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Maiara Madureira

Profissão: Advogada

Cidade: São Paulo

Advogada. Formada no Largo São Francisco - a velha e sempre nova Academia - e mestre em Direito Comercial pela mesma faculdade. Analista de Regulação de Emissores na BM&FBOVESPA. Devoradora de livros e amante de quaisquer coisas que envolvam aprendizado. Fã incondicional de decoração (porque todo mundo tem que ter um hobby).

  • Previsão da inflação e do PIB para 2017

    2016 foi um ano polêmico. Mas, se o balanço econômico do Brasil no ano de 2016 pudesse ser resumido em uma única palavra, ela seria “confiança”.

    Postado dia 17 de janeiro de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    inflação

    Foto: Reprodução

    A falta de confiança dos consumidores e dos investidores, diante de um cenário político e macroeconômico deteriorado ao longo de 2015, provocou uma fuga em massa de capitais do país. Afinal, quem gostaria de deixar seu rico dinheirinho investido onde sequer se sabia se haveria ou não impeachment e qual seria a política econômica adotada?

    Em 2016, com a finalização do processo de impeachment e com as promessas de uma reforma econômica, empresários e consumidores voltaram a ter confiança na economia brasileira. No entanto, em razão da deterioração no mercado de trabalho, não houve aumento nem na produção nem no consumo, o que fez com que os indicadores macroeconômicos continuassem bastante ruins. Além disso, a incerteza continua batendo à nossa porta: será que Michel Temer conseguiria passar todas as propostas para salvar a economia brasileira?

     

    Alguns dados econômicos:

    • IPCA: até novembro/2016, bateu 5,97%
    • Selic: última movimentação (em novembro/2016) a fixou em 13,75%
    • Bolsa:

    bobespa1

    • Dólar:

    dolar

     

    Os economistas ainda não fecharam todos os dados de 2016, mas, na última semana de dezembro, o Boletim Focus divulgou uma previsão para o ano de 2017.

    Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação é de 4,85%; para o PIB, a estimativa de crescimento é de 0,50%. Espera-se que o BACEN cortará a taxa de juros para 10,5% e a taxa de câmbio chegue em R$ 3,50.

    Agora é esperar para ver. E esperar um ano com mais confiança e menos polêmica.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • Código Brasileiro de Governança Corporativa é publicado

    O documento demonstra um avanço importante em governança corporativa, em especial no que se refere ao pilar da transparência

    Postado dia 5 de dezembro de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    governança

    Foto: Reprodução

    Já falei, aqui na Sociedade Pública, do trabalho do Grupo Interagentes, formado por diversas entidades de mercado, que tinha como um de seus objetivos a elaboração de um código único de governança corporativa.

    O trabalho foi finalizado e o resultado foi divulgado em 16/11/2016, com um evento na BM&FBOVESPA. E, finalmente, o conteúdo do agora chamado Código Brasileiro de Governança Corporativa veio a público.

    Não obstante haja muitos itens polêmicos, como a vinculação de voto do administrador indicado por acordo de acionistas, o código preza por uma maior flexibilidade à medida que suas práticas são “pratique ou explique” – ou seja, a companhia deve adotar a prática ou justificar porque não a adota.

    Na prática, o Código demonstra um avanço importante em governança corporativa, em especial no que se refere ao pilar da transparência; por outro lado, muitas companhias têm apontado que o Código Brasileiro pode representar um custo relevante para as companhias, especialmente em razão da pretensão da CVM de que todas as práticas devem ser explicadas, inclusive as adotadas pela companhia.

    Ainda não se sabe como o Código vai se tornar obrigatório – se a CVM deve exigir que as informações prestadas sejam inseridas no Formulário de Referência ou se haverá outro documento para a prestação das informações. A CVM já se pronunciou no sentido de que a obrigatoriedade de cumprimento do código deve estar presente em uma Instrução e, assim, deve haver uma audiência pública sobre o tema.

    Esse fator acaba atrasando um pouco a obrigatoriedade de adoção pelas companhias, mas nada impede – aliás seria o ideal que isso acontecesse – que as companhias já comecem a adotar suas práticas.

    Existe, ainda, um certo ceticismo sobre os efetivos avanços de governança corporativa com o Código Único. Alguns países, que adotam códigos no modelo pratique ou explique, já demonstraram um certo desconforto com a insuficiência das explicações das companhias que não adotam alguma das práticas.

    Mas, nesse caso, sempre temos uma saída: o mercado deve precificar as práticas adotadas pela companhia.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • COPOM reduz taxa Selic para 14%

    Primeira redução em quatro anos ainda deixa país com uma das taxas mais altas de juros no mundo

    Postado dia 26 de outubro de 2016 às 10h em Negócios e Economia

     

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    Foto: Reprodução/Internet

    Em reunião realizada em 19/10/2016, o COPOM analisou o cenário macroeconômico e outros elementos e decidiu ser conservador no corte da taxa de juros, que estava em 14,25%.

    A SELIC é um instrumento do Banco Central usado para controlar a inflação. De forma bastante simples, se a taxa de juros está alta, o consumo é reduzido e a poupança, estimulada. Se ela está baixa, consumo e produção são estimulados – é um mecanismo de buscar o crescimento da economia.

    Antes da decisão do COPOM, o mercado discutia se a redução seria de 0,25% ou de 0,5%, sendo esta uma perspectiva mais otimista diante de uma taxa de inflação mais estável e com uma tendência de queda.

    selic-1

    A decisão, contudo, seguiu os parâmetros já adotados pelo Banco Central, que vem se mostrando conservador.

    Segundo o Banco Central, com uma meta de inflação para 2016 de 4,5% e com um teto de 6,5%, a tendência de uma queda mais acelerada é uma tendência apenas de médio ou longo prazo. Segundo o Boletim Focus, a SELIC deve terminar 2016 em 13,5% e 2017 em 11%, quando o teto da inflação será de 6%, o que representaria uma queda substancial.

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    Foto: Reprodução/INternet

    Novas reduções dependerão do alcance das metas de inflação e do ritmo de implementação dos ajustes necessários na economia.

    Ainda que a queda dos juros seja pequena, já é uma sinalização positiva e poderá ajudar na recuperação da economia, ao aumentar a confiança dos investidores, o recuo dos juros bancários e o pagamento menor de juros pelo setor público.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • Economia olímpica – O Brasil deu seu jeito

    A abertura dos jogos mostrou que podemos fazer bonito sem gastar muito. O Rio se transformou: as obras do boulevard olímpico e os museus do MAR e do Amanhã vão continuar lá

    Postado dia 25 de agosto de 2016 às 09h em Negócios e Economia

    olimpíadas

    Foto: Reprodução/Internet

    Nos últimos anos fomos absolutamente inconsequentes. Em meio a uma crise que assolava o país – que não era um tsunami mas estava bem longe de ser uma marolinha –, resolvemos ser sede de dois grandes eventos mundiais: a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

    E deu certo. Como disse um narrador da ESPN, quando viu atletas se levantarem para dançar ao som de de Asa Branca, de Luiz Gonzaga – “essa turma volta”. E volta mesmo, ainda mais depois dessa Sapucaí no Maracanã.

    O turismo representa uma parte muito relevante no nosso PIB. Em 2015, contribuiu com 3,3% do PIB diretamente, chegando a 9% se considerados seus efeitos indiretos. O número tende a crescer, mas ainda parece pouco analisando tudo o que já passamos.

    No dia-a-dia, o turismo tem um impacto grande na geração de empregos: em 2015, o turismo foi responsável por 2,9% do total de empregos e esse número tende a aumentar 2,6% em 2016. Se, mais uma vez, considerarmos os empregos gerados indiretamente pelo turismo, chegamos a 8%.

    A copa, por exemplo, aumentou o gasto dos estrangeiros em 75%, e estimou-se que as olimpíadas injetariam mais de R$ 5 bilhões na economia do Rio de Janeiro.

    Foram grandes montantes, mesmo para quem enfrentou tanto preconceito. Nessas olimpíadas, estávamos no meio de um processo de impeachment, e, assim, de muitas incertezas econômicas, enfrentamos um surto de zika, as obras atrasaram, e a violência era o mal a ser enfrentado (só não sabíamos como).

    Demos nosso jeitinho. A abertura dos jogos mostrou a “gambiarra” e que podemos fazer bonito sem gastar muito. O Rio se transformou: as obras do boulevard olímpico e os museus do MAR e do Amanhã vão continuar lá depois do encerramento dos jogos e são ótimos destinos turísticos.

    Mas acredito que o que mais nos fortaleceu foi a imagem que passamos. Ninguém saiu daqui com zika. A violência deu uma trégua e, apesar de terem acontecido alguns casos, não foi nada que pudesse afugentar um turista. E mostramos, no casos dos nossos nadadores norte-americanos, que, temos sim instituições fortes, ainda que não sejam perfeitas.

    Temos muito a trabalhar. Temos um número incalculável de praias, paisagens deslumbrantes no interior do país, um clima delicioso no sul e, além disso, uma variedade gastronômica que não é encontrada em nenhum lugar do mundo.

    E temos brasileiros – que é o que o Brasil tem de melhor.

    Está na hora de jogar pra longe esse inferno astral e curar de vez a nossa síndrome de vira lata.

    *Dados do Banco Central do Brasil, do WTTC Report e da RioTur.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • Nos bastidores do BM&FBOVESPA

    Se uma companhia quer sair do Novo Mercado ou do Nível 2, deve realizar uma oferta pública para aquisição de ações, agora pelo preço justo

    Postado dia 12 de julho de 2016 às 08h em Negócios e Economia

     

    BM&FBOVESPA

    Foto: Reprodução/INternet

    Desde o início do processo de evolução dos segmentos especiais da BM&FBOVESPA, iniciado em 15/03/2016, muito se tem falado sobre governança corporativa e as regras da bolsa. Afinal,  um questionário que mereceu 143 respostas é bastante confiável.

    Os resultados foram divulgados em 01/06/2016. Junto com as impressões coletadas em dois workshops técnicos, reuniões com entidades de mercado (Abrasca, Amec e Anbima) e reuniões com investidores (23 no total) e com companhias (35 no total) subsidiaram a elaboração de um novo Regulamento do Novo Mercado e de um novo Regulamento do Nível 2, agora em discussão na segunda fase do processo, a Audiência Pública.

    Diante das 91 respostas, mais de 60%, evidenciando a urgência da necessidade de evolução dos segmentos especiais para alinhamento com as melhores práticas, a BM&FBOVESPA preocupou-se em simplificar a estrutura e rechear o documento com novas práticas de governança corporativa, muito presentes em outros países.

    O regulamento ganhou uma seção sobre Conselho de Administração, com novas regras sobre a indicação de membros para o conselho de administração (passa-se a exigir uma política de indicação), conselheiros independentes, divulgação da remuneração e avaliação do conselho; uma seção praticamente nova sobre transparência, contemplando novos documentos internos, todos com previsão de conteúdo mínimo (afastando-se, assim, o risco de elaboração de documentos apenas para o cumprimento das regras, o típico “check list”).

    Merecem destaque a Política Socioambiental e o Relatório de Sustentabilidade (porque casos como o da Volkswagen e o da Samarco têm que deixar alguma lição); uma nova seção sobre fiscalização e controle, endereçando as crescentes preocupações com riscos e controles internos; e novas disposições sobre alienação de controle e sobre a OPA 30, que voltou a ser discutida no contexto de debates acerca da aquisição de controle minoritário.

    A alteração mais esperada – quanto à OPA de saída – finalmente foi divulgada. A regra é praticamente a mesma: se uma companhia quer sair do Novo Mercado ou do Nível 2, deve realizar uma oferta pública para aquisição de ações, agora pelo preço justo.

    A novidade é que existe um quórum de aceitação de 50%; ou seja, aqueles que eram acionistas da companhia na data do fato relevante que divulgou a saída vão se manifestar, com as ações detidas na data do referido fato relevante, pela saída ou não da companhia.

    Outra novidade é que a assembleia geral pode dispensar a realização da OPA. Assim, se existe uma situação em que pode ser interessante para a companhia sair do segmento, a assembleia geral poderia permitir a saída sem que o acionista controlador tivesse que bancar a oferta.

    Essa fase de discussão permite que qualquer um se manifeste a respeito dos novos regulamentos.

    O prazo final é dia 09/09/2016.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • Governança em pauta: evolução dos segmentos especiais

    BM&FBOVESPA divulga resultados da primeira fase de discussão sobre governança corporativa

    Postado dia 17 de junho de 2016 às 09h em Negócios e Economia

    BM&FBOVESPA

    Foto: Reproducão/INternet

    A BM&FBOVESPA havia iniciado, em 15 de março deste ano, o processo de evolução dos segmentos especiais. Em primeiro de junho, a BM&FBOVESPA deu um novo passo e divulgou, em seu website, os resultados parciais da primeira fase do processo, a Consulta Pública.

    A Consulta Pública envolveu um questionário sobre práticas de governança em geral, com questões objetivas e abertas, a realização de dois workshops técnicos, reuniões com entidades de mercado e investidores e com companhias. Todos os elementos coletados nessa fase serão utilizados para a elaboração da proposta de novo regulamento, que será discutida na segunda fase do processo, a Audiência Pública.

    Algumas questões chamam atenção!

    A primeira delas é o número de respondentes – foram 143 respostas no total, sendo 41 de companhias e 50 de investidores. Ou seja, um grande número de players entende a importância do processo de discussão das novas regras.

    Outro ponto, que dá força para a reforma, é o número de respostas afirmativas à questão sobre a urgência da atualização dos segmentos especiais para o alinhamento com as melhores práticas de governança corporativa internacionais. Foram 91 respostas, mais de 60%.

    O questionário passa por diversos temas de governança corporativa – vale a pena a análise do documento disponibilizado, com os resultados questão a questão – e mostra que há muito a avançar. Aliás, a discussão sobre o Código Único de Governança Corporativa, que também já mencionei por aqui, mostra que o Brasil está ficando muito atrás de outros países.

    A próxima fase de discussão deve começar logo. Agora é esperar pra ver o que vem de novidade por aí.

    Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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  • O puxão de orelha da CVM

    Xerife do Mercado alerta sobre o papel do Conselho de Administração

    Postado dia 23 de maio de 2016 às 09h em Negócios e Economia

    Brasil

    Foto: Reprodução/Internet

    No ano passado, o assunto mais comentado na área de governança corporativa foram as práticas adotadas (e que deveriam ser adotadas) por estatais. Internacionalmente, a OCDE divulgou novas diretrizes a serem seguidas por essas companhias; no Brasil, o IBGC divulgou uma carta de opinião e um caderno de boas práticas, e a BM&FBOVESPA criou um programa de governança corporativa ­ o Destaque Estatal­ que reconheceria, por meio de uma classificação, aquelas companhias que atendessem as práticas de governança nele previstas.

    Esse ano, depois de o assunto impeachment ser efetivamente materializado por meio do afastamento da Presidente Dilma Rousseff em 12 de maio, o assunto voltou à pauta logo no início do governo de Michel Temer como Presidente Interino. E, dessa vez, quem chamou a atenção foi a CVM.

    Com os rumores no mercado de que haveria uma troca de nomes das presidências do Banco do Brasil, a CVM, atuando preventivamente, divulgou um comunicado reiterando as regras para administradores de companhias abertas. O órgão regulador ressaltou o papel do conselho de administração na eleição e destituição dos diretores, incluindo o diretor-presidente, e reforçou que as regras e recomendações aplicam-se a todas as companhias abertas, inclusive sociedades de economia mista controladas, direta ou indiretamente, pelos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).

    Quando falamos em Banco do Brasil e Petrobras, é preciso fazer uma ressalva. Segundo a lei que autorizou a criação do Banco do Brasil e seu estatuto social, o Diretor Presidente será nomeado e demissível “ad nutum” pelo Presidente da República, afastando-se, deste modo, a competência do Conselho de Administração para indicar o titular ao cargo.

    Dessa forma, a alegação da CVM não se aplicaria a ele, salvo, contudo, quanto à necessidade de aprimoramento contínuo das práticas de governança, especialmente com relação aos órgãos de administração.

    Já quando se trata da Petrobras, a lei societária se aplicaria integralmente. Ou seja, cabe aos acionistas, incluindo o controlador (no caso, a União), indicar os membros do Conselho de Administração, que, por sua vez, têm o poder de indicar os diretores, incluindo o diretor presidente.

    O puxão de orelha da CVM se deveu aos, até então, boatos de que Michel Temer iria trocar o Diretor Presidente da CVM, sem haver qualquer manifestação a respeito do Conselho de Administração da companhia.

    No dia 20 de maio, diante das notícias sobre a “transição no comando” da Petrobras, a CVM questionou a companhia, que divulgou, por meio de Comunicado ao Mercado, que seu Conselho de Administração apreciará, em reunião extraordinária agendada para o dia 23 de maio, a indicação de Pedro Parente para integrar o Conselho e ocupar o cargo de Presidente da Petrobras, conforme indicação do acionista controlador comunicada à Petrobras no dia anterior.

    Ocorre que, até então, ainda não havia sido divulgada qualquer notícia oficial sobre uma eventual renúncia de Aldemir Bendine, atual presidente da companhia. A companhia foi mais uma vez questionada a respeito e, dessa vez, informou que não havia recebido nenhuma carta de renúncia.

    A intervenção do acionista controlador na gestão das estatais não é novidade, mas o caso da Petrobrás merece atenção não pelo fato de a companhia ter sido protagonista de um grande escândalo de corrupção no ano passado, mas pelas ressalvas feitas pelos membros do conselho de administração quando da indicação dos diretores na reunião de 30 de março, que deliberou a eleição de diretores da companhia.

    Constou da ata que os conselheiros não haviam recebido com antecedência o material de suporte sobre os nomes indicados e que o processo de seleção de diretores da Companhia merece mais reflexão por parte do Conselho de Administração.

    Pedro Parente dispensa apresentações. Seu nome é muito forte e ele é muito reconhecido por sua competência. Resta saber se o Conselho de Administração fará alguma ressalva, ao menos em relação ao processo. E também resta saber se o xerife do mercado vai atuar de alguma forma nesse caso específico.

    Agora é só esperar pra saber.

    “Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA”.
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  • Novo rebaixamento do rating brasileiro

    Mais uma mostra da percepção negativa sobre a economia brasileira

    Postado dia 12 de maio de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    brasileiro

    Foto: Reprodução/Internet

    Mais uma vez, as incertezas políticas e a redução da governabilidade afetam a economia. O fracasso do governo em estabilizar as perspectivas para as finanças públicas e o ambiente político desafiador fizeram com que a Fitch rebaixasse novamente a nota do Brasil.

    A agência também alertou quanto à perspectiva negativa – ou seja, a possibilidade de um novo rebaixamento em um futuro próximo.

    É o terceiro rebaixamento da Fitch, que retirou o grau de investimento do país em outubro do ano passado. Segundo a agência, “as perspectivas de crescimento de curto prazo continuaram a se enfraquecer desde o rebaixamento do Brasil para BB+ em dezembro de 2015. A agência agora prevê que o crescimento ficará em -3,8%% em 2016 e em 0,5% em 2017, abaixo da previsão feita em dezembro, de -2,5% e 1,2%, respectivamente”

    Só para constar, a Moody’s e a S&P também já haviam retirado o grau de investimento, em fevereiro deste ano e setembro de 2015, respectivamente. Ambas também alertaram quanto à possibilidade de um novo rebaixamento. A S&P, após retirar o grau de investimento, já rebaixou a nota do país uma vez, em fevereiro deste ano.

    O cenário não é bom. Uma perspectiva negativa demonstra a falta de crença em uma melhora da economia, o que significa uma fuga cada vez maior de capitais do país e, aí, menos investimentos, mais dificuldades para as companhias se capitalizarem e um dólar mais alto.

    A interrupção do processo de impeachment mostrou como a crise política tem um grande impacto sobre a economia – o Ibovespa chegou a amargar perdas de mais de 3%, se recuperando ao final do dia, e o dólar chegou a ter uma alta de quase 5%, batendo R$ 3,6767.

    A publicação de uma notícia informando a volta da discussão do processo pode dar um fôlego para o mercado amanhã. Mas só uma (ou mais) boa notícia pode colocar a economia nos trilhos de novo.

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  • O leão pode fazer uma boa ação

    Direcione seu imposto de renda para projetos sociais – de sua escolha

    Postado dia 27 de abril de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    sociais

    Foto: Reprodução/Internet

    Atenção, atenção, atrasados de plantão!

    Se você é uma daquelas pessoas que sempre reclama que pagar impostos é um absurdo porque não tem ideia do que é feito com o dinheiro, ainda dá tempo de fazer uma boa ação.

    Se você optar pela declaração de imposto de renda completa (ou seja, por deduções legais), parte do imposto de renda devido, independentemente de você ter direto à restituição ou ter que pagar o imposto, pode ser direcionada diretamente a projetos de caridade, cultura e esporte.

    E a melhor parte disso é que é você pode indicar o nome de uma entidade para receber o dinheiro!

    Trata-se de um caso de renúncia fiscal, ou seja, o ente federativo renuncia a uma parcela do imposto que deveria receber em benefício dos projetos que mencionei acima.

    Infelizmente, não é possível destinar todo o imposto para o projeto. Existe um limite total, de 8% do imposto, que pode ser dividido entre diversos projetos, observados os seguintes limites:

    • até 6% para Fundos da Infância e Adolescência, Fundos do Idoso coordenados pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal, bem como projetos aprovados pelos ministérios da Cultura e do Esporte;
    • até 1% para projetos do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas); e
    • até 1% para o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), ou seja, para pessoas com câncer.

    Mas como isso funciona?

    Ao longo do ano, você pode realizar doações para projetos cadastrados, depositando o valor desejado diretamente na conta da entidade. Não se esqueça de verificar qual o limite da doação – você pode usar um simulador no site da receita federal para fazer isso –  e se a entidade é cadastrada no programa.

    A entidade deverá emitir um recibo e encaminhá-lo a você. No próximo ano, ao fazer sua declaração de Imposto de Renda, é só informar a doação. O valor será deduzido do imposto a pagar.

    Mas, se você só está sabendo disso agora e quer aproveitar a declaração de 2016, pode realizar a doação por meio do próprio programa da declaração do imposto de renda. Nessa hipótese, só é possível beneficiar fundos da criança e do adolescente e até o limite de 3% do imposto (desde que aqueles limites máximos que eu mencionei lá em cima não sejam ultrapassados também).

    Para isso, depois de preencher sua declaração e optar pela declaração por deduções legais, clique em “Resumo da Declaração” e em “Doação diretamente na Declaração – ECA”. Selecione, então, o tipo de fundo, o estado e o município ao qual pertencem. Digite o valor que você deseja doar (o valor máximo é indicado pelo próprio programa) e clique em ok.

    O valor doado é automaticamente descontado do que você deveria pagar de imposto. A partir daí, é só imprimir a DARF e pagá-la.

    Para escolher a entidade que deverá receber o valor, você deverá informar o Conselho Municipal. Uma sugestão: entre em contato com a entidade que você quer beneficiar, pois muitas delas realizam o procedimento todo para você.

    E vale a pena ressaltar, mais uma vez: você não vai tirar mais dinheiro do seu bolso, mas somente direcionar o imposto que pagaria ou que deve ter pago para um projeto de sua escolha.

    E aí? Vamos fazer uma boa ação?

    “Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA”.
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