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Luanda Nogueira

Profissão: Psicóloga

Cidade: Mogi das Cruzes

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual. Realiza palestras com temas da Sexualidade e Disfunções Sexuais Femininas e Masculinas. Atende em clínica e consultório particular com horário marcado

  • A importância do abraço

    Dado de coração, ele quebra muitas barreiras e silêncios, desarma muitas vezes a rigidez do outro. Dê um abraço, deixe-se abraçar!

    Postado dia 23 de junho de 2017 às 09h em Meninas e Mulheres

    Foto: Reprodução

    Às vezes fico pensando o quanto representa um abraço apertado pra cada um de nós. No abraço muitas vezes pode estar todo um antídoto para nossas tristezas, nossas dores, nossas fraquezas.

    E será que todo mundo gosta? Creio que não. Partindo da singularidade de cada um, temos direito em gostar ou não de abraço.

    Tem muitas pessoas que até querem ou precisam de um bom forte abraço, mas têm vergonha de pedir ou até de admitir. Culpa dela? Culpa de quem? Penso que a culpa é de ninguém, pois damos somente o que temos e muitas vezes aprendemos e somos educados a não expressar nossos afetos, a não tocar e nem se deixar ser tocada(o) por questões de cultura, valores, contexto, educação entre tantas outras.

    Mas vale dizer que o abraço dado de coração quebra muitas barreiras, silêncios, desarma muitas vezes a rigidez do outro – e, por que não dizer, até nossa própria rigidez.

    Quantas e quantas pessoas têm medo de ser abraçadas(os), porque no abraço sincero acabamos por deixar vir à tona tantos sentimentos, lágrimas e alegrias que muitas vezes não queremos mexer ou nem sequer que esses sentimentos sejam descobertos…

    Mas uma dica… e eu sou suspeita pois adoro um bom e forte abraço… Se permita a aproximação, se permita mesmo que sutilmente dar um leve abraço em alguém que você goste, naquele que acabou de conhecer, em sua família, amigos e muitos que buscam no seu abraço a melhor acolhida.

    Não tenho dúvidas que não só fará um bem enorme para pessoa que é abraçada, como para você que vai permitir esse abraço. Deixe os sentimentos transbordarem, dê uma via de expressão para o afeto, se permita ao amor com você e com o outro.

    O abraço não é caro e é para ser gratuito e de coração. Se não pode abraçar, abrace com os olhos, com a boca, com as palavras, com a alma. Abrace com amor. Abrace com o que você tem!

    A oportunidade que temos é agora, de demonstrar qualquer afeto seja pra quem for, pois todos nós corremos o risco de não termos mais as mesmas oportunidades amanhã, e porque não dizer se teremos daqui alguns minutos?!

    Portanto abrace já… agora! Garanto que já pensou em alguém não é?

    Não perca mais nenhum minuto… abrace e se deixe abraçar!

    Com todo carinho para você que está lendo, sinta-se abraçado(a) bem forte!!!

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  • Falar sim, fingir nunca!

    A comunicação sincera, a intimidade entre o casal, as afinidades, preliminares sem pressa e muito, muito afeto são uns dos fatores primordiais para a relação saudável do casal

    Postado dia 3 de abril de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    fingir

    Foto: Reprodução

    Uma das grandes queixas da maioria das mulheres é a falta de carinho dos seus parceiros na relação sexual. Ou seja, para muitos homens, sexo é fazer carícias breves e ir direto ao ponto – ou seja, direto na penetração.

    A relação sexual não se limita a penetração e orgasmo somente, e sim abrange um conjunto de fatores que contribuem para um maravilhoso entrelace amoroso.

    Creio que tudo parte de uma boa comunicação entre os dois, falar o que gosta e o que não gosta, qual jeito que aprecia ser tocada. Ter criatividade na cama é importantíssimo.

    O erro de algumas mulheres é acreditar que seu parceiro vai adivinhar o que ela está querendo, desejando. Muitas vezes acaba a relação sexual e não rolou a metade do que imaginava, e daí vem a grande frustração, muitas vezes nem percebida pelo parceiro.

    orgasmo 2

    Mas porque será que alguns homens não desconfiam que não estão mandando bem? Porque infelizmente ainda é grande o número de mulheres que fingem estar tendo prazer, fingem ter um orgasmo. Enfim, se você aparece satisfeita no início, no meio e no fim da relação, por que o parceiro iria se preocupar em melhorar alguma coisa?

    E o fato da mulher fingir é mais comum do que você imagina. Os motivos variam desde querer agradar seu parceiro, ou de acreditar que ele vai mudar, ou de acreditar que é assim mesmo que funciona o sexo, ou desacreditar dela mesma em não conseguir ter satisfação em sua relação sexual.

    Acredite, a relação sexual é muito mais que genitais. Não se limite a isso, salvo se você apreciar uma rapidinha – que acredito que não tem problema algum; desde que os dois curtam essa relação breve, ela pode ser prazerosa também.

    Mas quando você quer curtir sua relação, não tenha pressa, usufrua de todos os sentidos do seu corpo e do parceiro, como se atentar nos olhares, cheiros, toques, sensações diferentes, ouvir e falar coisas do agrado de cada um. Ou seja, namore, e namore devagar!

    Mas seja sincera, não escolha fingir que você está gostando se não está. Esse é o pior caminho para o casal. Para você, que continuará frustrada e nada vai mudar, e para outro, que acredita que não tem problema algum na relação, já que você sempre demonstra satisfação e, o melhor, até ¨goza¨ no final. Por que alguém deveria se preocupar com essa relação?

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  • Liberdade de expressão

    Expressar-se é importante para as mulheres, que aprendem desde cedo a ficarem caladas e não reclamarem seus direitos

    Postado dia 8 de março de 2017 às 09h em Dia Internacional da Mulher

    liberdade

    Foto: Divulgação – A cantora Madonna é um dos maiores símbolos do poder feminino na cultura pop

    Quanto mais a mulher se auto conhece, maisela se apropria e se permite a expressar o que sente, o que quer dos seus relacionamentos, da sua vida profissional e em todas as outras dimensões de sua vida.

    São muitas as mulheres que ainda tem dificuldade de se expressar no sentido do que elas querem e desejam, se comportam caladas, como se não tivessem direito algum.

    Algumas mulheres desconhecem as lutas de muitas desbravadoras que ao longo do tempo batalharam para termos direitos a estudar, direito a saúde, direito a votar e esse foi um marco valioso na vida das mulheres, direito a trabalhar, e a expressar rompendo silêncios em relação a estupros e às violências conjugais.

    No âmbito da sexualidade feminina conquistamos direitos impensáveis até décadas atrás, como direito a contracepção, autonomia do nosso corpo, ao prazer, ao orgasmo, a expressão de nossa sexualidade.

    Temos ainda muito a conquistar, no entanto penso que a maior conquista é a nossa liberdade de expressão e seja ela qual for, que seja sempre de dentro para a fora, para não adoecer nossos corpos.

    liberdade

    Foto: Reprodução

    O amor próprio faz laços com essa liberdade de expressão, pois só quando estamos confiantes, quando de fato nos apreciamos, temos consciência de que se não expressarmos pelo caminho do amor, sem dúvidas será pela via da dor, e essa dor que atravessa nosso corpo nos marca com doenças, dores e sofrimento.

    Portanto acredito que vale a pena tentarmos trilhar o caminho do amor, dar espaço a sua  sexualidade que  representa toda forma de expressão de afeto, carinho, de como lidamos com o outros, como gostamos de tocar e ser tocados.

    Expressar é importante não só para nós mulheres que de um jeito ou de outro aprendemos desde cedo a ficarmos calada e não reclamar, expressar os sentimentos é válido para todos nós seres humanos, pois se comunicar é necessário, não estamos sozinhos.

    Pra você e todas as mulheres fica meu carinho e minha mensagem de que  nossa maior conquista é poder falar o que sentimos, o que eu queremos e não queremos, o que eu permitimos e não permitimos, é dizer sim quando é sim, é dizer não quando é não.

    Se expresse e se respeite!! Feliz Dia da Mulher!

     

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  • Mulher, é preciso pensar em você!

    As mulheres ainda se preocupam muito com a satisfação do parceiro na vida sexual

    Postado dia 16 de janeiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Recentemente fui convidada por uma consultora de produtos de qualidade de vida sexual a conversar e esclarecer sobre sexualidade feminina em um grupo de mulheres, então unimos o útil ao agradável.

    Geralmente encontros como estes realizadas por profissionais preparadas é muito rico e interessante.

    Mas o que sempre me chama atenção nesses encontros é o quanto na maioria das vezes as mulheres buscam e querem primeiro saber de produtos para os seus parceiros.

    Tem algum problema nisso? Creio que não, desde que essas mulheres pensem nelas também.

    O discurso muitas vezes é de que querem algo para “aquecer” a relação, mas partindo do que tem para agradar “ele”. E elas? Como ficam? Só estão preocupadas em agradar o outro?

    Não estou aqui generalizando que todas as mulheres pensam e escolham assim, pois sei que muitas delas falam o que sentem e expressam sem medo o que quer, mas é claro, que não é a maioria das mulheres que anunciam o que desejam ou não, numa relação sexual.

    Isso porque muitas de nós mulheres não fomos educadas para nos agradar e falar o que está bom ou não está no relacionamento, pois fazendo parte de uma sociedade machista a ordem ainda persiste de que o correto é servir e agradar ao homem.

    Nada contra os homens, e sim, contra este modelo ultrapassado de que um só na relação pode ser favorecido em tudo quanto é sentido.

    Então, quando escuto essas mulheres procurando as consultoras e perguntando mais sobre os  produtos  para satisfazer seus parceiros, eu pergunto pra elas, e pra você? E o que te agrada? E o que vocês dois podiam usufruir juntos?

    Nesses encontros meu trabalho é sempre conversar, escutar, orientar e esclarecer, não vendo produtos, que aliás acho fantásticos, mas participo das descobertas e fantasias que elas compartilham, e aproveito o gancho nessas perguntas para que se apropriem mais de seus desejos, de suas escolham e principalmente pensando nelas também.

    Costumo lembrar nesses encontros de que é ótimo podermos nos permitir a conhecer produtos que dão uma incrementada na dinâmica sexual, que propiciam momentos criativos e gostosos de serem vividos a dois ou sozinhas, no entanto é importante enfatizar que produto nenhum traz solução ou faz algum milagre numa relação que não esteja bem, ou seja, se a relação não está funcional, não será produto ou lingerie linda que vai resolver a relação, pode até surtir efeito na hora, mas se houver problemas pendentes com o casal, esses sem dúvidas nenhuma vão continuar “pós cama”.

    No mais, num relacionamento sadio e com boa comunicação entre os dois, permita-se ao prazer, a quebrar tabus e relaxar, a dar prazer e também se permitir a receber prazer, pois na realidade, ainda são poucas mulheres que se permitem nesse sentido, pense nisso.

     

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  • Sexualidade, tão delicada quanto necessária

    A sexualidade humana forma a personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto que não pode ser separado dos demais

    Postado dia 10 de janeiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    sexualidade

    Foto: Reprodução/Internet

    Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo.  É energia que motiva encontrar o amor, o contato e a intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações; logo, a saúde física e mental.

    A sexualidade humana forma a personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto que não pode ser separado dos demais. Esta é a definição de sexualidade de acordo com a Organização Mundial da Saúde – da qual, aliás, poucas pessoas têm conhecimento – para então iniciar essa reflexão: falar sobre sexualidade não se limita a falar de sexo, e sim no âmbito maior do conceito.

    Quando a pessoa se permite pelo menos a compreender e se aproximar do conceito, inevitavelmente percebe que não tem como expressar a vida sem estar incluída a sexualidade humana. É a mesma coisa que falar só de vida e ignorar a morte.

    A definição da sexualidade elucida toda a forma como atuamos na vida, como nos expressamos na forma de sentir, em nossos movimentos, como eu toco os outros, como eu me sinto em todos os aspectos da vida. Isso é energia, isso é estar vivo!

    Não nego que sempre existirá um muro cultural tremendo e forte que foi construído ao longo da história da humanidade, baseado em mitos sexuais fortalecidos e tabus temerosos que se perpetuarão, infelizmente, assim como tantos outros preconceitos. Por mais que avancemos com esclarecimentos, ainda é muito grande a resistência de enfrentar ou olhar o diferente sem ter alarde, pensando em sexualidade e diversidades sexuais, entre tantos outros temas.

    Por isso, quando muitos falam que a educação tem que ser revista para minimizar os preconceitos e a violência, entre tantas outras barbáries que ocorrem por culpa de ignorâncias, fico pensando se, do tanto que se é falado, parte disso fosse colocado em prática, partindo da educação, poderíamos talvez vislumbrar um futuro menos preconceituoso, com menos tabus. Mas ainda falta a prática.

    Hoje, mais do que nunca, se faz necessário conversar e abordar o tema da sexualidade dentro das nossas casas e das nossas escolas, mas também no atendimento na área da saúde – onde percebemos o quanto a sexualidade do paciente muitas vezes é ignorada. É preciso orientar os jovens, que hoje iniciam sua vida sexual mais cedo, orientar as crianças no sentido de precaução e zelo pelo seu corpo desde já. Afinal, como falar de pedofilia se temos vergonha de falar de sexo?

    Se a criança é orientada desde cedo a cuidar de sua intimidade, se é informada de que só ela pode tocar seu corpo, não tenha dúvidas: se tentarem contra esse corpo de maneira diferente do que foi educada, é mais provável que ela fale sobre isso com alguém da sua família – o que já apresenta uma situação difícil por si só.

    Falar mais sobre sexualidade faz parte de uma desconstrução sociocultural,  tijolinho por tijolinho, é uma tarefa é árdua para nós, que atuamos e lidamos com as sexualidades dos outros, inclusive as nossas.

    Meu alento é saber que existem muitos profissionais que escutam, orientam, querem tratar e cuidar de você. Caso não esteja bem ou tenha dificuldade em tratar do tema, eu tenho orgulho de dizer que faço parte deste grupo engajado por mais educação sexual, para podermos viver e expressar livremente nossas sexualidades com mais amor e saúde emocional e física.

     

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  • Sexualidade nas práticas clínicas

    Muitos pacientes têm dúvidas sobre o assunto. Mas a maioria dos profissionais da área não tem conhecimentos suficientes para abordar a sexualidade com eficiência

    Postado dia 9 de novembro de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    sexualidade

    Foto: Reprodução

    Quando se discute sexualidade em pleno século 21, ainda é muito comum notar constrangimentos, receios, tabus e dificuldades nas pessoas para se falar sobre o assunto. Isso se deve à herança do passado, que ainda perpetua a imagem da sexualidade como algo negativo e proibido.

    Mesmo que se queira ignorar o assunto, a sexualidade se manifesta de diversas maneiras, estando presente em nossa realidade cotidiana e inclusive na prática clínica em diversas áreas da saúde.

    Em geral, na área da saúde não é raro se deparar com profissionais que têm dificuldade e desconforto em auxiliar ou orientar o paciente acerca da prática de sua sexualidade e de orientá-lo em suas dúvidas.

    A dificuldade é fato, uma vez que este profissional está inserido também em um contexto sociocultural e que para muitos não difere na questão de mitos, tabus e tantos outros preconceitos construídos em torno da sua própria sexualidade.

    Muitas pessoas acreditam que é tranquilo e natural para o profissional da saúde abordar o tema, até se depararem com a ignorância em conhecimento de quem o atende. Sem contar quando esse paciente resolve buscar ajuda, pois os tabus são tantos, que ele primeiro tenta resolver da sua maneira, e só depois, vencendo uma tremenda resistência, é que ele solicita auxilio de um profissional.

    Quando comento aqui dos profissionais da saúde, são desde enfermeiros, médicos de diversas especialidades, psicólogos, terapeutas e tantos outros que trabalham com o ser humano, pois as queixas podem chegar para qualquer um de nós, e a realidade é que a maioria não tem conhecimentos suficientes para abordar a sexualidade com eficiência.

    Como profissionais da saúde, possuímos uma força motriz na condução do processo terapêutico e a sua integralidade de abordagem. É de extrema importância considerar como está ou como foi a nossa formação no que tange à sexualidade humana.

    A população brasileira, em sua maioria, é inadequadamente educada para lidar com questões que permeiam a sexualidade, pois o tema é tratado apenas em seu aspecto reprodutivo  e a falta da educação sexual nas escolas e nos currículos de graduação limita muito a prática clínica.

    A ausência desse conhecimento é fator-chave que explica o desconforto de muitos profissionais na abordagem da saúde sexual dos pacientes.

    Todos da área da saúde necessitam de ter informações, livres de tabus e preconceitos, e por isso a busca por conhecimentos através de especializações, capacitações e leituras de produções de artigos em sexualidade é de extrema importância.

    A sexualidade é um tema amplo e o conhecimento profundo nos capacita para refletir, discutir o tema com respeito, sem dificuldade, preconceito, vergonha. Essa atitude se torna determinante para a melhor acolhida desse paciente que vem compartilhar sua vida, suas dores, suas intimidades.

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  • Acolhendo e orientando nossos adolescentes

    Informação sem orientação é como passar na escola colando: os jovens precisam ser instruídos para evitar infecções e gravidez indesejada

    Postado dia 15 de setembro de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

    jovens

    Foto: Reprodução/Internet

    Na adolescência a sexualidade é marcada intensamente pelas transformações biopsicossociais. Inúmeros conflitos e descobertas podem indicar riscos e vulnerabilidades. As possibilidades de riscos são inúmeras. Por exemplo, no início da atividade sexual, a gravidez não planejada e os casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos.

    Aliás importante ressaltar que a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passa a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.

    O discurso é quase sempre o mesmo: os jovens sempre tiveram muitas informações sobre sexo e não se justifica uma gravidez, muito menos uma infecção sexualmente transmitida. Mas do que adianta informações sem as devidas orientações?  É o mesmo que entrar colando na escola e receber o diploma no final.

    Atuo na clínica com adultos e adolescentes. Percebo na maioria das vezes o quanto falta de orientação para os nossos jovens. Eles têm, sim, muitas informações, via internet, televisão e revistas, além das próprias escolas. Mesmo assim, eles se arriscam muito no descuido do seu corpo, pois a orientação é muito falha neste sentido.

    Afirmações como: “na primeira relação sexual é difícil engrevidar”, “a camisinha é desnecessária porque incomoda e tira a sensibilidade, “está na cara do menino ou da menina se a pessoa tem alguma doença”. Acreditem, eu escuto isso de tempo em tempo em grupos de adolescentes. Não é para se assustar?

    A necessidade é cada vez maior de se criarem espaços de diálogos entre os adolescentes, profissionais da saúde e professores, considerando e respeitando esses jovens em seus aspectos subjetivos, suas singularidades, as questões relativas às identidades, práticas afetivas e sexuais no contexto das relações humanas, da cultura e dos direitos humanos.

    É primordial oferecer orientação sobre as IST, seja no contexto escolar, nos serviços de saúde ou nas famílias. Mesmo existindo o trabalho da orientação, muitos jovens não conseguem absorver o conhecimento de forma satisfatória.

    É preciso rever a maneira como as estratégias educativas vêm sendo empregadas com essa população de jovens. E considerar também o fato de adolescentes de baixa renda e baixo nível de escolaridade terem dificuldades na apreensão e assimilação de novas informações pertinentes à sexualidade e aos cuidados com a saúde do próprio corpo.

    O bom e o essencial diálogo, a escuta sem julgamentos com os nossos jovens, e a devida acolhida para orientá-los permite que o adolescente construa competências e habilidades para cuidar da sua própria saúde, seu corpo, sua vida.

     

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  • Mãe, podemos conversar?

    A falta de diálogo entre pais e filhos na puberdade e adolescência  é ainda uma realidade muito triste e presente no cenário que versa sobre a sexualidade

    Postado dia 27 de maio de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

     

    filhos

    Foto: Reprodução/Internet

    No trabalho clínico que realizo junto aos adolescentes, observo o conflito deles quando querem conversar com seus pais sobre as questões mais íntimas, e muitas vezes esses jovens se deparam com uma grande barreira, e mal conseguem se aproximar.

    Claro que não posso generalizar porque existem exceções e algumas famílias  adotam o diálogo aberto e tranquilo de modo que o adolescente possa compartilhar  suas dúvidas e  experiências, mas é necessário melhorar essa comunicação em muitas famílias.

    Interessante é que, no discurso de alguns adolescentes, eles contam que até gostariam de participar suas experiências e dúvidas com os pais, mas muitas vezes quando chegam pra falar, ou  o pai ou a mãe não tem tempo para ouvir ou, quando conseguem começar o assunto, os pais pedem para eles pararem de contar por não saberem como lidar com alguns relatos dos filhos.

    Um exemplo?

    -Mãe preciso te contar o que rolou ontem com o menino que eu estou ficando… Ah, ele me abraçou, me beijou…

    – Pode parar filha, “não quero” saber dessas coisas!!!  Só digo que tem que ter cuidado hein, olha lá o que está fazendo… Vai me chegar grávida!

    Uma oportunidade rica e íntima que o jovem tenta na aproximação com seus pais, por questões de segundos tudo vai por rio afora, e sobra então os amigos para contar  e trocar experiências. O pior é que esse(a) jovem tão cedo não vai querer contar mais nada a seu respeito.

    Este cenário é triste pois a oportunidade do adolescente poder compartilhar seus sentimentos e experiências com os pais é um momento especial, pois neste contexto familiar compreende que está acolhido, confortável e que sempre poderá confiar na família.

    Mas quando  escuto os adolescentes com suas dúvidas e angústias de terem o desejo de contar  para seus pais que deram seu primeiro beijo, de contarem  que estão “ficando” ou namorando, e principalmente no que se refere à sua orientação sexual, o que eles esboçam na maioria das vezes são medo e receio.

    Portanto, caros e queridos pais que já passaram por essas fases como a puberdade, a adolescência, vocês sabem como ninguém o turbilhão de pensamentos, sentimentos e conflitos que permeiam essa fase rica de nossa vida. Mesmo que vocês não tenham tido essa acolhida de seus pais, não tiveram diálogos, não precisamos repetir com os filhos, pois essa experiência de ser amigo deles é maravilhosa e única.

    E caso realmente não estejam preparados  para saber o que ocorre com seus filhos no sentido da sexualidade como namoros, sexo, orientação sexual entre outros, por favor, procurem ajuda profissional para as devidas orientações, pois com certeza é muito melhor a educação partir da família do que aprender de maneira equivocada na rua. Pensem nisso!

     

     

     

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  • Falando sobre Intimidade  

    Para melhor compreensão, o conceito da palavra intimidade deriva do Latim intimus, um superlativo de in, “em, dentro”, ou seja, remete ao interior, o que está guardado: “bem guardado”

    Postado dia 28 de abril de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    intimidade

    Foto: Reprodução/Internet: Intimidade  geralmente   remete  ao contexto sexual , mas vale compreender o conceito num âmbito maior

    Quando chega uma mulher ao consultório com queixas da sua vida sexual, ela chega para falar da sua intimidade maior, da sua sexualidade e de como ela se expressa.  E eu e você sabemos o quanto é difícil  abrir-se , confiar no outro e mais complicado ainda é expor nossa intimidade.

    Pensando  nisso, entre vários caminhos a percorrer no campo da sexualidade humana, hoje escolhi escrever sobre intimidade.

    Para melhor compreensão  o conceito da palavra intimidade deriva do Latim intimus, um superlativo de in, “em, dentro”, ou seja, remete ao interior, o que está guardado, “bem guardado”.

    Falar sobre intimidade  geralmente remete  ao contexto sexual, mas vale compreender o conceito num âmbito maior, abrangendo outras dimensões como a cumplicidade, a confiança, que aliás é algo primordial para os relacionamentos.

    É preciso voltar o olhar para dentro de si, observar-se com muito carinho e prestar atenção ao que esse íntimo quer te dizer, isso implica você parar um momento e observar seus desejos, suas vontades, seus afetos e principalmente prestar atenção como está seu amor próprio, sua estima.

    O exercício de mergulhar para seu interior amorosamente irá proporcionar um contato maior com você mesma, possibilitando expressar melhor o que sente, o que pensa, o que gosta, aproximando você de cada sentimento.

    O grande desafio é compartilhar com o outro a nossa intimidade, esse  selo maior que autoriza as relações fluírem mais harmoniosamente, é a troca de confiança, a cumplicidade.

    Creio que vale a pena olhar  para o seu interior, se “ des-cobrir”  , se permitir, pois se existe confiança na relação você poderá compartilhar  sem medos, autorizando expressar seus desejos, expectativas e  fantasias tranquilamente, e poderá olhar  a intimidade do outro sem reservas, trata-se de uma relação cúmplice com você e com o outro.

    Deixo só duas perguntas  para você refletir um pouco mais… se você não olhar para sua própria intimidade, como vai expressar o que  quer, o que deseja? como vai olhar e escutar a intimidade do outro?

    Portanto, intimidade é a ponte de comunicação transparente que aproxima você do outro e o outro de você, é olhar direto nos olhos, é  descobrir e descobrir o outro, é confiar.

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