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Paulo Gannam

Profissão: Inventor

Cidade: São Lourenço

  • Novo aparelho estimula a conectividade entre motoristas

    Usando botõezinhos, a ideia é substituir gestos imprecisos pelo envio de mensagens curtas em áudio e texto, sem necessariamente estar conectado à internet.

    Postado dia 26 de junho de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    Foto: Reprodução

    Quem, dirigindo, já não teve o ímpeto de informar o condutor próximo de algum problema no veículo dele ou na própria estrada, para evitar um acidente ou simplesmente para ser útil? É sabido que temos espírito colaborativo, mas nessas horas o que acaba acontecendo é que dispomos apenas de buzina, gestos manuais, pisca alerta, faróis e aplicativos de trânsito. O problema dessas ferramentas é não darem segurança e agilidade quando se está no volante, ou não serem capazes de enviar informação clara aos destinatários.

    Natural de São Lourenço-MG, desde 2010, Paulo Gannam, 35, já tinha notado que faltava uma forma mais precisa e abrangente de comunicação no trânsito. O estopim se deu na noite em que foi parado por um policial que o alertou de que um de seus faróis baixo estava queimado. Após receber advertência por escrito, o inventor pensou que, se outro motorista o tivesse avisado do problema com antecedência, ele já teria feito o reparo e não teria se exposto, e aos outros, a riscos e multas de trânsito.

    “Eu estava desatento e não tinha percebido o problema, mas foi a partir desta situação que me ocorreu a ideia de criar um produto específico para que eu pudesse ser informado e informar os outros de problemas que deveríamos saber com a maior antecedência possível”, explica.

     

    Paulo conseguiu patentear e desenvolver uma prova de conceito de sua ideia para mostrar às pessoas e a empresas do setor. A invenção a ser colocada nas mãos do consumidor poderia ser composta de botõezinhos. Cada um representado por imagens associativas que tivessem relação com a mensagem pré-gravada que se desejasse enviar.

    Exemplo: se um motorista quisesse enviar uma mensagem cujo texto fosse “porta entreaberta”, haveria um pequeno símbolo que representasse o conteúdo, agilizando o manuseio, sem tirar a atenção do motorista.

    Depois de concluir a primeira versão do produto, Gannam já havia sido alertado de que, mesmo a ideia sendo boa, as pessoas teriam a tendência de querer tudo num aplicativo de trânsito. Também lhe disseram que a inserção de um novo hardware, justamente em função da profusão de novos aplicativos e dos custos envolvidos, seria um tremendo desafio.

    A partir desse raciocínio ele teve a ideia de interligar seu aparelhinho de comunicação com um aplicativo de smartphone voltado somente para comunicação. “Tanto quem tiver o comunicador instalado no veículo como quem não o tiver vai poder participar da comunicação de modo rápido e seguro, enviando e recebendo informações para ajudar e ser ajudado”.

    Este foi o caminho encontrado pelo inventor para tornar o sistema mais escalável, sem abrir mão do hardware, que teria um papel fundamental na comunicação dos motociclistas. “Os motociclistas, por usarem capacete, luvas, e terem de ficar com as mãos coladas no guidom, ficam praticamente impedidos e proibidos de se comunicarem com quem quer que seja. Mas com o meu sistema eles vão poder participar, pois já tenho em mente versões muito simples de protótipos para motos”, argumenta.

    Para ele, quanto mais os motoristas se condicionem a usar o sistema, mais informações serão geradas, resultando em mais dados para formulação de políticas públicas, campanhas de educação no trânsito e correção eficiente de problemas. “Direcionar a aquisição desse valioso volume de informações, conhecido como Big Data, é prioridade na indústria automotiva para aumentar a segurança”, afirma.

    Outro objetivo do sistema é criar um clima amistoso e de cooperação que vá além da dependência de internet e da infinidade de recursos hoje disponíveis nos atuais aplicativos de trânsito, os quais tornam a comunicação menos frequente e mais perigosa.

    Paulo está em busca de apoiadores para o projeto, que, segundo ele, podem incluir montadoras, sistemistas, empresas de tecnologia, telemetria, telemática, monitoramento e gestão do trânsito.

    Na internet podem ser encontrados vídeos em que ele explica o funcionamento dos protótipos, nos links a seguir:
    goo.gl/JNuZWt
    goo.gl/UV2wNA

    Tem interesse em conhecer melhor o projeto? Basta enviar um email para pgannam@yahoo.com.br.

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  • Inventores e Empreendedores: benefícios e desafios para uma atuação conjunta

    Inventor vive numa frequência diferente, é um observador do mundo, de seus padrões, das pessoas, do comportamento, de eventos pelos quais poucos se interessam

    Postado dia 17 de abril de 2017 às 11h em Negócios e Economia

    inventores

    Fot:o: Reprodução

    Por várias razões, quase todo inventor sabe inventar, mas sem crivo, sem plano de negócios, sem validação, sem modelos de negócios, sem estimativa de investimento, de projeções de vendas e de retorno sobre o inventado. Não tem recursos técnicos, financeiros e humanos, nem tem acesso a fontes que lhe permitam precisa e abrangente análise de mercado. Tampouco tem competência comercial, muito menos fabril para colocar sua ideia no mercado. Sobrevive não de sua vocação, mas com alguma outra atividade que nada tem a ver com inventar.

    Estas limitações, em parte, não são tão ruins, pois permitem que ele crie o que bem entenda, sem parâmetros controladores por vezes falhos que poderiam considerar de cara uma ideia muito lucrativa como “inviável”.

    Inventor vive numa frequência diferente, é um observador do mundo, de seus padrões, das pessoas, do comportamento, de eventos pelos quais poucos se interessam. Consegue, às vezes, em número e qualidade melhores do que qualquer outro, bolar soluções que atendam a necessidades específicas para as quais não foi criado um produto específico.

    Com muito custo, se perseverar, o inventor conseguirá por conta própria ou com a ajuda de terceiros elaborar um protótipo mais próximo daquilo que concebeu, e tentar proteger os seus direitos de patente no instituto competente por meio de um pedido de patente de sua criação. Esse processo leva de alguns meses a mais de uma década!

    Só que essa aptidão e todo esse esforço costumam, por si, não fazer sentido nenhum para o mercado, nem para um investidor-anjo, e muitas vezes, nem para um empreendedor/empresário. Investidores dificilmente entram em projetos que ainda não estejam no mercado – caso da maior parte dos produtos criados por inventores independentes –, porque a chance de escalar, retomar o dinheiro investido e ainda ganhar com a venda geral do produto diminui.

    inventores

    Foto: Reprodução

    O decepcionante é que não se trata aqui de dizer se a ideia do inventor é boa ou não, lucrativa ou não. Trata-se de faltar informações e análises necessárias para chegar a conclusões que apontem para algo promissor ou não. Com isso, patentes valiosas – se encaixadas num bom modelo de negócios – ficam engavetadas.

    Já o empreendedor é visto como “gente de atitude”, que sabe fazer um bom plano de negócios, criar valor por meio de um produto ou serviço e ganhar um bom dinheiro devido à sua visão comercial.

    E o investidor seria a pessoa que pode entrar com grana e com o marketing, com a implementação comercial em si. Quanto maior o risco que considerar estar assumindo, maior será o retorno a ser reivindicado por esse investidor na negociação. E ambos – no Brasil isso parece bem real – acabam olhando para o inventor como um bobalhão de jaleco trabalhando no porão de sua casa, apaixonado por ideias e esquisitices, um ser mais teórico e curioso.

    Não é bem assim. São competências distintas, mas úteis para o negócio a ser criado. O inventor pode criar, desenvolver algo e patentear – ainda que não entenda bulhufas de negócios – e o empreendedor/investidor pode entrar com a testagem, validação, criação de modelos de negócios lucrativos e, finalmente, com a parte fabril e comercial livre de concorrência para lançar o invento no mercado. Com isso, todos ganham!

    O inventor independente, sendo pessoa física, mesmo sem ter qualquer empresa constituída – sequer sendo microempreendedor individual – pode estimular empresas a fabricarem e comercializarem sua patente, dentro e fora do País, e isso gera empregos, renda, e impostos que mantêm toda uma sociedade da mesma forma que o empreendedor quando inicia e faz crescer sua startup.

    inventor3O problema, entre tantos outros, é haver arraigado no Brasil o desmerecimento, preconceito e burocracia em torno do trabalho desenvolvido por pessoas físicas e em torno da possibilidade de que pessoas físicas também possam fazer bons negócios com pessoas jurídicas.

    A lei é tola ao favorecer muito mais PJ’s do que inventores autônomos na condição de PF’s, e ao condicionar o recebimento de dinheiro a fundo perdido, a participação em feiras de inovação e à qualidade das premiações ao fato de se ter ou não uma empresa constituída ou ao fato de se ser MEI ou não. Ignoram que inovação nasce em toda esquina, e que não há razão para o futuro acontecer apenas nos laboratórios das universidades ou centros de pesquisa de empresas privadas.

    Isso gera desconhecimento de novos produtos e dos benefícios de se explorar uma patente de um inventor. Um tipo de ignorância que pode estar custando ao comércio e à indústria milhões de reais anualmente e à sociedade grande ônus em seu bem-estar.

    Quando a ideia do inventor comprova-se viável, é barato e lucrativo ao empresário/empreendedor/investidor fazer parceria com o inventor, principalmente se levarmos em conta a originalidade do projeto e exclusividade de produção e comercialização, estando livre de concorrência por até 20 anos.

    O empresário tem ainda valorização do patrimônio intangível de sua empresa, maior valor agregado e condições de enxugar os custos jurídicos de administração da patente, e os de P&D.

    Embora ainda sobreviva o vício da lei e da cultura do Brasil de separar radicalmente os direitos e o valor de inventores dos diretos e do valor dos demais, todos eles fazem parte de uma grande cadeia. Cada qual usando caminhos diferentes para chegar a um mesmo e costumeiro destino desejado: colocar seu sonho no mercado, crescer e fomentar a economia.

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  • Tive uma ideia “dos deuses”, e agora?

    Saiba desde já: pedir, conquistar e manter a conquista da patente de um produto/processo vai lhe custar um bom dinheiro periodicamente

    Postado dia 24 de março de 2017 às 08h em Negócios e Economia

     

    Crazy inventor. Photo compilation, photo and hand-drawing elements combined

    Foto: Reprodução

    A primeira coisa é checar se alguém já não a teve e se já não está ganhando dinheiro com ela. Veja também se alguém já a teve, fracassou e por qual razão fracassou. Acesse um site de busca, para ver o que está rolando no mercado e analise possibilidades. Além disso, se for uma ideia patenteável, entre no site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (http://www.inpi.gov.br/). Tem muita informação que vai lhe interessar por lá.

    Existe, por exemplo, um local para que você possa fazer uma pesquisa sobre tudo quanto é produto, desenho ou processo para o qual já existe um registro/patente concedida, solicitada ou arquivada, e que pode ser similar à sua. Você pode ir ao INPI e pedir para um técnico te ajudar nessa busca pagando uma taxa, pois há muitos pedidos de patente tramitando no Brasil e a pesquisa às vezes é complexa e demorada, por envolver muitos arquivos e palavras-chave. Se estiver pensando em patentear fora do Brasil, mais detalhamento e verdinha$ são necessários.

    Outra opção é, se tiver algum dinheiro guardado no seu subnutrido porquinho, contratar um advogado especialista em propriedade intelectual correto para ajudá-lo a fazer a pesquisa. Evite núcleos de inovação de universidades e entidades públicas ligadas ao tema. Normalmente o processo é burocrático, há muita gente a ser atendida, pouca gente disponível para lhe ajudar em tempo hábil e paredes com ouvidos. Proponha aos legisladores melhor atendimento desses núcleos (melhorando/mudando a CF, a Lei de Propriedade Intelectual e a Lei de Inovação), mas também faça o trabalho você mesmo; o aprendizado será muito maior!

    Não se iluda. Muitos de nós, quando temos uma ideia, tendemos a achar que ela é inovadora e que vamos ganhar rios de dinheiro com ela e “dominar o mundo”. Aconteceu comigo e aprendi a lição. Não caia nessa lorota da sua mente. Faça uma busca objetiva para ver o que já existe e desembace bem as suas lentes para poder ver com clareza produtos e processos que podem concorrer com o seu ou mesmo aniquilá-lo. Lembre-se: ideias nunca irão faltar na sua cabeça.

    E você pode fracassar quantas vezes for necessário. Só precisa acertar uma vez em cheio para ter sucesso. Pense se sua ideia resolve algo que gera muita dor ao seu cliente. E se há um número suficiente de pessoas que sente essa dor numa intensidade tal que você está pensando que seu produto/processo ajuda a resolver. Importante: essa dor no cliente pode ser latente, mas palpitante, ou patente, mas irrelevante. É o paradoxo da inovação. Siga dados objetivos e intuição. Dê um jeito de encontrar esse difícil equilíbrio.

    Feitas estas checagens, você pode solicitar a patente apenas do conceito da sua ideia e depois disso desenvolver o protótipo físico. Mas eu não recomendo isso em todos os casos. Pois conceitos podem ser muito vagos e sem os detalhes técnicos descritivos necessários para que a patente seja concedida a você.

    Primeiro desenvolva o protótipo de sua ideia em sigilo. Se você não tiver conhecimento técnico para fazer isso sozinho, contrate alguém e pergunte se esse alguém assinaria um termo que garantisse que o desenvolvimento é só uma prestação de serviços, mas que os eventuais direitos autorais e de patente sobre a ideia sejam somente seus. Isso é importante para que ninguém roube sua ideia e seu projeto de negócio.

    Se o desenvolvedor não assinar esse documento, ou você tem de confiar muito nele ou você corre o risco de lá na frente perder os direitos de exploração industrial e comercial exclusivos de seu produto/processo.

    Mas e a patente, como fazer o pedido?

    A primeira coisa que você precisa saber é que pedir, conquistar e manter a conquista da patente de um produto/processo vai lhe custar um bom dinheiro periodicamente. No Brasil, você é depenado $ por tentar ser inovador. Dinheiro para depositar o pedido, dinheiro para solicitar pelo exame técnico de sua patente, dinheiro para pagar taxas anuais para manter o pedido tramitando dentro do INPI, dinheiro para atender a certas exigências, dinheiro para formalizar o recebimento da carta-patente, e por aí vai. Consulte a tabela de valores disponíveis no site do INPI e faça suas contas para ver se vale a pena todo o esforço e se você tem um bom plano para arcar com todas estas despesas.

    Talvez você vá precisar de ajuda financeira de alguém. Há sites de financiamento coletivo que podem ser uma boa pedida. No site do INPI ensina-se o inventor/empreendedor a fazer o pedido de patente obedecendo a algumas regrinhas de formatação, conteúdo e especificação da ideia. Se você optar por elaborar o pedido de patente sozinho, muito cuidado!

    Depois o leve à apreciação de um técnico no assunto para que você tenha a certeza de estar depositando um bom pedido de patente no INPI, aumentando suas chances de receber a patente depois de um longo processo. Se quiser “evitar a fadiga” e tiver dinheiro em caixa, contrate um redator de patentes competente, que é a pessoa que vai redigir o pedido de acordo com as exigências legais. As informações do desenvolvimento do produto/processo serão muitos importantes nessa hora para descrever bem a composição e funcionamento do seu projeto.

    Tipos básicos de patente

    No Brasil, existe a Patente de Invenção, que é um produto novo ou um novo processo industrial, contendo uma carga inventiva muito forte (por exemplo, o telefone na época em que foi inventado) e concede a você o direito de propriedade e uso exclusivo pelo prazo de 20 anos contados da data em que você solicitou a patente. Há também a Patente de Modelo de Utilidade: é o produto de uso prático que você bolou e que tenha nova forma ou disposição, envolvendo grau de criatividade menor do que a Patente de Invenção, mas que melhora bem o funcionamento de coisas que já existem, seja em seu uso seja em sua fabricação.

    Há espelho e há desembaçador de espelhos traseiros por calor nos carros, e você une o espelho e une o desembaçador dos carros e cria um desembaçador para espelhos de banheiro por aquecimento. Então é uma inovação em equipamento ou produto já existente em sua configuração, em seu formato, e concede a você o direito de propriedade e uso exclusivo pelo prazo de 15 anos contados da data em que você solicitou a patente.  

    E o Desenho Industrial: tipo de proteção diferente das patentes e das marcas. Sua propriedade é concedida através de um certificado de registro, com validade de dez anos contados da data em que você solicitou-o oficialmente no INPI. A proteção do desenho é mais para a forma estética/ornamental de um produto.

    Já protocolei o pedido de patente. O que dá para fazer?

    Tendo uma ideia com patente depositada no INPI você tem, basicamente, tem 3 caminhos:

    • Vender a patente: Você pode vender a patente concedida de um produto ou processo ou apenas o pedido de patente a uma empresa, para que ela possa explorá-la industrial e comercialmente em definitivo. Assim o inventor transfere a titularidade de seus direitos ou expectativas de direitos à patente a esta empresa.  Se for um pedido de patente (tramitando no INPI), que estiver sendo negociado, avaliam-se as chances de a carta-patente ser ou não concedida no futuro, o seu grau de ineditismo e outros aspectos comerciais da ideia cuja patente foi solicitada (novidade, atividade inventiva, aplicação industrial, concorrentes, custo de fabricação e venda, mercado, escalabilidade, etc).

    2- Licenciar a patente: você concede a uma empresa o direito de fabricar e vender o produto ou empregar dado processo, mas a patente continua sendo da sua titularidade, e você passará a receber os chamados royalties (uma participação comercial que o inventor depositante da patente recebe da empresa sobre os lucros líquidos por cada unidade do produto que é vendida, x – porcentagem definida em negociação).

    3- Arrumar um sócio: é muita coisa para pensar, impossível fazer tudo sozinho? Você pode, junto com outro empreendedor, formar uma empresa/sociedade, montando uma startup a partir da patente, por exemplo. Você, como inventor, entra com o projeto com patente solicitada (capital intelectual); já o empreendedor (que talvez tenha mais visão comercial e industrial que você) entra com a implementação do projeto (capital técnico) e ambos se tornam sócios, definindo-se também qual será a participação de cada um.

    Com essas informações espero ter contribuído para que você dê os primeiros passos rumo a um novo negócio e estimulado você na incessante busca dentro do surpreendente mundo das invenções. Ficou com dúvida? Entre em contato!

     

     

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