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Luiz Edmundo

Profissão: Professor de economia

Cidade: Mogi das Cruzes

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor. Desenvolve estudo sobre teoria econômica, microeconomia e organização da produção. Interessa por estudos relacionados à cultura e a política como fatores básicos da configuração da sociedade. Observador atento dos mercados como centro da vida econômica e sensor da estabilidade social. Desenvolveu trabalhos acadêmicos sobre cooperativismo, produção aquícola, organização do trabalho e da produção.

  • Emprego público: um sonho brasileiro

    O brasileiro paga uma carga tributária de quase quarenta por cento de sua renda na forma de imposto, sendo que uma parte desse imposto é pago de forma direta

    Postado dia 9 de junho de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    publico

    Foto: Reprodução/Internet

    Emprego estável e bem remunerado; segurança financeira; assistência médica; aposentadoria confortável. Estes são alguns dos sonhos que alimentamos em relação às benesses que o emprego público pode nos conceder. Alcançar essas conquistas torna o individuo um ser vitorioso economicamente, um indivíduo socialmente destacado.

    No caso dos políticos então, eles adquirem também uma aura de eleitos pela sua superioridade moral e intelectual, o que lhes atribuem privilégios de uma aposentadoria com apenas 8 anos de trabalho, enquanto que a maioria dos trabalhadores têm que trabalhar 35 anos, quando homem, e  30 anos, quando mulher, para finalmente gozar de seu descanso merecido.

    A quem custa tamanhas conquistas? Ao povo, é claro, pois quem arca com os salários dos funcionários públicos são os impostos pagos pelo público. Assim, a questão objetiva é saber: vale a pena o esforço da população para tornar o trabalho e a vida, tão maravilhosa para essa casta abastada de servidores público? Casta essa que exclui de suas benesses servidores importantes como policiais, professores e médicos, mas beneficiam juízes, políticos, funcionários de empresas estatais. Cabe lembrar que o esforço tributário imposto à população é colocado por essa mesma casta de servidores que dela, da carga tributária, se abastece em suas condições excepcionais de salários e regimes de trabalho.

    O brasileiro paga uma carga tributária de quase 40% de sua renda na forma de imposto, sendo que uma parte é paga de forma direta, como é o caso do imposto de renda. Outra parte é paga indiretamente – ou seja, estão embutidos nos preços dos bens e serviços que pagamos quando os compramos. Acrescente a isso aquilo que o governa gasta acima da sua receita e o transforma em dívida para que o brasileiro pague no futuro.

    No Brasil, hoje a Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$ 4.039,3 bilhões em abril de 2016 (67,5% do PIB). E a conta continua… A inflação pode ser considerada um imposto, pois, além de reduzir do poder aquisitivo da população, ela decorre também dos excessos de emissão de moeda e crédito por parte do governo para financiar seus gastos excessivos. Somando tudo, imposto, inflação e dívida, tem-se a conta a ser paga aos servidores e aos serviços que eles prestam a sociedade.

    Se não bastasse todo esse dreno de recursos públicos, aos eleitos a servidores “especiais” da causa pública, esses bem favorecidos profissionais ainda dispõem de mais de uma centena de empresas públicas que podem servi-los com empregos para parentes e apaniguados, ou então no fornecimento de recursos para suas campanhas eleitorais. Empresas riquíssimas como Petrobras, Correios, Sabesp e Cemig estão a disposição da casta de eleitos a funcionários especiais.

    De posse de tamanho estímulo salarial, vejamos então, qual o retorno decorrente de todo esse esforço para premiar os bens aquinhoados funcionários públicos. O sistema educacional é deplorável com os piores índices de desempenho dos estudantes brasileiros no cenário mundial, a segurança com índices de violência somente comparáveis com países em estado de guerra. E o sistema previdenciário, sempre a beira da insolvência, ameaçando deixar desassistidos aqueles que contribuíram durante toda sua vida para terem uma velhice tranquila.

    Assim, quando os servidores públicos são os mais bem servidos pela sociedade, fica evidente a injusta assimetria entre o custo do serviço público e os benefícios deles decorrentes. E os méritos eventuais de tais cargos só se justificam pela esperteza individualista dessas pessoas em evidenciar a irônica sina dos povos que buscam homens fortes para “salvadores da pátria”, pois somente povos fracos precisam de homens fortes.

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  • Aquilo que os olhos não veêm

    Uma história de dois amigos filosofando sobre valores religiosos

    Postado dia 26 de maio de 2016 às 07h em Causos e Coisas

    religiosos

    Foto: Reprodução/Internet

    Em frente à minha casa havia um grande bosque de mangueiras, que apesar de ser uma propriedade particular era aberta, sem cercas e frequentada naturalmente por muitos moradores do bairro. Suas sombras agradáveis atraiam, em momentos alternados, crianças buscando mangas, casais de namorados e solitários, que naquele lugar tinham o ambiente ideal para as conversas amenas, a meditação, o estudo. Foi nesse lugar que eu conheci Wilson (Magrão para os chegados).

    Eu vivia envolto nos estudos, na busca ávida de conhecimento e do diploma para o exercício profissional. O bairro era próximo ao campus universitário onde dispúnhamos de uma biblioteca de excelência e, se não bastasse convivíamos em um ambiente onde a informação circulava com mais intensidade que em qualquer outro lugar da sociedade. (Isso foi antes de existir a Internet).

    O Magrão era pedreiro e, além do seu trabalho na construção civil, era religioso, frequentava a sua igreja e, junto a seus irmãos de fé fazia visitas a hospitais, presídios para confortar doentes e desesperados. Acordava de madrugada para estudar e meditar sobre a Bíblia. O curioso é que o Magrão lia bem, mas por falta de exercício não escrevia. Um pouco talvez pela rusticidade de suas mãos que, moldadas no trabalho com a pá, eram pouco adaptadas ao lápis.

    Éramos jovens, buscávamos o crescimento e nossos encontros naquele bosque de mangueiras em frente à minha casa eram camaradas, agradáveis e invariavelmente conversarmos sobre a leitura bíblica. Eu, estudante universitário, versado em vários assuntos e enfoques, quis trazer às nossas conversas uma visão original do texto bíblico e citei um livro do poeta paranaense Paulo Leminski, publicado na saudosa editora Brasiliense em uma coleção denominada ‘Encantos Radicais’. Nesse texto Leminski chamava a atenção para a coincidência de que tanto Jesus como Sócrates, dois grandes mestres, não terem escrito nada, mas foram os seus discípulos que legaram ao mundo os escritos sobre os mestres. Aliás, a exceção daquele momento que levaram diante de Jesus uma mulher acusada de adultério e lhe perguntaram se deviam apedrejá-la, o mestre inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo (João 8:6).

    – É isso ai Magrão, somente nesse momento que Jesus escreveu e, pior, ninguém sabe o que Ele estava escrevendo!

    – Como não? Está claro…

    -Pode consultar. A Bíblia não diz o que Jesus escrevia. – Eu lembrava claramente do texto de Leminski…”mas ninguém sabe o que ele escrevia”.

    Magrão refuta: – Ele denunciava os pecados dos presentes, do mais velho para o mais novo, de modo que todos largaram suas pedras e foram embora.

    De fato, isso não estava escrito no texto bíblico, porém o argumento do Magrão era uma dedução tão lógica e simples que eu vasculhei minhas ideias para a contra argumentação e o que veio à cabeça foi outro texto bíblico que diz: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” (Mateus 11:25)

     

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  • Meu primeiro pen drive: memórias de um velho professor

    Pen Drive? Eu perco um por semana, vou eu lembrar o meu primeiro? Mas, as tecnologias desse milênio são maravilhosas para aqueles do século passado

    Postado dia 2 de maio de 2016 às 07h em Tecnologia e Informática

     

    pen drive

    Foto: Reprodução/Internet

    Eu sei que para muitos jovens falar sobre seu primeiro pen drive é pueril, banal, nada a ver mesmo; – Pen Drive? Eu perco um por semana, vou eu lembrar o meu primeiro? Mas, as tecnologias desse milênio são maravilhosas para aqueles do século passado. E a velocidade com que essas inovações têm-se apresentado, faz até aqueles mais recentes sentirem-se ultrapassados.

    Já era professor há alguns anos quando fui lecionar em uma nova instituição. Sigo para o trabalho com a perspectiva de reproduzir a minha velha forma de apresentação do curso. GLS, como se diz: Giz, lousa e saliva!

    Qual a minha surpresa que na sala de aula estava instalado um CPU, o projetor “Datashow” e a tela para a projeção. Notando minha surpresa os alunos me informaram que aquele equipamento não era eventual, estava instalado definitivamente nas salas, e que naquela instituição todas as salas eram equipadas com esse material. Na hora percebi a necessidade de atualizar meus métodos de ensino diante desses novos recursos. Foi um momento de entusiasmo, pois essa era uma situação que eu já vislumbrava e ansiava por esses novos recursos nos quais poderiam ser inseridos vídeos, músicas e textos.

    -Poxa se eu soubesse eu teria trazido um disquete. Falei a classe.

    -Disquete, professor, o senhor é do tempo do disquete?

    – Hã não, disquete não, eu queria dizer CD… Eu poderia ter trazido um CD.

    -Que CD professor? O negócio agora é pen drive.

    – Hã é mesmo, Pen Drive? Mas é tão difícil comprar um desses… Note, eu estava em uma classe de ciência da computação, onde os alunos, do tipo “nerd”, são apaixonados por novas tecnologias. E, apesar de naqueles tempos o pen drive ser ainda uma novidade para os nãos iniciados, para pessoas como aqueles alunos, esse assunto fazia parte de seus maiores interesses.

    O aluno oportunamente abre sua mochila puxa um pen drive; – Esse aqui professor tem dois gigabits, é a melhor marca do mercado e eu lhe vendo por vinte reais.

    Foi assim que adquiri meu primeiro pen drive. E, não poderia esquecê-lo, pois através daquela pequenina forma as aulas adquiriram uma dinâmica com imagens, animações, sons, enfim, recursos inéditos que realmente trouxe novos ânimos e também novos desafios a nossa inventividade. Uma grande evolução para o nosso trabalho.

    Porém, como tudo passa, dois gigas já não são mais suficientes, a peça fica velha, desgastada e o mercado sempre oferecendo novidades, o velho companheiro passa a ser esquecido quando finalmente ele é perdido. Tudo bem, todos os arquivos salvos no computador de casa, compro um novo pen drive, agora com dezesseis gigabytes e, curiosamente, a um preço apenas um pouco maior que o meu velho pen.

    Mas eis que um belo dia, encontro meu velho pen drive na máquina de lavar roupa, limpinho. Guardo-o em uma estante como uma relíquia de um tempo nem tão remoto, mas um tempo que passa a uma velocidade que faz até aqueles mais recentes sentirem-se ultrapassados.

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  • Quem sonha, poupa

    “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?” Isaias 5: 2.

    Postado dia 7 de abril de 2016 às 09h em Negócios e Economia

     

    dinheiro

    Foto: Reprodução/Internet

    Se os versos do profeta bíblico referem-se ao uso parcimonioso do dinheiro, o poema de Bernard Mandeville, A Fábula das Abelhas, publicado entre 1714 e 1729 e que influenciou economistas fundamentais na história do pensamento econômico como Adam Smith, Keynes apontam para a importância que os gastos ostensivos dos esbanjadores são para estimular a produção de mercadorias, serviços e para a geração de empregos:

    À medida que minguaram orgulho e luxo, 
    Gradativamente deixaram os mares,
    Agora não os mercadores, mas companhias.
    Fecharam fábricas inteiras.
    Todas as artes e ofícios foram abandonados.”

    Se para a sociedade os gastos são estimulante ao seu crescimento econômico, para os indivíduos podem representar a sua ruína. A prosperidade dos indivíduos depende de uma seleção criteriosa dos gastos, do uso parcimonioso do dinheiro e de um equilíbrio entre o consumo e a poupança. Mesmo que haja uma contradição de sentidos entre o macro e o microeconômico, onde o excesso de gastos é bom para o sistema e ruim para o indivíduo, os gastos excessivos de uns estimula a produção de outros. Isso transfere recursos, premia os laboriosos e estimula o crescimento econômico.

    Poupar, por sua vez, não se limita a não consumir, mas sim a uma forma seletiva da aplicação das reservas de maneira a protegê-las da inflação e multiplicar o seu valor! O valor poupado, ao ser aplicado em ações, fundo de investimentos e alternativas outras que, mesmo que iniciada em um banco ou corretora desemboca em um sistema produtivo; uma fábrica, uma empresa ou negócios que cria os valores através da produção. O dinheiro não para debaixo do colchão, ele segue para os mercados comprando bens de consumo ou comprando bens de produção, máquinas, equipamentos, matéria primas, enfim bens para produzir mais bens.

    Poupar para investir e obter lucro no mais curto prazo é o resultado de um investimento bem sucedido. Atingir esse sucesso prescinde de autoconhecimento, saber aonde se quer chegar e, também, de conhecimento sobre os mercados, as alternativas de investimentos, letras do tesouro, fundos de renda fixa e variáveis, ações, títulos bancários, etc.

    Um investimento para a aposentadoria é de longo prazo enquanto aqueles destinados a um gasto com viagem ou automóveis serão de curto prazo. Quando estamos próximo da aposentadoria nosso investimento deve ser mais conservadores, ou seja, menos exposto a riscos, diferente dos jovens que podem expor-se a riscos maiores que alavanquem seus ganhos.

    O lucro ou o sucesso nos mercados é resultado das decisões dos indivíduos que sonham e que através dos seus sonhos sistematizam suas escolhas, submetem-se a uma disciplina de controle dos gastos e selecionam através de critérios racionais os melhores investimentos para suas poupanças. Se os benefícios sociais advindos da atividade econômica podem originar-se dos gastos ostensivos e abusivos como mencionado no poema de Mandeville, para os indivíduos os benefícios dos gastos só poderão advir da parcimônia e do uso planejado do dinheiro, como sugeriu o profeta Isaias.

     

     

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  • Os Bancos: Por que são tão importantes?

    Os bancos, de fato, criam e controlam boa parte do dinheiro em circulação na economia.

    Postado dia 15 de março de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    bancos

    Foto: Divulgação/Internet

    “25-Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

    27- Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.

    Mateus 25: 27 e 29″

    A importância dos bancos na vida das pessoas nos tempos atuais é dimensionada quando imaginamos o que aconteceria se os bancos parassem suas atividades. Quando falta outro produto qualquer no mercado, por exemplo, um remédio, cuja falta de fato tem consequência dramática aos seus consumidores, a dimensão dessa tragédia está restrita a um seguimento da sociedade.

    A atividade dos bancos, porém, perpassa por todas as pessoas, exatamente porque é através dos bancos que circula a maior parte do dinheiro. Pagamentos, poupanças, transferências monetárias são formas de circulação do dinheiro entre as pessoas. Nem sempre foi assim, houve época na qual as pessoas guardavam dinheiro debaixo dos colchões e faziam seus pagamentos pessoalmente. De lá pra cá o avanço tecnológico deu outra configuração ao dinheiro possibilitando pagamentos através de computadores caseiros, celulares, tablets, aumentado o conforto e a produtividade do trabalho. Essa circulação é intermediada por um banco que, mesmo não sendo o dono do dinheiro, têm um grande controle sobre ele.

    Mas não é apenas o controle sobre a circulação do dinheiro que tornam os bancos importantes para a economia. Ao exercerem a sua função primordial de receber depósitos e repassarem esse crédito, na forma de empréstimo a terceiros, os bancos multiplicam a quantidade de dinheiro em circulação. Esse motivo justifica a fiscalização e o controle rigoroso das autoridades governamentais, através do banco Central, sobre o funcionamento dos bancos. Os bancos, de fato, criam e controlam boa parte do dinheiro em circulação na economia.

    Assim, podemos imaginar o caos que se instalaria em um eventual colapso do sistema bancário. O transtorno gerado paralisaria o comércio, a produção, o abastecimento de mercadorias levando a sociedade a uma regressão histórica sem precedentes.

    É curioso pensar que a atividade bancária distingue-se das demais atividades comerciais pela ousadia e confiança na natureza humana. Como o próprio nome diz, vender crédito implica em acreditar em seu cliente. Vender mercadoria ou serviços implica e pouco risco de não pagamento. Imagine um balcão de uma farmácia, o cliente pede sua mercadoria paga e recebe seu produto. Não há risco nessa transação. Em um banco, porém, o cliente recebe um crédito (dinheiro) e deixa a promessa de voltar para pagar esse crédito. Talvez, a resposta à pergunta do porque os bancos são tão importantes seja exatamente por essa ousadia e confiança em seus clientes!

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  • A microfísica do crescimento econômico

    Se houver otimismo em relação ao futuro, haverá investimentos e, consequentemente, crescimento econômico

    Postado dia 22 de fevereiro de 2016 às 02h em Negócios e Economia

     

    econômico

    Foto: Divulgação/Internet

    A ciência econômica nos ensina que o crescimento econômico decorre da ação do investidor, do empresariado que ao decidir produzir mais, compra máquinas, equipamentos, contrata funcionários, estimulando os mercados e assim, retomando o crescimento.

    É ao ânimo do investidor, portanto que se atribui a razão ou causa do crescimento econômico. Mas esse ânimo ou falta dele depende da percepção que esses têm em relação ao futuro. Se houver otimismo em relação ao futuro, haverá investimentos e, consequentemente, crescimento econômico (exceto na ocorrência de externalidades, como catástrofes naturais, terremotos, etc.). Porém, caso predomine o pessimismo decorrente de crises políticas internas ou de problemas no comércio exterior, o investimento não ocorrera gerando recessão, desemprego, inflação, enfim todos os sintomas da crise econômica.

    Mas, o que orienta o investidor em suas decisões de investimento é o comportamento do consumidor, são as decisões de compra das donas de casa, dos pais de família, do consumidor final que irão criar as condições fundamentais na orientação dos investimentos. Quando em um período de recessão o consumo das famílias demonstra certa resistência, ou seja, quando o consumo declina, porém a uma taxa menor que o declínio da renda, significa que consumidor está tentando preservar seu nível de consumo, sinalizando as empresas que preservem suas ofertas de bens e serviços e assim estimule o crescimento da economia.

    É, portanto, na esfera do consumidor final que são formadas as tendências cíclicas da economia. Ou seja, a adaptação do consumidor a redução da renda, para preservar seu nível de consumo, recorre a medidas criativas que aumenta o poder de compra de seu dinheiro e por outro lado busca novas alternativas de renda, o conhecido “bico”.

    A chamada economia doméstica é recheada de sabedoria popular. Comprar no fim da feira, na chamada “hora da xepa”, é uma demonstração desse conhecimento popular sobre o funcionamento dos mercados pois, com o fim das atividades haverá menos compradores e a eminência de retornar para casa com produtos perecíveis leva os vendedores a reduzir seus preços. Como tantas outras lições: Não ir ao mercado com fome, não levar crianças as compras, privilegiar os produtos da época, pesquisar preços que na atualidade dispõem de instrumentos da mídia eletrônica altamente eficiente.

    Ao mudar suas escolhas, o consumidor orienta aos ofertantes sobre o que é importante, o que é necessário, o que deve ser produzido. Ao perceber a tendência da demanda, os vendedores devem aumentar as quantidades produzidas, levando mais bens aos mercados, reduzindo seus preços e estimulando o crescimento da economia.

    Os indivíduos constituem a microfísica das decisões de investimento, seu comportamento suas escolhas, seu juízo de valor determina se haverá crescimento ou recessão, quais produtos deverão ser produzidos ou excluídos do mercado. O indivíduo representa a essência do oikos (casa), o vocábulo grego da palavra economia; eco (oikos) nomia (estudo), ou seja, a ciência da casa, a ciência dos gastos cotidianos. Isso muito antes da economia tornar-se uma ciência política, uma ciência de ministros e assessores dos governantes

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  • Dinheiro: seus senhores e seus escravos

    O dinheiro distingue também aqueles a quem ele serve como escravo daqueles a quem ele escraviza!

    Postado dia 1 de fevereiro de 2016 às 01h em Negócios e Economia

    poupar

    Foto: Divulgação/Internet

    Todos sabem da importância do dinheiro em nossas vidas! Sim, o dinheiro é importante para cada um de nós, mas têm sua importância para a sociedade como um todo. Se não, imagine uma sociedade sem dinheiro, na qual as trocas são feitas através do escambo, mercadoria por mercadoria…, ficaria difícil efetuar as trocas sem o dinheiro que, por ser uma medida de valor, dá preço as coisas. E assim o valor de coisas diferentes pode ser comparado com base no preço.

    São muitas as funções do dinheiro, facilitador das trocas, referência de valor, forma de poder, de poupança, etc., mas a característica que o distingue das demais mercadorias é uma peculiaridade: A liquidez, ou então, a capacidade de transformar-se rapidamente em qualquer outro bem. Essa condição especial do dinheiro o torna o objeto maior dos desejos humano, – Olhem as filas de pessoas nas lotéricas sonhando como o prêmio acumulado!

    O dinheiro distingue também aqueles a quem ele serve como escravo daqueles a quem ele escraviza! Podemos considerar o contrário também, pois o dinheiro serve a todos e a todos escraviza, todos dependem dele para as trocas e todos beneficiam dele como facilitador das trocas. Porém, alguns recebem juros pelo dinheiro poupado e investido, esses tratam o dinheiro como máquinas que fazem mais dinheiro; faz o dinheiro trabalhar para si. Enquanto outros ‘ganham de dia para comer a noite’, como popularmente se diz daqueles que consomem tudo o que ganham e não poupam.

    Essa é também uma função do dinheiro, ele se auto multiplica; ‘aqueles que têm lhe serão acrescidos… ’. Poupar é a decisão de não consumir, ou dito de outra maneira, poupar é adiar sonhos. Sonhos que podem ser antecipados com um empréstimo, um financiamento. Aqueles que antecipam sonhos pagam juros e aqueles que os adiam recebem juros. Juros que no caso brasileiro são os mais altos do mundo! Muitos caem no encanto do crédito fácil sem considerar que o crédito é um serviço caro e que essas parcelas do crediário irão comprometer a renda futura! Renda que, com o endividamento, deverá ser preservada para saldar o compromisso e isso transforma o endividado em um escravo do dinheiro.

    Assim podemos distinguir os senhores dos escravos pela forma com que lidam com o dinheiro, nas mãos dos senhores o dinheiro se multiplica, adquire a forma de investimento, gera emprego e renda para outras pessoas além de si. Por sua vez, o endividado deve manter-se no trabalho, preservar sua renda como forma de saldar seus compromissos assumidos no passado do qual não poderá fugir.

    O caminho normal para se construir um futuro próspero é investindo bem e para isso, necessariamente temos que poupar. Porém sempre resta uma chance da sorte das loterias lhe sorrir, mesmo que a probabilidade que isso ocorra não seja muito animadora!

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  • Inflação: quem é o culpado?

    Quando se fala em crise econômica muita coisa vem à nossa mente: desemprego, empresas fechando suas portas, o sumiço de produtos nas prateleiras e ela, a inflação

    Postado dia 18 de janeiro de 2016 às 00h em Negócios e Economia

    inflaçao

    Foto: Divulgação/Internet

    Se perguntarmos o que é a inflação, a resposta mais imediata é: o aumento generalizado dos preços! Essa resposta nos remete a uma segunda indagação – Por que os preços sobem simultaneamente? Ou seja, todos ao mesmo tempo. Durante a década de oitenta, no Brasil, sofremos um dos mais terríveis casos de hiperinflação da história econômica da humanidade, quando os índices de elevação de preços atingiam 50, 60 e até 90% ao mês. Uma inflação nesse nível só ocorria em países em períodos de guerra. No Brasil, porém, ocorria em tempo de paz. As novas gerações podem imaginar o quão aflitiva era essa situação; naquela época, quando as pessoas recebiam seus salários corriam aos mercados para trocar o dinheiro por mercadoria, pois se esperasse para fazê-lo seu dinheiro perderia poder de compra e já não poderia comprar a mesma quantidade de mercadoria! Quem viveu naquela época não esquece…

    Naquela época, as justificativas do governo para tal descalabro eram das mais variadas, ora dizia-se que era o aumento do petróleo, ou então, o aumento dos salários, teve até um ministro que em um determinado momento culpou o chuchu pelo aumento da inflação. Ou seja, o culpado pela inflação eram os custos de produção e, como solução para isso, o governo recorria a medidas inócuas, como o controle governamental dos preços, o que invariavelmente causava o desabastecimento, o sumiço dos produtos das prateleiras dos mercados.

    Essa justificativa para inflação apontava para as empresas e seus empresários com os vilões da inflação, que em sua gana pelo lucro aumentavam os preços sem se preocupar com as aflições da população. Gerentes de supermercados foram presos, produtos eram confiscados e a inflação persistia. Tudo isso servia como cortina de fumaça para a questão objetiva da inflação que é a perda do poder aquisitivo da moeda, a sua desvalorização.

    A moeda como qualquer mercadoria tem seu valor determinado pela sua quantidade em circulação, muita moeda gera inflação.  O governo, quando gasta mais do que arrecada com imposto, para cobrir seus excessos emite mais moeda, como resultado seu valor perde poder de compra. E, para desviar sua responsabilidade aponta para as empresas como a causadora da inflação.

    Não é mera coincidência que a elevada inflação que vivemos hoje está associada à elevação da dívida pública. Com a inflação hoje na casa dos 10% ao mês, o brasileiro assiste atônito à manutenção de uma máquina pública perdulária, inchada e absolutamente ineficiente. Resta então, aos políticos governistas, inventarem novos culpados para seus próprios erros!

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  • O governo e os mercados

    Sempre há um governo protegendo os mercados de outros governos

    Postado dia 21 de dezembro de 2015 às 00h em Negócios e Economia

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    Proteger as riquezas que transitam pelos mercados é um direito disputado por partidos políticos quando concorrem ao poder, por governos nacionais quando disputam a influência sobre áreas territoriais ou países. Ou seja, quer queiramos ou não, sempre haverá governo, aquele poder que busca o monopólio da violência.

    Proteger os mercados é garantir seu funcionamento para que esse gere impostos que, por sua vez, são a sustentação dos governos. Quando os mercados crescem, os impostos aumentam. O estímulo aos mercados são os lucros. Porém, há um antagonismo entre lucro e imposto; quando se aumenta os impostos se reduz os lucros e, consequentemente, ocorre um desestímulo à atividade econômica, o que reduz ainda mais a arrecadação tributária.

    Até quanto o governo pode taxar os mercados sem correr o risco de enfraquecê-lo ao ponto no qual até a sua arrecadação tributária diminuiria? Considerando que quanto mais o governo se fortalece, mais ele pode se proteger de outros governos que, assim como ele, estão ávidos para proteger os mercados e receber seus impostos.

    Nesse caso, até onde o governo pode aumentar os impostos de modo a atingir aquele limite máximo que se ultrapassado reduziria a atividade produtiva e sacrificaria até mesmo a arrecadação dos impostos? Pois, convenhamos, se os impostos atingirem 100% da renda, ou seja, se o governo recolher tudo que se produz, ninguém produziria nada, não haveria motivos para isso e, consequentemente, não haveria imposto! Portanto entre 0% e 100% de imposto há um ponto que os impostos em excesso fazem a receita governamental diminuir, pois se os impostos são pequenos as pessoas não se importam em pagá-los, mas se forem altos, não haverá razão para produzir, pois não compensaria os ganhos. Como decorrência haveria êxodo de empreendedores para outros países onde o governo tem uma carga tributária menor!

    Em nosso país, o imposto recolhido pelo governo sobre a produção nacional gira em torno de 38%. Ou seja, de toda a riqueza gerada pelo trabalho das pessoas, 38% é pago ao governo na forma de imposto e o restante, 62% é para os indivíduos realizarem seus gastos e/ou poupança. Alguns estudos apontam como o ponto de inflexão da arrecadação tributária estaria em torno de 33%, cinco por cento abaixo da carga tributária brasileira. Nesse caso, diante de qualquer aumento tributário reduziria a atividade mercantil e, consequentemente, o próprio bolo tributário! Com menos impostos o governo se enfraquece, pois sobram menos recursos para seus programas, projetos, obras que dão sustentação a sua hegemonia politica, tornando-o vulnerável a investidas de rivais mais aptos a sucedê-lo.

    O que leva o governo a uma elevação tributária que enfraquece sua própria fonte de recurso, ou seja, os mercados que lhe dão sustento? A avidez dos governos em perpetuar-se no poder lhes leva a uma armadilha onde os excessos tributos para fortalecê-lo, reprime as trocas, reduz sua arrecadação enfraquecendo assim seus laços de comando e sustentação, o que nos leva a concluir que os governos, assim como os peixes, morrem pela boca!

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