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Priscila Andrade

Profissão: Orientadora Sexual

Cidade: Araraquara

Professora e Educadora Sexual. Pedagoga e Mestre em Educação Sexual, pesquisadora de tatuagens. Sade, Nietzsche, Bourdieu, Tarantino, Butler e Rock me definem

  • Abuso sexual infantil: como evitar

    O importante é saber verificar os sintomas que a criança venha a apresentar caso tenha sofrido uma agressão e ensinar noções básicas para que elas não caiam nas armadilhas dos abusadores

    Postado dia 28 de abril de 2017 às 13h em Meninas e Mulheres

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Anteriormente já havia escrito sobre a pedofilia, abuso e exploração sexual infantil e suas diferenças. Hoje por meio desse texto vou explicar como evitar que as crianças fiquem sujeitas as situações citadas.

    Esse tema é muito importante e deve ser debatido no âmbito escolar e familiar, pois, a cada cinco crianças, uma já sofreu ou vai sofrer abuso sexual. No abuso sexual podem-se incluir: abuso sem contato físico, assédio, abuso verbal, exibicionismo, voyeurismo e abuso com contato físico. Acontece com frequência no meio intrafamiliar (grupo familiar: pais, tios (a), primo (a)), embora no meio extrafamiliar também seja muito recorrente.  O importante é saber verificar os sintomas que a criança venha a apresentar caso tenha sofrido uma agressão e ensinar noções básicas para que elas não caiam nas armadilhas dos abusadores.

    É preciso que pais e educadores não tenham vergonha de falar com as crianças sobre essa temática, pois são regras básicas que podem evitar um posterior abuso.

    Primeiramente a criança deve entender que o seu corpo lhe pertence e ninguém deve tocá-lo, que há partes no corpo que são íntimas e que se alguém quiser vê-las ou tocá-las é preciso dizer não e esse fato deve ser relatado a alguém que confie na hora.

    abuso2É preciso ensinar a criança a dizer NÃO para qualquer coisa que a desagrade, como beijos e toques de quem quer que seja. É fundamental que pais e educadores mantenham um diálogo aberto e esclarecedor com as crianças, explicando sobre as partes íntimas e que as mesmas não devem ser mostradas a ninguém.

    O mesmo vale para fotos e vídeos: é preciso aconselhar às crianças que não se deve tirar fotos ou fazer vídeos sem roupa ou em situações constrangedoras. Outro ponto que deve ser ressaltado é que não se deve pegar carona com desconhecidos, mesmo que a criança esteja acompanhada de outra criança e sempre relatar qualquer tentativa de abordagem à pessoa em quem ela confia.

    Outro aspecto importante é sobre manter segredos. É essencial dizer a criança que não pode haver segredos entre ela e os pais, que há segredos bons e maus. Segredos em que a criança fique coagida ou com medo é um segredo ruim; segredo, por exemplo, sobre uma festinha de aniversário é bom. É necessário mostrar essa diferença para eles, pois essa é uma tática muito usada pelos abusadores.

    Uma prática bem atual utilizada pelos abusadores é a internet; é fundamental explicar para a criança que não se deve passar nenhuma informação, como os endereços de onde mora ou estuda. É importante deixar claro que o uso da internet só é autorizado com o acompanhamento dos pais, isso é uma forma de preservar a intimidade delas.

    Pais e educadores devem ficar atentos a sintomas que as crianças apresentem, como tristeza repentina ou isolamento, isso pode ser sinais que a criança esteja sendo abusada. Caso o abuso seja constatado, é preciso que os pais mantenham a calma e conversem de uma forma tranquila com seus filhos.

    Nunca fazendo interrogatório, esperando que as crianças falem por si só, não demostrem raiva ou perturbação na frente delas, isso as assusta e elas podem omitir algum fato.

    E nunca acuse: a culpa jamais é da criança, a culpa é somente do abusador. Se precisar de ajuda, há vários profissionais que podem ajudar nessas situações, como é o caso dos psicólogos.

    Para finalizar, é preciso que pais e educadores falem sobre esse assunto, não se pode mais omitir por vergonha ou qualquer que seja a desculpa, é preciso dialogar e esclarecer as crianças sobre isso. É questão de sobrevivência.

    A educação sexual começa em casa.

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  • O que é a pornografia de vingança?

    Estamos presenciando esse tipo de acontecimento com frequência. Consiste basicamente na exposição de fotos íntimas de pessoas em redes sociais. As maiores vítimas são mulheres

    Postado dia 13 de março de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    vingança

    Foto: Reprodução

    Anteriormente escrevi um texto sobre o sexting – exposição de pessoas nuas por fotos ou vídeos, mas com a permissão da mesma. Já a pornografia de vingança consiste na exposição sem consentimento, com o intuito de prejudicar a pessoa. Essa exposição acontece na maioria das vezes por meio das redes sociais, como forma de vingança, geralmente exibida por alguém que se sentiu traído (a) por seu companheiro (a) ou alguém que teve algum envolvimento íntimo.

    Pornografia de vingança vem da expressão Revenge Porn, que surgiu nos Estados Unidos, em 2007 essa expressão passou a fazer parte do Urban dictionary. Consiste na divulgação de fotos, vídeos, áudios de cunho sexual de uma pessoa, feita por alguém com quem teve um relacionamento afetivo amoroso ou mesmo um vínculo afetivo. Embora algumas vezes a gravação tenha sido consentida pela vítima, a divulgação não foi permitida, o que configura crime.

    Nesse tipo de crime as maiores vítimas são as mulheres, de acordo com uma pesquisa da Safernet Brasil (que monitora as violações de direitos humanos na internet): 77% dos casos são mulheres, o que nos leva a acreditar que esse tipo de crime se configura uma nova forma de violência de gênero.

    Embora saibamos que todas as pessoas adultas ou em sua grande maioria, gosta, já fez, faz ou fará sexo na sua vida, fica a pergunta: Por que ainda há tanta condenação quando esse tipo de imagem ou vídeo cai na rede e é compartilhado vertiginosamente? Por que o centro das atenções é a mulher, mesmo que no vídeo haja a participação de um homem? Por que a condenação recai somente sobre a mulher? A resposta é simples: o machismo. Ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, no qual a mulher tem que seguir algumas “regras” para vivenciar sua sexualidade.

    Sexting. Keyboard

    A pornografia de vingança surge como um dispositivo de preservação do patriarcado. Ou seja, é permitido à mulher fazer sexo, desde que esse ato sexual esteja condicionado a dispositivos que o legitime como adequado à sociedade machista. Assim, a mulher que se rebela contra o papel que lhe foi imposto na sociedade sofre. E a punição contemporânea é a divulgação de imagens e vídeos por meio das redes sociais, que surge como mecanismo de domínio. A frase “seja uma puta na cama e uma dama na sociedade “ nunca foi tão atual. Ao ser exposta ela se torna a puta, a mulher que fez sexo, a mulher que se deixou gravar, e frases como “ah, mas a culpa foi dela”, “quem mandou ela se deixar gravar” e “ mulher direita não faz esse tipo de coisa” vão lotar as redes sociais.

    Compreendendo que elas não fizeram nada de errado, se deixar fotografar e ser gravada é algo normal no contexto do sexo, faz parte da fantasia sexual do casal, a culpa é somente de quem divulgou essa imagem/filmagem.

    No Brasil, esse tipo de crime ainda não tem uma lei específica, mas há projetos de lei para que esse tipo de conduta seja punitiva. Como o projeto de lei nº 5.555/13, que altera alguns itens da lei Maria da Penha. E também o projeto de lei nº 6630/13, do deputado Romário, que torna crime esse tipo de divulgação. Já existe a lei Carolina Dieckmann – lei nº 12.737/12, tornando crime a invasão de dispositivos como celulares e computadores.

    A criminalização desse tipo de divulgação se faz necessária, mas não é o suficiente. É necessário que haja um entendimento por parte da sociedade – escola, família, igreja, Estado, etc. – que são os principais agentes da permanência de certas hierarquias, possam se comprometer com mudanças, entender que a sexualidade.

    O corpo não deve ser motivo de desaprovação ou julgamento, principalmente com as mulheres. E esse entendimento só virá a partir do momento que exista uma participação maior de educadores sexuais nas escolas e em toda a sociedade, para o combate ao machismo de uma maneira esclarecedora, no qual mostre o quanto ele é nocivo para as mulheres, homens – enfim, para toda a sociedade.

    Leia mais sobre Sexting

    O que é o Sexting?

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  • Futebol é coisa de mulher!

    O Brasil é o país do futebol, não há o que contestar, mas o futebol ser um esporte de homem nunca soou tão engraçado e cômico como atualmente.

    Postado dia 8 de março de 2017 às 09h em Dia Internacional da Mulher

    futebol

    Foto: Reproduçao

    Desde o surgimento do futebol, no qual era considerado um esporte reservado aos homens brancos e da elite A inserção da mulher nesse ambiente considerado sagrado para eles foi difícil e ainda continua sendo. Se apropriando dos estudos das relações de gênero, sempre coube ao homem o espaço público – a rua, à mulher o espaço privado – a casa. O homem, o falar alto, a agressividade, coisas que o ambiente futebolístico proporciona, a mulher, o falar baixo, a delicadeza. A mulher se apropriar desse ambiente era uma transgressão, algo fora da ordem estabelecida.

    Por causa desse passado, no qual o futebol foi considerado esporte de homem, houve uma naturalização daquilo que foi socialmente construído. Dessa forma, existe no futebol, no estádio, no ambiente futebolístico uma linguagem construída pelos homens, no qual muitas mulheres reafirmam essa linguagem, acreditando que esse esporte foi feito para homens e achando errado as mulheres gostarem disso.

    futebolAinda existe surpresa quando a mulher opta por assistir futebol em detrimento a programas considerados femininos. Quando as próprias mulheres consideram absurda a ideia de ir ao estádio como entretenimento para elas, isso se caracteriza uma violência simbólica. O sociólogo Pierre Bourdieu ao falar de violência simbólica diz que “corresponde ao poder de impor a ordem estabelecida como natural por meio de sistemas de classificação ideológica sobre o discurso”.  E com isso, o discurso que perpetua essa distinção permanece, gerando relações de poder para que as coisas permaneçam sempre iguais.

    Dessa forma, o machismo se reafirma e permanece muitas vezes de uma forma sutil, como por exemplo, nas avaliações, conhecimentos, percepções em relação ao futebol, ao jogo e jogadas não são levadas a sério quando a mulher é a dona do discurso. E não pode haver erros, erros por parte da mulher não são permitidos.

    Se essa situação de avaliações e percepções acerca do futebol acontece com o homem ele não será julgado pelo gênero que pertence. Ser mulher nesse ambiente faz com que ela seja frequentemente testada e exposta às provações e reafirmações das suas análises.

    mulheres-organizadas-body-image-1433441559Para isso começar a mudar é necessário entender que há mulheres que preferem ver futebol a ir ao cinema, que sabem tudo sobre o campeonato, que sabe de futebol muito mais que homens. Aos homens um recado: não tentem subjulgar uma mulher que goste de futebol colocando em dúvida sua orientação sexual ou a acusarem de gostar de futebol por ser “Maria-chuteira”, isso só mostra o quanto são inseguros quando as mulheres dominam um assunto mais que os homens.

    A expressão “futebol é coisa de homem” nunca foi tão démodé.

    O estádio sempre foi lugar da mulher, elas só estão ocupando o que sempre foram delas de direito.

    Observação: Ao ler isso se alguém achou essa análise exagerada, argumentando que as coisas estão diferentes, entre em uma página do Facebook intitulada “Movimento Toda Poderosa Corinthiana”. Uma página que visa mostrar o machismo e sexismo existente no futebol, essa semana há uma série de depoimentos de torcedoras, mostrando o que passam, o que ouvem, o que sentem quando tentam simplesmente demonstrar, ir a um estádio ou torcer pelo seu time de futebol. Aí perceberão o quanto o machismo é nocivo e prejudicial.

    Machismo não é tradição.

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  • Carnaval sem camisinhas: um problema muito sério.

    O discurso do uso da camisinha é constante, sabemos da sua necessidade, mas por que as pessoas deixaram de usar?

    Postado dia 26 de fevereiro de 2017 às 09h em Saúde e Bem Estar

    camisinha

    Foto: Reprodução

    Embora a divulgação e propaganda sejam maiores na época do Carnaval o seu uso deve ser priorizado sempre que houver uma relação sexual.

    A camisinha, considerada muitas vezes um método contraceptivo atual, seu uso é antigo, sabe-se, mas não com certeza, que as civilizações gregas e romanas já usavam algo para se proteger de doenças, mas essas eram feitas de intestinos de cordeiros. Somente no século XIX que criaram as primeiras lojas de preservativos na Inglaterra, só que esses eram bem caros e podiam ser usados várias vezes, foi somente na década de 30 com o uso do látex, a camisinha ficou melhor e com maior durabilidade.

    dica-de-saude-camisinha-prevencao-no-carnaval-dstCom o surgimento da pílula anticoncepcional na época da revolução feminina na década de 60 a camisinha deixou de ser usada, mas com o advento da AIDS na década de 80 o seu uso foi necessário novamente.

    Atualmente o uso da camisinha é imprescindível na hora de vivenciar uma relação sexual, pois ela é o método contraceptivo mais seguro existente, além de evitar uma gravidez indesejável, evita as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). O termo DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) deixou de ser usado pela Organização Mundial da Saúde – OMS, pois o termo doença, implica indícios visíveis no organismo das pessoas, já infecções têm um período assintomático e muitas vezes permanecem assim até ser feito um exame em laboratório, então IST passou a ser o termo mais correto.

    Segundo a OMS, 340 milhões de pessoas são infectadas pelas IST no mundo inteiro, dentre as mais conhecidas estão: Sífilis, Gonorreia, Clamídia, HPV e HIV/AIDS.

    • Sífilis: Há uma epidemia no Brasil, entre outras coisas a sífilis causa cegueira e demência.
    • Gonorreia/Clamídia: Os sintomas são parecidos, há também um surto de gonorreia no Brasil, dentre outras coisas, pode causar infertilidade.
    • HPV: O índice de HPV entre os jovens é altíssimo, pode causar câncer do colo de útero, garganta e ânus.
    •  HIV/AIDS: os dados são preocupantes, o número de jovens com HIV/AIDS aumentou 53%.

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    Mas com tantas doenças adquiridas por meio sexual, por que as pessoas deixaram de usar camisinha? De acordo com a OMS 45% dos brasileiros não usam camisinha. Há vários fatores, dentre eles a banalização do vírus HIV, como há tratamento, muitas pessoas acreditam que viver com o vírus ou até mesmo a doença ficou mais fácil, mas não se pode deixar enganar, o tratamento é doloroso e permanente, a ida em hospitais se tornam rotina, ou seja, a vida se transforma. Também muitos desses jovens não presenciaram a morte de pessoas, como aconteceu na década de 80 em decorrência da AIDS.

    O uso da camisinha é muito divulgado na época do carnaval, devido às festividades que essa data traz, ou seja, as campanhas de prevenção são muito pontuais, não englobando que seu uso é necessário em todas as épocas e datas. Isso acontece devido à imagem que a camisinha provoca, muitas vezes ligada a promiscuidade, a traição conjugal ou a falta de confiança no parceiro. Coisas que devemos desvincular da nossa cultura, camisinha é proteção.

    As mulheres ainda se sentem muito envergonhadas ou acham que isso seja função do homem (levar ou colocar a camisinha na hora da relação sexual) e isso é um erro, não se deve ter vergonha ou achar que será considerada “fácil” por estar levando a camisinha, se por ventura o homem esquecer de levá-la, a mulher já está preparada, ou seja, não haverá desculpas para não a usar.

    camisinhaTambém existe o mito em achar que a camisinha diminui o desejo sexual ou como é comumente falado “é como chupar bala com embalagem”, pois atualmente existem no mercado os mais diversos tipos de camisinhas, para os homens que constatam essa sensação descrita acima, existe a camisinha sensível, ela é mais fina e se ajusta ao pênis dando a sensação que não está usando a camisinha.

    Além dessa, existem outros tipos de camisinhas que deixam a relação sexual mais gostosa e divertida, alguns exemplos:

    • Camisinha de sabor: (chocolate, menta, morango).
    • Camisinha hot e ice: que esquenta ou esfria tanto o pênis como a vagina.
    • Camisinha com efeito retardante: que anestesia a cabeça do pênis, deixando o homem mais calmo e tranquilo.
    • Camisinha texturizada: com relevos na parte interna e externa da camisinha.
    • Camisinha com espermicida: que segundo o fabricante mata os espermatozoides (mas não tem 100% de eficácia).

    Camisinha antialérgica: para quem tem problemas com o látex.

    Também existe a camisinha feminina, que embora não muito divulgada e o preço ainda não é tão popular, ajuda a mulher na prevenção, a vantagem é que ela pode ser colocada até 8 horas antes da relação sexual.

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    E para quem não tem dinheiro para comprar camisinhas, elas são distribuídas gratuitamente em postos de saúde.

    Sendo assim, não há desculpas para não usar, há modelos para todos os gostos e tamanhos, ela não prejudica o clima na hora da relação sexual, alguns segundos perdidos nesse momento equivalem a uma vida sem problemas de saúde ou uma gravidez indesejada.

    USE CAMISINHA!

     

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  • Tabus e opções pessoais: Há uma grande diferença nisso

    Há algum tempo venho pensando nesse tema, muitas pessoas me procuram perguntando se existe algum problema em não gostar de determinadas situações durante uma relação sexual como, por exemplo, não gostar de fazer ou sentir o sexo oral.

    Postado dia 23 de janeiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

     

    tabus

    Foto: Reprodução

    Antes de entrar propriamente no tema proposto, quero que vocês leiam um texto que escrevi anteriormente que fala sobre os tabus sexuais. Para resumir tabu significa “uma atividade social estabelecida por ordem moral e religiosa, que é culturalmente reprovável, e vai de acordo com a sociedade e o momento histórico vivenciado”. Ou seja, muitas vezes, as pessoas não fazem determinada coisa sexualmente porque acreditam ser errado, isso é um tabu, já uma opção na hora do sexo é outra bem diferente.

    É sobre essa confusão que vou embasar minhas ideias. Vou tomar como exemplo um tabu que citei no texto, do sexo oral. Como foi dito lá, esse exemplo é considerado tabu por se associar muitas vezes a promiscuidade, mas nem sempre o não gostar de sexo oral seja um tabu. Há mulheres que realmente não gostam de fazer, mesmo sendo esclarecidas quando o assunto é sexualidade, é uma opção, uma vontade dela. E nesse caso tem que existir o respeito por parte do companheiro.

    A mulher tem que estar ciente que ela não é obrigada a fazer nada somente para agradar ou ser considerada liberal no sexo, nem ficar com um receio que talvez haja uma traição em decorrência disso, até porque traição em muitos casos não tem nada a ver com o desempenho sexual que as pessoas possam ter.

    O mesmo cabe para os homens, assim como existem mulheres que não gostam de determinada coisa, também há homens que não gostam, e isso não os torna menos homem ou serão considerados “gay” – homossexual é aquele que tem uma relação amorosa-afetiva com pessoas do mesmo sexo.

    As pessoas atualmente estão mais curiosas e liberais em relação a alguns tabus, muitas vezes elas decidiram experimentar algo novo numa relação sexual, mas não gostaram ou curtiram. Ponto. Não há porque ficar “forçando a barra” nesse sentido.

    Se as pessoas não gostam de tal comida ou tal música, não comem e não ouvem. Simples assim.  Então porque no sexo as pessoas têm que fazer algo que não gostam apenas para agradar o (a) companheiro (a)?

    virgemMas qual o problema em agradar as pessoas com as quais há um relacionamento? Nenhum. O problema é isso ser prejudicial e não ser prazeroso.

    Quando falamos em relação sexual, estamos falando de um momento de relaxamento e prazer e de certa forma as pessoas querem esquecer as cobranças e problemas do cotidiano. Relação sexual implica em algo prazeroso para ambos, porque sendo apenas para uma das partes envolvidas, haverá a frustração e convenhamos frustrações sexuais tornam-se grandes problemas no decorrer da vida.

    Mais uma vez o diálogo ainda é a melhor opção para essa situação. Ambos têm que expor seus desejos e vontades e entrarem em um acordo, a pessoa pode até tentar fazer e gostar, mas caso ela não goste, o que cabe por parte do outro é a compreensão e entender que cada ser humano é diferente sexualmente falando, não há uma cartilha a ser seguida do que seria uma relação sexual perfeita. Algo feito por obrigação não é prazeroso.

    Não é porque vivemos em uma sociedade que obteve algumas evoluções no sentido sexual, que não devemos respeitar a opção e gosto das pessoas. É necessário esse cuidado, porque muitas vezes essa liberação faz com que alguns se sintam no direito de impor determinadas situações com a justificativa de ser algo moderno e liberal e isso pode levar a abusos, violências e estupros em decorrência de achar que as pessoas têm de estar dispostas a tudo na cama.

    Finalizo dizendo: Pode tudo na cama? Pode, desde que ambas as partes estejam à vontade e sentindo prazer com isso.

    Tomei o sexo oral como exemplo, mas isso cabe para todas as situações que envolvem uma relação sexual. Não confundam tabus com opções pessoais.

    Veja mais em:

    O que são os tabus sexuais?

    Sexualidade nas práticas clínicas

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  • O dever do orgasmo

    Atualmente observamos discursos que falam que temos mais liberdade sexual, mas será mesmo que temos?

    Postado dia 7 de dezembro de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

    orgasmo

    Foto: Reprodução

    Esses dias, deparei-me em com uma foto em uma rede social com os seguintes dizeres:

    “Não finja orgasmo, deixa o homem saber que transa mal”.

    Fiquei refletindo sobre essa postagem e lendo os comentários, as mulheres ovacionaram essa publicação, apontaram e falaram os nomes dos homens dos quais provavelmente não obtiveram o orgasmo.

    Mas será mesmo que a culpa é apenas do homem? De ambos?  Ou de toda uma situação em que há uma supervalorização do ato sexual, o que implica o orgasmo ser obrigatório?

    Não estou com isso protegendo os homens, pelo contrário como educadora sexual sou a favor da igualdade de gênero, seja ela qual for.

    Como se sabe, sexo ou melhor, o ato sexual, só é bom se houver entendimento por parte das duas pessoas – em sua maioria – então se não houver diálogo, entrega e conversa com o parceiro a relação sexual não será como se esperava.

    A imposição do orgasmo vem de uma situação bem mais complexa. Com a revolução sexual a mulher se viu no direito de sentir prazer, só que esse prazer estava condicionado ao orgasmo. A revolução veio, mas as mulheres não conseguiram se livrar das amarras do machismo, pensamentos como “o que ele vai pensar? ”, ainda povoam as mentes das mulheres. Junte-se a isso a cobrança da mídia, revistas, sites com matérias que dizem “Como conseguir orgasmo mais fácil” ou “10 dicas para ter orgasmo”.

    Sendo assim, na cabeça da mulher ela tem a obrigação de ter esse orgasmo, ficando como espectadora da sua vontade, para agradar a todos menos a ela. A cobrança não é só por parte das mulheres, os homens também são cobrados nesse sentido, eles precisam se mostrar viris e não ter uma ejaculação precoce, caso contrário também sofrerão, ou seja, a tal liberdade sexual só funciona com algumas exigências.

    Não há uma fórmula mágica para atingir o orgasmo, ninguém é igual a ninguém.  Libertem-se do que a sociedade prega como correto, pensem em vocês, masturbem-se, busquem o que lhes causa prazer, transmitam isso aos seus parceiros, conversem, conduza-os as partes que te excitam, deixem os preconceitos e tabus “fora do quarto”. O corpo é imensamente suscetível ao prazer e esse prazer não está condicionado apenas à genitália.

    Essa busca incessante pelo orgasmo só prejudica e faz com ele nunca aconteça, com isso a mulher se frustra e acha que o problema é com ela ou com parceiro. Sexo vai muito além da penetração e do orgasmo, onde há obrigação não há prazer.

    E outra coisa, é preciso livrar-se da exigência dos que dizem que toda a mulher precisa ter orgasmo toda vez que transa. Há muito mais no sexo que um mero orgasmo.

    Para finalizar deixo uma citação de Roberto Curi Hallal “as vezes pleno, o prazer é inconstante, insone; outras irrigador das partes áridas do corpo de quem descobre de novo pela primeira vez. Às vezes perfume, bebida, praia, jeito de olhar ou lembrança; outras, é sorriso, queixo, ombro, boca ou uma nova forma de gozar”. Com isso entendemos que o prazer não se resume ao orgasmo, e sim a uma possibilidade imensa de situações. Não há regras, há apenas subjetividade, então relaxem e aproveitem o momento.

    Obs: Nem sempre quando o homem goza é sinal que ele teve orgasmo, mas isso a gente deixa para outro dia.

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  • Declaração dos direitos sexuais

    A educação para a sexualidade é direito de todas as pessoas a ajuda a fornecer informações corretas e a romper com todos os mitos e tabus que cercam o assunto

    Postado dia 12 de setembro de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    sexual

    Foto: Reprodução/Internet

    Como se sabe, é papel da escola, além das disciplinas obrigatórias, propiciar uma educação sexual intencional, pautada no social e no político – e não somente no biológico, que, embora importante, mas que não supre todas as demandas que a sexualidade exige.

    Assim como em outros setores, a sexualidade também tem direitos. Eles são pautados na liberdade e na igualdade sexual de todos os seres humanos, para que haja cidadãos livres de preconceitos. Assim, aquela ideia que foi aprendida no senso comum e se perpetuou pela vida (principalmente na área da sexualidade, recheada de mitos e tabus) possa ser compreendida de fato como ela é.

    O direito à informação referente à educação sexual está expresso na Declaração dos Direitos Sexuais. Ela foi formulada em 1997, em Valência, na Espanha, durante o XIII Congresso Mundial de Sexologia. Em 1999, no XV Congresso Mundial de Sexologia, em Hong Kong, o texto foi aprovado pelo WAS (World Association for Sexology).

    A educação sexual sempre deve ser embasada nesses princípios.

    O documento conta com 16 itens.

    • 1-Direito à igualdade e à não discriminação.
    • 2-Direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
    • 3-Direito à autonomia e à integridade corporal.
    • 4-Direito de estar isento de tortura, tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante.
    • 5-Direito de estar isento de todas as formas de violência ou coerção.
    • 6-Direito à privacidade.
    • 7-Direito ao mais alto padrão de saúde atingível, inclusive de saúde sexual; com a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras.
    • 8-Direito de usufruir dos benefícios do progresso científico e suas aplicações.
    • 9-Direito à informação.
    • 10- Direito à educação e direito à educação sexual esclarecedora.
    • 11-Direito de constituir, formalizar e dissolver casamento ou outros relacionamentos similares baseados em igualdade, com consentimento livre e absoluto.
    • 12-Direito a decidir sobre ter filhos, o número de filhos e o espaço de tempo entre eles, além de ter informações e meios para tal.
    • 13-Direito à liberdade de pensamento, opinião e expressão.
    • 14-Direito à liberdade de associação e reunião pacífica.
    • 15-Direito de participação em vida pública e política.
    • 16-Direito de acesso a justiça, reparação e indenização.

    O documento completo, com todos os itens comentados, encontra-se em http://www.worldsexology.org/wp-content/uploads/2013/08/DSR-Portugese.pdf

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  • O que são os tabus sexuais?

    Veja alguns exemplos de tabus que ainda hoje muitos acreditam ser verdade

    Postado dia 11 de agosto de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    tabu

    Foto: Reprodução/Internet

    Vocês já devem ter ouvido ou lido em algum lugar: “isso é um tabu”. Mas o que são tabus? Por que, ao se referir à área da sexualidade, sempre ouvimos esse termo?

    No dicionário Houaiss, tabu significa: Interdição/proibição. Ação, objeto proibidos por uma lei ou cultura. A palavra tabu se originou do polinésio que significa sagrado, algo inviolável. Surgiu como uma atividade social, estabelecida por ordem moral e religiosa e que é culturalmente reprovável e varia de acordo com a sociedade e o momento histórico.

    Com o advento do Puritanismo – movimento que surgiu dentro do protestantismo inglês em meados do século XVI – exigiu-se, dentre outras coisas, a mudança de valores da sociedade. Com isso, o homem passou a ser contido e racional, e assim a sexualidade passou a ser controlada com a normatização e a classificação dos atos sexuais.

    Dessa forma, a repressão sexual se fez presente. Segundo Regina Navarro, “repressão sexual é um conjunto de interdições, valores e regras estabelecido pelo social para controlar a sexualidade das pessoas”. Embora, a sexualidade esteja mais aberta ao diálogo, uma grande parcela da sociedade ainda tem incorporado esses tabus sexuais, pois ainda vivemos em uma sociedade patriarcal e machista.

    Como argumentou Foucault, a sexualidade é um dispositivo histórico, ou seja, criação social, pois é abarcada em meio a vários discursos que normatizam, classificam e regulam, inventando supostas verdades que se perpetuam até hoje.

    Abaixo seguem alguns exemplos de tabus que ainda hoje muitos acreditam ser verdade.

    Mulher não pode falar de sexo: Por mais que estejamos em uma época na qual somos “bombardeados” diariamente por assuntos referentes a sexo, as mulheres ainda se sentem constrangidas ou tem medo de serem julgadas por falarem e gostarem do assunto. Isso porque a sociedade ainda trata a sexualidade com um assunto vulgar e promíscuo.  Esse é um tabu que precisa ser superado, principalmente através da educação sexual.

    Masturbação é errada ou pecado: Nem uma coisa e nem outra, a masturbação é um comportamento comum, de conhecimento do próprio corpo, com prazeres que fazem bem à saúde. Religiões à parte, mas outrora a masturbação já foi considerada pecado e esse aspecto se perpetua até hoje, principalmente entre as mulheres.

    Sexo anal/oral: Muitas pessoas consideram esses dois tipos de práticas sexuais como “sujas”. O sexo anal é mal visto porque se associa à homossexualidade, sendo que homossexual é aquele que se relaciona com pessoas do mesmo sexo e não necessariamente aquele que sente prazer no sexo anal. Em relação às mulheres que praticam sexo oral, muitas sentem receio de serem consideradas “putas”, pois antigamente esse tipo de sexo era feito por prostitutas. Na realidade, o corpo inteiro, quando estimulado, é uma fonte imensa de prazer. Ou seja, não há problemas em realizar essas práticas.

    Há diferenças nos desejos sexuais de homens e mulheres: Mais um mito que vem de tempos remotos, no qual a mulher tinha que ser recatada e que os homens seriam os responsáveis por perpetuar e praticar o ato sexual, restando às mulheres o amor conjugal. Hoje sabemos que tanto homens quanto mulheres têm vontades iguais. A diferença é somente cultural: a mulher ainda tem receio em falar dos seus desejos por medo de ser julgada.

    Assim, tabus e mitos sexuais só deixarão de existir a partir do momento que houver esclarecimentos e uma educação sexual que propicie essas atitudes.

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  • O que é o poliamor?

    Esta é uma nova maneira de vivenciar um relacionamento amoroso

    Postado dia 7 de julho de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

     

    poliamor

    Foto: Reprodução/Internet

    O poliamor é basicamente o relacionamento amoroso/íntimo com mais de uma pessoa e com o consentimento de ambas as partes.

    Tema que gera polêmica, pois, ao se falar em família e relacionamentos, nos deparamos com algo que está incorporado em nossa sociedade – e claro, mudanças geram desconfianças e preconceitos. Mas vivemos em constantes alterações. Assim como outrora o divórcio fora visto com mal olhos, essa é uma transformação que não se pode ignorar. Mais uma vez nos cabe o respeito e o entendimento para poder compreender essa nova condição que a sociedade nos propõe.

    Antes de entrarmos propriamente no poliamor, vamos analisar o oposto desse tipo de relacionamento, a monogamia (atualmente a única forma de relacionamento aceita em nossa sociedade). A monogamia vem do grego monos (um) e gamos (casal), ou seja, relacionar-se com um único parceiro.

    A monogamia surgiu devido ao advento da propriedade privada, com isso houve a soberania patriarcal, ou seja, o homem no centro da família, e para garantir as posses e heranças era necessário o casamento com uma mulher para que essa propriedade ficasse apenas para os filhos, dessa forma restringindo o papel sexual da mulher nesse momento, pois a submissão da mesma era a garantia da transferência da descendência e propriedade, observando que a transmissão do último sobrenome era do pai (atualmente isso  não é mais necessário, a opção do último nome pode ser tanto do pai como da mãe).  (Lembrando que era visto com naturalidade as relações extraconjugais dos homens). E com o surgimento do Cristianismo a monogamia se afirmou e tornou-se de fato universal. A monogamia se deu como uma espécie de contrato social.

    Atualmente, com várias mudanças nas questões sexuais, como a revolução sexual, com o direito das mulheres passando a ser reconhecido, começou a surgir outras formas de relacionamentos. Na contemporaneidade buscamos a nossa individualidade, deve ser por isso que o poliamor esteja em voga.

    A palavra poliamor vem do grego poli (vários) e do latim amor, é a prática e o desejo de ter uma relação amorosa/íntima com mais de uma pessoa com o consentimento de ambas as partes.

    Os adeptos da prática diferem o poliamor do swing e do relacionamento aberto. No swing a pessoa apenas se relaciona com outra sexualmente, embora haja consentimento por parte do parceiro, nesse tipo de relação não existe sentimentos. Da mesma forma se caracteriza o relacionamento aberto, a pessoa apenas “fica” com outra, mas o relacionamento sério ainda é com o parceiro.

    No poliamor ou como são chamados, os poliamoristas, o relacionamento com outros parceiros há o envolvimento de sentimentos, como amor e companheirismo, enxergam o amor como algo não exclusivo e único de um só parceiro, o ciúme praticamente não existe, porque a pessoa não corre o risco de ser trocado, por exemplo.

    No blog Poliamores a definição é a seguinte “um relacionamento que afirma ser possível não somente se relacionar, mas também amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo de maneira fixa, responsável e consensual entre todos os membros. ”

    Um erro comum que se perpetua hoje, é dizer que antigamente não havia tantas traições (inclui-se homem e mulher), a diferença que antigamente quando isso acontecia era encoberto e não se comentava, hoje os meios são mais fáceis e caso seja descoberto a internet se encarrega de divulgar.

    Assim, não é porque existe outras formas de relacionamentos, como o poliamor que a fidelidade deixou de existir, assim como o respeito. De acordo com Kelly Conde “A fidelidade depende de uma escolha racional de ambas as partes, mas para tomar uma decisão destas, é preciso antes ter a capacidade de escolha”.

    Assim sendo, para finalizar, a sociedade mudou, há várias formas de família, como há várias formas de relacionamentos, o que nos cabe é o respeito pela decisão que as pessoas tomaram para sua vida.

    Deixo uma reflexão interessante do professor David P. Barash “Animais muito provavelmente não podem escolher agir contra ‘o que vem naturalmente’, já os homens podem. ”

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