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Patricia Incola

Profissão: Educadora

Cidade: São Paulo

Especialista em Educação para as Relações Étnico-Raciais pela UFES, Especialista em Informática na Educação pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Espírito Santo - Ifes, certificada como Examinadora dos diplomas DELE (Diplomas de Español como Lengua Extranjera) pelo Instituto Cervantes. Ministra aulas de espanhol atualmente na modalidade virtual, é proprietária da Espanhol Virtual que tem como objetivo a prestação de serviços relativos a cursos de idioma espanhol.

  • A Pátria Educadora

    Com uma proposta de cortes de 30% nos repasses ao Sistema S, o governo federal pode impactar o atendimento a 1,2 milhão de alunos do ensino profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e 1,5 milhão de trabalhadores pelo Serviço Social da Indústria (SESI)

    Postado dia 2 de dezembro de 2015 às 00h em Educação e Cidadania

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    Ao contrário do afirmado em sua campanha de reeleição, a presidente Dilma Rousseff surpreendeu a “Pátria Educadora”, lema escolhido para seu segundo mandato, com a súbita e estarrecedora notícia de um corte de 9,42 bilhões de reais no orçamento para a educação. Dessa forma, o Ministério da Educação foi alvo do terceiro maior corte de “gastos”, ou investimento, como prefiro chamar.

    O mesmo ministro de Planejamento Nelson Barbosa, que afirma que a volta da cobrança da CPMF tem custo, mas é necessária, levou alívio aos cidadãos dizendo que os serviços não serão prejudicados pelo corte orçamentário. Conforme divulgado pela imprensa, o Ministério da Educação informou por meio de nota no dia 22 de maio que “os programas e ações estruturantes e essenciais” estão garantidos, apesar da redução nos seus recursos.

    Em setembro deste ano, em matéria publicada pela Agência de Notícias da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, em visita ao presidente do Senado Renan Calheiros, alertava sobre a proposta ainda em estudo no governo federal de cortes de 30% nos repasses ao Sistema S. Essa medida impactaria diretamente no atendimento a 1,2 milhão de alunos do ensino profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e 1,5 milhão de trabalhadores pelo Serviço Social da Indústria (SESI) nos programas de educação, saúde e segurança do trabalho e qualidade de vida.

    “Sistema S” é o nome pelo qual ficou conhecido o conjunto de nove organizações e instituições, todas referentes ao setor produtivo, tais como indústria, comércio, agricultura, transporte e cooperativas estabelecidas pela Constituição brasileira, e que tem como objetivo melhorar e promover o bem-estar de seus funcionários, na saúde e na educação profissional, por exemplo. As empresas pagam contribuições às instituições do Sistema S com base nas alíquotas estabelecidas por lei, e variam em função do tipo do contribuinte, definidos pelo seu enquadramento no código Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS).

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    Entre essas entidades está o SESI, que foi criado em 1946 e “tem como desafio desenvolver uma educação de excelência voltada para o mundo do trabalho e aumentar a produtividade da indústria, promovendo o bem-estar do trabalhador”. Ao longo dos anos, o SESI tem demonstrado resultados de excelência na educação dos jovens brasileiros. Prova disso foi o resultado da 43ª edição da WorldSkills, evento sediado em São Paulo entre 12 e 15 de agosto e considerada a maior competição de educação profissional do mundo. De forma inédita, o Brasil foi o grande campeão. A equipe de competidores do Brasil foi integrada por jovens entre 17 e 22 anos e os resultados alcançados foram motivo de orgulho para o time, que se emocionou na entrega das medalhas. Conforme descrito pela revista SESI/SENAI Educação, “os alunos comemoraram muito e tiveram a certeza de que percorrer todo o caminho que os levou até o pódio realmente valeu a pena”.

    A alegria durou pouco. De volta à rotina, alunos e funcionários convivem com a incerteza de seu futuro. Na semana de 26 a 31 de outubro, no IV Congresso Brasileiro de Informática na Educação em Maceió, no stand de Robótica do SESI, os alunos da Unidade Integrada Carlos Guido Ferrário Lobo de Alagoas me informaram que suas famílias já foram comunicadas a respeito do corte nas bolsas de estudos para 2016, mantendo-se só os contratos já assinados e com validade.

    A redução dos recursos do Sistema S fechará escolas, vagas de cursos e causará a demissão de funcionários. Caso as medidas anunciadas pelo governo sejam aprovadas no Congresso, o prejuízo para o Sistema Indústria (CNI, SENAI, SESI e IEL) é de cerca de 4,1 bilhões de reais, em torno de 52% do seu orçamento. Estima-se que a redução dos recursos repassados ao SENAI e ao SESI causará o fechamento de 1,8 milhão de vagas em cursos profissionais oferecidos. Em todo o país, mais de 300 escolas profissionais do SENAI vão fechar as portas. Outros 735 mil alunos vão deixar de estudar no ensino básico ou na educação de jovens e adultos, que vai fechar cerca de 450 escolas em todo o Brasil.

    A noticia no Jornal O Globo, caderno de economia, página 25, de 5 de novembro de 2015, parece acender uma luz no fim do túnel: “O governo desistiu de reter 30% dos repasses ao Sistema S, depois da chiadeira das entidades representativas de classe”. Resta ainda aguardar pelo cumprimento. Entretanto a “luta” continua.

    A comunidade do Sistema S clama pela ajuda de todos nós. Vamos colaborar! É muito simples!… Há um abaixo-assinado que está disponível para aqueles interessados: Salvem o Sistema  ?#?SouSistemaS ?#?SomostodosSistemaS

     

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  • A educação inclusiva

    As instituições de ensino tem o dever de incluir nas salas de aula, alunos que apresentam algum tipo de deficiência

    Postado dia 9 de novembro de 2015 às 13h em Educação e Cidadania

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    No artigo 208 da Constituição brasileira e no artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente é citado como dever do Estado o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. A legislação também obriga as escolas a ter professores regulares preparados para ajudar alunos com necessidades especiais a se integrarem em classes comuns.

    É sabido que o desenvolvimento de sistemas educativos inclusivos supõe remover barreiras sociais, culturais, econômicas e institucionais, portanto é valido promover uma maior consciência, e estender o trabalho colaborativo além do debate. Acredito que, a difusão do conhecimento e o diálogo entre os diferentes atores, contribuem para a construção de uma cultura mais inclusiva que respeite e valorize a diversidade, eliminando toda forma de segregação e exclusão.

    Na minha visão, a deficiência física é só um dos fatores de exclusão nas escolas. A segregação é outro grande empecilho que transcende as crianças com algum tipo de incapacidade física. Alunos com dificuldades econômicas e de rendimento escolar ou conduta, também sofrem com esse tipo de prática. Nesse sentido, a Declaração de Salamanca (1994) afirma que “durante os últimos 15 ou 20 anos, tem se tornado claro que o conceito de necessidades educacionais especiais teve que ser ampliado para incluir todas as crianças que não estejam conseguindo se beneficiar com a escola, seja por que motivo for”. Incluem-se assim, além das crianças portadoras de deficiência, aquelas com dificuldades permanentes ou temporárias na escola, como as que vivem em condições de pobreza, as que sofrem de abusos e as que se encontram fora da escola entre outras.

    É direito da criança com deficiência cursar a escola com as crianças sem deficiência (ditas normais); mas, será que isso lhes garante a participação em igualdade de condições nas atividades escolares? É sabido que os professores no seu dia a dia enfrentam grandes desafios educacionais, físicos e emocionais, e que muitas vezes não tem condições técnicas, nem materiais para tratar com esses alunos. Os projetos educacionais regulares, onde as crianças dividem as atividades educativas com o resto de seus colegas, acaba sendo uma integração física, muitas vezes sem interação, e não uma integração educativa e curricular. Em minha pesquisa sobre o tema, recolhi vários depoimentos, como o de uma professora de uma escola pública que comenta: “já tive um aluno com deficiência auditiva que ficava na sala sem estagiaria. Eu, em minha limitação, não tenho conhecimento de libras, então não podia ensina-lo. Com a ajuda de uma colega da área de educação especial, criei cartas de comunicação, mas mesmo assim, sentia não ser suficiente. Foi uma experiência muito frustrante, pois acredito que no caso dele a escola não conseguia cumprir o seu papel maior”, e continua, “Vejo outros casos de crianças com paralisia cerebral grave, que frequentam a escola, mas por terem grande comprometimento, passam todo o tempo com o estagiário ao lado, mas sem interação com o ambiente escolar. Isso é inclusão? Para mim não.”

    Diante do desafio da inclusão educativa, acredito que as universidades ainda não preparam os futuros professores nos aspetos cruciais como: adaptações curriculares, necessidades educativas especiais etc. Essa carência faz que os professores tenham poucas ferramentas para trabalhar com os alunos com deficiência. Com respeito aos docentes em exercício, percebe-se a necessidade de realizar um trabalho de capacitação para incentivá-los a aceitar os alunos com deficiência garantindo-lhes uma oferta educativa de maior qualidade. Chegado neste quesito, entraríamos num outro debate que é o da reforma curricular na formação dos professores.

    É louvável que o Brasil contemple uma política pública educacional preocupada com a inclusão dos estudantes com necessidades especiais, mesmo que tardia comparada com outros países. No entanto, como muitas outras boas intenções, nem sempre a prática responde as expectativas teóricas, chegando mesmo a um dilema representado no pensamento do filosofo francês Edgar Amorim, que diz, “não se pode reformar a instituição sem uma prévia reforma das mentes, mas não se podem reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições”. Portanto, é preciso reformar as instituições; e, juntamente com elas, reformar as pessoas se quisermos transformar a educação.

    Diversos autores argumentam que os avanços e conquistas ocorridas até os tempos de hoje não seriam possíveis sem a atuação engajada da sociedade civil organizada, vigilante em seu papel de cobrar do estado sua responsabilidade na garantia dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência. Inúmeros desafios ainda precisam ser superados, por isso, convido a você leitor/leitora a se manifestar. Precisamos estar abertos para poder aprender. Compartilhe sua experiência e seus anseios como educador/a. Qual é sua opinião? Deixe seu comentário abaixo e participe do debate.

     

    Fontes consultadas:
    UNESCO – Ministry of Education and Science of Spain, 1994.
    MEC Portal do Ministério da Educação. Declaração de Salamanca, 1994.
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  • Uma proposta de educação viva

    Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. (Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido”)

    Postado dia 23 de outubro de 2015 às 12h em Educação e Cidadania

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    O educador brasileiro Paulo Freire foi a grande referência conceitual que marcou em 2013 a primeira Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação (CONANE), em Brasília. As novas alternativas e a nova educação propostas pelos educadores que se engajam nesse evento baseia-se na construção de uma educação viva, que enxerga o ser humano de modo integral com suas questões cognitivas, emocionais e sociais completamente associadas. Nessa oportunidade se entregou ao Ministério da Educação, presente no evento por meio de seus representantes, o III Manifesto pela Educação: “Mudar a escola, Melhorar a Educação: Transformar um País”.

    A segunda CONANE aconteceu nos dias 5, 6 e 7 de setembro de 2015 na cidade de São Paulo no CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli. O CEU Heliópolis é fruto da parceria entre a comunidade organizada, a escola e o poder público em meio a um movimento que vem contagiando outros equipamentos educacionais e socioculturais da comunidade, bem como os moradores, as famílias e, principalmente, as crianças e jovens que trabalham para transformar a comunidade Heliópolis em um Bairro Educador, definido assim por priorizar a educação como eixo condutor e organizador da comunidade.

    O movimento se constituiu a partir de cinco princípios: tudo passa pela educação, a escola como um centro de liderança na comunidade onde está inserida, autonomia, responsabilidade e solidariedade. Quem visita o CEU Heliópolis pode sentir esses valores plasmados nas salas de aula, nos levando a uma reflexão: quando existe verdadeira vontade, trabalho árduo e determinação para vencer juntos, todos os envolvidos na comunidade podem mudar uma realidade que parecia determinada.

    A última CONANE deu continuidade à luta pela autonomia da escola pública, garantida em lei nos artigos décimo quarto e décimo quinto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), mas não cumpridos na prática, segundo exposto no Manifesto pela Educação, assim como o número de alunos por educador que almeja construir vínculos profundos e verdadeiros entre educandos-educadores, além de reivindicar salários dignos para os professores.

    Quem esteve presente na CONANE pôde se emocionar com a fervorosa participação de educadores de diferentes estados brasileiros em rodas de conversa, oficinas, espaços abertos, música, teatro e dança. Os educadores inscritos na CONANE puderam divulgar o projeto educacional em que atuam no espaço Varal de Experiências. Localizado na quadra do CEU Heliópolis, consistiu literalmente em um varal onde o educador pendurava um cartaz com fotos, textos, desenhos e informações de contato e assim, dava-se início à interação e troca de informações. Iniciativas como essas permitem o compartilhamento de experiências pedagógicas que estão dando certo, além da possibilidade de conhecer pessoas que por meio de seus projetos educacionais fazem a diferença para um grande número de crianças e jovens.

    Piaget fala da construção do conhecimento na criança, onde as concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio, e não apenas é descoberto espontaneamente, nem transmitido de forma mecânica pelo meio exterior ou pelos adultos. Também mostra que o conhecimento é adquirido como resultado de uma interação na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que procura ativamente compreender o mundo que o cerca e busca resolver as interrogações que esse mundo provoca. Resta parabenizar aos idealizadores e realizadores da CONANE, a todos os facilitadores que prestigiaram o evento e a todos os participantes. Como disse a educadora Sonia Goulart: “as andanças pelo mundo me tornaram uma pessoa que não perde a esperança de ver a educação se tornar verdadeiramente o foco prioritário dos governos da América Latina. Tenho fé nos seres humanos, acredito no poder transformador das redes, dos elos, dos encontros, das parcerias, da amizade, da gentileza”.

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  • Nunca desista de seus sonhos: eles podem deixar de sê-los

    Fala Sampa, aconteceu na cidade de São Paulo, trazendo propostas inovadoras para a educação

    Postado dia 1 de setembro de 2015 às 01h em Educação e Cidadania

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    Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos,

    e a nossa curta vida termina com um sono.

    (A Tempestade, Ato IV, Cena I)

     

    O Fala Sampa 2015 aconteceu em São Paulo, nos dias 29 e 30 de agosto no parque da Água Branca. Foram dois dias de diálogos, atividades interativas lúdicas, arte, círculos de trocas e rodas de conversas sobre expressões e movimentos que já estão acontecendo e transformando de forma positiva a cidade de São Paulo e, consequentemente, a vida das pessoas.

    Na roda de conversa “Ágora Nova Educação”, um grupo de apaixonados pelo tema da aprendizagem participou falando de seus projetos e saberes. Foram relatos de ricas experiências que foram costurando o dia a dia desses educadores brasileiros como uma colcha de retalhos. Para minha surpresa, encontrava-se nessa roda o Prof. José Pacheco.

    Há alguns anos, venho conhecendo por meio da literatura, publicações e entrevistas na mídia, o pensamento e obra do educador português José Pacheco, idealizador e criador da reconhecida Escola da Ponte. A cada leitura me transladava a Portugal, despertando em mim um profundo desejo de conhecer as crianças que ali estudam e os professores que dividem a jornada com eles, desejando ouvir suas experiências e depoimentos a respeito de tão inovadora forma de ensinar-aprender (inovadora para nós, pois a Escola da Ponte surgiu em 1976). O lema da escola é “tentar fazer crianças felizes” e seus alicerces são a solidariedade, a autonomia e a responsabilidade. A Escola da Ponte diferencia-se do modelo de escola dita “tradicional” em sua pedagogia e estrutura. Sem currículo pré-estabelecido, sem séries, sem salas de aula e sem prova, a Escola reconhece cada estudante como único e irrepetível, fruto de sua origem e cultura.

    O processo de alfabetização é inspirado na pedagogia de Paulo Freire, onde as crianças são motivadas por histórias ou perguntas disparadoras do desejo de ler e pela vontade de decifrar o código das palavras. As decisões são coletivas, em assembleias periódicas com estudantes, pais, funcionários e professores,oportunidade em que discutem as normas e regras. É um espaço onde todos têm voto e expressam-se sem constrangimentos e com liberdade. Eu poderia discorrer a respeito da Escola da Ponte e do Prof. Pacheco, poderia aqui recordar os depoimentos do educador Rubem Alves na ocasião de seu primeiro contato com a Escola da Ponte, mas não vou fazê-lo neste momento. Quero falar de sonhos e realizações. Não existem sonhos mais importantes ou menos importantes, ou melhores. Todo desejo de realização, de vivenciar uma experiência, se transforma num sonho para aquele que sente. São esses sonhos que nos fazem quem somos. É preciso inovar, estar sempre se desconstruindo para logo recomeçar.

    Como educadora, guardava o desejo de conhecer pessoalmente o Prof. Pacheco e pensava que talvez algum dia, se meu sonho se realizasse, poderia vê-lo atuando, aprender com ele entre as crianças e colegas.

    Hoje, Pacheco faz parte do Conselho Consultivo e apoia a Escola Âncora, em Cotia, interior do Estado de São Paulo. A Escola Âncora se inspira na Escola da Ponte e atende na mesma perspectiva de construção de autonomia de seus educandos, abolindo provas, ciclos e séries. Acredita na “prática educacional acolhedora e participativa que possibilita a todas as pessoas serem felizes e sábias”.

    Em algumas tribos xamânicas, quando alguém chegava ao curandeiro se queixando de desânimo ou depressão, ele fazia seis perguntas:

    – Quando você parou de dançar?
    – Quando você parou de cantar?
    – Quando você parou de acreditar?
    – Quando você parou de se encantar pelas histórias?
    – Quando você parou para silenciar?
    – Quando você parou de amar?

    Eu acrescentaria:

    – Quando você parou de sonhar?

    Os versos da epígrafe que Shakespeare atribuiu ao discurso de Próspero não são tão celebrados sem motivo. Diferentes das utopias, sonhos são horizontes que realmente podem ser alcançados, mais semelhantes a um longínquo e admirável planeta que observamos pela luneta todas as noites. Trabalhamos com afinco para que, com a espaçonave adequada, finquemos os pés naquela terra que tanto habitou o nosso imaginário. Muitos deram muitos passos para que as botas de Neil Armstrong deixassem a sua marca em solo lunar, e o projeto de uma nação sintetizado em um axioma sobre passos grandes e pequenos eternizado pela radiodifusão. Dependemos dos nossos sonhos e vivemos por eles, e sempre podemos encontrar semelhantes que compartilhem dos mesmos anseios, sem dúvida nenhuma.

    Com o mero intuito de oferecer um pouco das minhas habilidades como professora, indaguei o Prof. Pacheco sobre qual seria o interesse de a Escola Âncora oferecer o ensino de espanhol a seus alunos. Não só tive a oportunidade de conhecer um profissional de referência para mim, que admiro e norteia os meus estudos e ambições, como saí do Fala Sampa com um convite para conhecer pessoalmente a Escola Âncora, sua infraestrutura, pessoal e beneficiados. Uma hipótese de que de Michael Collins, o astronauta “esquecido” da Apollo 11 que só assistiu a Buzz Aldrin e Neil Armstrong saltitarem pelo até então desconhecido, talvez saia da cabine.

     

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  • Aulas de idioma pelo Skype! Será que tudo que está na internet é bom?

    Postado dia 29 de agosto de 2015 às 16h em Educação e Cidadania

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    Claro que não! Se bem que os cursos presenciais não são a garantia de qualidade, pelo que recomendo antes de se matricular, procurar saber a respeito de materiais utilizados nas aulas, metodologia aplicada e perfil dos professores entre outros; é verdade também que a internet propicia a “massificação” das coisas, portanto, é bom desconfiar de cursos muitos baratos, professores que prometem resultados rápidos e asseguram que dar aulas online é a mesma coisa que dar aulas presenciais e assim eles “se garantem”.

    Um excelente professor, inovador, criativo, com boa experiência e bom embasamento metodológico e pedagógico na educação presencial, certamente também será um bom professor na modalidade virtual, sempre e quando, se habilite nas ferramentas tecnológicas. Por outra parte, um professor despreparado, sem conhecimento de sua disciplina e sem ter as habilidades anteriormente mencionadas, logicamente, não será um bom professor nem presencial nem virtual. Mas isso não é suficiente quando pensamos nas aulas por videoconferência. É importante salientar que o professor deve estar familiarizado com a tecnologia também para que ocorra uma aula significativa.

    No que tange ao ensino-aprendizagem de idiomas, a aquisição de uma língua estrangeira nunca esteve tão perto de ser alcançada com o advento da internet e da Web 2.0, conceito, este último, que ainda está em formação e que se baseia no trabalho online com ferramentas gratuitas e abertas a todos. Além disso, a Web 2.0 contempla o trabalho cooperativo aproveitando a inteligência coletiva. Nesse sentido, diversos estudos têm apontado no Brasil que os educadores ainda não se apropriaram do conhecimento no uso das ferramentas tecnológicas tais como salas de videoconferência, ou Moodle acrónimo de “Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment”; nem de outras tecnologias apoiadas em práticas pedagógicas significativas. O Moodle é um software livre, de apoio à aprendizagem, executado num ambiente virtual e em contínuo desenvolvimento. É um aplicativo robusto com diversas ferramentas síncronas e assíncronas, como questionário, email, chat, fórum, wiki etc; desenhado para dar suporte num marco de educação social construtivista.

    Algumas dicas na hora de escolher um professor de língua estrangeira:

    1- Que o professor de idioma seja nativo é o ideal, mas NÃO é o suficiente.
    Esse é um erro que vejo acontecer cotidianamente na hora de contratar um professor de idioma. Para ter sucesso na aquisição de uma nova língua, o melhor é, na maioria das vezes, que o professor seja nativo. Mas, além disso, é necessário que o professor tenha experiência ministrando aulas, saiba guiar o aluno, seja um bom motivador, disponha de material adequado, além de conhecer a gramática do idioma, estar sempre atualizado e saber ensinar.

    2- Analisar o perfil do futuro professor.
    Que o professor se dedique de forma profissional a ministrar aulas é fundamental. Para aprender outro idioma não é necessário que o professor seja nativo, no entanto, se o nível do aluno é baixo ou inicial, não saberá se o professor fala e escreve com total correção.
    É recomendável que o professor tenha aprendido outro idioma além do materno. Assim, ele vivenciará o que o aluno vivencia e poderá se colocar no lugar do outro, resolvendo melhor as dúvidas do aprendiz.

    3- Solicite uma aula de demonstração.
    São inúmeros os cursos de idiomas por Skype que podem ser encontrados na internet. Para ter certeza de não se equivocar na escolha é melhor fazer uma aula gratuita. Assim, se não agradou a experiência ou o professor, não perderá nem tempo nem dinheiro.

    4- Cuidado com as fraudes!
    Na internet não temos segurança para saber se a pessoa com a qual estamos tratando é verdadeiramente honesta. Portanto, desconfie se um professor particular pede dinheiro adiantado, salvo se tiver referências.

    A educação em todas as áreas do conhecimento acontecerá cada vez mais ao longo da vida e de forma contínua, em todos os níveis e em todas as atividades sociais e profissionais. Com muita propriedade, o Professor José Moran em seu artigo “O que é educação a distância” nos diz que “As tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando, na educação a distância, o que deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação e a interlocução entre todos os que estão envolvidos nesse processo”.

    Acredito firmemente que aqueles professores que ainda não repensaram sua pratica educacional, e que ainda não se empoderaram das TICs (Tecnologias da informação e Comunicação) correm o risco de ficarem fora do mercado de trabalho, mas não é suficiente saber usá-las, é necessário integrar as TICs nas aulas com metodologia adequada para seu fim. Certamente, são múltiplos os novos desafios que os educadores terão que enfrentar, percebe-se também que em posse de maior informação os alunos vêm se tornando mais exigentes. O importante é sempre desbravar novos horizontes, não podemos descansar na certeza de nossas convicções.

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