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Leonardo Carrasco

Profissão: Locutor

Cidade: São Paulo

Leonardo Carrasco é ator profissional, dublador e publicitário. Trabalha com eventos culturais há dois anos, toca guitarra e violão, além de ser viciado em música, daqueles que não se contentam só em escutar, mas faz questão de ir atrás de informações, dos contextos, histórias de gravação e tudo que envolve o meio musical.

  • Jazz? O que é isso?

    Por que um artista é ou não é considerado um jazzista?

    Postado dia 1 de maio de 2017 às 08h em Cultura e Lazer

    jazz

    Foto: Reprodução

    Uma das grandes dúvidas dentro da Música é em relação ao tal Jazz. Afinal de contas, o que é jazz? Quais são suas características?

    Bem, a verdade é que rótulos sempre criam polêmicas e são mais uma necessidade do mercado fonográfico pra colocar discos e artistas separados em seções do que propriamente algo intrínseco à música. O importante é fazer Arte, no caso em forma de som, e as pessoas se emocionarem, se incomodarem, ou mesmo se divertirem com isso.

    De qualquer jeito, tentarei traçar alguns pontos que acredito serem interessantes e até ajudem quem esteja buscando novos horizontes sonoros.

    O jazz tem sua origem com os negros dos Estados Unidos, principalmente em New Orleans, Chicago e New York. Ele é uma mistura de gêneros anteriores como o Blues, a música folclórica (Folk music), a Marcha – sim, aquelas músicas feitas para bandas militares, e o Ragtime. Esse último é considerado o primeiro estilo musical americano da história! Se quiser sacar qual é a desse ragtime, recomendo escutar Scott Joplin, pois ele é considerado o Rei do ragtime.

    Como já é de praxe no mundo da música, tais gêneros foram se mesclando e tempos depois é que encontraram uma palavra pra rotular aquele novo jeito de se fazer música. Tanto que os músicos do início do século XX, período que o jazz surgiu, diziam que o que eles faziam era simplesmente música.

    Porém pra não ficar nesse chove-mas-não-molha, o que chamava à atenção e pode ser considerado a característica principal do jazz é a improvisação. O intérprete ganha um papel tão forte quanto o do compositor, coisa que diferencia da música clássica ou mesmo orquestrada nas quais os intérpretes têm a tarefa de reproduzir o que está na partitura. No jazz, a intenção é pegar um tema que identifica uma composição e a partir dele criar novos caminhos que muitas vezes surgem ali, na hora da execução propriamente dita.

    Muita gente associa o jazz a instrumentos como saxofone e outros metais, mas até por essa característica essencial do improviso no gênero, também pode-se colocar quaisquer instrumentos numa banda de jazz. Então o que foi acontecendo é que esses músicos do começo do século passado, pegavam temas conhecidos e faziam novas versões deles, mexendo nas harmonias, nos tempos, arranjos e construindo formas notórias de música que passaram a chamar muito a atenção de todos, inclusive os brancos!

    A segregação racial que existia na época, fez com que os músicos de jazz só tivessem clubes, bares e bordéis pra tocar, já que os negros eram proibidos de se apresentar em salas de concertos. Assim o jazz ganhou uma fama de música imoral.

    Os primeiros subgêneros do jazz foram o Dixieland, no qual havia um revezamento entre os músicos – enquanto um tocava a melodia, os outros tocavam contramelodias;  o Swing e suas big bands; o Bebop que já se opunha com formações pequenas  e priorizava ainda mais a improvisação; e o Jazz Modal que revolucionou ao não utilizar mais uma harmonia tonal, ou seja, se usava várias escalas com tônicas diferentes, assim o jazz ficou mais livre do que nunca pra improvisar sem fronteiras.

    Depois disso, já chegando nos anos sessenta, surgiram o Avant-garde jazz e o Free-jazz. Se a música perdera seus limites com o Jazz Modal, esses dois então fizeram uma revolução ainda maior com seu atonalismo. Muitos não conseguem apreciar tais subgêneros, pois de fato não são digeríveis logo de cara. Mas sempre vale a pena abrir os ouvidos e quebrar seus paradigmas.

    Como puderam notar, não citei nomes de músicos. Isso foi de propósito, pois não gostaria de elencar alguns artistas em detrimento de outros, além de deixar para outras oportunidades onde pretendo explorar mais essa forma tão ímpar e ao mesmo tempo universal de se fazer música.

    Deixando claro que há muitos bons jazzistas ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Seja no samba, na bossa nova, no choro, no maracatu etc, a música popular brasileira sofre influência direta do jazz e, com certeza, merece destaque em várias páginas.

    Não vou me estender mais. Espero que tal artigo desperte o interesse em quem não tem familiaridade com o jazz e peço que quem gosta do gênero comente aí temáticas para os próximos textos, afinal essas linhas que escrevi são muito pouco pra representar toda a força do jazz. É apenas o começo.

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  • The Who no Brasil!

    A banda aparentemente fará sua turnê de despedida passando por países nunca antes visitados nesses mais de 50 anos de carreira

    Postado dia 23 de fevereiro de 2017 às 08h em Cultura e Lazer

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    Foto: Divulgação

    Com declarações na internet, incluindo a de Pete Townshend, além de notícias já confirmando a tão esperada, sonhada, aguardada… Vinda da banda The Who pela PRIMEIRA vez ao Brasil, me empolguei e gostaria de falar um pouco desse quarteto tão importante na história da música popular no século XX.

    Os caras formaram a banda em Londres no ano de 1964. Infelizmente, eles não são colocados no mesmo patamar que Beatles ou Rolling Stones; ou que Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, pra citar os gigantes britânicos.

    who2Já me perguntei várias vezes o motivo disso, debato esse tema com amigos “rockistas” e não chegamos a uma conclusão plausível. Pensa só: os quatro músicos são acima da média, tanto que eles separadamente são citados por centenas de artistas como referência em seus respectivos instrumentos; álbuns clássicos, conceituais, cheios de sucessos e até óperas-rock fazem parte de seu catálogo de discos; e a banda era um turbilhão de fúria em palco, com performances de tirar o fôlego de qualquer um que estivesse na plateia. Então o que lhes faltam pra estarem a altura (eles estão, mas não são tratados como tal) desses nomes participantes do Olimpo do rock?

    Bom, ao invés de esperar uma resposta, prefiro fazer minha parte e exaltá-los! Uma banda que participou do movimento mod, passou para o hard rock, fez um som que pode ser considerado primórdio do punk rock, além de ter canções que posteriormente virariam o chamado power pop e exploraram em seu lirismo assuntos como rebeldia juvenil, questionamentos humanos/existenciais, amor, sexo, drogas e sobre o próprio rock´n´roll sem ser hedonista, já responde por si só muita coisa.

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    No total, foram lançados 11 álbuns de estúdio, oito deles com a formação original que contava com uma das cozinhas mais poderosas da música pop: o insano Keith Moon e o virtuoso das quatro cordas John Entwistle. O primeiro faleceu logo após o lançamento do disco Who Are You, em 1978, devido a uma dose excessiva de remédios na tentativa de combater seu alcoolismo incontrolável. Muitos dizem que ele não era o arquétipo de super baterista, tecnicamente falando, porém ele nasceu para ser o dono das baquetas especificamente do The Who. Não tem muito o que explicar, isso é fato.

    Em 1990, pra não dizer que não há reconhecimento pelo legado, os caras foram incluídos no Rock´n´roll Hall of Fame e foram chamados de principais candidatos a uma utópica eleição de A Maior Banda do Mundo. Apenas Beatles, Led e Stones foram encarados dessa forma por tal entidade.

    Chegando em 1996, os caras acompanhados de vários músicos de apoio, incluindo o baterista Zak Starkey (filho de Ringo Starr) que realizou um sonho de infância ao tocar com Townshend & cia, inovaram ao tocar o álbum Quadrophenia na íntegra. Por que considero inovação? Porque, tirando o Pink Floyd, não acontecia de bandas tocarem discos inteiros em turnês posteriores, apenas quando estavam promovendo o lançamento de um disco. Hoje em dia, isso está manjadíssimo!

    who4Alguns anos depois, Entwistle foi encontrado morto em seu quarto com uma quantidade alta de cocaína em seu sangue, na véspera de uma turnê que a banda faria em 2002.

    Dois anos mais, os remanescentes Roger Daltrey e Townshend lançaram duas músicas inéditas numa coletânea chamada Then and Now: Old Red Wine e em 2006, saiu o, até então, último álbum do The Who, intitulado Endless Wire, após longos 24 anos sem um disco de estúdio!

    Um momento que vale ser registrado aqui é a participação deles nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Na cerimônia de encerramento, eles mandaram um set list com Baba O’Riley, See Me Feel Me e My Generation.

    Com mais de 100 milhões de discos vendidos, The Who está no coração de inúmeros fãs e aparentemente fará sua derradeira turnê de despedida passando por países nunca antes visitados nesses mais de 50 anos de carreira. E podem acreditar: eles virão pra América do Sul!

    Preparem-se para enlouquecer e guardarem tal evento em sua memória afetiva pra eternidade. Sabe aquelas histórias que nossos avós contam pra gente? Pois é exatamente isso que faremos com nossos netos um dia!

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  • Eu gosto é de Natal! Então….

    O foco aqui é colocar alguns sons que tem a ver com o Natal, porém dificilmente são lembrados em detrimento das famigeradas que prefiro não citar, pois você SABE quais são...

    Postado dia 23 de dezembro de 2016 às 09h em Especial de Natal

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    Foto: Reprodução

    O fim do ano está cada vez mais próximo e sempre quando chegamos a essa época, nos pegamos refletindo sobre os últimos doze meses, não é mesmo?

    Pensamos se 2016 valeu a pena, se realizamos nossos sonhos/metas, se foi melhor que 2015, o que podemos fazer pra 2017 ser mais satisfatório… questões não faltam. Na companhia de tudo isto, também vem os clichês das duas datas comemorativas: o Natal e o Reveillon.

    Bom, como a primeira está quase aí, resolvi abordar um tema que sempre me incomodou desde criança: por que as pessoas entram no automático – não só neste caso, diga-se de passagem – e passam esses dias do mesmo jeito. Festejando, comemorando, comendo como se a comida da Terra estivesse em extinção, buscando muvuca e, como não poderia deixar de ser, escutando as mesmas músicas!

    O foco aqui é colocar alguns sons que tem a ver com o Natal, porém dificilmente são lembrados em detrimento das famigeradas que prefiro não citar, pois você SABE quais são.

    Mas também aproveito pra deixar em aberto esse debate de que se queremos mudanças na nossa vida, o primeiro passo é mudar nossas atitudes, afinal só temos resultados distintos, se colocamos em prática pensamentos, palavras e atitudes diferentes. Engraçado como isso é tão simples e, racionalmente, todo mundo balança a cabeça ou solta aquele sonoro “claro!”, todavia a maioria volta pro costumeiro cotidiano e sua zona de conforto tão familiar.

    Enfim, deixadas as indagações de lado – isso eu deixo a critério de cada um, assim como já tô fazendo aquele bate papo com minha consciência – vou listar algumas ‘belas’ canções natalinas.

    – Smashing Pumpkins “Christmastime”: lançada em 1997 em uma compilação chamada A Very Special Christmas 3, composta pelo dono da bola Billy Corgan e nunca saída em disco da própria banda. É belíssima pra quem curte a estranheza dos caras. Vale citar que nessa coletânea temos nomes como Patti Smith, Chris Cornell, No Doubt, Sting e Hootie & The Blowfish;

    – Run-DMC “Christmas in Hollis”: essa faixa é mais famosa, tem até videoclipe e está em vários lugares. Por exemplo, aparece nas trilhas dos filmes Abaixo de Zero (1987), Duro de Matar (1988) e em seriados como Os Simpsons, The Office, Orange is the New Black, Chuck etc;

    – Eurythmics “Winter Wonderland”: música típica e tradicional de Natal escrita em 1934, regravada por mais de 200 artistas e que ficou maravilhosa nesta versão da dupla britânica de synth pop. Também saiu apenas na compilação A Very Special Christmas, no primeiro volume lançado em 1987;

    – Vandals “Oi To The World”: essa banda punk lançou um álbum natalino muito divertido, em 1996, homônimo a faixa escolhida que foi escrita pelo baixista Joe Escalante e coverizada pelo No Doubt cujo qual tinha uma relação próxima aos Vandals;

    – Garotos Podres “Papai Noel Velho Batuta”: oitava faixa do primeiro álbum dos caras que é considerado um dos cinco melhores discos do gênero no Brasil, esse som é clássico e faz uma feroz crítica a maneira como tal data é comercializada, inclusive tendo de sofrer mudanças pra burlar a censura vigente na época (1985);

    – The Who “Christmas”: composta pelo genial Pete Townshend para a ópera rock Tommy, esta faixa faz parte, é claro, do contexto do álbum, porém funciona bem se escutada separada das outras e tem uma carga de desespero que emociona sempre;

    – Raimundos “Infeliz Natal”: mais uma brasileira e mais uma música de protesto. Podemos dizer que é atípica no catálogo do quarteto, já que eles são conhecidos pelo seu humor escrachado e muitas vezes ácido. Essa faixa é uma das três inéditas do disco Cesta Básica de 1996 que, além delas, têm duas covers – Ramones “Merry Christmas” (mais uma de Natal!) e Sex Pistols “Bodies” – e quatro faixas ao vivo gravadas na apresentação histórica da banda no finado festival Hollywood Rock no mesmo ano do lançamento da coletânea.

    Paro por aqui, porém deixei um montão de fora e quem sabe/talvez eu faça uma continuação daqui 365 dias? Bom, isso só o sr. Tempo pode responder!

    Um forte abraço, boas festas e até o ano que vem. Tchau, terráqueos.

     

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  • Black Sabbath: O último concerto dos pais do metal na América do Sul

    Finalmente realizei meu sonho de quase 20 anos: ver Geezer Butler, Tony Iommi e Ozzy Osbourne juntos, no mesmo palco, tocando clássicos do Black Sabbath!

    Postado dia 8 de dezembro de 2016 às 09h em Cultura e Lazer

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    Foto: Divulgação

    O dia em si foi cansativo, pois após um sol escaldante que até me deixou parecendo um grande camarão, a chuva tomou conta da mais de uma hora e meia de show. Agora me pergunta se não faria tudo de novo? Pergunta retórica ao extremo.

    Quando entrei de vez na pista, afinal tinha muita gente e ainda por cima fiz aquele pit stop básico pra não correr o risco de ter de abandonar o concerto no meio, a banda de abertura Rival Sons já estava no palco aquecendo o público sedento pelo rock´n´roll pesado dos anos 70. Sinceramente, achei a banda bacana mas não é um som imperdível, ou mesmo que tivesse algum quê de novidade: música totalmente saudosista. Pra isso, prefiro beber direto da fonte!

    O trio responsável por colocar o tal heavy metal no mapa da música, entrou em cena às 20h35 e estava acompanhado de dois caras que já tocam na banda solo do Ozzy: o tecladista Adam Wakeman (sim, filho do lendário Rick Wakeman) que já tocou com Annie Lennox e Travis, entre outros; e o baterista americano Tommy Clufetos (esse que já tocou com Rob Zombie e Alice Cooper). Ambos são exímios músicos e dão um frescor, afinal os quase setentões já não têm mais a mesma disposição dos tempos áureos.

    O repertório executado no estádio do Morumbi foi exatamente o mesmo que rolou nos três shows anteriores nas capitais Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro. Porém, os quase 70 mil fãs foram lá pra isso mesmo: assistir à banda tocar treze clássicos pra eternizar na memória!

    Antes da banda entrar no palco, rolou um vídeo muito louco de um demônio destruindo uma cidade, pra aí sim ouvirmos as badaladas que antecedem o riff mais tenebroso da história do rock: o da canção Black Sabbath!

    Foto: Divulgação

    Foto: Divulgação

    Aí, meu amigo, foi um petardo atrás do outro: Fairies Wear Boots, After Forever e Into The Void na sequência deixaram todos que estavam ao meu redor alucinados! Até fiz “amizades” cantando as melodias e riffs certeiros que amamos tanto.

    Um dos momentos mais insanos de todo o show, pelo menos pra mim, foi Snowblind. A chuva tava forte, eu tava ensopado e foi algo de lavar a alma. Cantei com toda minha força e agradeci aos céus por aquilo.

    E quando tava achando que ia dar uma relaxada, o comedor de morcegos apresenta os músicos da banda, inclusive foi como se tivesse numa partida de futebol e a torcida vibrava com cada jogador, principalmente Geezer e Iommi, e anuncia War Pigs. Só tenho uma declaração a fazer: cê é louco! Ozzy cantava um verso, o público cantava outro e assim foi um daqueles instantes que percebemos que a história tá ali, passando diante de nossos olhos.

    Depois teve a dobradinha do disco de estreia: Behind The Wall of Sleep e N.I.B. Me senti aquele moleque que escutava a exaustão essas duas faixas na sequência. Pra mim, elas juntas são uma mini-opereta do Mal.

    Aí confesso que deu uma baixada na energia, pois eles tocaram um pedaço de Rat Salad e rolou aquele solo clichê de bateria. Como disse antes, Clufetos é um baita músico, perfeito pra ocupar a posição do grande Bill Ward, mas convenhamos que seria mais legal se tivesse rolado uma 14ª música no set list. Lord of This World? Supernaut? Sweet Leaf? Electric Funeral? Enfim, opções não faltam pra eles!

    Foto: DIvulgação

    Foto: DIvulgação

    Aí o rapaz deu a deixa pra começar um senhor clássico absoluto do rock: Iron Man. Por mais manjada que seja, todo mundo pirou ao ver o grupo de Birmingham executando-a. Ah… aquele som magistral ecoando pelos ares paulistas tá agora nos meus ouvidos.

    Após tal ato, foi a vez de Tony se esbaldar na sua guitarra Gibson SG com a última faixa do subestimado álbum “Technical Ecstasy”, Dirty Women. Percebi que algumas pessoas deram uma dispersada nessa hora. Infelizmente, ainda tem uns que vão ao show só pra curtir as músicas tocadas em rádio. Azar o deles.

    Então outro momento épico ocorreu: Ozzy diz que a próxima será Children of The Grave. Meu Deus, tem coisa mais pesada que isso? Não falo de velocidade, de barulho, me refiro a algo que realmente soa como se tivesse caindo toneladas de som na sua cabeça! Mais uma vez, olhei pro céu e me senti grato por viver aquilo.

    A banda faz aquela saída ensaiada pra ter o famigerado bis e, como não poderia deixar de ser, volta pra tocar sua música assinatura Paranoid de 1970. Bom, essa todos cantaram a letra perfeitamente, menos Ozzy Osbourne que trocou umas palavras. Tenho certeza que ninguém se importou e a maioria nem percebeu. Dane-se. Era o último ato do Black Sabbath em terras sul-americanas.

    Quem viu, nunca mais vai esquecer; quem não viu… meus pêsames. O Fim chegou. Agora só os discos e os vídeos podem continuar fazendo a mente das próximas gerações. God bless you all!

     

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  • Uma viagem durante os 18 anos vividos pelo Dire Straits

    O Dire Straits já vendeu mais de 100 milhões de discos ao redor do planeta!

    Postado dia 17 de novembro de 2016 às 08h em Cultura e Lazer

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    Foto: Reprodução

    Em uma tradução livre, o nome da banda significa Aperto Terrível. Esta expressão ‘dire strait’ é uma gíria britânica bastante usada que quer dizer que a pessoa tá passando por uma situação financeira ruim. É engraçado pensar que tal nome foi dado por um amigo dos caras e que, no final das contas, a banda se tornou sinônimo de música bem sucedida considerando que o Dire Straits já vendeu mais de 100 milhões de discos ao redor do planeta!

    Logicamente que o gênio por trás desse grupo é o guitarrista, vocalista e compositor Mark Knopfler. Ele nasceu em Glasgow, uma das três cidades mais populosas do Reino Unido e de onde vieram os irmãos Young do AC/DC. Ele foi muito criticado no início de sua trajetória por não ter uma super voz e até mesmo por não ter o protótipo de guitar hero. Ainda bem que ele não desistiu de seus sonhos!

    Os primórdios do Dire Straits estão na banda Cafe Racers. Assim a primeira formação era composta por John Illsley, único membro que permaneceu todo o tempo na banda, podendo ser chamado de braço direito de Knopfler, e que começou tocando guitarra, porém passou para o baixo pouco tempo antes de conhecer Mark; o irmão do líder, David Knopfler, guitarrista que ficou com a missão de fazer a base das músicas e que já dividia apartamento com Illsley antes do irmão mais velho ir para Londres e morar com os dois; e, por fim, o baterista Pick Withers, nascido em Leicester.

    Pois bem, era o ano de 1977 e os rapazes gravaram umas demos, entre elas Sultans of Swing, Water of Love, Down To The Waterline e Wild West End, quatro faixas que integram o primeiro álbum lançado em outubro de 1978, chamado simplesmente Dire Straits. Este disco já tem o timbre tão característico que é marca registrada de Mark Knopfler & cia. e na época não havia quem fizesse esse tipo de som – contextualizando, estávamos em pleno boom do punk rock.

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    Como a mídia sempre teve necessidade de rotular música, começou-se a chama-lo de pub rock, afinal a banda é oriunda dos vários pubs espalhados pela Grã-Bretanha. A influência veio do boogie-woogie, um subgênero do blues bem marcado pela mão esquerda do piano que misturava country com gospel e a guitarra acompanhava tal ritmo, por isso ter uma levada peculiar e também foi daí que naturalmente Knopfler teve a sacada de tocar sem palheta, pois o som de suas seis cordas tocadas com o polegar, dedos indicador e médio davam exatamente a ‘voz’ que ele buscava como instrumentista.

    Menos de um ano depois, saiu no mês de abril o intitulado Communiqué que manteve a pegada da banda, porém tinha arranjos mais sofisticados e contou com o tecladista Boby Bear na formação do Dire Straits. As canções, todas escritas por Mark, formam um trabalho muito consistente e as canções trabalhadas para rádio foram a faixa título, Once Upon A Time In The West e Lady Writer. Esta última, mais conhecida dos brasileiros, é uma provável referência à escritora Marina Warner, cuja qual Mark viu em um programa de TV. Em 1979, a banda já era muito famosa em outros países, principalmente na França onde o segundo disco alcançou o topo da parada.

    Em 1980, sai o terceiro álbum Making Movies produzido por Mark Knopfler em parceria com Jimmy Iovine, e que já não conta com David, este substituído no meio das gravações por Sid McGinnis. O responsável pelos teclados também não foi o mesmo do lançamento anterior: agora Roy Bittan era o nome que ocupava esta posição. A propósito, esse disco já deu uma guinada diferente dos dois anteriores e dava mais a cara do que o Dire Straits se tornaria nos anos seguintes.

    Destaques deste disco? Tunnel of Love, a qual a intro foi tirada de The Carousel Waltz dos compositores americanos Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, trilha de uma famosa comédia dos EUA; Romeo and Juliet, uma composição bem pessoal de Mark e Expresso Love.

    Dois anos se passaram, e veio o quarto trabalho dos caras, Love Over Gold. Neste álbum, Mark Knopfler foi responsável pela produção sozinho, ou seja, cada vez mais ele tomava as rédeas da obra da banda, já que ele era o único compositor. Tal disco também teve mudanças na formação: entrou o tecladista Alan Clark e o guitarrista Hal Lindes. Após o lançamento, o batera Pick Withers resolveu sair do DS para tocar jazz e se dedicar mais a sua família. Porém, isso pode ser atribuído ao maior uso de teclado e sintetizador (Ed Walsh foi quem tocou este último instrumento) e, por isso, Pick tomou a decisão de deixar a banda.

    Sonoramente falando, a grande mudança foram as faixas possuírem uma grande duração se aproximando ao rock progressivo, assim não tendo tanto espaço nas rádios, apesar do DS continuar fazendo muito sucesso, principalmente em shows. O destaque fica pra música Telegraph Road com seus mais de 14 minutos e é a música de maior duração de toda a carreira da banda.

    Chegando em 1983, é lançado o EP ExtendedancEPlay que tem quatro faixas e contava com o baterista Terry Williams. É nele que se encontra o single Twisting by The Pool, uma das canções que mais curti em minha infância!

    Neste mesmo ano, Mark se envolveu em outros projetos musicais, como por exemplo a composição das trilhas sonoras de Local Hero, um filme escocês, e de Cal de 1984; a produção do disco Infidels de Bob Dylan, um de seus grandes ídolos e que sempre foi uma referência direta a sua maneira de cantar; e compôs a música Private Dancer para Tina Turner, apenas um dos maiores sucessos dela!

    O mais incrível é que após quatro álbuns e um EP, o auge do DS ainda viria em 1985: Brothers In Arms! Sim, esse é realmente o álbum que marcou a indústria fonográfica eternamente, afinal ele foi pioneiro em usar um processo de gravação e mixagem totalmente digital. Outro fato marcante é ele ter sido o primeiro CD a alcançar uma vendagem superior a um milhão de cópias. Aliás, até no Brasil este disco alcançou o topo da parada. Não é a toa que a maioria dos seres humanos conhece a banda através deste título.

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    Os maiores sucessos dele foram Walk of Life, So Far Away, Why Worry, a faixa título e, claro, Money For Nothing. O videoclipe desta última foi o primeiro a ser exibido pela MTV do Reino Unido e foi executada a exaustão por todas as MTVs mundo afora. Também conta com a participação de Sting nos vocais e na composição.

    Houveram aí mais mudanças na formação: a adição de mais um tecladista, Guy Fletcher e a saída de Hal Lindes, substituído por Jack Sonni no meio das gravações. Também ocorreu a efetivação de Terry Williams na bateria do DS.

    Após uma extensa turnê pra promover o quinto álbum, incluindo uma participação histórica no Live Aid que alavancou ainda mais as vendas da banda, Mark Knopfler volta a se dedicar a mais trilhas de filmes, como A Princesa Prometida de 1987.

    No ano seguinte, a banda retorna do hiato e toca em um tributo a Nelson Mandela pelo seu 70º aniversário. Lá, eles são acompanhados por Elton John e Eric Clapton, e então começou uma forte amizade entre os dois guitarristas que perdura até hoje. Porém, pouco tempo depois Terry Williams abandona o grupo e Mark Knopfler anuncia o fim do DS por tempo indeterminado.

    Neste período, Mark monta uma banda chamada Notting Hillbillies que deu vazão a uma antiga vontade dele de fazer música folk, blues e country sem a menor preocupação comercial. Um álbum foi lançado com esse grupo chamado Missing… Presumed Having a Good Time. Até por conta desse envolvimento com a country music, Mark realizou um sonho de infância: gravou um disco ao lado do lendário Chet Atkins. Disco que ganhou três grammys, diga-se de passagem.

    Começando a década de 90, o Dire Straits volta a ativa e lança seu sexto álbum de estúdio em 1991 intitulado On Every Street. Obviamente, não vendeu tanto quanto seu predecessor, mas ainda assim vendeu mais de oito milhões de cópias e tem os sucessos, de rádio e MTV, Calling Elvis e Heavy Fuel. Este disco ainda contou com mais uma formação distinta, pois além de Knopfler, Illsley, Clark e Fletcher, os músicos Phil Palmer (guitarrista de Clapton), Paul Franklin (um exímio músico de estúdio), Danny Cummings (percussionista) e Jeff Porcaro (baterista do Toto) participaram da gravação.

    Depois de mais dois lançamentos de discos ao vivo, a banda anuncia o derradeiro fim em 1995. Knopfler cansou de fazer grandes turnês e decidiu focar em uma carreira solo e em mais trabalhos com trilhas sonoras.

    É até triste pensar que essa banda tão aclamada tenha apenas seis discos de estúdio, um EP e alguns álbuns ao vivo, porém Mark Knopfler tem uma carreira solo tão boa que quem não quiser ficar somente nos trabalhos do DS, pode muito bem ir atrás dos discos do mestre. Pra terem uma noção, entre discos dele e discos compostos para trilhas, são 20 lançamentos!

    Ainda por cima, o nome dele está envolvido em discos de Emmylou Harris, Bob Dylan e William Topley. Seu irmão, David, tem um disco chamado Release com sua participação, além de tocar com seu fiel escudeiro John Illsley nos discos Never Told A Soul e Glass. Aproveito o ensejo pra dizer que Illsley lançou três álbuns solo, se aposentou da música e agora dedica sua vida artística à pintura.

    Portanto, material pra gente se deliciar com as melodias únicas de Mark Freuder Knopfler não falta! Foquei mais na carreira do DS, mas quem sabe numa próxima eu não explore a carreira solo dele, não é mesmo? Até mais!

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  • Nove décadas da lenda Chuck Berry!

    O guitarrista Keith Richards já disse o seguinte sobre o mestre: “é difícil, pra mim, apresentar Chuck Berry, porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!”

    Postado dia 21 de outubro de 2016 às 11h em Cultura e Lazer

    Foto: Divulgação

    Foto: Divulgação

    Escrevo esse artigo com grande alegria, pois ao invés de fazer uma homenagem a algum falecido, falarei de um músico que completou, no dia 18 de outubro deste ano, nada mais, nada menos, que 90 anos!

    Isso mesmo! Chuck Berry está comemorando noventa primaveras e o melhor é que nós vamos ganhar um presentão com isso: um álbum de inéditas será lançado por ele no ano que vem.

    O disco se chamará apenas “Chuck” e vai conter músicas escritas e produzidas pelo mestre, um dos pioneiros desse tal de rock´n´roll. O mais incrível é que o senhor Charles Edward Anderson Berry não lança um material inédito assim desde 1979 – nesse ano ele lançou o álbum “Rock It”.

    Pensando que o Rock começou lá em 1955 e após nós já termos nos deparado com milhares de bandas, vários movimentos e subgêneros distintos, fica difícil as vezes de resgatar a importância dessa galera que começou tudo. A ideia era mesclar o blues com a música country, além do R&B, e não se pode dizer que Chuck foi o primeiro a fazer a mistura, porém ele foi um dos que fizeram da maneira mais eficaz e insana que a época permitia!

    O cara ‘só’ influenciou nomes como Elvis Presley, Beatles, Animals, Rolling Stones… e outras centenas de bandas que nem fizeram muito sucesso, não é mesmo?

    Pra vocês terem uma pequena noção, quando ele foi induzido ao Rock´n´roll Hall of Fame, o guitarrista Keith Richards soltou a seguinte sentença: “é difícil, pra mim, apresentar Chuck Berry, porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!”

    Foto: Chuck Berry com Keith Richards dos Rolling Stones

    Foto: Chuck Berry com Keith Richards dos Rolling Stones

    A formação que mais tempo o acompanhou foi o pianista Johnnie Johnson, o baterista Fred Below e o baixista Willie Dixon (outro gigante da música que teve suas composições regravadas por nomes como Led Zeppelin, Bob Dylan, The Doors, Megadeth, Grateful Dead e a lista vai longe).

    Chuck nasceu na cidade de St. Louis, estado de Missouri nos Estados Unidos, e ele bebeu muito na fonte de artistas como Nat King Cole, Louis Jordan, Muddy Waters e Bill Haley. Ou seja, percebe-se como ele realmente iniciou algo, não pegou nada pronto, digamos assim.

    Ele lançou 20 álbuns de estúdio, 12 discos ao vivo e um monte de coletâneas (não entendo pra que tantas, é mais fácil ir atrás dos álbuns mesmo!). E sua história tem absolutamente tudo a ver com o rock´n´roll. Não há como compreender esse estilo musical (e de vida) sem passar muitas horas de sua existência escutando o som de guitarra com riffs marcantes, licks definitivos, e sua maneira irreverente de cantar e de se apresentar no palco (nesse quesito, Angus Young pegou muito do sujeito em questão).

    Bom, nem só de momentos alegres vive o homem. Chuck teve sua carreira interrompida duas vezes por prisões. A primeira foi em 1959, quando foi acusado de levar uma jovem índia de 14 anos a trabalhar num clube em St. Louis com propósitos sexuais. Ele foi solto em 1963.

    A segunda foi em 1979, dessa vez considerado culpado por sonegar impostos. Felizmente para a música, ele passou apenas quatro meses na cadeia e teve de cumprir 1000 horas de trabalho comunitário fazendo shows beneficentes.

    Por fim, não vou me estender mais, porém peço encarecidamente que o senhor, ou a senhora, escute e tenha a percepção do quão imprescindível é esse dinossauro do rock pra música popular do século XX. Se vale a recomendação deste que vos fala, ouça os discos “One Dozen Berrys”, de 1958, e “Chuck Berry Is On The Top”, de 1959, pois nesse período ele estava no auge comercial e artístico.

    No final dos anos 50, a música nunca mais foi a mesma graças a Little Richard, Jerry Lee Lewis e Chuck. Sabe o que é mais bacana? Os três continuam vivos e em atividade na Terra!

     

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  • Um relato das vindas do Black Sabbath ao Brasil

    Esse ano, nós brasileiros, presenciaremos a última passagem dos pais do heavy metal por aqui e, aproveitando o ensejo, farei uma recapitulação das outras vezes que o quarteto de Birmingham esteve em terras brasileiras.

    Postado dia 5 de outubro de 2016 às 09h em Cultura e Lazer

    sabbath

    Foto: Reprodução/INternet

    A primeira passagem foi em 1992. Na época, a banda estava excursionando para promover o álbum Dehumanizer lançado em junho do mesmo ano. A formação era com o saudoso Ronnie James Dio nos vocais, Geezer Butler no baixo, Vinnie Appice na bateria, Geoff Nichols no teclado, além é claro de Tony Iommi na guitarra – o único integrante que nunca abandonou o Black Sabbath.

    Foram três apresentações em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Curitiba e uma em Porto Alegre. O repertório, logicamente, foi calcado nos três discos de estúdio gravados com o baixinho Dio. Logo, clássicos como “The Mob Rules”, “Children of The Sea”, “Die Young” e “Heaven and Hell” eram certos no repertório dessa turnê.

    Porém, é importante lembrar que o disco Dehumanizer foi lançado um dia antes do primeiro show em São Paulo, no lendário Olympia (com abertura do Viper), ou seja, ninguém conhecia as novas canções (tempos pré-internet!). Felizmente, as músicas eram muito boas e não desapontaram os fãs do Brasil que há tantos anos sonhavam em ver tal formação ao vivo. “Computer God” e “Time Machine”, por exemplo, caíram muito bem com o repertório dos outros dois álbuns.

    Iommi & cia. tocaram músicas da fase Ozzy, como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs”, e Dio conseguiu interpreta-las com maestria, não sendo problema algum para quem estava na plateia alucinado com sua potência vocal única! Outra curiosidade é que a extinta TV Manchete exibiu na época um especial com imagens dos shows.

    A banda retornou ao país em 1994 para apenas uma apresentação no finado festival Philips Monsters of Rock. Na ocasião, o evento ocorreu no estádio do Pacaembu e contou com o headliner Kiss e com as bandas: Slayer, Suicidal Tendencies, Viper, Raimundos, Angra e Dr. Sin.

    O Sabbath estava promovendo seu 17º álbum Cross Purposes, lançado no início de tal ano. A formação? Nada mais, nada menos, que ¾ da formação original! Sim, Bill Ward se juntou à banda, mas permaneceu apenas nessa turnê sulamericana, tocando no Chile e na Argentina também. O vocalista era Tony Martin. Apesar de ser um bom cantor, ele acabou decepcionando nesse show em São Paulo, pois sua voz falhou algumas vezes. O próprio Ward não estava na sua melhor forma física e, por isso mesmo, não continuou com a banda posteriormente.

    No set list, sons de várias fases como “Into The Void”, “Children of The Grave”, “Witness”, “Neon Knights”, “Headless Cross” e “Sabbath Bloody Sabbath”.

    Uma curiosidade foi o Slayer ter tocado depois do Sabbath. Kerry King, guitarrista dos thrashers, perguntado sobre tal fato, respondeu “eles já deviam ter se aposentado faz muito tempo”. Esse aí nunca teve papas na língua! De qualquer jeito, foi um show histórico considerando que essa formação fez pouquíssimos shows.

    Bom, a mesma formação que tocou em 1992 por aqui, retornou em 2009, porém com o nome de Heaven And Hell – nome do primeiro álbum sem Ozzy Osbourne nos vocais. Por isso, claro que vale ser incluído neste texto. Até porque, no ano seguinte, Dio nos deixou e agora só em vídeo podemos ver sua performance magnífica.

    Foram dois concertos no Credicard Hall em Sampa, um em Belo Horizonte, um em Brasília e um na capital fluminense. A primeira faixa a sair dos alto-falantes foi “E5150”, assim como na primeira turnê desse quarteto, seguida pela faixa homônima do segundo disco gravado por Dio, “The Mob Rules”.

    As seguintes foram uma mistura dos quatro discos com o baixinho, incluindo o álbum The Devil You Know, que fora lançado no mesmo ano e foi o único lançamento da banda Heaven And Hell. Assim, músicas como “Bible Black”, “Follow The Tears” e “Fear” fizeram as vezes de promover o recente álbum.

    Também foram tocadas “I”, “Country Girl”, “Falling Off The Edge of The World”, entre outras.

    E, por fim, finalmente a banda veio com Ozzy! Isso foi em 2013, e a banda tocou em São Paulo, Rio e Porto Alegre com abertura do Megadeth. Infelizmente, Bill Ward não estava com eles e o baterista Tommy Clufetos, este que já era da banda solo do Madman, foi o responsável por substitui-lo.

    Com duração de duas horas, Ozzy soube como só ele sabe fazer, entreter muito o público com suas frases emblemáticas e muito carisma.

    O disco da vez era o 13 e três faixas do mesmo foram executadas: “End of The Beginning”, “Age of Reason” e “God Is Dead?”. Nem preciso dizer que o resto foram só petardos da Era da formação original. Aí foi um deleite absurdo: “Under The Sun”, “Snowblind”, “Black Sabbath”, “Behind The Wall of Sleep”, “N.I.B.”, “Rat Salad”, “Dirty Women”… chega que estou ficando com água na boca!

    Todos sabemos que os caras não estão no auge, mas a julgar a ocasião especialíssima de ser a derradeira turnê dos senhores ingleses, creio serem imperdíveis para os amantes do som pesado e arrastado deles esses shows em território nacional.

    A primeira cidade a recebe-los é Curitiba no dia 30 de novembro, onde tocarão na pedreira Paulo Leminski, depois no Rio dia 2 de dezembro, na Praça da Apoteose, e dia 4 no estádio do Morumbi, na capital paulista.

    Lembrando que o EP The End, lançado em janeiro deste ano só é vendido nos shows, o que torna a presença elementar nessas datas, meu caro. Deus abençoe os mestres da música de terror!

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  • Três décadas do influente 2º disco do Megadeth!

    As oito faixas de Peace Sells... São simplesmente avassaladoras! Todo amante de um som rápido, com muita técnica e feeling, não consegue parar de ouvir

    Postado dia 22 de setembro de 2016 às 10h em Cultura e Lazer

     

    megadeth

    Foto: Reprodução/Internet

    No dia 19 de setembro de 1986, é lançado o álbum Peace Sells… but Who´s Buying? – o segundo disco do quarteto liderado pelo ícone Dave Mustaine. Até hoje, 30 anos depois, ele é saudado como um dos grandes lançamentos da história do heavy metal.

    Não é para menos. As oito faixas de Peace Sells… são simplesmente avassaladoras. Todo amante de um som rápido, com muita técnica e feeling, não consegue parar de ouvir. Álbum viciante e que mostra muito bem que Mustaine e seu fiel braço direito, David Ellefson, realmente queriam entrar pra história da música.

    Há dois grandes diferenciais deste disco na comparação com o primeiro, Killing Is My Business… and Business Is Good!, lançado apenas um ano antes. Primeiro: a produção deu um grande salto. Afinal, a banda teve um orçamento maior pra fazê-lo. Foi o primeiro disco que o Megadeth lançou por uma gravadora maior, a Capitol Records, assim não ficou parecendo uma gravação ao vivo como é, praticamente, o disco anterior.

    Além disso, em Peace Sells… os caras estavam mais engajados com a sociedade e Mustaine escreveu letras mais politizadas. Aliás, a própria capa já escancara isso: o mascote Vic Rattlehead aparece como um agente imobiliário apoiado em uma placa com a mensagem “For Sale” (“À Venda”) com o edifício da Assembleia Geral das Nações Unidas ao fundo. Era uma forma de ironizar a Guerra Fria e dar a entender que, apesar de a paz estar sendo discutida, no fundo, ela é apenas mais um produto a ser comercializado.

    Outro dado importante é este ser o último disco com a formação original do Megadeth. Após alguns shows, Mustaine demitiu o guitarrista Chris Poland (que voltou à banda em 2004 para gravar o álbum The System Has Failed) e o baterista Gar Samuelson. Ambos eram viciados em heroína e estavam dando muito trabalho para a continuidade da turnê que começou com o quarteto abrindo shows para o Motörhead e, posteriormente, para o Alice Cooper.

    Não gostaria de destacar uma ou duas faixas, pois é um álbum tão conciso que merece ser tratado como uma peça única, com movimentos divididos em oito partes. Porém, como curiosidade, cito a faixa I Ain´t Superstitious, que é uma versão de uma composição do saudoso Willie Dixon, com a primeira gravação feita pelo mestre do blues Howlin’ Wolf em 1961. Lógico que a releitura do Megadeth ficou bem distinta.

    Seu legado é enorme, afinal foi uma fusão perfeita entre o jazz, o punk e o heavy, executados com maestria pela banda. Coincidência ou não, ele divide o pódio com outros dois discos lançados no mesmo ano, Master of Puppets, do Metallica, e Reign In Blood, do Slayer, como os três maiores álbuns da história do thrash/speed metal. Não é pouca coisa mesmo!

    Então recomendo que coloque o disco num belo aparelho de som, com uma baita caixa, e prepare-se pra mexer sua cabeça do início ao fim, sem quebrar o pescoço. Iniciantes devem ser acompanhados por um tutor.

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  • Já são 28 anos de ausência do seu Madruga

    O ator Don Ramón faleceu em 1988, mas seu legado é tão grande que influenciou um monte de gente a fazer teatro, a buscar o cinema e mesmo a se inspirar em trabalhar com humor

    Postado dia 6 de setembro de 2016 às 09h em Cultura e Lazer

    madruga

    Foto: Reprodução/Internet

    Dia 2 de setembro seria o 93º aniversário de um dos grandes atores da história do cinema e da TV: Ramón Antonio Estebán Gómez de Valdés y Castillo, ou apenas Don Ramón, nosso eterno e querido Seu Madruga.

    Ele faleceu em 1988, mas seu legado é tão grande que influenciou um monte de gente a fazer teatro, a buscar o cinema e mesmo a se inspirar em trabalhar com humor. Eu mesmo sou ator muito graças a minha idolatria desde pequeno pelo seriado El Chavo del Ocho, conhecido aqui no Brasil como Chaves.

    Engraçado como tem coisas que estão tão ligadas a sua memória afetiva que você simplesmente não sabe quando aquilo entrou na sua vida. De fato, o seriado começou a ser exibido no país, pelo SBT, quando eu tinha um ano de idade – ó eu entregando minha idade! – em 1984. Logo, ele entrou na minha vida muito antes de qualquer outra coisa! E minha identificação com as personagens, com os episódios e os jargões é enorme. Porém, eu sempre tive uma ‘queda’ maior pelo ranzinza Seu Madruga.

    Lembro que, quando eu era pequeno (tá, faz tempo, eu sei), eu adorava imitá-lo. Achava um barato as caretas e aqueles gestos super expressivos dele, seja quando estava irritado com algo, quando precisava usar de sua malandragem para fugir de um monte de situações (pagar o aluguel, pancadas de Dona Florinda…), para dar uma de galanteador (um dos apelidos dele no México era galán), ou mesmo pra demonstrar carinho a sua maneira.

    madruga2A grande verdade, por mais clichê que soe, é que tudo que eu falar aqui vai ser pouco pra homenagear essa figura ímpar. Não tenho como expressar em palavras o quanto sou grato por ter crescido vendo essa lombriga reumática… digo, digo, digo, esse belo rapaz na tela, me fazendo rir muito junto com minha família e, principalmente, ter me ensinado valores que carrego comigo até hoje.

    O barato do seriado é a humanidade que todos os moradores e frequentadores da vila mais simpática do mundo possuem. Não que eu tenha tido uma infância simplória como a deles, não vou ser hipócrita, mas mesmo assim a gente se identifica com aquelas brincadeiras, com as brigas, com as confusões… pois a vida real é colocada ali.

    Retratar desemprego, fome, relacionamentos, desilusões é exatamente o que toca qualquer um que seja minimamente sensível. Claro que os roteiros de Roberto Gomez Bolaños são geniais, ele era a mente pensante de tudo aquilo – lembrando que El Chapulín Colorado e Chespirito são outros seriados tão espetaculares quanto Chaves – mas, pra mim, a personagem mais fantástica que é a mostra das emoções e sensações mais díspares do ser humano, dos valores mais nobres às espertezas inerentes do homem, é e sempre será o saudoso Seu Madruga.

    Que ele e toda a trupe continuem inspirando e iluminando o caminho de muitas gerações que ainda estão por vir à Terra. Descanse em paz, Ron Damón!

     

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