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Luiz Edmundo

Profissão: Professor de economia

Cidade: Mogi das Cruzes

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor. Desenvolve estudo sobre teoria econômica, microeconomia e organização da produção. Interessa por estudos relacionados à cultura e a política como fatores básicos da configuração da sociedade. Observador atento dos mercados como centro da vida econômica e sensor da estabilidade social. Desenvolveu trabalhos acadêmicos sobre cooperativismo, produção aquícola, organização do trabalho e da produção.

  • Escravos do Estado

    Nessa época de declaração do Imposto de Renda, na qual sentimos o peso do Estado em nossas vidas, contemplamos os escândalos de corrupção de líderes políticos

    Postado dia 27 de março de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    estado

    Foto: Reprodução

    O Estado brasileiro tem-se mostrado um lobo feroz sobre aqueles que são os mais desprotegidos de suas investidas tributárias: os assalariados.

    Essa presa fácil do fisco tem sua receita tributada na fonte, na folha de pagamento com o IR, o INSS e o imposto sindical. Alia-se a isso a extrema eficácia do sistema arrecadatório – paradoxalmente aos serviços que o Estado presta a população, a cobrança dos impostos funciona perfeitamente, dando pouca margem para manobras de sonegação.

    Nessa época de declaração do Imposto de Renda, na qual sentimos o peso do Estado em nossas vidas, contemplamos boquiabertos frequentes escândalos de corrupção de líderes políticos e funcionários públicos, escândalos esses na qual os acusados beneficiam de tantas indulgências que a justiça não se realiza, tarda e falha.

    Diante de tanta impunidade a justiça é olhada com desconfiança pela opinião pública. Estaria ela aparelhada por aqueles políticos que ela deveria julgar? Como se referem ao Supremo Tribunal Federal ao não condenar um só político por ele julgado. Seria essa uma evidência da articulação dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, que garantiria a impunidade e a perpetuação da tolerância, da leniência com o mal feito das administrações públicas?

    O trabalhador assalariado paga por todas as promessas de um Estado que nada realiza com eficácia, nos deixando com a nítida impressão que os esforços contributivos servem apenas para alimentar a corrupção.

    A indignação é geral, vivemos períodos de profundo inconformismo, porém essa mesma força que expropria a economia do trabalhador assalariado, procura conduzir suas insatisfações para longe do alvo que de fato os libertaria da exploração.

    Assim “lideres populares” levantam bandeiras das mais variadas, porém nunca tocando no aspecto fundamental que alimenta e fortalece cada vez mais o monstro da corrupção: a elevada carga tributária a que está sujeito o trabalhador assalariado desse país.

    Nenhuma das bandeiras levantadas hoje reivindicam menores impostos.  E, associado a isso, a proposta do chamado “Estado Mínimo” nos debates político é tratada como uma escatologia, uma blasfêmia contra os interesses gerais da população. Óbvio, como diz a sabedoria popular: “Macaco não quebra o galho em que está sentado”.

    Contraditoriamente, reforça-se a ideia que a solução para as mazelas nacionais está no Estado e na ação dos políticos. Ou seja, pretendem curar o mal com a própria doença.

    A defesa do Estado conta com a adesão daqueles que, mesmo não sendo beneficiados pelos privilégios, têm na providência estatal, no seu assistencialismo, as mais prováveis expectativas de “salvação”, de melhoria social ou de elevação do padrão de vida.

    leao2Não chega aos ouvidos das populações desses trópicos os ideais liberais que pregoam a autossuficiência dos indivíduos. Ideias como “cada pessoa é, sob todos pontos de vista, mais apta e capaz de cuidar de si que qualquer outra pessoa”, de Jeremy Bentham. Não se defende o direito à prosperidade, à riqueza como uma consequência natural de quem trabalha honestamente.

    Se reduzíssemos a carga tributária, que os brasileiros pagam hoje pela metade, teríamos uma economia para os indivíduos de 20%. Isso elevaria sua poupança, podendo assim antecipar seu sonho de aposentadoria ou de independência financeira. Estimularia os mercados com o maior poder de consumo, geraria mais empregos e oportunidade de trabalho aos jovens e, também, aumentaria a receita tributária como consequência da maior atividade econômica.

    Menos imposto é mais individuo, é mais prosperidade, é mais liberdade porque nenhum Estado, nenhum governo pode ser o protagonista de nossas vidas e nem o árbitro de nossas decisões.

    Enquanto pagamos nossos impostos, vemos o desenrolar infindável de investigações e julgamentos que nunca terminam, mas sempre são substituídas por novos escândalos de corrupção que nos levam a esquecer os anteriores e nos mantêm, passivamente, pagando nossos impostos.

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  • Os bancos e os juros

    Pratica-se hoje no país a maior taxa de juros do mundo. Isso explica, em parte, a razão dos grandes lucros bancários

    Postado dia 15 de março de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    juros

    Foto: Reprodução/Internet

    Até 1964, no Brasil, emprestar dinheiro somente era permito a taxas menores que 12%. Era a chamada “Lei da Usura”. O controle da taxa de juros foi um procedimento normal na católica cultura brasileira. Além disso, a associação da atividade financeira com o pecado da usura é antiga: na Idade Média, os tribunais da Inquisição perseguiam aqueles que emprestavam dinheiro a juros.

    Assim controlado, o sistema financeiro não se expandia a ponto de dar sustentação à produção industrial de automóveis, eletrodomésticos e demais bens que necessitam de uma estrutura capaz de dar suporte a uma parcela significativa da demanda, que não dispõe de recursos para o pagamento à vista.

    Para chegar ao nível atual de liberdade na formação dos juros, os bancos passaram por várias fases em seu desenvolvimento. Em sua formação embrionária, o cambista na Idade Média, geralmente judeu, exercia a troca de moeda de nacionalidades diversas, em uma época que a Europa era ainda mais dividida em estados nacionais do que é hoje, com uma grande variedade de moeda de distintas nacionalidades.

    Hoje a maior parte dos pagamentos efetuados no comércio é realizada através do sistema financeiro. A interrupção da atividade dos bancos poderia detonar uma crise em todo o sistema econômico, afetando o comércio nacional e mundial, além da renda das famílias. Enfim, seria um caos econômico.

    De uma atividade considerada ilegal, emprestar dinheiro a juros torna-se hoje no Brasil a atividade mais bem remunerada do mercado, isso se tomarmos como referência a lucratividade dos bancos em 2015.

    Banco Lucro em 2015
    Itaú Unibanco R$ 23,35 bilhões
    Bradesco R$ 17,19 bilhões
    Banco do Brasil R$ 14,4 bilhões
    Caixa R$  7,2 bilhões
    Santander R$  6,624 bilhões
    Banrisul R$  848,8 milhões
    Paraná Banco R$  141,9 milhões

    http://www.feebpr.org.br/lucroban.htm

    Pratica-se hoje no país a maior taxa de juros do mundo. Isso explica, em parte, a razão dos grandes lucros bancários. Porém, outro elemento deve ser considerado: a ausência de competição entre os bancos. Nos Estados Unidos, por exemplo, há mais de 5.200 bancos comerciais competindo entre si pelo consumidor de crédito. No Brasil, há menos de uma centena de empresas bancárias.

    juros

    Foto: Reprodução

    Desse conjunto, apenas meia dúzia de grandes bancos detém o controle da maior parte do crédito disponível aos consumidores. Nesse caso, a atividade bancária poderia apresentar taxas de juros menores à população, se o controle governamental possibilitasse uma maior competitividade entre os bancos.

    Diante de juros tão altos para o público consumidor de crédito, a atividade dos bancos apresenta a seguinte ambiguidade: se, por um lado, existe a possibilidade de endividamento e a eventual ocorrência de insolvência – ou seja, o dinheiro emprestado não poder se ressarcido ao credor. Com isso, então, surgem ocorrências de eventos dramáticos nas vidas das pessoas, como falências, expropriações de bens e despejos – enfim o empobrecimento que, para muitas famílias, leva a verdadeiras tragédias.

    Por outro lado, a disponibilidade de crédito viabiliza aqueles projetos de longo prazo que o empreendedor não poderia realizar sem o aporte financeiro, como a construções de prédios, usinas e estradas etc. Permite também a formação de indústrias, como a automobilística, cujos compradores dependem do financiamento bancário.

    Essa ambiguidade demonstra que o crédito bancário é como uma droga que, usada corretamente, pode servir como remédio. Mas, com a dosagem errada, pode tornar-se um veneno terrível.

     

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  • O governo e sua fábrica de dinheiro

    De todas as mercadorias o dinheiro é, sem dúvida, a mais desejada

    Postado dia 13 de fevereiro de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    dinheiro

    Foto: Reprodução/Internet

    Esse desejo preferencial pelo dinheiro deve-se à liquidez, ou seja, a capacidade do dinheiro em transformar-se em qualquer outro bem, pois no processo de troca, o dinheiro é a referência comum a todas as mercadorias e serviços. É em dinheiro que dizemos o preço das coisas.

    Assim, podemos entender o poder que o fabricante do dinheiro detém. Fabricante esse, o governo, personificado na autoridade do Banco Central, a quem cabe a decisão de quanto fabricar e como distribuir o dinheiro fabricado.

    Como toda mercadoria, o valor do dinheiro depende da quantidade que é posta em circulação no mercado: se houver em grande quantidade seu valor diminuirá e, por outro lado, reduzida sua quantidade no mercado e mantida sua preferência, seu valor irá aumentar. Percebemos isso pela taxa de juros, que podemos denominar como o preço do dinheiro. Juros altos, dinheiro raro e juros baixos, grande oferta de dinheiro.

    Em uma democracia, dada sua natureza eleitoral, os gastos públicos são fator determinante da capacidade do governo em preservar-se no poder, o que o torna propenso a gastar mais do que arrecada. E, quando isso não é possível, a alterativa é a emissão de dinheiro, gerando a malfada inflação.

    Em 2015, a taxa de inflação alcançou 10,67%, ultrapassando, assim, o limite superior de 6,5%, estabelecida pelo governo. Somente os preços administrados, ou seja, aqueles preços controlados pelo governo, como energia elétrica, combustíveis, aluguéis e outros se elevaram 18,07%.

    O ano de 2015 é resultante do custo das eleições de 2014, quando para alcançar a vitória eleitoral os gastos públicos foram dobrados, a emissão de crédito e dinheiro aumentou, os preços administrados pelo governo foram represados e, assim que passou o período eleitoral, veio a dura queda na realidade.

    A inflação é especialmente dura com os assalariados que, quando atingidos, não podem reagir à perda do poder aquisitivo de seus salários. Mesmo que socorram suas poupanças transferindo seu dinheiro para outros ativos como dólar, ações, títulos bancários, os seus ganhos salariais serão invariavelmente deprimidos.

    O remédio não é menos amargo, a população quando convive com inflação elevada é obrigada a conviver também com os juros altos para combater a inflação.

    Podemos ver assim a inflação como uma espécie de imposto que todos pagam, mas assalariados serão mais afetados, imposto esse causado pelos gastos excessivos do governo, acima do que ele já arrecada na forma de imposto, que no Brasil hoje é em torno de 40% da renda do indivíduo.

    A democracia, como forma superior de organização social, capaz de prover justiça e liberdade aos indivíduos, depende de mecanismo que possa conter o descontrole governamental na produção de dinheiro, pois para satisfazer suas ambições exclusivas de preservar-se no poder, cria esse imposto chamado de inflação que reprime o poder aquisitivo das pessoas, confunde os planos dos indivíduos ou empresas gerando incertezas quanto a seus ganhos futuros.

    O imediatismo dos políticos para se eleger encarna a irônica desfaçatez com o futuro, expressa na formosa frase de John Maynard Keynes, o economista preferido dos políticos: “No futuro todos estaremos mortos”.  Como sendo o futuro, o tapete para onde são varridos os lixos da história!

     

     

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  • Poupança traz esperança

    Poupar é controlar os destinos de suas finanças e, ao mesmo tempo, é a conquista da liberdade de sonhar com dias melhores

    Postado dia 31 de janeiro de 2017 às 08h em Negócios e Economia

    poupança

    Foto: Reprodução

    A passagem de um ano para outro é uma demonstração clara da importância do planejamento e do controle sobre as nossas finanças pessoais. Começamos o ano abonado com o décimo terceiro salário, já que dezembro é aquele mês em que “ganhamos” o dobro do que recebemos nos demais meses do ano.

    Antes de pagarmos aquelas contas do começo de ano, como IPVA, IPTU, IR, as despesas com a escola das crianças, talvez um novo contrato de aluguel… Enfim, antes de pagarmos essas contas inevitáveis, surgem os apelos comerciais das festas natalinas, das viagens de férias, aqueles gastos que, apesar de evitáveis, são os mais adoráveis.

    Porém, quem resistir a esses apelos poderá pagar as despesas que virão à vista, sem juros – o que no Brasil é uma grande economia, já que estamos no país com a maior taxa de juros do mundo. Senão, a solução é parcelar a dívida e arcar com o custo dos juros.

    Essa é a importância do planejamento financeiro e da provisão de uma poupança para enfrentar os gastos futuros.

    Vale lembrar a origem do 13º salário, pois não se trata de um benefício concedido, mas sim de uma correção, no futuro, de salários não pagos no passado. Ele é a correção da passagem dos pagamentos feitos semanalmente para os pagamentos feitos mensalmente.

    Imagine que você receba $ 100,00 por semana e, considerando que o ano tem 52 semanas, você terá recebido $ 5.200,00 no ano. Quando seu salário passa a ser pago mensalmente, considerando o mês como tendo quatro semanas, seu salário passa a ser de $ 400,00 ou seja, 4X100= 400. E, se o ano tem doze meses, você então recebeu $ 4.800,00. Se acrescermos o 13º teremos então $ 5.200,00, aquela mesma quantia que você recebia quando seu salário era pago semanalmente. Com a desvantagem de que essa correção é feita apenas no final do ano.

    Assim, podemos considerar que o 13º salário é uma poupança que fazemos ao longo do ano e que nos é pago em seu final. Ok., sem a correção dos juros.

    Não importa, a verdade é que o 13º é uma grana benvinda. Certo também é que para obtê-la não foram necessários os sacrifícios ou controle, como nas poupanças feitas de modo voluntário. O que nos leva a concluir que se involuntariamente a poupança nos causa benefícios, esses benefícios seriam maiores ainda se fossem acrescidos de uma poupança voluntária.

    Certo é que poupar é um desafio ao indivíduo, pois consiste em resistir à tentação do consumismo e ao mesmo tempo ter a firmeza com os propósitos assumidos. Desafio esse que grande parte das pessoas só consegue alcançar através de medidas coercitivas, como o 13º salário e o FGTS.

    Os benefícios do 13º salário para o trabalhador são indiscutíveis, assim como para o comércio, que tem suas vendas incrementadas no final do ano. Porém, esse efeito é ilusório se compararmos com os rendimentos que o trabalhador obteria com esses valores em aplicações financeiras, como caderneta de poupança, tesouro direto, CDB, etc.

    A poupança em 2016 rendeu 8,3%, os títulos do tesouro renderam acima de 10% e as aplicações como CDB (Certificado de Depósito Bancário) renderam entre 9 e 12%.

    Comparados com os 0% pagos na correção do 13º salário e, com os apenas metade do rendimento da poupança que é pago pelo FGTS, podemos ver claramente a importância da poupança voluntária na vida dos indivíduos.

    A poupança traz esperança de uma vida melhor. Essa esperança não pode estar sobre o controle do Estado, pois cada um é responsável pelo seu futuro e pelo controle de sua situação financeira. Assim, poupar é controlar os destinos de suas finanças e, ao mesmo tempo, é a conquista da liberdade de sonhar com dias melhores.

     

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  • Adeus ano velho – retrospectiva econômica

    Talvez o futuro possa redimir o que foi esse ano de 2016 e reconhecer nele o ano da mudança, em que se iniciou um processo continuado de crescimento econômico

    Postado dia 5 de janeiro de 2017 às 09h em Negócios e Economia

    econômica

    Foto: Reprodução

    “Não esperar senão duas coisas do Estado: liberdade e segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas.”
    Frédéric Bastiat

    2016 será lembrando como o ano que a economia brasileira encolheu. Estima-se uma diminuição de 4% do PIB. Objetivamente, isso significa que todo o esforço produtivo das pessoas e organizações empresariais resultou em um valor inferior ao ano anterior. O resultado é recessão, desemprego, queda nas vendas do comércio, redução da arrecadação tributária e precarização dos serviços públicos.

    Durante esse ano, a inflação atingiu a casa dos dois dígitos, uma redução significativa do poder de compra da moeda brasileira e da poupança das pessoas. Enfim, foi um ano difícil, de resultados decepcionantes!

    A sociedade brasileira tem lutado pela sua prosperidade, com um pesado fardo sobre suas costas. Esse fardo tem sido o Estado brasileiro.

    Grande parte da riqueza criada pelo trabalho das pessoas é drenado para o Estado na forma de imposto, que se apropria de 40% da renda nacional.

    Além de voraz, incompetente. Pois a inflação é decorrente do descontrole do governo sobre a emissão de moeda e crédito. Incompetente no controle das contas pública, elevando a dívida do Estado a 70% do PIB.

    O custo do Estado na vida das pessoas pode ser medido pelo tempo necessário de contribuição que o trabalhador tem que despender para receber sua aposentadoria. Quanto mais caro o Estado, maior será o tempo de contribuição necessário para receber o direito a aposentadoria. E, isso é mais um legado nefasto do ano de 2016, o aumento do tempo de contribuição, ou redução do tempo de direito à aposentadoria.

    Em 2016, a economia brasileira sofre com as crises da política. Sem dúvida, a crise na política nacional, com o impeachment da presidente, é o principal responsável pela desconfiança do investidor nas possibilidades dos mercados brasileiros. Sem investimento, o resultado é o pior possível: recessão.

    As crises econômicas são mais graves quando o Estado é grande. E o Estado brasileiro é gigante. Um Estado que se agigantou com a justificativa de melhor servir a sociedade. Porém, o que se evidencia é exatamente o contrário, é o Estado se servindo da sociedade, que contrasta a acintosa prosperidade dos agentes público mesmo em períodos de crise. Ressalvas à grande maioria do funcionalismo público, a professores, policiais, agentes que estão em contato direto com a população que, também são vitimados pela ganância e incompetência dos dirigentes dos poderes do Estado.

    Um estado que por ser gigante é uma fonte enorme de poder, gerando disputas partidárias, corrupção dos agentes e, como consequência, o empobrecimento geral da população.

    Em 2016 esgotou-se a capacidade contributiva da sociedade. Com menos recursos, os serviços públicos deixam de ser prestados. E não é somente as festividades como carnaval e Natal que deixam de ser realizados. Mas também, atrasos nos pagamentos do funcionalismo, dos fornecedores. Enfim, a crise causada pelo excesso dos gastos e pela má gestão dos dirigentes dos poderes públicos arrasta toda a sociedade para o empobrecimento.

    No cenário internacional, uma mudança das tendências políticas aponta também para uma mudança na gestão das economias. A vitória dos conservadores na Grã-Bretanha determinando sua saída da União Europeia, a vitória republicana nas eleições presidenciais dos   EUA, a eleição de Maurício Macri na Argentina apontam para um fortalecimento dos mercados, das relações comerciais livres do intervencionismo estatal com o meio para estimular os investimentos e a retomada do crescimento.

    Talvez o futuro possa redimir o que foi esse ano de 2016 e reconhecer nele o ano da mudança, em que se iniciou um processo continuado de crescimento econômico. Diferente daqueles “voos de galinha”, ou seja, crescimento como um espasmo, logo seguido de uma recessão como é característico dos planos governamentais.

    Se isso se confirmar, então poderemos dizer que, apesar dos pesares, 2016 foi um bom ano para a economia!

     

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  • A graça dos mercados

    Marcadas pela incerteza, as bolsas de valores oferecem ganhos rápidos – e perdas bilionárias. Mas é possível investir de forma mais segura e reduzir os dois: riscos e rendimentos

    Postado dia 22 de novembro de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    mercado

    Foto: Reprodução

    O mercado tem suas leis e assim ele se distingue das loterias, mas a sua principal característica é a incerteza. Muito se pode esperar dos preços, mas não existe garantia quanto ao rumo da sua evolução; qual ativo deverá subir, e qual descerá? Como se comportará a Bolsa de Valores? E os preços dos hortifrútis após uma geada, como se comportarão? Se tivéssemos as certezas para essas questões… acho que não teria graça.

    Em 2008, quando a crise detonada no mercado imobiliário norte-americano atinge o mercado nacional, o dólar dispara. A mudança súbita da tendência da moeda, pega de surpresa grandes empresas nacionais endividadas em dólares.

    Em janeiro de 2008, um dólar no Brasil custava R$1,77. Seu valor irá declinar até julho, chegando a custar R$1,59. A partir dessa data inicia o processo de sua valorização, chegando em dezembro a R$ 2,39. Essas empresas, então com dívidas em dólar, deixaram de fazer reserva em moeda norte-americana, pois contavam com a preservação da tendência de alta do real.  Esperavam, ao deixar a conversão para o futuro, usar menos reais para comprar a moeda norte-americana. Porém, ao chegar a data de vencimento, a conta vem com um acréscimo de 50%.

    Certamente, esse caso não teve graça para Sadia, Votorantim, Aracruz Papel e Celulose, que amargaram prejuízos bilionários na época. Porém, não cabe ao mercado a culpa desses prejuízos, pois existem meios de evitar os riscos corridos. Foi a busca de lucros especulativos que as levaram a prejuízos dramáticos, prejuízos que marcaram o destino dessas empresas.

    Uma operação a termo, ou no mercado futuro, pode eliminar os ricos de uma variação brusca nos preços. Essas operações denominadas hedge (cercar ou proteger) consistem em estabelecer hoje as condições contratuais de preço e quantidade para uma entrega futura. Nesse caso comprador e vendedor aceitam negociar hoje uma certa quantidade de dólares (ou commodities agrícolas) para entrega futura, a um preço conveniente a ambas as partes.

    E, se no futuro o dólar se elevar, o comprador terá levado vantagem por ter pago um preço menor e o vendedor não obteve prejuízo pois vendeu a um preço aceitável. Se, por outro lado, o preço cair, o comprador não teve prejuízo, pois comprou a um preço razoável, mesmo sendo esse um valor maior que ele pagaria se esperasse o preço cair.

    Enfim, incorrer em risco não é uma condição inevitável nos mercados, é uma opção para atingir ganhos especulativos. Para o investidor conservador, avesso a riscos desnecessários, o mercado oferece alternativas como os hedges.

    Porém, a graça dos mercados, para muitos, está exatamente nas possibilidades de lucros rápidos.  Conta-se a história do lendário megainvestidor George Soros, que teria ganho um bilhão de dólares no mercado futuro, sem que para isso tenha gasto um só centavo.

    Durante a integração europeia no início dos anos 90, prevendo uma desvalorização da Libra Esterlina, a moeda inglesa, o investidor húngaro, naturalizado norte-americano, vende grande quantidade da moeda inglesa para entrega futura. Na data do vencimento do contrato, como previsto, a libra tinha perdido valor. O investidor adquire a moeda a um preço inferior ao recebido antecipadamente, embolsa o lucro e como o restante paga seus credores. Nesse caso, a graça está em ser bem-sucedido apesar dos riscos corridos.

    Com isso, podemos distinguir a diferença entre investidor e especulador. Se o especulador está disposto a correr risco para obter lucros excepcionais, o investidor procura eliminá-lo para garantir o lucro planejado. Ambos, porém, investidores e especuladores, para atingir seus objetivos, procuram conhecer as leis e os mecanismos do mercado – pois, se a sorte não ajudar, o azar também não atrapalhará.

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  • A Petrobras deve ser privatizada

    Dona de um monopólio, a empresa atua para seus funcionários, e não para o povo brasileiro, seu acionista. A corrupção pesa no bolso de todos nós

    Postado dia 19 de outubro de 2016 às 10h em Negócios e Economia

    Foto: Reprodução

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    A sociedade brasileira arca com uma carga tributária elevadíssima, além da inflação que tira o poder de compra da moeda elevando os preços e desvalorizando a poupança das famílias. E mais ainda, o consumidor brasileiro paga preços altos por produtos estratégicos como o combustível, sendo obrigado a bancar a incompetência gerencial e a corrupção na Petrobras.

    Sendo detentora de monopólio, essa empresa opera no mercado nacional como alguém que pesca em um aquário, sem o risco da competição e sem chance para os peixes. Sendo que a competição é o principal estímulo para o aprimoramento das empresas. Sem competição, o monopolista estabelece o seu preço acima daquele que seria o preço em condição de disputa pelo consumidor. O consumidor, por sua vez, é cativo dessa empresa que não tendo outra que possa lhe servir – é ele quem serve a empresa.

    Corrupção, contratos superfaturados, incompetência gerencial, tudo isso fez parte da história recente dessa empresa. O caso Pasadena é exemplar: uma refinaria de petróleo no estado do Texas, nos EUA, custou à empresa belga Astra Oil US$ 42 milhões em 2005. Em 2006, metade dessa refinaria é comprada pela estatal brasileira por 360 milhões de dólares. Dezessete vezes mais caro que seu valor inicial.

    Como se já não fosse caro demais, as condições contratuais da compra obrigaram a empresa do Brasil a comprar a outra metade da Astra Oil, por um valor que, somado aos gastos anteriores chegou a US$ 1,18 bilhões. Ou seja, 24 vezes mais caro que o valor inicial.

    Quem administra a Petrobras? A administração de uma Sociedade Anônima cabe a seu acionista majoritário, que nesse caso é o governo brasileiro.  Assim, é o presidente da república quem indica os dirigentes da empresa, portanto ele é o elemento inicial da cadeia de poder que governa a Petrobras.

    A história da Petrobras tem início na década 40, com o movimento pela estatização das jazidas e demais atividades de refino e distribuição dos derivados do petróleo. Esse movimento denominou-se “O petróleo é nosso”!

    Um movimento estatizante que se caracterizou como nacionalista apelidou os adversários de entreguistas. Assim, a questão do petróleo é apresentada ao público não como um dilema entre estatizar ou privatizar. É apresentado como se fosse um conflito de interesses nacionais versus os internacionais!

    Nas palavras do grande economista e pensador do Brasil, Roberto Campos:

    A criação do monopólio estatal de 1953 foi um pecado contra a lógica econômica… Criou-se uma cultura de “reserva de mercado”, hostil ao capitalismo competitivo. Surgiu uma poderosa burguesia estatal que, protegida da crítica e imune à concorrência, acumulou privilégios abusivos em termos de salários e aposentadorias”.

    “O petróleo é nosso” é uma ironia quando sugere que o monopólio estatal do petróleo beneficia a toda a sociedade. Assim, nesse célebre artigo do eminente pensador, o monopólio estatal serve, objetivamente, a seus funcionários e aos políticos que dela lançam mãos.

    A empresa é dessarte muito mais um instituto de previdência, que trabalha para os funcionários, do que uma indústria lucrativa, que trabalha para os acionistas”.

    Estabelecer a competição e a privatização no mercado de combustível é estabelecer a melhor condição para que as empresas sirvam a população que consome seus bens e serviços. É estabelecer as condições para que a empresa se aperfeiçoe e, continuamente, preste serviços melhores ao público, como é natural as empresas que competem pelo consumidor!

    E os políticos que se dediquem as causas fundamentais do Estado, como segurança, justiça, ensino fundamental, setores que acabam sendo mal atendidos pela presunção de exercer as funções que são próprias da iniciativa privada.

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  • A crise cansa

    Desde 1854, a economia americana passou por 32 recessões, com duração média de dezessete meses. Já que a queda do PIB do Brasil começou em janeiro de 2014, é hora de retomar o crescimento

    Postado dia 6 de setembro de 2016 às 10h em Negócios e Economia

    PIB

    Foto: Reprodução/Internet

    Todos se perguntam: quando voltaremos a crescer novamente? A crise cansa! Ela não é o normal, o natural, o correto! Dela decorre o desemprego, resultante da contração da atividade produtiva. A destruição das riquezas, resultante da desvalorização de ativos, como imóveis e ações. E, acima de tudo, a deterioração das expectativas, capaz de afetar o comportamento dos empresários, que deixam de investir, e das famílias, que reduzem seus gastos em consumo, agravando ainda mais as decisões de investir dos empresários

    A crise econômica é a anomalia, a doença, o que deu errado. Por outro lado, tão evidente quanto seus efeitos nocivos é o fato de que ela é passageira.

    Segundo o National Bureau of Economic Research, desde 1854, a economia americana passou por 32 recessões, com duração média de dezessete meses. Já que a queda do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil começou em janeiro de 2014, é hora de retomar o crescimento

    Alguns analistas já vislumbram o fim do ciclo de “vacas magras” logo no início de 2017. Otimismo a parte, os indicadores econômicos apresentam algumas melhoras. A queda do dólar, por exemplo, que em janeiro valia em torno de R$ 4,10 e passou para R$ 3,20 em agosto.

    Além disso, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) era de 10,54% em dezembro de 2015 e está hoje em torno de 8,96%. O Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) subiu de 37,50 pontos em janeiro desse ano para 57,50 pontos em agosto. Todos sinais que acendem o otimismo sobre a possiblidade de retomada do crescimento econômico.

    De assim se confirmar, se o crescimento econômico de fato for retomado. é estratégico revermos os nossos projetos e possibilidades de investimento e de consumo. Pois, nesse caso, os preços dos bens e serviços deverão subir com o aumento da renda, dos salários e do lucro. Os ganhos serão coletivos. As receitas tributárias deverão aumentar sem que haja aumento dos impostos, mas sim pelo aumento da massa de produtos comercializados e tributados.

    Experimentamos períodos como esses no início dos anos 70, durante o regime militar, quando o PIB chegou a 14% em 1973. Foi o período do chamado “milagre brasileiro”. Em 2010, impulsionado pela valorização da commodities, a taxa de crescimento do PIB foi de 7,5% no ano. Para depois, em 2015, regredir à taxa de -3,80%.

    Como diz a sabedoria popular: “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe”. Em economia, tudo é probabilístico. Assim, a despeito do otimismo de alguns analistas, certo mesmo é que a economia funciona como o espelho retrovisor de um automóvel: só temos certeza daquilo que já passou e nunca do que virá!

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  • O Estado Robin Hood

    Através da política fiscal, o gestor público tributa as pessoas ricas em favorecimento dos pobres. Mas este tipo de política não garante o crescimento econômico

    Postado dia 9 de agosto de 2016 às 09h em Negócios e Economia

     

    Robin Hood

    Foto: Reprodução/Internet

    Justiça seja feita; o conceito de Robin Hood que aqui usaremos não é aquele fiel à mítica história do fora-da-lei que, nas florestas de Sherwood, combatia um governo usurpador e tirânico. O conceito que usaremos refere-se ao senso comum, o sentido mais consagrado sobre o significado de Robin Hood: aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres.

    O Estado Robin Hood é aquele que, através da política fiscal, tributa as pessoas ricas e gasta este dinheiro com os pobres. Isso se dá através da progressividade do sistema tributário, que cobra taxas menores de quem ganha menos e aplica taxas maiores sobre rendas maiores.

    Quando assume este papel, o Estado reivindica o mérito de equalizar a distribuição da renda, de nivelar as diferenças sociais. E assim se contrapõe a um modelo de estado liberal, no qual a renda é distribuída através dos mecanismos de mercado e, devido a sua natureza meritocrática, de forma desigual. Esse modelo de Estado pouco intervencionista, com pequena carga tributária, pressupõe que a naturalidade dos mercados promove de maneira mais eficiente o crescimento da atividade econômica e também  é a forma mais justa de distribuição da renda.

    Para o Estado Robin Hood, a forma normal de circulação da renda, ou seja, sua distribuição através do comércio, é insuficiente para atender a “justiça social”, que invariavelmente é referida como diminuição das diferenças sociais. Lembrando: o Estado Robin Hood é democrático, legitimado por uma maioria eleitoral que acredita que é o Estado, e não seu desempenho individual, o principal responsável pela renda auferida.

    De fato, é possível ao gestor público equalizar a renda distribuída. Porém, o que essa medida não garante é o crescimento da renda. Crescimento esse que está associado ao crescimento do investimento privado.

    Nesse caso, é a iniciativa privada, e não o Estado, o responsável pelo crescimento da atividade econômica e da renda. O chamado serviço público é motivado por necessidades coletivas que, por razões diversas, não pode ser atendida pelo mercado. Segurança, justiça, educação fundamental são funções exclusiva do Estado. Ao esperar mais que isso, pode acontecer de não se obter nem ao menos isso.

    Os defensores do intervencionismo estatal irão lembrar o papel indutor do Estado da formação da indústria de base como a Petrobras e a CSN, que deram sustentação ao crescimento industrial do Brasil pós anos 50.

    Porém, se a formação dessas empresas foi efetiva ao crescimento econômico, sua preservação sob a administração pública foi equivocada. A CSN tem ganhos efetivo quando é privatizada, enquanto que a Petrobras, sob a gestão pública, protagonizou um dos maiores escândalos de corrupção da história da República, a famigerada “Operação Lava Jato “.

    Incapaz de promover o crescimento econômico, o Estado Robin Hood estabelece a igualdade de todos em um estado geral de pobreza. E, sob o pretexto de promover a distribuição da renda gerada pelo trabalho da população, pela iniciativa privada, atribui privilégios a políticos e servidores públicos, gerando corrupção e personificando salvadores da pátria, heróis de moral relativa, personagens exóticos como Macunaíma, o consagrado personagem de Mário de Andrade: um herói sem nenhum caráter!

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