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Paulo Skaf

Profissão: Presidente do Sebrae

Cidade: São Paulo

Empreendedor nato, conhece as belezas e agruras de ser empresário no país. Aos 17 anos, se tornou sócio da tecelagem do pai, quando iniciou sua carreira no mundo corporativo. Desde esse momento, começa a participar de entidades empresariais, como a CNI, o Sinditêxtil, a Abit e o Sebrae-SP. E em 2000, decide intensificar sua participação nas principais entidades empresariais brasileiras a fim de garantir condições de igualdade de competição para o setor produtivo nacional.

  • Negócios remodelados

    É assim, seguindo exemplos como de José Silva e milhões de outros empreendedores, que o Brasil vai ser remodelado. E para melhor.

    Postado dia 11 de maio de 2017 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    “José Silva, dono de uma oficina mecânica na capital paulista, está comemorando. Faturou em janeiro 14% a mais que um ano atrás. Foi o segundo mês seguido de aumento da receita. Contas fechando no azul, José está mais otimista, acreditando que nos próximos seis meses a economia vai continuar melhorando e sua empresa também. Algo que ele nem pensava em janeiro do ano passado, mês em que teve um dos maiores rombos do caixa, desde 2000, ano que iniciou sua empresa.

    Se este quadro realmente se confirmar, o empresário pensa até em investir em 2017 para modernizar o negócio e ampliar a capacidade de atendimento. Afinal, conquistar mais clientes e cativar os que já fazem parte de sua cartela é o horizonte a médio prazo desta oficina”

    A história do José representa, na média, o que aconteceu com os 3 milhões de donos de pequenos negócios paulistas em janeiro deste ano, quando faturaram R$ 45 bilhões, quase R$ 2 bilhões a mais que um ano atrás. Dois meses consecutivos de caixa no azul já permitem respirar melhor e fazer planos, caso a tendência de melhora do desempenho se confirme.

    É o que aponta a mais recente pesquisa do Sebrae-SP realizada com donos de micro e pequenas empresas: 21% afirmaram que pretendem investir em 2017 na modernização do negócio, ampliação da capacidade produtiva, capacitação dos funcionários e no marketing.

    Alguns podem pensar que essa turma é otimista demais, está colocando os carros na frente dos bois. Prefiro defini-los como arrojados e conectados com as tendências mais inovadoras do mundo empresarial.

    Com os pés no chão, correndo riscos calculados, sabem que é hora de buscar alternativas e oportunidades; é hora de redefinir os negócios. Afinal quem conseguiu atravessar uma temporada de 23 meses no vermelho, com todo engessamento burocrático e tributário, e chegou até aqui minimamente saudável, tem conhecimento, experiência e determinação suficiente para inovar e trilhar esse caminho sem volta.

    Os especialistas dão algumas dicas do caminho a seguir: não pense no produto, mas no que o cliente quer; use a tecnologia para resolver seus problemas de gestão, produção e seu olhar e experiência para definir novas estratégias e encantar os clientes.

    Mas sabemos que nem tudo depende única e exclusivamente do empresário; para gerar resultados realmente positivos, o ambiente para empreender também precisa ser saudável.

    Por isso, estão em curso dois grandes movimentos para aplainar as montanhas formadas pelos excessos de burocracia e tributação.

    A partir do próximo 5 de maio vai entrar em atividade na capital paulista o Empreenda fácil, programa que vai viabilizar a abertura de uma empresa em até sete dias, num primeiro momento, em cinco dias na segunda etapa e em dois dias na fase final. Hoje são 101 dias para concluir o processo, que joga para a informalidade centenas de milhares de empreendedores. O Sebrae é parceiro da prefeitura de São Paulo nesta iniciativa.

    E proposta de reforma tributária que transita no Congresso Nacional tem nosso apoio, aproveitando a expertise adquirida na elaboração do Simples Nacional. E vamos além, investindo R$ 200 milhões na criação de dez sistemas que vão diminuir a complexidade e o tempo gasto no cumprimento das obrigações tributárias, fatores que não estimulam o crescimento e conspiram contra a vitalidade de nossa economia.

    É assim, seguindo exemplos como de José Silva e milhões de outros empreendedores, que o Brasil vai ser remodelado. E para melhor.

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  • Terceirizar, verbo transitivo direto

    Mudar modelos e padrões estabelecidos, também conhecidos como paradigmas, é um processo que comumente gera discussões acaloradas que, em grande parte do tempo, não levam muito longe.

    Postado dia 4 de maio de 2017 às 09h em Empreendedorismo e Gestão

    Foto: Reprodução/Internet

    Foto: Reprodução/Internet

    Mudar modelos e padrões estabelecidos, também conhecidos como paradigmas, é um processo que comumente gera discussões acaloradas que, em grande parte do tempo, não levam muito longe.

    O que poucos param para refletir é que o ser humano, e as relações estabelecidas por ele, está em constante transformação. Em época de conexões digitais e globais, a uma velocidade incrível. Quem não se adapta não sobrevive.

    A questão da regulamentação da terceirização é a bola da vez: os críticos dizem que assim que entrar em vigor vai gerar um tsunami, arrastando empregos, dilapidando renda e trazendo de volta o tempo da escravidão. Os defensores mostram, por A+B, que a legislação que hoje regula as relações de trabalho está ultrapassada e já não atende mais às necessidades deste novo mundo.

    Tirando os interesses individuais, o que vale mesmo são os fatos: atualmente existem 12 milhões de brasileiros que já trabalham de forma terceirizada e sem amparo legal; milhões de empresas contratam algum tipo de serviço terceirizado – na indústria quase 90% dos empresários utilizam ou utilizaram esse instrumento – e o fazem sem o mínimo de segurança jurídica. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostrou que 53% deixaram de utilizar a terceirização por insegurança jurídica e 38% por conta das ações trabalhistas de empregados terceirizados.

    A regulamentação, que começou a ser delineada com recente aprovação na Câmara dos Deputados, vai além desse aspecto, por incluir a possibilidade de terceirizar a atividade fim, como já ocorre em diversas nações desenvolvias. Representa um grande potencial de geração de negócios para micro, pequenas e médias empresas.

    Foto: Reprodução/Internet

    Foto: Reprodução/Internet

    Isso não é apenas impressão; é fato apurado em estudos. O do Sebrae, realizado junto a quase 7 mil microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas de todo País, descortina dois cenários que ajudam a entender melhor a realidade: 52% destes empreendimentos com empregados não têm interesse em terceirizar parte de suas atividades-fim. Ou seja, não haverá uma avalanche de demissões neste segmento.

    Ao mesmo tempo, 41% acreditam que a aprovação da terceirização das atividades – meio e fim – deverá abrir novos mercados para seu negócio junto às médias e grandes empresas. E os mais variados tipos de negócios, de reparação de veículos e comércio de autopeças a hotelaria, bares, restaurantes a transportes, obras e reparos, comércio de vestuário e acessórios.

    Dessa forma, não haverá precarização de trabalho, mas sim a abertura de novos nichos que permitem a participação como prestador de serviços especializados em cadeias produtivas que antes estavam de portas lacradas. Mais trabalho, maior a chance desses empreendimentos de gerar novos e melhores empregos, com renda, segurança e competitividade.

    Estima-se que 700 mil novas vagas de trabalho sejam geradas no estado de São Paulo e 3 milhões no Brasil. Considerando que mais de 12 milhões de brasileiros perderam seus empregos, a regulamentação traz a possibilidade de irrigar o mercado interno.

    Essa é mais uma vitória na direção do Brasil que queremos: moderno, competitivo e com ambiente de trabalho seguro. Um Brasil direto.

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  • O dever de casa para crescer

    Entrou na pauta dos legisladores a reforma para desburocratizar e simplificar o sistema tributário, um dos pontos chaves para melhorar a competitividade dos negócios

    Postado dia 12 de abril de 2017 às 10h em SEBRAE

     

     

    crescer

    Foto: Reprodução

    O Brasil é o 123º país mais árido para se empreender, atrás do México (47º), da Colômbia (53º) e do Chile (57º), entre outros. É o que nos mostra o Banco Mundial, por meio do estudo Doing Business, realizado anualmente e que monitora o ambiente para se fazer negócios em 190 países.

    Mais que mostrar que estamos entre os últimos da classe, os indicadores apontam o dedo para uma condição realmente preocupante: o excesso de burocracia, tributos e regulação está minando o grande potencial empreendedor dos brasileiros. Afinal, como manter o caixa no azul e, ao mesmo tempo elevar a produtividade, gerar empregos e divisas, fórmula básica para retomada do crescimento?

    Esse foi nosso retrato em 2016. Ao que tudo indica, a foto deste ano será bem melhor. Avançamos consideravelmente em temas importantes como a aprovação da PEC dos gastos públicos, a apresentação das propostas de reformas previdenciária e trabalhista, o controle da inflação, entre outras medidas..

    Mais recentemente entrou na pauta dos legisladores federais a reforma para desburocratizar e simplificar o sistema tributário, um dos pontos chaves quando se trata de melhorar a competitividade dos negócios, gerar empregos e concorrer em nível de igualdade com nossos pares estrangeiros.

    O Brasil tem um dos mais intricados e onerosos sistemas de impostos do mundo que consome, segundo projeção do próprio governo federal, cerca de 2,6 mil horas/ano com a burocracia tributária. São mais de três meses consumidos com preparação da papelada e pagamento dos tributos. E que arrecadou no ano passado mais de R$ 2 trilhões. Tempo e dinheiro que poderiam ser utilizados para investir na inovação de processos produtivos, na promoção dos produtos e serviços, na busca de novos mercados.

    O Sebrae é um dos parceiros da Câmara dos Deputados neste projeto, pesando para esta escolha nossa experiência com a elaboração e o aprimoramento do sistema que garantiu a simplificação e desoneração em quase 40% de impostos para os pequenos negócios, o Simples Nacional.

    Atualmente quase 10 milhões de pequenos negócios são optantes do sistema especial de tributação, que juntos contribuíram com mais de R$ 70 bilhões para os cofres públicos em 2016.

    Além disso, o Sebrae vai investir recursos próprios no desenvolvimento e melhoria de sistemas eletrônicos que irão facilitar a vida do contribuinte, em parceria com a Receita Federal. A ideia é que um sistema mais enxuto e prático consuma apenas 24 dias/ano do empresário com o pagamento de impostos e taxas.

    Também estamos atuando em outro foco: a diminuição do tempo para abertura de empresas. Recentemente assinamos, em conjunto com governos federal, estadual, Sebrae Nacional e prefeitura de São Paulo, um acordo para promover e apoiar a implementação do programa Empreenda Fácil, que vai reduzir de 101 para sete dias o prazo para registro de empresa na cidade de São Paulo. Em uma segunda fase, o período será de dois dias para aquelas empresas consideradas de baixo risco – atualmente 90% do total. Vamos ainda levar orientação e capacitação para que esses empreendimentos comecem não só da forma fácil, mas também do jeito certo, com muito mais chances de competir no mercado.

    Outro anúncio recente sinaliza fortemente que os elementos necessários para instalação do ciclo virtuoso do crescimento estão se consolidando. O presidente do Banco do Brasil garantiu que a instituição será um dos principais agentes catalisadores do desenvolvimento do setor produtivo, investindo na indústria, no agronegócio e nas pequenas empresas. Para este último público, revelou que o banco vai entrar em contato de imediato 300 mil micro e pequenas empresas para oferecimento de crédito pré-aprovado para giro e investimento.

    É, parece que desta vez vamos colocar o Brasil nos trilhos e, rapidamente, avançar em muitos pontos no ranking mundial da competitividade.

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  • Otimismo na medida

    É preciso que o ambiente para empreender esteja mais amigável

    Postado dia 3 de março de 2017 às 08h em SEBRAE

    otimismo

    Foto: Reprodução

    Há quase um ano, quando afirmei pela primeira vez que a confiança estava voltando a tomar conta do Brasil, muitos acreditavam que era excesso de otimismo. Na verdade, era uma crença, na medida certa, na competência e na garra dos brasileiros que constroem esta Nação.

    E os dados que Sebrae-SP divulga nesta semana demonstram que a leitura estava certa. Após amargar quase dois anos de caixa no vermelho, os pequenos empresários paulistas mantiveram a expectativa positiva quanto à economia e à sua atividade ao longo de todo 2016. Mais que esperar, trabalharam para não encerrar as portas e, com elas, o sonho de construir um negócio de sucesso.

    Em dezembro veio a resposta: expansão de 7,6% no faturamento real sobre dezembro de 2015, interrompendo uma série de 23 meses de quedas na receita. Foi a maior taxa registrada num mês de dezembro desde 2010. Na comparação com novembro, o aumento foi maior: 10,3%. Com isso, em 2016, a receita total dos pequenos negócios foi de quase R$ 600 bilhões.

    A injeção de recursos – pequenos negócios totalizaram quase R$ 600 bilhões em 2016 – teve reflexo imediato nas expectativas dos empresários: 40% acreditam que a economia vai continuar evoluindo bem nos próximos seis meses (em janeiro de 2015, apenas 18% acreditavam nisto) e 35% esperam aumento da receita, contra 22% que apostavam nisto em janeiro de 2015. Este é o nono mês consecutivo de otimismo na base do setor produtivo.

    Foto: Feira do empreendedor realizada pelo SEBRAE

    Foto: Feira do empreendedor realizada pelo SEBRAE

    Para que este momento se replique por muitos outros meses e o lucro comece a aparecer, é a hora de preparar-se mais e melhor. Nesta semana, os empresários e futuros empreendedores terão a oportunidade de vivenciar as melhores práticas de gestão e conhecer ótimas oportunidades de negócios durante a Feira do Empreendedor 2017 do Sebrae-SP, que acontece de 18 a 21 de fevereiro.

    O maior evento de empreendedorismo do Brasil cresceu: são 40 mil metros quadrados de área, 440 expositores, centenas de palestras e oficinas, 150 mesas de orientação e consultoria. Além da possibilidade de conhecer as tendências em inovação, comércio internacional, financiamento.  Tudo gratuito e focado nas necessidades dos pequenos negócios e futuros empreendedores.

    Após o término da feira, todo este conteúdo está acessível na rede de atendimento do Sebrae-SP, seja de forma presencial, em mais de 120 pontos de atendimento, ou virtual, via 0800, portal, chats, ensino a distância, mídias sociais.

    Sabemos que para realizar bem o projeto do negócio próprio não basta confiar e ter competência técnica e gerencial. É preciso que o ambiente para empreender esteja mais amigável.

    Já foram dados passos importantes, como a redução dos gastos públicos, o encaminhamento das reformas previdenciária e trabalhista, a atualização do Simples. Porém, é preciso mais para reverter o quadro lastimável apontado no relatório do Banco Mundial, Doing Business 2016, que coloca o Brasil no 123º lugar (de 190 posições) do ranking. Nossas piores notas foram para o item pagamento de impostos (181º lugar) e burocracia (175º lugar).

    Em 2017, vou trabalhar, na medida, para que os pequenos negócios fechem as contas no azul e que o Brasil dê sinal verde para os empreendedores que produzem e empregam. Essa é nossa crença.

     

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  • Por leis trabalhistas mais modernas

    O país ainda é regido por regras da década de 1940 nessa área. Precisamos tirar o gesso dessa legislação e trazê-la para os dias de hoje

    Postado dia 30 de janeiro de 2017 às 08h em SEBRAE

    leis

    Foto: Reprodução

    Acabamos de entrar em 2017 e, como é de praxe, todo início de ano chega cercado de planos, desejos e promessas, tanto no campo pessoal quanto no profissional. Queremos melhorias, realizações e alegrias. No que se refere ao Brasil, esperamos por mudanças, principalmente na economia, para podermos ter uma perspectiva mais positiva e vislumbrarmos dias de tranquilidade.

    Sem dúvida, um dos maiores anseios de muitos brasileiros para 2017 é conseguir trabalho. Atualmente, há 12 milhões de desempregados no país. Isso significa falta de dinheiro para o cidadão arcar com suas necessidades e famílias sofrendo privações de todo tipo, entre outras consequências.

    Para transformar esse cenário, temos de deixar para trás o que não serve. Por isso, defendo a modernização da legislação trabalhista como elaborada pelo governo federal.

    O país ainda é regido por regras da década de 1940 nessa área. De lá para cá, a realidade se alterou e a sociedade tem uma dinâmica diferente. Precisamos tirar o gesso dessa legislação e trazê-la para os dias de hoje.

    A reforma das leis trabalhistas é uma necessidade. Temos de facilitar a contratação de mão-de-obra, principalmente por parte dos pequenos negócios, um setor que será fundamental para a retomada da oferta de empregos e geração de renda.

    Além disso, isso representa respeito pelas pessoas ao permitir que elas atendam às suas necessidades e seus interesses. É valorizar o indivíduo, pois ninguém melhor do que ele para saber o que lhe é conveniente. Como negar que pessoas, famílias e empresas sabem o que é melhor para elas?

    Com a reforma haverá, sim, flexibilidade. Negociações coletivas entre representantes dos funcionários e patrões vão prevalecer sobre a legislação. Assim, por meio de acordos entre as partes, os envolvidos ajustam seus interesses, chegando a um meio termo satisfatório para todos. É como diz aquela máxima: “combinado não sai caro”. O caso dos Microempreendedores Individuais (MEIs) da área de beleza e estética, que hoje podem ser profissionais parceiros de salões, são um grande exemplo disso.

    As críticas que circulam sobre as alterações nas regras são infundadas. Não haverá perda de direitos dos trabalhadores. Pela proposta, os 30 dias de férias estão mantidos, mas poderão ser divididos em três vezes conforme o caso. O adicional das férias permanece. A jornada de trabalho de 220 horas mensais não muda.

    Em um momento em que faltam empregos, deixar intacta uma legislação que não agiliza a criação de postos de trabalho é incoerente.

    Estamos do início da modernização das regras, mas, como tudo na vida, sem o primeiro passo nada vai adiante. Acredito que o Congresso terá a sensibilidade para aprovar as medidas. Temos de fazer a mudança se quisermos que o nosso país avance.

    Paulo Skaf

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  • Para começar bem

    O momento é propício para empreender, e vai sair na frente aquele empresário que se preparar

    Postado dia 12 de janeiro de 2017 às 08h em SEBRAE

    bem

    Foto: Reprodução

    Janeiro é a época do ano para colocar a casa em ordem. Com as baterias recarregadas, é hora de organizar as finanças, cortar o que não é essencial e planejar os próximos passos no ano que se inicia. Para muitos brasileiros, esse é também o momento de colocar em prática o sonho do negócio próprio, transformando uma ideia ou uma habilidade em uma fonte de renda. E, apesar do ano difícil que deixamos para trás, o momento é propício para empreender, e vai sair na frente aquele empresário que se preparar.

    Confio na percepção geral entre os donos de pequenos negócios que 2017 será um ano mais promissor. De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo Sebrae, para quase 63% dos empresários desse porte as vendas no ano que se inicia serão melhores do que foram em 2016. Aliada a essa expectativa de melhora, 82% dos empreendedores acreditam que a retomada da economia se dará no ano que vem. Ou seja, está se desenhando um cenário de otimismo logo à frente que deve ser aproveitado. Ao mesmo tempo, para que esse caminho seja menos tortuoso, os altos custos de juros e taxas precisam ser combatidos. Essa é uma das principais queixas dos empresários a respeito das dificuldades para gerir um negócio.

    Para que os empreendedores sejam protagonistas nessa retomada da economia, no entanto, alguns pontos de atenção precisam ser levados em conta. Hoje, a quantidade de empreendedores por necessidade, isto é, aqueles que veem na abertura de um negócio a única chance de obter renda, já supera a de empreendedores por oportunidade, que são aqueles que tiveram a ideia de um negócio e enxergaram um espaço no mercado para tirá-la do papel. Essa mudança de perfil se deve em grande parte ao aumento do número de desempregados nos últimos anos, que diante da dificuldade de uma recolocação encontraram uma esperança no empreendedorismo.

    O problema é que o empreendedorismo por necessidade é uma maneira arriscada de começar um negócio próprio. Como o empresário está com pressa em obter um retorno em curto prazo, muitas etapas do planejamento deixam de ser cumpridas. Os resultados são conhecidos: investimento que não dá retorno, gastos desnecessários, falta de clientes, descontrole de contas e o inevitável fechamentos das portas. O Sebrae identificou que uma em cada três empresas abertas em 2014 encerrariam suas atividades até o final do ano passado.

    Isso nos causa preocupação e estamos prontos para orientar esses empreendedores em potencial. O primeiro passo é identificar uma oportunidade real no mercado e, a partir daí, com orientação e acompanhamento dos nossos consultores, traçar um plano de negócios. Uma porta de entrada é a Feira do Empreendedor 2017, que acontece entre os dias 18 e 21 de fevereiro no Anhembi, em São Paulo. Faça uma visita, só depende de você fazer seu negócio dar certo.

     

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  • O Braisl de 2016

    Não há alternativa saudável que não passe pelas reformas estruturantes

    Postado dia 19 de dezembro de 2016 às 08h em SEBRAE

    brasil2016

    Que 2016 foi um ano difícil, isso ninguém discute. Mas afirmar que foi perdido já não concordo. Como posso dizer que foi arruinado um ano em que a confiança voltou a fazer parte do dia a dia dos brasileiros e os pequenos negócios paulistas, mesmo com queda acumulada de receita, conseguiram girar cerca de R$ 500 bilhões, mantendo 7,3 milhões de pessoas ocupadas? Com todos os problemas, não foi também perdido um ano em que 51% das lojas online tiveram lucro ou uma promoção do comércio movimentou cerca de R$ 2 bilhões num único final de semana.

    Saindo do campo das estatísticas e passando para a observação dos acontecimentos cotidianos, nem sempre retratados com destaque, temos razões para não ceder ao pessimismo total ao conhecer os projetos apresentados por alunos de ensino profissionalizante durante a Olimpíada do Conhecimento deste ano. Esse é o nosso sentimento ao vermos a casa container, o carro não poluente e compartilhável – nos moldes do sistema de bicicletas de aluguel -, o aplicativo que permite o reaproveitamento de resíduos eletrônicos. Ou o ânimo dos formandos do ensino médio da Escola de Negócios Sebrae-SP que ganharam mais que um diploma: receberam um diploma para empreender com qualidade e competitividade. Desta turma saiu uma empresa virtual de comércio de eletrônicos, o aplicativo SOS Fácil, direcionado para segurança e saúda da terceira idade, projeto vencedor do desafio de uma gigante da internet e do aplicativo para mobile Mariazinha, para denúncia de violência doméstica. Ideias premiadas, inovadoras, provedoras de soluções para a sociedade e prontas para conquistar o mercado.

    A realidade brasileira contém tudo isso, e certamente outras boas histórias, num ano em que também convivemos com um dos maiores níveis de desemprego das últimas décadas, com uma taxa de juros que impede o crescimento e a competitividade de nossos produtos e serviços e uma inflação resistentemente alta. Sem dúvida, ainda estamos em crise.

    Tal cenário, à primeira vista paradoxal, multiplica nossa responsabilidade e nos anima a continuar lutando pelo fortalecimento do setor produtivo e do livre empreender. E não há alternativa saudável que não passe pelas reformas estruturantes.  Primeiro limitando o crescimento de gastos do governo, depois reestruturando a previdência e, em seguida, dando fôlego para mudanças que flexibilizem a lei trabalhista – de 1943 – permitindo que os acordos entre trabalhadores e empregadores se sobreponham às amarras da legislação.

    As conquistas importantes demonstram que a postura firme na defesa do setor produtivo é fundamental e, por isso, continuará fazendo parte de nosso dia a dia. Avançamos bastante, mostrando que o Brasil tem jeito, mas ainda há muito por fazer para transformar nosso país numa economia realmente sustentável e numa nação desenvolvida.

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  • Sobre medidas doces

    Nossos representantes precisam se espelhar nos milhões de empreendedores que, mesmo acumulando perda de faturamento há quase dois anos, continuam acreditando

    Postado dia 2 de dezembro de 2016 às 08h em SEBRAE

    doces

    Foto: Reprodução

    Em recente discurso para senadores, o presidente da República Michel Temer reiterou que a recessão econômica que vivemos é ‘extremamente preocupante’, e que para tirar o país deste quadro não se pode ter a ilusão de que ‘medidas simplesmente doces’ vão resolver.

    São, de fato, necessárias medidas amargas, às vezes muito amargas, para combater os déficits anormais das contas públicas que herdamos dos governos passados: R$ 170 bilhões neste ano e a previsão de R$ 139 bilhões para 2017. 

    Ele se referia à importância da aprovação da PEC 241 – hoje PEC-55 no Senado Federal –, que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação, e da reforma da Previdência.

    Essas medidas são prioritárias e fundamentais para recuperar nossa economia e recolocá-la nos trilhos do crescimento. A redução e o controle de gastos do governo são imprescindíveis para o retorno da confiança e, com ela, o retorno dos investimentos.

    Mas é preciso olhar para o futuro e ir além. Se o déficit das contas do governo é gigante, gigantes também são os rombos deixados no setor privado pela crise nos últimos anos.

    Vamos ficar apenas no exemplo dos pequenos negócios, colchão social de nossa economia, responsável por mais de 52% da mão de obra ocupada com carteira assinada e 29% do Produto Interno Bruto (PIB). Em setembro, esses empreendimentos chegaram a 21 meses de faturamento no vermelho, acumulando somente nos primeiros nove meses deste ano perdas de R$ 68,3 bilhões, na comparação com a receita obtida no mesmo período de 2015.

    Nestes quase dois anos de enfrentamento da crise, esses empreendedores fizeram ajustes na produção, negociaram com fornecedores e melhoraram gestão, a fim de sobreviver e segurar os empregos. Agora, começam a demitir, pois não têm mais onde cortar. Medidas amargas.

    Mas, nem por isso, o desalento tomou conta desses batalhadores. Pelo sexto mês consecutivo, as expectativas dos pequenos empresários e microempreendedores individuais com relação à atividade econômica e ao faturamento de suas empresas só faz aumentar: mais de 40% acreditam que, até o final do primeiro semestre de 2017, a situação vai melhorar. Reflexo claro de que apostam no sucesso das medidas não tão doces assim que governo está tomando. E esperam mais.

    As medidas que estão aí anunciadas e prestes a ser votadas são essenciais, mas outras precisam entrar na pauta de nossos governantes, deputados e senadores, a fim de garantir ao setor privado plenas condições para que produzam, gerem postos de trabalho e renda. Não é fácil vencer esse desafio quando convivemos com uma das maiores cargas tributárias do mundo, cerca de 33% do PIB, que em valores monetários está em mais de R$ 2 trilhões. Fica mais difícil ainda pela fato de estarmos num país que tem uma das mais altas taxas de juros do planeta. Isso sem falar dos excessos da burocracia, que nos fazem desperdiçar 2,6 mil horas/ano somente para pagar impostos e taxas.

    É preciso atacar esses problemas com disposição e coragem, que não faltam aos pequenos empreendedores desse país. Nossos representantes, em todas as esferas de governo, precisam se espelhar nesses milhões de empreendedores que, mesmo acumulando perda de faturamento há quase dois anos, não tiveram receio de adotar as medidas amargas necessárias, fizeram os ajustes necessários e continuam acreditando no restabelecimento do ciclo virtuoso do crescimento para o Brasil.

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  • Confiança em forma de resultados

    A aprovação da PEC que limita a evolução dos gastos primários da União vai permitir redução da dívida pública e, por consequência, a redução dos juros

    Postado dia 20 de outubro de 2016 às 10h em SEBRAE

    confiança

    Foto: Reprodução

    No Brasil, os pequenos negócios correspondem a quase 95% das empresas e são responsáveis por 27% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, cerca de R$ 1,6 trilhão, e 52% dos empregos gerados.

    Estes indicadores são importantes, assim como as milhares de histórias que acumulamos ao longo de 44 anos de trabalho junto às micro e pequenas empresas e àqueles que sonham em tornar realidade o sonho de ter seu próprio empreendimento.

    Histórias como as que encontramos na 4ª Semana do Empreendedor, realizada de 3 a 8 de outubro, com a realização de quase 25 mil atendimentos. A do futuro empreendedor com deficiência auditiva, cujo sonho é montar uma lanchonete que tenha como diferencial o atendimento a surdos, e a dona de uma fábrica de alimentos para quem tem restrições alimentares e que está buscando novos mercados, são exemplares.

    Ambas demonstram a confiança que os empreendedores brasileiros voltaram a ter no futuro do Brasil, mesmo em meio à crise que ainda impacta em suas receitas. Recente pesquisa Indicadores Sebrae-SP mostra que 38% dos pequenos empresários paulistas acreditam na melhora da atividade econômica brasileira nos próximos seis meses e 34% acreditam que o faturamento de seus negócios vai acompanhar esta tendência. Entre os microempreendedores individuais, as expetativas positivas são ainda maiores: 47% apostam na melhora da economia e 54% acreditam no aumento do faturamento. É o quinto mês consecutivo que se registra o aumento de otimismo desta parcela significativa do setor produtivo.

    É certo que confiança é sempre um ato de esperança, lastreado em projeções futuras; entretanto, se olharmos para as conquistas obtidas em outubro, pode-se afirmar que os empresários estão com a razão.

    Algumas delas defendi pessoalmente, como a proposta de emenda à Constituição (PEC) do Teto dos Gastos, por entender que gastar no limite do que se arrecada é a principal medida para restabelecer o crescimento da economia – e não a via fácil do aumento de impostos. A aprovação na Câmara Federal, em primeiro turno, da PEC que limita a evolução dos gastos primários da União à variação da inflação do ano anterior, pelos próximos 20 anos, vai permitir redução da dívida pública e, por consequência, a redução dos juros. Se tivesse acontecido há dez anos, estaríamos vivendo em outro Brasil, com uma dívida pública de R$ 700 bilhões, e não de R$ 4 trilhões e taxa Selic que poderia ser 3%. Com isso, o país estaria economizando R$ 500 bilhões por ano em pagamento de juros.

    Outra medida essencial à saúde dos pequenos negócios, pela qual também me empenhei fortemente, está aguardando a sanção presidencial, que deve ocorrer ainda neste mês. Trata-se da lei que amplia os limites de faturamento para que MEIs, micro e pequenas empresas possam aderir ou permanecer no SuperSimples, um sistema tributário integrado, simplificado e favorecido aos que agora têm receita de até R$ 4,8 milhões por ano.

    Cresce assim a garantia para que as empresas cresçam sem a pressão da ‘morte súbita’, tão presente no dia a dia dos empreendimentos que passam a pagar muito mais impostos por ter ultrapassado a faixa limite. Além disso, passa a ter aplicação imediata o parcelamento das dívidas tributárias, passando para 120 meses o prazo para renegociação de débitos. Isso deve tirar do sufoco cerca de 600 mil pequenos negócios em todo Brasil.

    Completando o quadro de boas notícias, o presidente da República ouviu os argumentos do setor produtivo e anunciou um pacote de apoio a estes empreendedores, com abertura de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões com taxa de juros reduzida e a criação do Simples Exportação que vai desburocratizar e estimular a operação do comércio internacional entre as pequenas empresas, fazendo com que cresça a participação destes empreendimentos na balança comercial. Hoje, as 11 mil micro e pequenas empresas exportadoras são responsáveis por apenas 1,08% do valor exportado.

    São ótimas notícias. O desafio agora é implementá-las de maneira orquestrada na velocidade necessária para garantir os benefícios tão esperados e desejados não só para as empresas ou um setor produtivo, mas para que o Brasil reencontre, definitiva e urgentemente, os rumos do crescimento forte e sustentável.

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