminentemente pessoal… Efeito na esfera pública é efeito colateral, do tipo “ah, tem isso também”. E claro, produzir algo ao meio também é o esquema (ah essa palavra!) de se manter no “meio”, de rosto colado no poder. Poder, sim… dever, talvez…

    Dia desses, tomando um café num balcão de que já não me lembro, não pude deixar de captar (pra nunca mais esquecer!) o diálogo entre dois cidadãos, um deles um dileto vereador aqui de minha cidade. O político, que fiquei sabendo depois ser candidato à reeleição esse ano, soltava suspiros e se dizia estafado, enquanto seu colega de prosa comentava, parecendo condoído: “…Imagino, Fulano. Também, né, essa é a fase mais corrida mesmo!”

    Pensei: Caramba!! Quer dizer que esses mirrados meses pré-eleitorais tão exigindo mais de Sua Excelência do que os últimos 4 anos de vereança? Cazzo!! Joinha pra você, hein! Joinha pra nós!

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