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Karla Hack

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  • Alimentar é elementar

    Há um ditado que cita: "Não coma nada que sua tataravó não reconhecesse como alimento."

    Postado dia 22 de março de 2017 às 08h em Gastronomia e Receitas

    alimentação

    Foto: Reprodução/Internet

    Que vivemos na correria já é algo estabelecido. Por mais que algumas funções pareçam simplistas em comparação a dos outros – como a vida de uma dona de casa versus a de um neurocirurgião -, o dia-a-dia faz questão de consumir nossos momentos em velocidade luz. E dentre as mazelas que esta loucura vigiada pode nos trazer, a má alimentação é uma das protagonistas. Optamos por resolver problemas maiores, responsabilidades mais pesadas, que a escolha de um bom combustível para nosso corpo. Afinal, porque nos preocuparmos com este organismo, se “apenas” somos ele? Quando foi que deixamos de ser prioridade em nossas vidas?

    A significação do vocábulo alimentar vai muito além do simples conceito de comer. A alimentação não é apenas mastigar um tanto de calorias aleatórias, está conectada ao ato de prover para si e/ou para outrem algo que auxilie no sustento pessoal, seja este físico, mental ou espiritual. Assim, trata-se de uma troca, uma doação, um fornecimento de nutrientes para a satisfação das nossas necessidades elementares. Alimentar é sim uma das formas mais primitivas de expressão do amor. Duvida? Basta tirarmos um tempinho para viajar em nossos arquivos mentais na busca de recordações boas, quantas delas envolvem o sabor de alguma comida que apenas aquela pessoa sabia fazer ou mesmo uma reunião de amigos ao redor da mesa farta?

    O bem alimentar-se soa contraditório ao comer bem; Parece que o sabor não anda junto com o que é considerado saudável. Com tantas opções de alimentos industrializados, promessas práticas de gostosuras, cairmos na tentação do “pronto em 3 minutos” é fácil. Todavia, a falsa satisfação passa tão rápida quanto o cozimento, e o que era um prazer estonteante vira mera fugacidade.

    Não importa quanto aromatizante se coloque naquela comida, ela nunca terá o cheiro de limão colhido do pé, nem o sabor de morangos maduros, nem a textura de um tempero fresco, nem mesmo o colorido natural dos tomates comprados em feira livre. A experiência de uma boa alimentação parte desde de a escolha dos componentes para a composição desta; Sabores que atiçam o paladar em separado, vão aguçando os sentidos, querendo unir-se com outras delícias e texturas esquecidas. Aos poucos vamos aprendendo que um carinho destes merece ser vivido e compartilhado. Vivemos dizendo que precisamos de um tempo para nós, porque não utilizar estes instantes no que é essencial para que nossas forças e energias alcancem o seu patamar radiante?

    Há um ditado que cita: “Não coma nada que sua tataravó não reconhecesse como alimento.” Imaginemos nossa tataravó e a forma como ela provia sua família, cuidando do que colocava na panela, cozinhando com seus truques e encantos, pensando no que agradaria e sustentaria seus entes amados… Não bate uma vontade de entrar naquela cozinha correndo, só para provar daquela experiência de zelo? Pois então, que tal se a gente repensasse as prioridades, os carinhos antigos e entrássemos na onda de amarmos mais a nós mesmos, começando pela comida. De passo em passo vamos descobrindo como alimentar bem não só o físico, mas a alma. Trazendo para junto de nós aquilo e aqueles que são muito além da fugacidade de 3 minutos.

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  • Depoimento de Mulher

    Em meus textos, poesias, sempre falei/falo da feminilidade e do universo que é Ser Mulher – já que vivemos num limiar fantástico entre a sensibilidade e a razão, entre a força e a delicadeza, cada uma na proporção que julga acertada. Somos a diversidade!

    Postado dia 8 de março de 2017 às 08h em Dia Internacional da Mulher

    mulher

    Foto: Reprodução

    Levei muito tempo para compreender quem sou e mais outro tanto para permitir-me ser/gostar de quem eu sou. Agora estou confortável em minha pele, sem demagogias, sem frases feitas, estou de bem comigo. Para chegar neste ponto não foi nada fácil, vi-me presa em ideias do que seria correto, bonito, aceitável, que em muitas ocasiões não se encaixavam comigo e destruíram a minha autoestima. Tenho certeza que não fui a única que teve que atravessar o inferno para notar que o céu em mim já residia.

    Logo de pequena aprendi que existem duas realidades competindo entre si: A masculina e a feminina. Sendo que a primeira deveria brincar de bola, de carrinho, enquanto a segunda seria delicada e adoraria bonecas. Nunca fui assim. Sempre gostei de sujeira, de futebol e de brigar; Uma verdadeira moleca! Por um tempo ouvi comentários de como minha postura era inadequada e de menino. O bom de criança é isso, eu ouvia e não ligava. Só queria continuar como sempre.

    depoimento1Já na adolescência, continuei atípica. Não era de maquilar-me, ou de usar a última moda, ou mesmo de sair por aí atrás de desculpas para falar com o “crush”. Usava roupas largas – algumas até do meu pai – num estilo beirando ao grunge. Não era depressiva, só fechada. Comecei a duvidar de mim.

    Neste âmbito de questionamentos percebi-me fraca perante o ambiente. O primeiro ataque recai sobre a aparência. Pensava: “Não sou bonita. Desprovida de charme. Gorda.” E mais outras tantas besteiras que não calavam. Depois, comecei a achar que ser estudiosa também era um problema. Também via a sexualidade como algo até certo ponto limitado.

    Por muitos anos pensei sim que a mulher tinha que ser: Magra, esbelta, inteligente – mas não demais –, delicada e sexualmente refreada. Dá para acreditar que neste universo de liberalidades e interconectividade, após tantos anos de acontecimentos marcantes para o feminismo, o conceito que me foi repassado era este! (Palhaçada, não é mesmo?)

    feminino

    O que me causa mais espanto é que ainda muitas mulheres entendem isto como sinônimo de feminilidade. Senão na totalidade, em partes. Por alguma razão estamos emperradas em quatro obstáculos, quatro papéis que, em separado, apenas servem para barrar a magnitude pessoal de cada uma de nós.

    Nos prendemos à FÊMEA, exigindo que nossa aparência deve ser a mais perfeita e padronizada possível. Quando é a diferença que nos torna atraentes, interessantes. Se for magrinha, adore suas linhas retas, abuse das cores, arrase na sua miudeza. No caso de ser gordinha, ressalte as curvas, caminhe como se o mundo devesse seguir cada voltinha sua, idolatre sua abundância. Muito busto? Pouco Busto? Quadril largo? Fino? Alta? Baixa? Seja você, valorize você. Afinal, temos sorte, somos naturalmente lindas!

    Emperramos na MÃE/ESPOSA. Ao contrário do dito, nem todas as mulheres tem os mesmos objetivos, a mesma ideia de família. Eu sonho em ser mãe, mas você pode não querer isto e está tudo bem. É um espírito livre e não pensa em casar? Ou acha que casar com seus 40/50/60 anos é o ideal? Ok. Ainda se critica as que escolhem um caminho diferente, rotula-se. Ser mulher é estar além disto e não ligar para tais. Seguir seu caminho conforme você julga certo; Isso sim é viver a sua infinidade.

    dvpr3Ficamos congeladas na PROFISSIONAL. Ambicionamos muito e somos incrivelmente capazes. Na expansão que vivemos, sabemos de nosso poder. Todavia, ainda há quem se intimide com a figura de uma mulher bem-sucedida, inteligente e decidida. Não devemos viver somente para o trabalho, isto é certo; Fechar os encantos em prol de terceiros. Podemos e devemos ser profissionais e femininas. Afinal, um lado não afeta o outro, não é verdade?

    Travamos diante da VÊNUS. A sexualidade sempre será tabu e nem se sabe o porquê. Acredite na sua e a explore de maneira saudável e segura. Pense em você e não apenas no seu companheiro(a). Somos desejo somado a emoção e devemos provar da nossa amplitude.

    O que é ser mulher hoje senão o encontro de todas estas áreas em harmonia? Ainda estou muito longe do ideal; vejo-me bem mais próxima, no entanto. Agora me sinto mais segura, fiel aos meus princípios, adorando a beleza real que há nas particularidades minhas. E todas nós merecemos este equilíbrio almejado. Como já se cantou em Pagu: “Porque nem toda feiticeira é corcunda; Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem…”. Somos iguais e opostas, corajosas e sem medidas; Desejo que, nesta miscelânea toda, possamos aproveitar a magia de cada aspecto, tornando-nos fortes como nascemos para ser.

    Afinal, somos guerreiras e deusas do cotidiano.

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  • Assunto de mulher: quando compreendi o que é amor

    Se me perguntarem qual o filme que eu considero mais romântico, com certeza seria Antes do Amanhecer

    Postado dia 10 de fevereiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    amor

    Foto: Divulgação: – Cena do filme: “Antes do amanhecer”

    O título pode até soar pretensioso, como compreender o amor (falo aqui do romântico)? Não há como delimitar o sentimento em uma definição específica, ou mesmo uma manifestação tal que impeça a dúvida. Sei disto. Mas, a percepção pessoal do que seria esta vastidão ilusória que mistura tesão e carinho, esta sim pode ser revelada. O meu instante ocorreu frente ao filme Antes do Amanhecer, ainda nos idos da boa época da Sessão da Tarde.

    amor

    Tradução – Sempre vi o mundo como este lugar onde eu realmente não pertencia.

    Celine e Jesse se conhecem no caminho de suas viagens. Cruzaram e arriscaram, mudando o trajeto para que algumas horas fossem vividas juntas. Há uma ousadia nesta ação, nem falo por serem desconhecidos, quando os dois optaram por saltar do trem, não temeram baixar a guarda e revelar-se. O trivial costuma dominar as relações de hoje… Eles tinham um dia, fizeram mais do que muitos fazem em uma vida.

    Numa das cenas mais bonitas da película – que é repleta de momentos preciosos – o casal discute sobre o que seria mais importante na vida. Neste diálogo Celine definiu o amor como algo divino, residindo no espaço entre duas pessoas. Em suas palavras: “Se há algo de mágico neste mundo, deve estar na tentativa de compreender alguém, compartilhar algo. Sei que é quase impossível ter sucesso… Mas, quem se importa? A resposta deve estar na tentativa.”:

    Em que pese hoje viva um momento mais Jesse, querendo alguma coisa além, as pouquíssimas vezes em que me apaixonei – não sou daquelas que faz juras de amor tão facilmente – vi-me como Celine: buscando  perceber o espaço entre nós dois.

    Tradução: Você não pode substituir ninguém... porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

    Tradução: Você não pode substituir ninguém… porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

    Para mim não é possível falar de amor sem o conforto de “ser eu mesma” e vice-versa. O silêncio é um outro bom indicativo disto, as vezes palavras não valem tanto quanto o estar junto, ao som de Kath Bloom.

    Celine e Jesse se perderam durante anos, até se reencontram no Antes do Pôr-do-Sol, terminando a sequência iniciada em Antes da Meia-Noite. Rever os dois e notar que aquela noite sobre as estrelas foi o referencial de amor deles só me fez acreditar mais e mais de que compreender o sentir assim não era errado. Quem sabe um dia eu tenha a sorte e encontre o que não temo procurar.

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  • Por ser mulher

    Primeira regra que aprendeu quando criança foi que havia nascido sob o signo da fêmea, e, por tal, deveria sempre estar alerta aos perigos do mundo

    Postado dia 1 de fevereiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    mulher

    Foto: Reprodução/Internet

    Nem é tão tarde, mas a rua está particularmente escura. O sol se escondeu um pouco, a iluminação pública falhou, o movimento diminuiu de repente, ficou ermo. Seu destino é logo ali. Você segue. Afinal, você é uma pessoa adulta, tem seu celular em mãos e seu salto não é tão alto assim. São apenas mais alguns passos e estará lá, sã, salva e protegida.

    Primeira regra que aprendeu quando criança foi que havia nascido sob o signo da fêmea, e, por tal, deveria sempre estar alerta aos perigos do mundo. Você é mais frágil, você não tem direito a tantas vontades, você nem sempre será respeitada. Nem tinha seu corpo formado quando começou a ouvir os comentários indesejados sobre seus atributos.

    Desde que se conhece por gente foi assim. Andar na rua invariavelmente gera alguma virada de cabeça, um assobio mais alto, um sonoro “gostosa”. Não importa que roupa escolha, que esteja com o cabelo oleoso, sem maquiagem, alguém vai falar. Só que você está acostumada. Incomoda sim, mas, ignora. O mundo é assim mesmo.

    mulher

    Seu olhar fixa-se para o chão, a calçada é irregular e está um pouco suja, sua sombra segue a sua frente como guia. Só mais algumas quadras, você repete mentalmente. Notas de quem se vê sozinha na escuridão indesejada. Ao longe percebe um carro, seu olhar não se levanta, mas sente a velocidade diminuir a cada instante que se aproxima. Seu foco é em segurar mais firme sua bolsa, em não largar seu celular.

    Enquanto o veículo lentamente passa ao seu lado, você encolhida e desprotegida, sente aquele fitar malicioso de que conhece bem. Ele segue e você volta a respirar. Mais algumas quadras e estará bem.

    Quando pequena, começou a desenvolver um sexto sentido para o perigo. Qualquer respiração desproporcional, qualquer ruído desconectado, qualquer alarde indevido, faziam seu corpo saltar. Sobressalto que não escondeu quando sua sombra encontrou outra sombra. Do sobressalto ao passo acelerado, ao grito escondido, ao desespero contido… Ao susto, que só passou quando viu outra mulher cruzar a sua frente. Houve condescendência ao medo.

    O destino à frente, a calma com a luz. E lá dentro discutiam mais uma história absurda, algo sobre uma garota que havia sido estuprada por não sei quantos – quem sabe ela tivesse sua parcela de culpa, quantas vezes não ouviu isso? Uma história que há séculos que se repete, há séculos se cala, há séculos se consente. O final justificou seu medo. E você acorda por segundos: isso nunca vai mudar?

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  • Atrizes em outro gênero

    Atrizes em Outro Gênero: Mulheres que Interpretaram Homens e Afins no Cinema

    Postado dia 13 de janeiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    mulheres

    Foto: Divulgação – A vida de artista e as performances de Yvonne Rainer

    Logo que o teatro surgiu, todos os papéis eram interpretados por homens já que a participação de mulheres não era permitida. Todavia, com o correr dos anos, elas foram conquistando seu espaço nos palcos e mudando a perspectiva da profissão de atriz. A feminilidade intimidava quando acoplada a força e a ousadia, inerente característica de várias destas atrizes. Se hoje a arte é respeitada foi graças a ação “indecorosa” das fêmeas do passado.

    Se antes cabia aos homens exibirem os trejeitos femininos, agora são elas que surpreendem quando escaladas a viver o outro sexo. Assim, no intento de homenagear a amplitude feminina neste Dia Internacional da Mulher, montei uma lista em que mulheres no cinema usaram do crossdressing para dar vida a uma personagem de outro gênero.

    Elas Eram Eles

     

    – Cate Blanchett em Não Estou Lá

    Neste inusitado filme de Todd Haynes, os trajetos seguidos para deslindar a personalidade única de Bob Dylan resultaram no espaço para seis atores diferentes interpretarem o ícone; Inclusive a linda da Cate Blanchett que dá show na faceta denominada Jude Quinn.

     

    – Tilda Swinton em Orlando

    A beleza do visual andrógino de Tilda rendeu a ela a personagem de Orlando, um jovem rapaz da nobreza o qual foi ordenado pela Rainha Elizabeth que permanecesse jovem para sempre, o que acaba ocorrendo. Todavia, no curso dos séculos desta história o homem transformasse em mulher.

     

    – Miriam Shor em Hedwig – Rock, Amor e Traição

    Há dois crossdressing neste filme: O da Miriam que é membro da banda de Hedwig; E a própria Hedwig, interpretada por John Cameron Mitchell. No caso da personagem de Miriam, trata-se de um homem que  trabalhava com transformismo e acabou se envolvendo amorosamente com Hedwig.

     

    – Felicity Huffman em Transamérica

    Felicity faz o papel de um homem que está prestes a realizar uma cirurgia de mudança de sexo quando descobre que tem um filho, querendo conhecer o garoto. Uma boa atuação.

     

    Elas Fingiam Ser Eles

     

    – Barbra Streisand em Yentl

    A película conta a vida de Yentl, uma jovem garota que deseja aprender os ensinamentos religiosos do Talmud, estudo somente permitido aos homens. Ela, por sua vez, se traveste de Anshel e parte em busca de conhecimento.

     

    – Joyce Hyser em Quase Igual aos Outros

    Trata-se da história de uma bela garota que foi impedida de participar de uma importante competição jornalística por ser mulher. Determinada a conseguir um estágio no jornal de sua cidade, ela se veste de homem.

     

    – Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado

    Com uma premissa similar as de cima, a personagem de Gwyneth também se vê impedida de realizar algo por ser mulher; Neste caso, participar de uma peça de teatro. Contudo, veste-se de homem, conquista o papel principal e ainda acaba apaixonando-se por Shakespeare

     

    – Julie Andrews em Victor ou Victória

    Uma pobre cantora distante do sucesso e vivendo na miséria conhece um cantor homossexual. Ambos armam um golpe: Ela finge ser um homem no dia-a-dia e, para as suas apresentações, se traveste de mulher. Assim, alcançando o estrelato.

     

    – Hillary Swank em Meninos Não Choram

    Hillary dá vida a jovem Teena Brandon, uma garota que decide mudar de sexo. O filme explora sua vivência como homem – namorando uma mulher e saindo com os amigos – e o reflexo da descoberta da verdade pelos outros, culminando em um ato atroz de violência. Baseado em eventos reais.

     

    – Glenn Close e Janet McTeer em Albert Nobbs

    Janet e Glenn – especialmente Close – estão soberbas neste filme que explora a difícil escolha de tomar as rédias de sua vida ao custo que for perante a sociedade machista da Irlanda do século XIX. Disfarçadas de homens, ambas buscam sonhos e uma identidade pessoal.

     

    “Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres “frageizinhas”, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.” (Lya Luft)

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  • Les Petites Plaisirs d’Karla

    Resolvi fazer uma lista - sem ordem de relevância - de QUINZE das minhas sensações prazerosamente satisfatórias:



    Postado dia 5 de janeiro de 2017 às 08h em Meninas e Mulheres

    petites

    Foto: Reprodução

    Ontem escolhi acordar ao som de um dos meus músicos preferidos: Jamie Cullum. Ele tem este estilo modern jazz e toca absurdamente bem, sem comentar nos arranjos que dão nova roupagem aos clássicos absolutos de uma outra era. Selecionei a What a Difference a Day Made, a qual originalmente foi gravada na década de 30, simplesmente fantástica na voz do Jamie. Se não conhece a canção recomendo que ouça primeiro a versão da Dinah Washington – A MELHOR! Acho que foi o clima da música, não sei, mas levantei revigorada e mais atenta aos detalhes do correr diário. Com o virar da ampulheta, o ar de ressurgimento que há com o nascimento de um novo ano, comecei a questionar-me sobre as delícias que passam em branco por culpa desta pressa desenfreada. A vida é recheada de sensações que nem percebemos quantos pequenos prazeres, simples prazeres, são capazes de nos satisfazer e causar aquele sentimento – ainda que momentâneo – de pura felicidade.

     

    Então, resolvi fazer uma lista – sem ordem de relevância – de QUINZE das minhas sensações prazerosamente satisfatórias:

     

    1. O Som da Chuva: Bastam os primeiros pingos alcançarem a superfície para aquela sensação de aconchego surgir. O barulho molhado faz-me calma e inspirada. Adoro um dia chuvoso para escrever e sonhar.
    2. Encontrar Dinheiro Inesperado: Seja dentro de um bolso escondido de um casaco, embaixo da almofada do sofá, em uma antiga carteira, no lado da televisão, ou sei lá mais aonde, quando encontro algum dinheiro – assim de surpresa – já começo a imaginar as possibilidades ou aquela compra que evitei e que agora posso fazer. Naquele instante tenho um mundo de escolhas, um certo poder.
    3. O Cruzar de Olhares Curiosos: Eu vejo ele; Ele me vê; E nos entendemos.
    4. Um Banho Quente: Relaxar cada músculo do corpo e ali saborear cada toque na água sobre minha pele, limpando o que não quero mais em mim. Alguns minutos de distanciamento com o mundo lá fora.
    5. Receber Carta: Tornou-se tão longe da realidade atual, que nas raras vezes que o correio aportou em meu lar com uma carta de verdade, escrita à mão e com o cheiro da pessoa meu coração saltou num ímpeto de emoção.
    6. Comprar a Roupa com Caimento Preciso e na Exata Cor Imaginada: Um verdadeiro achado para a autoestima!
    7. Conversar: Passar horas trocando ideias, vivências, opiniões, conhecimentos, risos, besteiras, toques, lágrimas, confissões, desabafos…. Doar-se naqueles instantes despendidos com um bom amigo. Alma em elevação.
    8. Reencontrar Alguém do Passado e Perceber que sou Lembrada com Carinho: Marcar a vida de uma pessoa, sem nem mesmo ter ciência disto, sempre me causa uma certeza de estar no caminho certo, ainda que não saiba inteiramente qual o meu destino é.
    9. Tocar a Música que tanto Adoro e há Muito não Ouço: Só me resta dançar e cantar mais alto do que o permitido.
    10. O Primeiro Gole Após Muita Sede: Saciedade pura e simples.
    11. Perceber que Tenho Mais Tempo para Continuar Dormindo.
    12. Concluir Algo: Nada satisfaz mais do que a sensação de conclusão, de ter completado e conseguido. A sensação de dever cumprido, por mais brega que soe, liberta para um novo começo.
    13. Lençóis Limpos: Com cheiro e toque assepsia.
    14. Elogio Inesperado: Sentir que sou valorizada, até nos rebites de meu ser e onde não captei esta possível qualidade.
    15. Gargalhar de Verdade: Encher-me de alegria.

     

    Meus pequenos prazeres corriqueiros são estes; triviais, eu sei. Nem por isto menos agradáveis.
    E aí, quais são os seus?

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  • Post Secret: segredos compartilhados

    Os segredos possuem um peso enorme aos que os carregam. E quem não os carrega?

    Postado dia 22 de dezembro de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    segredos

    Foto: Reprodução

    Alguns mais simples, outros mais sombrios, todos acabamos criando um arsenal interno de coisas não ditas, coisas supostamente esquecidas. Cada um lida como considera perante tais, cultivando o silêncio da melhor forma possível. Mas, e quando ignorar aquilo não mais serve? E quando já se tornou uma epifania impossível de ser alardeada? Às vezes compartilhar é a alternativa.

    Dizem que segredo compartilhado não é mais segredo. Frank Warren – após um sonho incrível – acabou criando um projeto interessantíssimo onde compartilhar e sigilo são parceiros: Post Secret (http://postsecret.com/). O qual tem a proposta de ser um espaço onde, através de cartões postais feitos em casa, as pessoas podem enviar seus segredos anonimamente. Estas obras de arte particulares não só afetam a quem compartilhou, como também aos que leem e identificam-se.

    O projeto surgiu – em 2003 – através de um sonho que Warren teve quando em Paris. Após comprar três cartões postais do Pequeno Príncipe, Frank foi até o hotel e os largou na estante. Enquanto dormia sonhou que em cada um daqueles cartões havia uma frase. No primeiro: “unrecognized evidence of forgotten journeys unknwolingly rediscoverd” – irreconhecível evidência de esquecidas jornadas desconhecidas redescobertas. No segundo: “Reluctant Oracle” – Oráculo Relutante. E no terceiro, o qual lembrou apenas um ano depois de início do projeto: “You will find your answers in the screts of strangers” – Você encontrará respostas nos segredos de estranhos. Desde 2003 o projeto rendeu o Site, 4 livros, Tumblr e Exposições.

    Há algum tempo venho acompanhado este trabalho e digo: É impossível ficar indiferente. Confira você mesmo com alguns dos segredos abaixo (aviso que fiz uma livre tradução deles):

    Algumas vezes penso que o céu é aqui, e nós só não percebemos isto ainda.

    Não me sentia como uma criança antes.
    Não me sinto como um adulto agora.
    Mesmo depois de 2 anos, ainda não consigo comer panquecas com banana…
    Porque eu sinto muitas saudades suas.

    Fiz meu terapeuta chorar.

    Tenho 49 anos e ainda estou esperando minha vida começar.

    Ninguém sabe que não retornarei ao meu trabalho após as férias de verão.

    Quando estou desesperado, lembro-me: Sou uma boa pessoa.

    Minha ansiedade (irá arruinar a minha vida) não me domina.

    Tenho medo que como será a minha vida.

    Sou grato ao psiquiatra que via quando tinha 19 anos, o qual me disse que tudo ficaria bem.
    Ele salvou minha vida.

    Eu costumava ser bonita.

    Deixo poesia nos livros de biblioteca.

    Quer saber um segredo? toda vez que eu chego perto de alguém emocionalmente, meu coração insiste que não sou bom o bastante para eles, então os afasto. Tenho medo de acabar sozinho.

    Tenho 39 anos de idade, e quase tudo que faço é motivado pelo meu desejo de ser popular.

    Digo a todos que não acredito em Deus, quando na verdade eu me recuso adorar a um deus que permitiu que meu avô me MACHUCASSE da forma como ele me machucou.

    Eu odiava o meu marido.
    Costumava chorar toda vez que ele estava em cima de mim.
    Ele nunca notou. Finalmente eu deixei ele.
    Aqui o segredo:
    Faça o que você precisa fazer, o tempo cuida do resto…
    Pela primeira vez desde que eu era um bebê estou FELIZ.
    Tenho 28 anos.

    Eu acredito que nunca serei feliz em um relacionamento, porque tudo que eu quero é que minha vida siga como um filme.

    Estou realmente assustada em perder todo o meu peso, porque aí terei que encarar meu medo de homens e não terei mais onde me esconder.

    Não sei se o que mais me assusta – Saber que estou apaixonado por você, ou perceber que estar apaixonado por você me faz gay.

    Comprei este cartão para enviar ao meu pai. Mas, esqueci e agora eu não posso mais.

    Pensar em estar com ele é mais excitante do que realmente estar.

    Sou a esposa de um Pastor Batista.
    Ninguém sabe que eu não acredito em Deus.

    Certa vez pus cabelo em minha massa no restaurante quando decidi que na verdade eu queria batata frita.

    Sonho que em algum lugar existe um amante que saberá quando eu estou fingindo.

    As pessoas pensam que eu parei de mentir…
    Mas, eu só me tornei melhor nisto.
    Ainda estou apaixonado por ela.
    Eu espero que ela leia isto,
    E reconheça minha letra.
    Esta é a minha última tentativa.

    Fico furioso quando ninguém se aproxima de mim, mas na verdade… eles estão se aproximando… Eu só não consigo ver através deste muro.

    Quando você terminou comigo eu chorei constrangedoramente na sua frente. No segundo que você saiu, parei de chorar e peguei uma cerveja para comemorar.

    Estou começando a perceber que os momento dos quais mais sinto falta…. Não foram sequer reais.

    Finjo que estou falando no celular quando não quero conversar com pessoas em público. Sim, inclusive com você.

    Gosto de arte de rua esperançosa.

    Sou uma ateísta que está namorando um católico.
    Não poderia ter pedido por algo melhor.
    Obrigada, Deus.

    Odeio 87%  da minha geração.

    Não tenho ninguém para conversar sobre os meus problemas…
    E isto dói mais do que qualquer problema que eu tenho.

    Encontrei um amor que me fez esquecer.

    A propósito, desejei por você.

    Como um presente a mim mesmo, nunca irei perdoar-lhe.

    Gostaria que um “Sinto Muito” fosse o suficiente.
    Mas, todos sabemos que não é

    Acho cenas de porno lésbico sexy, e eu sou uma pequena garota hétero.

    Encontrei estes selos quando era criança, e estive esperando minha vida inteira por alguém especial para enviá-los. Esta pessoa nunca apareceu.

    Secretamente penso em mim como um artista que não faz arte.

    Tudo que eu quero é o tipo de amor que dure uma vida inteira.

    Psst, Ouça aqui um segredo…
    Seu último pensamento mortal será, “porque eu tive tantos dias – inclusive este – como certo?”.
    Um medo:
    E se minha arte não significar nada para ninguém a não ser eu mesmo?

    Eu dou café descafeinado aos clientes que são rudes comigo.

    Estou virando um escritor para dar a nós o final feliz que merecíamos.

    Faço todo mundo acreditar que eu gostaria de ser diferente, quando na verdade eu simplesmente não me encaixo.

    Eu finjo ser pura.
    Gostaria de ser mais mulher, e menos infantil, quando estou com homens.

    Gostaria que minha vida fosse excitante.

    Destruí os meus vídeos de criança, porque dói ver-me antes da minha inocência se arruinada.

    Eu ainda não acredito que você me ame.

    Toda vez que tenho que fazer um pedido num restaurante, eu escrevo ele e finjo ser do minha chefe incrivelmente exigente. Aí, eu reclamo de como ela é “chata”. Eu não quero ser “Aquela Mulher”.

    Eu sequer tenho certeza de que meu segredo seja verdade.

     Como se pode ver os segredos são dos mais variados, desde uma mania até uma agressão. O mais interessante é que cada um vai ler este sob a luz de sua vivência e sem poder julgar, já que confissão não tem rosto, só sentimento. confesso que durante este trajeto já esbarrei com alguns que calaram em minha alma e fizeram-me até repensar algumas coisas. Como já dizia no sonho de Frank Warren:

    Encontrará as suas respostas nos segredos de desconhecidos.
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  • Mulheres reais têm curvas!

    Cada corpo é perfeito na medida que serve de instrumento para o nosso dia-a-dia. Mas o Ser vai muito além dessa massa corpórea

    Postado dia 23 de novembro de 2016 às 09h em Meninas e Mulheres

    curvas

    Foto: Divulgação

    Algo que aprendi após muitos anos de luta com relação a minha aparência, Ana (personagem interpretada pela linda da America Ferrera no Real Women Have Curves) sabia por instinto: a beleza da mulher independe do seu tamanho. Afinal, mulheres reais possuem curvas.

    Parece estranhamente óbvio isto se pensar que mulheres possuem seios, cintura, bunda, tornozelos, voltas e mais voltas em si mesmas, por si mesmas.

    Nada de errado com estas curvas, fazem parte do retrato instável e delicioso de mulher longe da idealização. Repito: Idealização, não perfeição. Afinal, cada corpo é perfeito na medida que serve de instrumento para o nosso dia-a-dia, ele funciona de meio. O Ser vai muito além desta massa corpórea, compõe-se de posturas, gostos, leveza, pensamentos… justamente aí reside o belo: na consciência de Ser.

    Quando era criança costumava ouvir que era feia, não pelo meu peso, e sim pelo meu rosto – olhos puxados, pele clara demais, dentes tortos, óculos. Entrei na faculdade e as pessoas se referiam ao meu rosto como bonito, mas a flutuação de meu peso ganhou outra força.

    Passei de feia, para gorda. Após diversos problemas pessoais, perdas irreparáveis, dietas malucas, remédios sem prescrição, decepções amorosas, correrias, falta de organização, substituições emocionais por comida, cheguei ao meu limite: a garota que entrou na faculdade com cerca de 60kg, dois anos após formada estava com 95 kg.

    Contudo, a menina insegura dos anos atrás via-se obesa e linda! Foi preciso este trajeto todo para eu enxergar além dos julgamentos inevitáveis e adorar-me pelo que sou por inteiro.

    curvas

    Tradução: “Como alguém se atreve a me dizer o que eu deveria parecer…”

    As divinas mulheres desta cena do filme Real Women Have Curves são exemplos perfeitos de autoestima: link do vídeo aqui!

    Neste caminho por “bem-querer-me”, percebi o quão distante do saudável era a minha relação com a comida. De alguma forma impus certo poder ao alimento que não lhe cabe, fiz dele o meu substituto para um real bem-estar – seja no estresse, na frustração, no tédio ou na raiva. Isto não me faz bem e quero melhorar, tornar-me esta versão saudável da bela que já sou.

    Caminhei até a obesidade para me descobrir linda e fiz o trajeto contrário, emagrecendo e tornando-me uma pessoa mais consciente do meu corpo, para então encontrar toda uma nova trajetória de vida. Mudei de emprego, desisti de algo que não estava me satisfazendo, enfrentei medos, corri maratona, descobri alguns novos talentos, desafiei-me!

    ? Confronta-te!

    Já parou na frente do espelho perguntando-se: como me transformei em quem sou? Gosto disto? Por mais que as circunstâncias do ontem sejam bagagens pesadas e assustadoras, uma hora temos que enfrentar o que está escondido nas reentrâncias caladas do passado. Encarar, selecionar e deixar para trás.

    Somente abrindo espaço é que o novo pode aninhar-se. Quer uma perspectiva nova em sua vida? Que tal começar dando um novo passo, tomando um novo rumo, redescobrindo-se?

    Quanto a celulite, as estrias, as gordurinhas localizadas, vou continuar a tê-las em maior ou menor intensidade conforme os anos. Não é algo que me impeça de colocar um biquíni e curtir o calor.

    E, nas palavras de Anäis Nin: “Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária, a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma.”

    E os incomodados que se retirem!

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  • Desabafo de Bruxa

    Nascer mulher não deveria ser uma iniquidade acompanhada de punições e limitações. Atravessamos séculos desde a Inquisição, e ainda somos hereges por sermos “Bruxas”.

    Postado dia 3 de novembro de 2016 às 08h em Meninas e Mulheres

    bruxa

    Foto: Reprodução

    Era Dia das Bruxas, a data pagã que se popularizou em virtude da magia das fantasias e do famoso “Gostosuras ou Travessuras” norte-americano. Admito que o termo “bruxa” sempre me causou um fascínio, por considerar ele extremamente feminino. Claro, eu sei que existem bruxos, feiticeiros e outros magos, mas, a bruxa parece algo tão de mulher que só poderia resultar em encantamento meu; Fora toda a questão histórica que envolveu a infame Inquisição, onde o fato de ser uma figura fêmea já lhe servia de indicativo para a fogueira. Enfim, era um dia que em mim brotava um senso maior de feminilidade e alguém o feriu brutalmente.

    Há poucos dias aconteceu um assassinato na cidade vizinha a minha. Uma mulher saia de seu trabalho quando levou dois tiros na cabeça, o autor do crime foi seu ex-marido. Enquanto eu e uma amiga comentávamos sobre a atrocidade, um homem desconhecido acrescentou: “Bem-feito pra ela. O cara pagou um monte de plástica pra deixar ela gostosa, pra depois ela se separar e ficar com outro. Tinha que matar mesmo”. Sabe aquela incredulidade emudecedora, seu corpo todo fica em completo choque que não consegue esboçar reações? Tinha levado um soco seco no estômago e lutava para me reerguer. Em segundos minha cabeça fez um catálogo de histórias, fatos, legislações, comentários, olhares, vozes, rostos, pessoas… a sensação de náusea acompanhou-me durante todo o dia. Como podia alguém pensar desta forma e ter tanta certeza da “razoabilidade” do argumento a ponto de compartilhar isso? A vítima – mulher, mãe, fêmea – não apenas era culpada, como merecia isto?! Ah.. é.. esqueci que ela deveria ser propriedade do homem e ele poderia fazer o que quiser com ela. Esqueci que todas as leis, todas as declarações de Direitos Humanos, todas as lutas foram revogadas e ser mulher é sim uma condição irrevogável de CULPA. Afinal, é “A” culpa – gênero feminino.

    bruxa

    Papo feminista sim, é sim. Não consigo calar meu âmago exausto de justificativas infundadas: “Evidente… ela não deveria sair sozinha, a roupa estava muito curta, era uma traidora, ficou com os dois, queria agir que nem homem, mandou fotos nuas pro cara, bancava a puritana, era muito bonita/feia/gorda/magra/sexy/só, era uma puta!”. Chega! Até quando estes pré-conceitos serão “verdade”? Nascer mulher não deveria ser uma iniquidade acompanhada de punições e limitações. Atravessamos séculos desde a Inquisição, e ainda somos hereges por sermos “Bruxas”.

    Estranho imaginar que o mesmo homem que fez aquele comentário ferino está cercado de mulheres em sua vida – mãe, avó, tia, professora, médica, esposa –, mulheres que contribuíram para quem ele se tornou hoje. Quem sabe até possa ter uma filha, uma menina que aos poucos vai crescer e provar de todos os sabores e, infelizmente, dissabores advindos do signo mulher. Esta corda bamba social em que transitamos segundo após segundo com pés de bailarinas, equilibrando-nos nas tênues insanidades humanas.

    Vivemos num mundo de castas disfarçadas, por mais que se tente ignorar, elas estão ali, diariamente comprovadas pelos absurdos de alguns. Agradeço cada pessoa que é capaz de enxergar os eventos além de gêneros e com compaixão. Contudo, enquanto a harmonia não estiver no tempo da música, não há espaço para o silêncio. Precisamos falar sobre Elas.

     

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