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Pedro Muniz

Profissão: Engenheiro Ambiental

Cidade: São Paulo

Engenheiro Ambiental, formado na UNESP e pós graduado em gestão de projetos com 8 anos na área de engenharia e meio ambiente! Atuo no maior aterro sanitário da América latina (Caieiras SP). Especializado em gestão e gerenciamento de resíduos sólidos.

  • Meio ambiente também é prioridade

    Diversas são as relações já consolidadas entre saneamento básico, limpeza urbana e gestão de resíduos com saúde pública

    Postado dia 11 de abril de 2017 às 08h em Educação e Cidadania

    meio

    Foto: Reprodução

    Sai ano entra ano e os textos, colunas, posts de redes sociais, muitas das diversas publicações, sejam elas formais ou não, possuem a mesma conotação de anseio por um mundo melhor. Este ano em especial, podemos ter uma esperança maior (e ao mesmo tempo ferramentas melhores ao nosso alcance) por se tratar do início de uma nova gestão na maioria das cidades do Brasil, onde os prefeitos foram eleitos ou reeleitos em outubro de 2016.

    Infelizmente pouco – ou bem menos do que se esperava – foi apresentado sobre questões ligadas ao meio ambiente, porém é disseminada já a suma importância desta frente de atuação como qualquer outra e cabe também a nós munícipes fiscalizar e cobrar as devidas ações.

    Diversas são as relações já consolidadas entre saneamento básico, limpeza urbana e gestão de resíduos com saúde pública. Há inclusive relações matemáticas onde estima-se que o investimento de determinado valor X (independente da moeda) em saneamento básico, ocasiona em reduções de investimentos na saúde, em proporções de 3 a 5X.

    Isso porque estamos falando em valores apenas, sem adentrar no universo da qualidade de vida propriamente dita, relações de moléstias vinculadas a falta de saneamento e limpeza urbana e uma infinidade de outras inter-relações que permeiam e se misturam entre os dois temas.

    Partindo desta mescla, já torna o assunto no mínimo interessante, quanto a desmiuçar um pouco as promessas realizadas nas campanhas municipais (seja galgando o gabinete da comarca ou uma cadeira na câmara local). Se levantar as palavras de ordem utilizadas nas reuniões, passeatas e propagandas, veremos que hoje, devido a diversos fatores, seja crise, o retorno ao foco na produção ou qualquer que seja o motivo, sentimos tanto no setor industrial/privado como no setor público a temática ambiental sendo ligeiramente colocada à tangente das prioridades.

    Sabe-se a importância (e não caberia neste simples texto) da temática e a maioria das carências e necessidades existentes nos munícipios. Podemos e devemos aproveitar que a cada dia os acessos aos nossos representantes se tornaram mais fáceis, como associações de moradores, partidos políticos, ferramentas virtuais como ‘acessa cidadão’, polícia ambiental, são algumas das formas de você ter acesso a secretaria de meio ambiente e/ou equipe por exemplo, para relatar situações, cenários, ocorrências ou até mesmo sugestões de melhorias identificadas em determinada região ou assunto.

    Talvez, quem sabe, não seja este o exato momento de não deixarmos o tema oscilar nas prioridades municipais e reforçar a sinergia junto a tantas outras ou até mesmo todas as demais frentes ditas como prioritárias.

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  • Carnaval consciente também é cuidar do Meio Ambiente

    Seja um folião consciente e curta a festa, cuidando do meio ambiente

    Postado dia 27 de fevereiro de 2017 às 00h em Educação e Cidadania

    blococarnaval

    E chega o Carnaval! Mambembe de Chico, Frevo de Tom, Maria Sapatão eternizada por Chacrinha, Abre Alas de Chiquinha Gonzaga… além das músicas e marchinhas referências desta festa mais que brasileira, hoje são inúmeros os fatores que circundam o evento mais esperado do ano. Turismo em alta, gastronomia, transporte, cidadania, segurança pública, entre tantos outros quesitos, bem como não menos importante, o meio ambiente! A geração de resíduos pelos foliões durante os quatro dias festivos possui um aumento significativo e infelizmente nem tudo é destinado de maneira ambientalmente adequada.

    As prefeituras possuem a responsabilidade de se preparar para receber os turistas, em todos os sentidos, dando comodidade para sua permanência, fornecendo transporte apropriado, bem como intensificando a segurança e a alimentação. A infraestrutura conveniente então é única e exclusivamente dela e dos patrocinadores e organizadores envolvidos. Assim sendo a gestão dos resíduos se encaixa em mais uma das preocupações básicas. Porém nada adianta, se o gerenciamento for planejado e o folião em nada ajudar. Entra fevereiro e sai março, as notícias se repetem. Milhões de latas de cerveja e refrigerante, sacolas, palitos de churrasco, roupas diversas, todo tipo de material derivado do carnaval, são amontoados nas ruas, entupindo bueiros, encalhando em córregos, quando não sendo involuntariamente oferecidos a Iemanjá!

    Os blocos de rua reúnem hoje facilmente 60, 80 mil pessoas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Os mais famosos extrapolam a casa dos três dígitos. Fazendo um paralelo insignificante, imagine uma única lata de cerveja por participante, jogada ao meio fio das ruas. O que se acarreta disso é literalmente um mar de tranqueiras!

    Projetos como o “Fundo Limpo”, idealizado em Salvador-BA, consiste em uma sequência de mergulhos no mar, feito por profissionais, para retirar o que infelizmente teve lá como destino final. Os valores são chocantes, atingindo uma tonelada de resíduos! Latinhas diversas formam um verdadeiro rio abaixo das águas da Praia da Barra, ocultadas pela beleza da costa e do farol que muito carnaval ali assistiu…

    Sabe-se que a geração é inevitável neste tipo de cenário. Se não puder evitar, ao menos exerça a cidadania de jogar seu lixo no local correto. Cidades com a infraestrutura adequada possuem coletores espalhados de maneira que você não precise segurar sua latinha vazia por mais de duas quadras! Portanto se for se fantasiar, pense em trocar a do ano anterior com seu amigo, ou use o material para confeccionar outra. Utilize canecas para o dia todo, hoje elas fazem parte inclusive de fantasias. Seja um folião consciente e curta a festa, cuidando do meio ambiente.

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  • A energia também vem do lixo

    As poucas chuvas, falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e transmissão de energia acarretaram ao longo do ano de 2001 na famosa (denominada pela mídia) "crise do apagão"

    Postado dia 2 de maio de 2016 às 08h em Educação e Cidadania

    energia

    Foto: Reprodução/Internet


    Após 10 anos de investimentos impudicos do governo FHC, fomos então presenteados com o cenário de adversidade conhecido pela maioria. Este deslize, que deveria ter sido (somado a tantos outros) um sinal de alerta, pouco incentivou agências reguladoras e grupos de investidores a buscarem alternativas para a geração de energia, principalmente através de outras tecnologias, além da desgastada e mal gerenciada energia hidrelétrica brasileira.

    Diversas são as possibilidades hoje. Usinas hidrelétricas, energia solar, termoelétricas, energia eólica, energia maremotriz (proveniente da movimentação das marés), energia nuclear, entre outras. Um grande nicho a ser explorado, por já nos ter mostrado um imenso potencial no Brasil é a energia de biomassa, ou seja, a partir da decomposição de materiais orgânicos (esterco, restos de alimentos, resíduos agrícolas, resíduo domiciliar e afins).

    Segundo estudo feito pela Abiogás (Associação Brasileira de Biogás e Biometano), o Brasil tem potencial de produzir 37 milhões de megawatts de energia por meio do biometano, um gás que pode ser obtido atráves do aproveitamento, principalmente do biogás gerado em aterros sanitários. Esse valor equivale a um terço do total gerado na possante usina de Itaipu. Além das vantagens competitivas de geração, a energia de biomassa é renovável, auxiliando na diminuição da emissão de CO² na atmosfera. Somada a essa importante contribuição ambiental, a utilização do lixo na sua produção, pode-se auxiliar na diminuição da quantidade de dejetos nos aterros.

    Em países desenvolvidos, diversas são as utilizações e os estudos para aplicação desta energia limpa. Além de fonte para produção de energia elétrica através de geradores, pode também ser usado como combustível veicular exatamente da mesma forma como o GNV. Algumas das grandes montadoras e fabricantes de motores não só realizaram testes, como já possuem frotas circulando tendo o biogás enriquecido como combustível. A própria Usina de Itaipu introduziu um ônibus para circular internamente e 40 automóveis, todos abastecidos com biogás. Testes estes bem sucedidos, os quais nos mostram que as alternativas existem e apenas aguardam interesse e investimentos.

    Infelizmente o modelo de energia por biometano/biogás é descentralizado e não possui normas regulamentadoras convencionais. Assim, este se torna um dos primeiros entraves da evolução desta pauta. Aparentemente seria um negócio de pequenos/médios investidores, pois seriam necessários biodigestores e/ou usinas de biogás, próximos aos locais onde estão os resíduos, seja em uma área agrícola ou um aterro sanitário. Por não ter o mesmo apelo aparente de geração, como as hidrelétricas, acaba ficando fora das discussões do governo.

    Em uma simples busca na internet, cases de sucesso são encontrados aos montes, em periódicos e notícias internacionais. Segundo recentes publicações da ABRACEEL (associação brasileira dos comercializadores de energia) e da ABEGÁS (associção brasileira das empresas distribuidoras de gás canalizado) está previsto para o próximo semestre a inauguraçao de uma nova térmica em construção, a Termoverde Caieiras, em São Paulo, com capacidade para produzir 30 MW, alimentada pela geração do biogás de um dos maiores e mais bem operados aterros sanitários do país. Esta usina poderá alimentar um município de 580 mil habitantes.

    Assistindo a investimentos desta magnitude, em meio as dificuldades e barreiras existentes no setor, nota-se que as portas estão se abrindo e a sinergia entre progresso e respeito ao meio ambiente vão aparentemente estreitando os laços. Esperamos assistir a mais frutos, pois sabemos que o lixo deixou de ser o ponto final da cadeia produtiva ha muito tempo.

     

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  • O Básico do saneamento

    Você sabia que apenas 48,3% da população nacional, somados todos os municípios, possui tratamento de esgoto?

    Postado dia 24 de março de 2016 às 00h em Educação e Cidadania

    Saneamento

    Foto: Reprodução/Internet

    Não é difícil concluir que as questões ambientais ganharam espaços realmente valiosos nos últimos anos, em diversos segmentos, bem como as conquistas sociais que o país alcançou são inquestionáveis. Diversos canais hoje colaboram com a promoção de ideias e programas em prol da educação ambiental, o gerenciamento dos resíduos nas grandes cidades tem tido um apelo bastante interessante, inclusive com o apoio de multinacionais, a legislação ambiental refinada e com bagagem equiparada a nações de primeiro mundo. Porém, a trilha do saneamento básico hoje ainda possui muitas escadas tortuosas, espinhos, buracos e lamas a transpor.

    Uma boa e concisa definição para saneamento básico é o conjunto de medidas adotadas em uma região/cidade, para melhorar a vida e a saúde dos habitantes impedindo que fatores físicos de efeitos nocivos possam prejudicar as pessoas no seu bem-estar físico, mental e social. Abastecimento de água potável, esgoto sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais são os principais serviços que contemplam essa gestão.

    No Brasil de hoje, segundo recente pesquisa do instituto Trata Brasil, apenas 48,3% da população nacional, somados todos os municípios, possui tratamento de esgoto. Na contramão deste cenário, possuímos uma meta estipulada da universalização das estruturas de saneamento básico em todo o país até o ano de 2033. Porém, se o intuito é contemplar 100% das localidades brasileiras em 20 anos, saibamos já que é uma meta comprometida. As cidades que hoje possuem o tratamento na totalidade do seu esgoto gerado são contabilizadas nos dedos das mãos, ou melhor, arrisco a dizer que em uma única!

    O custo para a universalização dos serviços de água e esgoto já foi inclusive quantificado, algo em torno de 303 bilhões de reais, ou seja, aproximadamente 15 bi/ano. Para um país que, mesmo de forma relâmpago, ocupou a sexta maior economia do mundo – e ainda figura entre as dez maiores – não é um valor inatingível, pelo contrário, bastante aceitável tendo em vista números que sempre circulam na grande mídia como privatarias, petrolões, lava jatos e afins. Levantamento da OMS revela que a cada R$ 1,00 investido em saneamento gera-se economia de R$ 4,00 na saúde. Convenhamos, levando-se em conta a veracidade da informação (e acreditamos este ser um órgão que nos permite acreditar) esta é uma relação que não pode passar em vão. A falta de tratamento de esgoto é passível de relação direta com a saúde, a exemplo de doenças como diarreia e gastrointestinais. Isto posto é preciso reavaliar a metodologia de aplicação destes investimentos e repaginar o planejamento atual.

    Algo bem comum na esfera governamental, desde os tempos do Brasil Colônia, é a falta de investimento direcionado. Uma das premissas para a gestão pública deveria ser a necessidade de se investir o proporcional ao que foi arrecadado. A maior parte das cidades investiu menos que 20% da arrecadação no saneamento. Percentuais estes que estão longe do aceitável, tão pouco ideal.

    Inúmeras são as informações extremamente relevantes, relacionando a falta de saneamento com saúde (em primeiro lugar), mas também com preservação ambiental, turismo, trabalho, educação e cidadania. Assuntos de extrema relevância para o meio ambiente, uma sociedade mais sadia e por que não um progresso na economia. Refletindo e olhando para o todo, o que concluímos é que se o saneamento é básico, não estamos comprometidos nem com o básico do saneamento.

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  • Meio Ambiente em pauta

    É preciso criar possibilidades para o envolvimento e motivação dos alunos com as questões do meio ambiente

    Postado dia 24 de fevereiro de 2016 às 00h em Educação e Cidadania

    ambiente

    Foto: Divulgação/Internet

    De acordo com os canais formais de definições dos vocábulos do bom e velho português, ‘educação’ engloba os processos de ensinar e aprender. Verbos estes intimamente ligados ao processo educacional ligado às escolas, sejam públicas ou privadas. Considerando a urgência da abordagem da temática ambiental e da sustentabilidade (termo este já banalizado) de forma mais direcionada, é preciso avaliar a inclusão do tema no meio escolar de maneira que possa ser desenvolvida com uma prática educativa integrada, permanente e contínua.

    A educação ambiental tornou-se lei em 27 de abril de 1999, pela Lei N° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, onde em seu Art. 2° afirma: “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Partindo da definição acima sobre EA, temos como dever estruturar de maneira racional, sólida e perenal as discussões ambientais no âmbito escolar, posto que a EA “não deve ser implantada como uma disciplina no currículo de ensino” devendo estar presente de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.

    Os assuntos ambientais não só tomaram um grande espaço e importância na sociedade, como tornou-se pasta ministerial em 1992, bem como hoje é pauta como saúde, economia e educação, em conversas do botequim de sexta ao Roda Viva das segundas-feiras. Nesse contexto a escola figura com suas discussões sobre EA, com um processo de reconhecimento de valores, em que as práticas pedagógicas também se responsabilizam pela formação dos cidadãos conscientes de suas responsabilidades e seu papel no mundo.

    Obviamente que como qualquer ação sugerida para o setor educacional no Brasil, existem algumas barreiras, mediante o cenário defasado principalmente da infraestrutura das escolas e dos materiais disponíveis. Dando um passo ainda atrás, esbarramos também na ausência de capacitação do tema para os professores, embora seja consenso geral entre os mesmos a importância do tema na sala de aula. Os materiais não possuem conteúdos relacionados a temática ambiental, dificultando o trabalho de inclusão do assunto. Desta forma os problemas são tratados como algo tangível, porém não internalizado. A transmissão para os alunos acaba sendo sempre em oficinas pontuais, palestras esporádicas, campanhas não regulares, sem continuidade e fragmentada.

    É preciso criar possibilidades para o envolvimento e motivação dos alunos com às questões ambientais. O assunto é recorrente e extremamente importante. Deve-se inter-relacionar com as disciplinas básicas e seu cotidiano, fomentando as mudanças de comportamento e o seu entendimento do assunto. Os educadores possuírem condições mínimas de instrução e infraestrutura para incentivarem o debate e auxiliarem na construção de consciências críticas. Isso tudo tendo a escola como ponto focal, por possuir o privilégio de ser uma instituição que através da EA induz o aluno a se espelhar em valores que conduzam a vida em sociedade em perfeita sinergia e harmonia com o meio ambiente.

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  • Aterros sanitários: um bem necessário

    Os aterros sanitários ainda são e devem permanecer sendo a destinação mais adequada e financeiramente viável para o resíduo domiciliar das cidades brasileiras por um bom tempo

    Postado dia 25 de janeiro de 2016 às 00h em Educação e Cidadania

    Foto: Divulgação/Internet

    Não precisa ser da área ambiental para já ter reparado na quantidade de lixo gerada nos dias de hoje. Seja em casa, no apartamento, no trabalho, no parque e por aí vai… A geração é alta e não para! Em meados de março do ano passado, a greve dos coletores de lixo deixou isso bem claro quando em apenas alguns dias sem realizar a coleta, bairros de São Caetano do Sul, por exemplo, ficaram literalmente intransitáveis, devido aos incontáveis sacos e sacolas que tomavam os passeios, calçadas e até mesmo parte das ruas.

    Sem entrar muito no tocante à coleta e transporte de resíduos (conversaremos numa próxima!) essa montanha criada por nós deve (ou deveria) ter um destino adequado. Hoje no Brasil menos de 40% dos municípios possuem o compromisso com a destinação adequada dos seus resíduos. Em 2010 foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) o qual determinou a extinção dos lixões em um prazo máximo de quatro anos, além de defender o reuso de potenciais materiais, a implantação de reciclagem, compostagem e coleta seletiva. Infelizmente em 2014 uma parcela muito pequena das comarcas deste país se enquadrou na regularização e para não sofrerem as penalidades previamente estabelecidas, o Senado aprovou a prorrogação do prazo para 2019, podendo chegar a 2021 no caso de municípios pequenos. Dessa forma, temos mais uns belos anos pra despejar toneladas e toneladas de lixo em grandes terrenos sem qualquer tipo de proteção ambiental, acarretando inclusive em problemas de saúde pública. Um país com estrutura para sediar uma Copa do Mundo e em seguida as Olimpíadas ainda engatinha nos assuntos ambientais.

    Países europeus com elevados índices de IDH, economia estável e investimentos racionais, combinam hoje o “zero aterro com altos valores de reciclagem”. A União Europeia destina algo em torno de 38% dos resíduos gerados a aterros sanitários. Não muito diferente do Brasil, como apresentado no início deste texto. Porém os 60% restantes aqui vão para os lixões a céu aberto, enquanto na UE são destinados a reciclagem, incineradores e compostagem. Lixão deixou de ser realidade no Velho Mundo, talvez quando Dom Pedro ainda estivesse por lá!

    Essa imensa diferença é gerada por uma infinidade de fatores e variáveis. Uma das grandes responsáveis é a educação. Para tecnologias como reciclagem e compostagem atingirem totalmente o êxito, a segregação deve-se iniciar desde a geração doméstica. E isso hoje é fato um imenso problema dos lares brasileiros. A dificuldade de engajamento da maioria sepulta sem dar chances de abrir os olhos projetos de grande escala como, por exemplo, reciclagem na cidade de São Paulo.

    Os aterros sanitários ainda são e devem permanecer sendo a destinação mais adequada e financeiramente viável para o resíduo domiciliar das cidades brasileiras. Antes de dar um passo maior que a perna e se fantasiar com tecnologias modernas, limpas e caras, utilizadas em países como a Alemanha, devemos primeiro fazer a lição de casa. Os aterros ainda existirão e servirão por muito tempo! Mesmo após um futuro otimista, com reciclagem, compostagem e incineradores implantados em grandes centros urbanos, teremos o rejeito (parcela do resíduo onde todas as possibilidades de reaproveitamento já foram esgotadas) ainda sendo gerado. Obviamente que no âmbito acadêmico e com incentivos da indústria, alternativas devem a todo vapor serem avaliadas, testadas, patrocinadas. Mas o lixo não para! E enquanto avaliamos a possibilidade do estado da arte se concretizar, precisamos de uma solução não impactante agora! Assim esperamos que as prefeituras utilizem desta segunda chance e busquem empresas e consultorias especializadas para se enquadrarem no que podemos chamar de “cenário mínimo necessário” de regularização ambiental, pois os aterros sanitários ainda serão por um bom tempo um bem necessário.

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  • Planejar é não faltar

    Precisamos mudar o lado do disco e despender esforços antes do início de qualquer projeto e não virarmos bombeiros após a explosão deles!

    Postado dia 5 de janeiro de 2016 às 00h em Educação e Cidadania

    cantareira

    Criado em meados de 1970 em resposta ao rápido crescimento populacional de São Paulo, o Sistema Cantareira previa assistir a uma população na época de aproximadamente seis milhões de habitantes. Quem esperava que este mesmo conjunto de represas, sem modernização ao longo de 45 anos, precisaria atender a exatamente o dobro de pessoas no ano 2015?

    A maior crise hídrica da história do Estado não surgiu do dia para a noite. Não surgiu devido à falta de chuvas (condição ambiental esta cada vez mais sujeita nos tempos modernos), não surgiu devido aos banhos demorados, as brincadeiras de criança com mangueira nas ruas, ao luxo de lavar o carro semanalmente, aos astronômicos volumes utilizados no setor industrial e arrisco a dizer nem ao excesso de desperdício da rede sucateada de distribuição da RMSP, estimada pela própria SABESP algo em torno 25% de perdas hoje. O que vemos foi a falta de planejamento ao longo de todas as gestões (sem exceção!) que por aqui passaram, problema este visto não só no setor de meio ambiente, mas enraizado na gestão pública nacional, no tocante a qualquer quesito, seja saúde, transportes, economia…

    Vimos então uma forte mobilização para mapear as áreas de risco, pontos considerados prioritários como hospitais, maternidades e presídios. Planos de contingência sendo elaborados. Milhares de boas práticas para famílias e pequenas empresas reduzirem seus consumos. Criação de bônus. Utilização do volume morto (altamente discutido no âmbito da saúde). Entre outras mil ações a fim de minimizar o impacto no sistema que se encontrava respirando com a ajuda de aparelhos. Enfim, todas merecendo seus méritos e colaborando para a manutenção mesmo que sofrida, do sistema em condições de uso. Porém será possível mensurar até quando seriam ou serão suficientes estas ações?? Entrará em colapso o já morto sistema Cantareira??

    A engenharia está aí para isso! Façamos uso das tecnologias que sim, possuímos disponíveis, para modernizar primeiramente o abastecimento da RMSP, bem como manter em paralelo estudo de viabilidade de utilização de outras vias para o consumo.  Não precisamos transpor nossas fronteiras para ver bons exemplos. Em meio ao caos e reduções drásticas diárias do volume disponível do Cantareira, a cidade de Jundiaí possuía aumentos diários em seu sistema, atingindo em plena estiagem dos meses de setembro e outubro, níveis acima do 90% da capacidade.

    A palavra então é PLANEJAMENTO! Precisamos mudar o lado do disco e despender esforços antes do início de qualquer projeto e não virarmos bombeiros após a explosão deles!

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